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A presença ignorada de Deus - viktor frankl

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Viktor E. Frankl
1 8aedição
 
ignorada de
 
Título do on'g1n'al alemãoz Der Unbewusste Gott (Psychotherapíe
und Religion), 7a edição alemã modificada, 1988. © Ko"sel-Verlag
GmbH & Co. Munique, República Federal da Alemanha.
Os düeitos da edição brasileüa estâo reservados à
Editora Sm'odal
Rua Amadeo Rossi. 467
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Tel.: (51) 3037.2366
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Coedítoraz
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www.editoravozes.com.br
Para mmh'a 1rm'ã
FIankL V1kt'or E.
A presença ignorada de Deus / V1kt'or E. FrankL Tra-
duzido por Walter O. Schlupp e Helga H. Remh'old. 18. ed.
rev. - Sáo Leopoldo : SmÀodal ; Petrópolis : Vozes, 2017.
14x21cm. ; 131p.
ISBN 978-85-233-0887-2
Título on'g1n'al: Der unbewusste Gott
1. Logoterapia. 2. Psicología 3. Psiquiatna I. Schlupp,
Walter O. II. Remh'old, Helga H. III. Título.
CDU159.9:615.851
 
Catalogaçáo na publícação
Leandro Augusto dos Santos Líma - CRB 10/1273
Sumário
Introduçáo à ediçáo brasüeu'a ................................................... 5
Prefácio à se't1m'a ediçâo alemã ............................................... 10
Prefácio à terceua ediçáo alemã .............................................. 10
1. A essência da anah"se existencial ...................................... 13
2. O inconsciente esp1r'itual .................................................... 19
3. Anal'1'se existencial da conscíência moral ......................... 29
4. Interpretaçâo anah't1'co-exístencial dos sonhos ............... 37
5. A transcendência da consciência ...................................... 48
6. Relígiosidade inconsciente ................................................ 57
7. Psicoterapia e religiâo ......................................................... 68
8. Logoterapia e teologia .......................................................... 73
9. O médico como “cura d'almas"
10. O órgáo de sentído ............................................................... 85
11. A autocompreensáo ontológica pré-retlexíva
do ser humano ..................................................................... 89
12. O ser humano em busca de um sentido último ................ 98
B1b'liografia de logoterapia em língua portuguesa
I e espanhola .......................................................................... 119
Indice de assuntos ................................................................... 129
Introdução à edição brasileira
A psicologia profunda segue o ser humana até as profun-
dezas de seus m'st1n'tos, mas muito pouco às profundezas
de seu espüita
Frankl
O DI. V1kt'or FrankL cn'ador da logoterapia, a terceüa
escola de psicoterapia de V1'ena, que nós brasileiros já
admu'a'vamos através de suas obras, esteve entre nós,
comprovando sua inteligência ímpaL seu caráter inco-
mum e sobretudo sua sabedoria de vida, ministrando
suas criativas lições de logoterapía quando realízamos o I
Encontro Humam'stico-Em'stencíal - Logoterapia, na Ponti-
fícía Um'versidade Católica do Rio Grande do Sul em Porto
Alegre. Nessa ocasíão, 1.200 partícipantes. com entusias-
mo, ouviram e aplaudiram o DL FrankL Também nessa
oportunidade foi fundada a Sociedade Latino-Amen'cana
de Logoterapia, congregando pessoas de van"os países
num mesmo objetívo e num mesmo 1'dea1: a divulgação
da logoterapía como uma ínterpretação científica digna
da pessoa e como uma mensagem de esperança para a
humanidade deste se'culo.
Na obra A Presença Ignorada de Deus, Frankl vai
às profundezas do espírito humano ultrapassando as
fronteiras do psicofísico em direção à consciência. ao
inconsciente espiritual e à existência humana - à pessoa
profunda. E nessa profundidade encontra a mamfestação
da presença de Deus.
Tentaremos apresentaI aquí algumas das pnn'cipais
ideias desenvolvidas por FYankl nesta obra.
Ele faz neste livro. ora traduzido, um Ieparo à psico-
logia profunda que é identificada com o “ 1'd" m'consciente,
tornando~se reducíonista. Essa psicología, reduzindo os
fenômenos humanos à facticidade psicofísica, descuid0u-
-se da pessoa “propn'amente díta” em sua totalidade,
que é o objeto da logoterapia. Aquela psicologia ate'm-se
apenas ao plano psicológico e esquece o plano ontológico.
A logoterapia, como análise existencial que e', reco-
nhece na pessoa a “d1'mensa'o noológica" situada além do
psicofísico, numa visâo mais ampla que mclui o espm"tua1,
entendida não apenas como dimensão religiosa, mas va-
Iorativa, mtelectual e artística. Especialmente nesta obra.
Frankl aplica o conceito de inconsciente, encontrando no
seu conteúdo, além da un'pu1siv1'dade m'consciente, uma
espm"tua]idade m'consciente. Ao reconhecer o m'consciente
espirítuaL Fíankl também afasta toda intelectualizaçâo e
racionalização unilaterais sobre a essência do ser huma-
no, que Ieconhecem-no somente a partir da razáo. Vê no
ser humano uma unidade na totalidade que 1n'clu1': corpo,
psiquísmo e espíríto (noos).
Introduz na prática terapêutica uma 'p'sicologia a
part1r' do espm"tua1", entendida amplamente e incluindo a
dimensão da religiosidade no inconsciente humano. Ele a
encontrou em alguns momentos hnu"trofes da existência de
seus pacientes, e ela tomou-se também man1f'esta na trág1'-
ca expen'ênc1'a dos campos de concentraçáo nazistas, onde
Frankl foi o “ps1'cólogo man'1.r'", que registrou com o olhaI de
cientista e sofreu como homem aqueles momentos de dor.
Como terapeuta expen'ente, descobriu ainda a reli-
giosidade em estado latente no 1'nterior do sujeito, muitas
vezes só revelada através da anal'íse dos sonhos, 1n'clus1've
de pessoas irreligiosas.
É a essa tendéncia inconsciente para Deus que
Frankl chamou de estado inconscíente de relação com
Deus ou "presença ignorada de Deus”. Não constitui a
divxmzação do m'consciente, como o próprio autor escla-
6
rece, nem pode ser considerada uma afirmação panteísta
ou ocultista, nem é uma af1r'mação teológica de que Deus
vive no m'consciente. Frankl fala de uma espécie de “fe'"
ínconsciente e de um "1'nconsciente transcendenta1” que
inclui a dimensão religiosa.
O psiquiatra vienense relata seu trabalho terapêu-
tico com o objetivo de tornax conscientes var'ios aspectos
repnnn"dos, exclusive a religíosidade repmm"da, que ocorre
quando a relação com a transcendência está perturbada.
Afirma que a fe', na escala indiv1'dual, quando se atrof1'a,
transforma-se em neurose e, na escala social, degenera em
superstiçáo. Mostra igualmente que o sent1m'ento religíoso
natural tem sído v1'tun'a da repressão por parte da razão
absoluta ou da inteligência tecnic1'sta.
Frankl discorda de Freud, que consíderou a religiáo
como a subhm'ação dos lm'pulsos sexuais, denomínando--
-a de "neurose obsessiva da human1'dade". Erankl valoriza
a religião como um fenômeno humano a ser considerado
pela psicologia, af1'nando-se com o pensamento de Jung,
James, Bergson, Otto, Scheler e outros.
Importa ressaltar que FrankL embora considerando
a religião como um fenômeno humano entre outros, ao
estabelecer as relaçóes entre a logoterapia e as ciências
teológícas, procura manter a delirnitação entre esta e a
teologia, resguardando a neutralidade do psicoterapeuta
frente às questões religiosas.
Frankl exclui do estudo da logoterapia qualquer
comprometun'ento com confíssão re11'giosa.
Quanto aos fins da psicoterapía e da religiáo, Frankl
destaca-os com muita clareza. O fim da psicoterapia é a
saúde mentaL enquanto o da Ieligíão é a salvação das
almas. Portanto nào se confundem Entretanto, poderão
resultar efeítos proñláticos ou psícoterapêuticos quando
a pessoa experimenta alívio psicológico ao considerar sua
transcendência. ao encontrar o sentido ú1t1m'o da vida em
Deus ou ao sentu'-se ancorada no absoluta Na logotera-
7
pia, o tratamento psicoterapêutico permite 11b'ertar a fé
pnm'ordial reprimida no m'consciente.
Cabe a Frankl a origmalidade do conceito do "Ln'cons-
ciente transcendental cuja riqueza náo está circunscn'ta
somente à dimensâo da re11'giosidade, mas também se
refere à d1m'ensa'o