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Infecções Sexualmente Transmissiveis

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MICROBIOLOGIA 
AULA 21 
Infecções Sexualmente Transmissíveis 
 INTRODUÇÃO 
• Origem bacteriana: 
→ Provocam lesão: 
▪ Sífilis; 
▪ Cancro mole; 
▪ Donovanose ou granuloma inguinal; 
▪ Linfogranuloma. 
→ Provocam secreção (corrimento): 
▪ Gonorreia; 
▪ Uretrite inespecífica; 
▪ Vaginose; 
▪ Candidíase (fungo); 
▪ Tricomoníase (protozoário). 
• Origem viral: 
→ AIDS; 
→ Herpes Simples; 
→ HPV; 
→ Hepatite B. 
 
 SÍFILIS 
• Doença infecciosa causada pelo Treponema 
pallidum. 
• Apresenta lesões cutâneas polimorfas e pode 
comprometer outros tecidos, como o sistema 
cardiovascular e nervoso. 
• Apresenta inúmeras facetas, se apresentando de 
diferentes formas de acordo com a fase da doença, 
o que dificulta seu diagnóstico. 
• Sífilis adquirida: Transmissão através de mucosa ou 
lesão de pele. 
• Sífilis congênita: Transmissão transplacentária, 
infectando o feto. 
 
TREPONEMA PALLIDUM 
• Microrganismo extremamente delgado, espiralado, 
móvel por endoflagelo (fibrila axial). 
→ Se movimenta através de movimentos 
rotatórios ao redor do eixo formado por seu 
flagelo. 
• Não é visualizada pelo método de Gram, sendo 
usada a microscopia de campo escuro ou por 
impregnação com prata (Fontana-Tribondeau). 
• Anaeróbios, com tempo de geração de 30 horas. 
• Não é possível cultivá-lo em meios artificiais, sendo 
usado o testículo de coelho para cultivo. 
→ Variantes avirulentas, que não são capazes de 
causar a doença, podem ser cultivadas in vitro, 
como a cepa Reiter. Elas são usadas para 
produção de anticorpos contra o T. pallidum. 
 
 
 
PATOGENIA 
• Microrganismo penetra por mucosa (genital, anal 
ou bucal) ou por lesão de pele. 
• Período de incubação: Cerca de 3 semanas. 
• Multiplica-se no local da penetração, provocando 
aparecimento de lesão inflamatória, na forma de 
úlcera superficial, com base endurecida e indolor, 
chamada de cancro duro. 
• O indivíduo desenvolve uma imunidade local, a 
partir da resposta inflamatória e contém a 
multiplicação da bactéria, ocasionando o 
desaparecimento espontâneo da lesão após, mais 
ou menos 4 semanas. 
• Microrganismo atinge os linfonodos regionais 
(linfadenite), normalmente, os inguinais e chega ao 
sangue através do ducto torácico. 
• 6 a 24 semanas, depois do desaparecimento do 
cancro, aparece um rash (erupção) cutâneo 
generalizado, atingindo toda pele e mucosas, na 
forma de pápulas ricas em microrganismos 
chamadas de roséolas sifilíticas. 
• Concomitantemente, aparecem sintomas 
sistêmicos como: 
→ Prostração; 
→ Dor de cabeça; 
→ Febre baixa; 
→ Anorexia; 
→ Náuseas; 
→ Vômitos; 
→ Linfadenopatia generalizada. 
• Grande maioria dos microrganismos é destruída pela 
resposta celular e o rash desaparece 
espontaneamente. Nesse momento, acaba a fase 
contagiosa da doença, exceto para transmissão 
congênita. 
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• Em 1/3 dos casos não tratados, pequeno número de 
microrganismos permanece latente no organismo 
por vários anos, podendo depois causar lesões no 
SNC, no aparelho cardiovascular ou na pele, 
chamada de sífilis terciária. 
 
 
IMUNIDADE 
• Não é protetora contra reinfecções. 
• Humoral: 
→ Anticorpos não-específicos ou reagínicos: 
Contra a cardiolipina, substância presente no T. 
pallidum e em tecidos de mamíferos. Aparecem 
20 dias após o aparecimento do cancro. 
→ Anticorpos específicos: Contra antígenos 
treponêmicos. Aparecem 5 dias após o 
aparecimento do cancro. 
• Celulas: Desenvolve-se na fase da roséolas, 
contendo a proliferação. 
 
SÍFILIS ADQUIRIDA 
• Transmissão de um indivíduo para o outro. 
• Recente: Compreende os 2 primeiros anos de 
evolução da doença não tratada. 
→ Sífilis primária: Cancro duro, com sorologia 
positiva. 
→ Sífilis secundária: Roséolas sifilíticas, com 
sorologia positiva. 
→ Sífilis latente recente: Ausência de sintomas, 
com sorologia positiva. Fase potencialmente 
contagiosa só para transmissão congênita. 
 
 
• Tardia: Mais de 2 anos de evolução da doença não 
tratada. 
→ Sífilis latente tardia: Ausência de sintomas com 
sorologia positiva. 
→ Sífilis terciária: 
▪ Cardiovascular (80% dos casos): Aneurisma 
de aorta ascendente e estenose de coronárias. 
▪ SNC (3 a 7% dos casos): Demência, paralisia, 
meningoencefalite crônica e tabes dorsalis 
(alteração da marcha e dos reflexos). 
▪ Pele e ossos: Gomas, que são lesões 
granulomatosas destrutivas, nodulares ou 
ulceradas. 
• Diagnóstico laboratorial: 
→ Pesquisa do treponema na lesão, relevante na 
sífilis primária. A coleta é feita a partir da 
raspagem da lesão, posteriormente, usa-se a 
microscopia de campo escuro ou o método de 
Fontana-Tribondeau para visualização. 
→ Sorologia: Pesquisa de anticorpos no soro do 
paciente. Podendo ser feita de duas formas: 
▪ Testes não-treponêmicos: Pesquisa de 
anticorpos reagínicos. A positivação ocorre 
após 20 dias do aparecimento do cancro. 
Sendo assim, apresenta resultado positivo em 
80 a 86% na sífilis primária, esse percentual 
aumenta nas fases seguintes da doença. O 
antígeno utilizado é a cardiolipina + lectina e 
colesterol. As técnicas VDRL e RPR podem ser 
qualitativas e quantitativas, as quais são 
utilizadas para monitoramento pós-
tratamento (queda de títulos de pelo menos 2 
diluições). 
▪ Testes treponêmicos: Pesquisa anticorpos 
específicos contra o treponema. A 
positividade é alta desde a fase inicial da 
doença, a sífislis primária (90 a 95%). Faz-se 
uso da TPHA (reação de hemaglutinação), na 
qual o antígeno são hemácias adsorvidas por 
T. pallidum, a sua positivação ocorre 10 a 20 
dias após o aparecimento do cancro. Outra 
técnica é a FTA-Abs (reação de 
imunofluorescência indireta), na qual o 
antígeno é o T. pallidum cultivado em 
testículo de coelho, a sua positivação é 
precoce, identificando anticorpos de 5 a 8 dias 
após o aparecimento do cancro. 
 
 
CHANCE DE TRANSMISSÃO CONGÊNITA 
• Sífilis primária: 70 a 100%. 
• Sífilis latente recente: 40%. 
• Sífilis latente tardia: 10%. 
FALSOS POSITIVOS POR ANTICORPOS 
REAGÍNICOS 
• Mononucleose; 
• Hepatitites; 
• Hanseníase; 
• Doenças autoimunes. 
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→ Teste rápido: Utilizado na triagem da infecção 
pelo Treponema pallidum. Baseado na técnica de 
imunocromatografia de fluxo lateral, detectando 
anticorpos específico anti-T. pallidum no soro ou 
sangue total. 
• Tratamento: 
→ Droga de escolha: Penicilina G benzatina. 
→ Alternativas: Doxiciclina ou ceftraixona 
(cefalosporina de 3ª geração). 
 
 
 
→ Gestante: Penicilina G benzatina. 
 
 
 
→ Tratamento inadequado da gestante com 
sífilis: 
▪ Tratamento feito com qualquer outra droga 
que não seja penicilina G benzatina. 
▪ Tratamento incompleto. 
▪ Tratamento inadequado para a fase clínica da 
doença. 
▪ Tratamento incompleto até 30 dias antes do 
parto. 
▪ Parceiro sexual com sífilis não tratado ou 
inadequadamente tratado. 
 
SÍFILIS CONGÊNITA 
• Transmitida da mãe infectada para o bebê durante a 
gravidez ou na hora do parto. 
• Quanto mais recente for a infecção materna maior 
será o risco de transmissão para a criança. 
• Pode resultar em aborto, parto prematuro, morte do 
feto ou doença perinatal. 
• Neonato nascido de mãe infectada não tratada: 
→ 26% nascem livres da doença; 
→ 25% nascem soropositivos (anticorpos 
presentes), sem doença clínica; 
→ 49% são sintomáticos (hepatoesplenomegalia, 
anemia, icterícia, lesões cutâneas, anomalias 
ósseas e dentária, linfadenopatia). 
• Recente: Sintomas ao nascer