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Endócrino - Fisiologia da Tireoide

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T3. 
 
 Funções Sistêmicas dos Hormônios Tireoidianos 
 Sistema Nervoso: é dependente desses hormônios na sua formação. Então, no 
período embrionário, todo processo de formação das cadeias neuronais, processo 
de multiplicação dos neurônios, desenvolvimento de dendritos e axônios, até a 
configuração das sinapses, são induzidos pelos hormônios tireoidianos. Logo, a 
comunicação adequada do sistema nervoso depende deles. 
 Há casos em que a mãe tem deficiência desses hormônios e acaba afetando o 
feto. Quando a criança nasce, ela também vai ter deficiência desses hormônios e 
apresentar hipotireoidismo congênito. Se detectado precocemente, através do teste 
do pezinho, há a reposição dos hormônios tireoidianos e desenvolvimento do sistema 
nervoso da criança. Agora, se não for administrado os hormônios até 45 dias do 
nascimento, o bebê terá o sistema nervoso comprometido. 
OBS: no período neonatal aumenta a formação de sinapses e na fase adulta realiza a 
manutenção dos processos cognitivos. 
 Sistema Respiratório: é afetado por eles, pois no período fetal, o desenvolvimento 
e maturação dos alvéolos dependem deles. Na fase adulta, a regulação da 
frequência respiratória fica a cargo dos hormônios. 
 Ossos: existe a síntese da osteocalcina, uma proteína não-colagenosa importante 
na manutenção do ambiente ósseo; induz o processo de osteogênese. 
 Sistema Cardiovascular: o aumento dos hormônios tireoidianos promove aumento 
da frequência cardíaca, aumento do debito cardíaco, aumento dos receptores 
adrenérgicos. 
 Mas, o hormônio forma e degrada proteínas, então chega um momento em 
que as proteínas funcionais não estão mais disponibilizadas e começam a degradar 
proteínas estruturais e as que formam o tecido cardíaco são actina e miosina. Então, se 
destrói actina e miosina, pode reduzir a 
atividade do tecido cardíaco. Logo, no 
início aumenta-se a produção de 
receptores beta adrenérgicos 
estimulando a ação da adrenalina e da 
noradrenalina no tecido cardíaco, mas 
posteriormente pode haver diminuição da 
atividade do sistema cardíaco pela 
destruição das proteínas estruturais do 
tecido cardíaco. 
 Feedback Negativo 
 Os hormônios tireoidianos vão 
inibir a formação do TRH. Logo, sem o 
hormônio TRH, não haverá a formação do TSH. 
Existem diversos processos pelos quais o organismo utiliza-se deles para que haja a 
inativação do hormônio. São eles: 
 Conjugação: quando o hormônio tireoidiano se conjuga com algum elemento e 
então sofre inativação hormonal; 
 Desanimação ou descarboxilação oxidativa: formando o ácido triiodotiroacético ou 
tetraiodotiroacético; 
 Clivagem da ligação éter; 
 Desionação: o mais comum de ocorrer, porque se o hormônio T3 perder o iodo, 
vira T2, então inativou; se o T4 perde dois, também inativou. Isso ocorre através da 
enzima desiodase. 
 Distúrbios da Tireóide 
 Para avaliar a probabilidade de um indivíduo ter uma doença tireoidiana, deve-
se procurar por sexo, idade, pela mesma razão que algumas doenças atingem mais 
comumente a terceira faixa etária. Assim como também a profissão é importante (o 
indivíduo pode trabalhar com iodo radioativo). Procedência e naturalidade também, 
por exemplo, algumas regiões têm deficiência de iodo no solo, apresentando casos de 
bócio endêmicos, no entanto o indivíduo se muda e só após a mudança é que 
desenvolve a doença, sendo que na região que ele se encontra não há tal deficiência, 
nem casos endêmicos, por isso, deve-se buscar a procedência. Porém, como hoje o sal 
vem iodado, não observamos mais esses casos de bócio endêmicos. Isso é mais 
comum em algumas regiões específicas, como nos Alpes suíços. 
Principais sinais e sintomas: 
 Dor, pois se a glândula hipertrofia, pode comprimir algum nervo ou algum vaso. 
 Dispneia, devido à proximidade com a traqueia. 
 Disfagia, pela proximidade com o esôfago. 
 Disfonia, devido à proximidade da laringe. 
Nesta tabela, são apresentados os sintomas mais comuns dos distúrbios tireoidianos. 
 
SISTEMA HIPERTIREOIDISMO HIPOTIREOIDISMO 
METABÓLICO 
Intolerância ao calor 
(porque ele naturalmente 
vai apresentar tendência de 
ter uma pressão mais alta, 
além de vasodilatação 
superficial na pele e com o 
calor vai vasodilatar ainda 
mais) 
Aumento da perspiração 
(eliminação de suor) 
Aumento do apetite e da 
ingestão de alimentos 
Perda de peso (embora se 
ele se alimentar na mesma 
proporção que gasta, não 
terá perda de peso) 
Pele avermelhada (devido a 
vasodilatação) 
Exoftalmia (inflamação da 
região retro orbital) 
Intolerância ao frio 
Letargia 
Fraqueza generalizada 
Ganho de peso (deposição 
de gordura abdominal) 
Fala lenta (por conta da 
cognição que não 
acompanha o raciocínio) 
Pele seca, pálida e áspera 
(devido a vasoconstrição dos 
vasos) 
Mixedema (edema que 
aparece na região da face e 
dos membros inferiores e é 
decorrente do acúmulo de 
mucopolissacarídeos – ácido 
hialurônico e sulfato de 
condriotina. Essas 
substâncias deixam a pele 
com aspecto bem gelatinoso, 
ela não forma cacifo, ou seja, 
quando aperta no edema 
não fica a marca) 
CARDIOVASCULAR 
Palpitações 
Taquicardia 
Dispneia 
Fibrilação atrial 
Bradicardia 
Pressão baixa 
Insuficiência cardíaca 
Cardiomegalia 
NERVOSO CENTRAL 
Ansiedade e nervosismo 
Hipermotilidade 
Instabilidade emocional 
Fadiga 
Reflexos aguçados 
Tremores 
Apatia 
Preguiça mental 
Reflexos diminuídos 
Retardo mental 
PERGUNTA: por que há acúmulo de líquido na matriz extracelular (edema)? 
RESPOSTA: porque hormônios peptídicos atuam ativando a hialuronidase que atua 
quebrando o ácido hialurônico em polissacarídeos, além de outros compostos 
biodegradáveis, disponibilizando-os para o organismo. Se não há essa quebra irá haver 
acúmulo de mucopolissacarídeos. 
PERGUNTA: o que causa a cardiomegalia? 
RESPOSTA: o coração não está tendo um estímulo para que haja frequência e trabalho 
cardíaco efetivo. Então, as câmaras cardíacas vão entrar em relaxamento. 
 
 Hipotireoidismo na Infância 
 A criança nasceu com hipotireoidismo e não recebeu os hormônios 
tireoidianos, desenvolvendo o chamado cretinismo. Quando uma criança nasce com 
deficiência de hormônio tireoidiano e não faz o teste do pezinho para identificar e 
fazer o tratamento adequado e imediato, ela desenvolve o cretinismo. Ela não vai 
desenvolver o processo cognitivo de forma adequada, não desenvolve o aspecto 
motor (tanto corporal, como fala), tem o olhar perdido no horizonte, pouca 
movimentação da musculatura da face, porque tudo isto está relacionado ao 
amadurecimento do SNC, comprometido neste caso. 
 
A criança cresce um pouco, mas não consegue mudar/desenvolver-se direito, de modo 
que o rapaz da foto, apesar de ter 44 anos, tem uma aparência de criança e necessita 
sempre de cuidados da sua mãe. Possui epífises ainda abertas (o que desenvolve várias 
inflamações na região), pele ressecada, língua espessa, nariz em sela e dentição 
primária. Alguns apresentam plasticidade dos membros inferiores e surdez. 
 
 
 
 Hipotireoidismo no Adulto 
Não é percebido alterações na movimentação, mas em compensação o cognitivo é 
bastante afetado. É um paciente que apresenta fala lentificada, a cognição estará 
precária, o próprio processamento das ideias estará comprometido, mixedema. Essas 
mudanças podem ser reversíveis com o hormônio tireoideano. 
 
 
 
 
Paciente, 43 anos, queixa principal: perda de energia. (O paciente pode descrever esse 
sintoma de formas diferentes; muitas vezes diz estar sem coragem, sem energia pra 
terminar as tarefas, com fraqueza, “moleza”. Importante lembrar que nem sempre a 
“fraqueza” relatada é ausência de tônus muscular, pode ser adinamia). É um indivíduo 
que tem dificuldade para terminar as tarefas, tem muito sono, sempre se sente 
cansado, intolerância ao frio, constipação (redução dos movimentos peristálticos), pele 
fria mesmo no verão. Tem história positiva de histórico de problemas tireoidianos, mas 
não sabe relatar detalhes.