A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
12 pág.
Litíase urinária

Pré-visualização | Página 1 de 3

Litíase urinária 
 
Fatores de risco 
Baixo volume urinário (< 1.500 mℓ/dia) 
A nefrolitíase representa um distúrbio de concentração urinária. A concentração urinária de 
cálcio pode ser diminuída reduzindo-se a excreção de cálcio ou aumentando-se o volume urinário. 
Portanto, a ingestão hídrica aumentada é componente fundamental na prevenção da calculose 
urinária. 
 
Hipercalciúria (> 200 mg/dia) 
É tradicionalmente conceituada como excreção urinária de cálcio maior que 4 mg/kg/dia ou 
até 300 mg/dia, no homem, e 250 mg/dia, na mulher. Algumas anormalidades fisiopatológicas: 
Aumento primário na absorção intestinal de cálcio: por aumento dos níveis séricos de 
vitamina D e/ou aumento na expressão dos receptores intestinais para vitamina D. 
Aumento na perda renal de cálcio: por aumento da carga filtrada de cálcio ou por redução 
na reabsorção tubular de cálcio. A maioria dos estudos sugere que a excreção renal de cálcio 
aumenta em hipercalciúricos pela diminuição da reabsorção tubular de cálcio, principalmente nos 
túbulos proximais, em vez de aumento da filtração de cálcio. 
Aumento primário na reabsorção óssea. 
 
Solubilidade do oxalato na urina (> 40 mg/dia) 
A maioria dos portadores de nefrolitíase tem níveis normais de oxalato na urina. Entretanto, 
a solubilidade do oxalato (quando ligado ao cálcio) em solução aquosa é de apenas 5 mg/ℓ, o que 
torna a urina permanentemente supersaturada com esse íon. 
 
Hiperuricosúria (> 750 mg/dia para mulheres e 800 mg/dia para os 
homens) 
Pode ser conceituada como excreção urinária maior que 
800 mg/dia para homens e 750 mg/dia para mulheres. Constitui-
se em uma anormalidade detectada isoladamente em até 10% dos 
portadores de nefrolitíase. Quando associada a outros distúrbios 
metabólicos, essa prevalência pode chegar a 40%. O ácido úrico 
é o produto final da degradação de purinas em humanos. Em pH 
urinário ácido, predomina a forma não dissociada do ácido úrico, 
que é pouco solúvel (apenas 96 mg/ℓ), podendo levar à cristalúria e à formação de cálculo renal, 
mesmo com taxas de excreção normais. Níveis elevados de ácido úrico na urina podem contribuir 
para a formação de cálculos de oxalato de cálcio. 
 
Hipocitratúria (< 320 mg/dia) 
O citrato é um potente inibidor da cristalização. Diminui a supersaturação urinária, ao formar 
sais solúveis com o cálcio, e inibe diretamente a cristalização do oxalato de cálcio. O número de 
partículas formadas diminui, assim como seu crescimento e capacidade de agregação. 
 
Infecção 
Cálculos primariamente associados à infecção são formados por fosfato amônio magnésio 
(estruvita ou triplo fosfato) ou, mais raramente, por apatita (fosfato de cálcio). De crescimento 
rápido, podem ocupar todo o sistema coletor (coraliformes) e causar infecções urinárias de 
repetição, abscessos perinefréticos, urosepse e insuficiência renal progressiva. 
 
Cistinúria 
Doença hereditária, autossômica recessiva, com prevalência variável de 1:2.500 a 1:100.000 
indivíduos, caracteriza-se por hiperabsorção de aminoácidos dibásicos (cistina, ornitina, lisina e 
arginina) nas microvilosidades do túbulo proximal e das células epiteliais intestinais. A excreção 
urinária normal de cistina situa-se ao redor de 20 mg/dia, e a formação de cálculos decorre 
exclusivamente de sua baixa solubilidade em pH urinário normal. A cistinúria é responsável por 
aproximadamente 10% dos casos de nefrolitíase na infância. 
 
Medicações 
 
 
pH urinário baixo (cálculos de ácido úrico) ou alto (cálculos de fosfato de cálcio); dieta; histórico 
familiar 
Aqueles com uma história familiar de cálculos têm uma incidência aumentada de 
recorrências múltiplas e precoces. Os cônjuges de pacientes com cálculos de oxalato de cálcio têm 
uma incidência aumentada de cálculos; isso pode estar relacionado com fatores ambientais ou de 
dieta. 
 
Apresentação clínica 
Nefrolitíase 
A nefrolitíase pode ser totalmente assintomática, com diagnóstico acidental por meio de 
exames de imagens, ou causar apenas dor vaga, em flancos. A hematúria isolada pode ser o 
primeiro sinal. Entretanto, a apresentação característica é de cólica nefrética. Em geral, inicia-se 
com dor localizada na região lombar, no flanco ou na fossa ilíaca, súbita, forte, geralmente 
unilateral, em cólica, não aliviada com repouso ou posição, irradiada para o trajeto ureteral, a região 
de bexiga e a genitália externa. Pode haver disúria e hematúria macroscópica concomitantes. 
Náuseas e vômitos são comuns. Alguns pacientes, principalmente os portadores de nefrolitíase de 
repetição, podem apresentar eliminação espontânea de cálculos, sem dor ou hematúria 
macroscópica. 
Ao exame físico, notam-se frequentemente taquicardia, palidez, sudorese, dor à palpação 
em região de ângulo costovertebral e distensão abdominal leve, porém não associada a sinais de 
irritação peritoneal. O quadro clínico é bastante sugestivo, porém deve-se fazer o diagnóstico 
diferencial com patologias gastrintestinais (apendicite aguda, diverticulite, colecistite), 
ginecológicas (cisto ovariano, anexite, gravidez ectópica), urológicas (orquite, epididimite, 
prostatite), afecções vasculares (infarto intestinal, aneurisma de aorta abdominal) e algumas 
causas médicas (cetoacidose diabética, infarto agudo do miocárdio). 
Quando da ocorrência de infecções urinárias de repetição, principalmente as causadas por 
bactérias do gênero Proteus, deve-se suspeitar de 
cálculos renais. Além disso, a combinação de dor 
lombar, febre, calafrios e sepse se dá na pielonefrite 
obstrutiva calculosa, situação de elevadas morbidade e 
mortalidade. 
 
Cálculo vesical 
Os pacientes apresentam sintomas irritativos à 
micção, jato urinário intermitente, infecções do trato 
urinário, hematúria ou dor pélvica. O exame físico nada 
revela. Uma grande porcentagem de cálculos da bexiga 
são radiotransparentes. A ultrassonografia da bexiga 
identifica o cálculo com sua sombra pós-acústica 
característica. O cálculo se movimenta com as 
mudanças de posição do corpo. 
 
Cálculos uretrais 
Os sintomas são semelhantes a cálculos da bexiga – jato urinário intermitente, hematúria 
terminal e infecção. Os cálculos podem se apresentar com gotejamento ou retenção urinária aguda. 
A dor pode ser intensa e, nos homens, pode se irradiar para a ponta do pênis. O diagnóstico pode 
ser confirmado por palpação, visualização endoscópica, ou estudo radiológico. Cálculos pequenos 
podem ser pinçados com sucesso e removidos intactos. Com maior frequência, eles precisam ser 
fragmentados e removidos. Cálculos grandes impactados, de longa duração, são melhor removidos 
por meio de uma uretrotomia. 
 
Investigação diagnóstica 
Uma avaliação adequada requer uma história médica minuciosa. A natureza da dor deve ser 
avaliada, inclusive seu início, caráter, irradiação potencial, atividades que a exacerbam ou aliviam, 
náuseas e vômitos associados ou hematúria macroscópica, e uma história de dor semelhante. O 
paciente apresentando cólica renal aguda geralmente tem dor intensa, tentando achar alívio em 
posições múltiplas, frequentemente bizarras. Esse fato ajuda a diferenciar pacientes com essa 
condição daqueles com peritonite, que têm medo de se mover. 
Os componentes sistêmicos da cólica renal podem ser óbvios, como taquicardia, sudorese 
e náuseas, muitas vezes proeminente. Dor à palpação do ângulo costovertebral pode ser aparente. 
Ocorrências prévias, idade na primeira e na última crise, consequências e intervenções 
(hidronefrose, hospitalização, remoção de cálculos por litotripsia, endoscopia ou cirurgia) e 
passagem espontânea de cálculos devem ser questionadas. Diagnósticos como bexiga 
neurogênica, infecções urinárias de repetição, diarreia crônica ou gota têm importância na 
patogênese da doença litiásica. Além disso, é preciso pesquisar se existem baixa ingestão de 
líquidos, restrição de leite ou derivados, uso de medicações sem prescrição