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Resumo de Vulvovaginite

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vulvovaginites
Ginecologia 9
* Vulvovaginites: processo inflamatório, com aumento da quantidade de polimorfonucleares, que acomete o trato genital inferior; incluem infecções da vagina, cérvice, trato genital superior e também causas não infecciosas, como agentes químicos ou irritantes (p. ex., duchas vaginais ou espermaticidas), deficiência hormonal e eventualmente doenças sistêmicas.
* Vaginose: ausência de resposta inflamatória vaginal.
* Vulvodínea Idiopática: afecção vulvar caracterizada por aumento da sensibilidade vestibular, com prurido e queimação intensos, ocasionando uma dispareunia intensa, de difícil controle.
* Principais causas:
· Vaginose bacteriana
· Candidíase
· Tricomoníase
* Sintomas: representados principalmente por corrimento vaginal, em quantidade, coloração e aspecto variáveis, associados a outros sintomas como odor desagradável, prurido, sensação de ardor e/ou queimação, disúria e dispareunia, a depender do(s) agente(s) etiológicos(s).
* Mucorreia: presente em 5-10% das mulheres; secreção vaginal acima do normal (exame especular mostrando ausência de inflamação vaginal e áreas de epitélio endocervical secretando muco claro e límpido). O exame microscópico a fresco da secreção vaginal revela células sem alterações inflamatórias, número normal de leucócitos e abundantes lactobacilos, estando o pH vaginal na normalidade. O tratamento da mucorreia consiste em assegurar à paciente que as secreções vaginais são normais, sendo importante explicar-lhe a fisiologia normal da vagina e as suas variações relacionadas à idade e às variações hormonais.
* Corrimento: anormalidade na quantidade ou no aspecto físico do conteúdo vaginal, que se exterioriza pelos órgãos genitais externos. Muitas vezes o quadro clínico é insuficiente para determinar a etiologia do corrimento genital, de modo que, para o estabelecimento do diagnóstico etiológico, é de fundamental importância o estudo do ecossistema vaginal, o qual compreende a medida do pH e a avaliação da flora.
ecossistema vaginal
* Secreção Vaginal Fisiológica: variável de mulher para mulher, podendo sofrer influências hormonais, orgânicas e psíquicas. Constitui-se por muco cervical, células vaginais e cervicais esfoliadas, secreção das glândulas de Bartholin e Skene, transudato vaginal, proteínas, glicoproteínas, ácidos graxos orgânicos, carboidratos, pequena quantidade de leucócitos, e micro-organismos da flora vaginal. O aspecto da secreção pode variar conforme a fase do ciclo menstrual e a presença de glicogênio, intimamente relacionada à concentração de estrogênio, e com a utilização de hormônios.
* Conteúdo Vaginal Normal: consistência flocular, cor transparente ou branca e geralmente está localizado no fundo da vagina (fórnice posterior).
* Coloração Normal da Mucosa Vaginal da Mulher Sadia: aspecto rosa-pálido, tornando-se mais clara e adelgaçada em mulheres pós-menopáusicas e “vinhosa” durante a gestação.
* pH Normal: abaixo de 4,5. Vital para a estabilização do ecossistema vaginal.
· Lactobacillus acidophilus (bacilos de Döderlein), por produzirem ácido lático e outros ácidos orgânicos, são os grandes responsáveis pela acidez do pH da vagina. São as bactérias dominantes do conteúdo vaginal normal.
* Microscopia Normal: menos de um leucócito por campo e, eventualmente, algumas clue cells.
* Flora Vaginal Normal: predominância de lactobacilos com algumas bactérias. Composição habitual da flora vaginal em mulheres inclui a presença de:
· Aeróbios Gram-Positivos: Lactobacillus acidophilus, Staphylococcus epidermidis e, ocasionalmente, Streptococcus agalactiae
· Aeróbios Gram-Negativos: Escherichia coli
· Anaeróbios Facultativos: Gardnerella vaginalis, Enterococcus
· Anaeróbios Estritos ou Obrigatórios: Prevotella spp., Bacteroides spp. Peptostreptococcus spp., Ureaplasma urealyticum, Mycoplasma hominis
· Fungos: com destaque para a Candida spp.
* Lactobacilos: Lactobacillus acidophilus suprimem o crescimento dos anaeróbios através da produção de peróxido de hidrogênio, que é tóxico para estes micro-organismos. No entanto, quando os lactobacilos produtores de peroxidase são substituídos por lactobacilos não formadores de peroxidase, ocorre alteração nas características físico-químicas do conteúdo vaginal, sobretudo com a elevação de pH, facilitando o crescimento das bactérias patogênicas. A diminuição na concentração de peróxido de hidrogênio favorece a aderência dos organismos patogênicos às células epiteliais vaginais, o aumento da população de Gardnerella vaginalis e a diminuição da concentração de oxigênio, resultando em aumento das bactérias anaeróbias.
* Nas pacientes com vulvovaginites:
· Número de lactobacilos é pequeno ou inexistente
· Número de leucócitos aumenta, (até 10 para cada célula epitelial) 
· Número de bactérias aumenta
* Mecanismos de Defesa da Região Genital contra Agressões Externas
· Vulva
· Tegumento.
· Pelos abundantes.
· Coaptação adequada dos pequenos lábios.
· Vagina
· Acidez (pH 4,0 a 4,5).
· Lactobacilos.
· Integridade do assoalho pélvico.
· Justaposição das paredes vaginais.
· Espessura e pregueamento das paredes vaginais.
· Alterações cíclicas.
· Colo
· Muco endocervical.
· Ação bactericida.
· Integridade anatômica.
* Fatores Predisponentes para Vulvovaginites:
· Diabetes.
· Ingestão de esteroides.
· Uso de Antibióticos: podem favorecer o crescimento de leveduras e suprimir o crescimento de organismos comensais, permitindo o domínio de bactérias patogênicas.
· Uso de imunossupressores.
· Uso de Duchas Vaginais: alteram o pH vaginal, suprimem o crescimento de bactérias endógenas de forma seletiva.
· Uso de lubrificantes vaginais.
· Absorventes Internos e Externos: uso prolongado de tampões vaginais pode desencadear reação inflamatória com consequente distúrbio da microflora endógena.
· Depilação exagerada e frequente.
· Relações Sexuais e Prática de Coito Não Convencional: as relações sexuais promovem desequilíbrio no ecossistema vaginal por alteração no pH vaginal e por facilitação na introdução de micro-organismos.
· Uso de preparações contraceptivas orais ou tópicas, incluindo DIU.
· Uso de hormônios.
· Estados hiper/hipoestrogênicos.
· Doenças sexualmente transmissíveis.
· Estresse.
· Mudança de parceiro.
· Traumas.
· Períodos de hospitalização prolongada.
vaginose bacteriana
* Desequilíbrio da flora vaginal.
* Síndrome clínica polimicrobiana caracterizada pela ausência de lactobacilos e por crescimento excessivo de organismos anaeróbios facultativos, com proliferação de uma flora mista composta por Peptostreptococcus, Prevotella sp., Bacteriodes sp., Mobiluncus sp., bactérias anaeróbias e, predominantemente, Gardnerella vaginallis, podendo, em alguns casos, estar presente também o Mycoplasma hominis.
* Responsável por aproximadamente 40% das vulvovaginites em mulheres em idade reprodutiva.
* Presença da VB deve ser considerada um fator de risco para:
· Salpingites
· Peritonites
· Infecções após procedimentos cirúrgicos ginecológicos 
· Endometrites pós-parto ou cesariana.
* VB está associada à multiplicidade de parceiros e às duchas vaginais e pode facilitar a aquisição de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), embora não seja uma DST.
* 50 a 70% das pacientes com VB são assintomáticas. Nas pacientes sintomáticas, normalmente as queixas são referidas logo após as relações sexuais ou menstruações.
* Lactobacilos não têm apenas seu número reduzido, mas também apresentam caracteres bioquímicos diferentes dos identificados nas secreções vaginais normais. O poder patogênico dos germes presentes na VB parece estar essencialmente relacionado à multiplicação e à adesão às células epiteliais das mucosas genitais.
fisiopatologia
* Bactérias associadas à VB alteram a resposta imune local, o que torna o meio vaginal imunossuprimido [portanto, mais suscetível a outros agentes infecciosos, como papilomavírus humano (HPV) e