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Cervicites e vulvovaginites

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Cervicites
Definição secreção purulenta fluindo pelo orifício cervical externo. Principais causadores Neisseria (gonorrhoeae) e Chlamydia, germes ascendentes. Também micoplasma, ureaplasma, E. coli. Pacientes com DIU, Actinomyces israelli. 
Gonorreia 
Transmissível apenas sexualmente, incubação 4 a 7 dias, problema persistente de saúde pública. 60 a 80% das mulheres são assintomáticas. Secreção cervical e em homens uretral purulenta. Dispareunia por mobilização do colo. Bartolinite, skenite - insuficiência renal por obstrução da uretra.
Gestantes com gonococo passam para os recém nascidos que costumam ter conjuntivite gonocócica. Para evitar, uso de rotina nitrato de prata ocular.
Diagnóstico: clínico. Coloração de gram caso dúvida.
Tratamento: ceftriaxone 250mg intramuscular dose única e quinolonas, ciprofloxacino.
Clamídia 
Transmissão sexual 60 a 75% assintomáticas. Leucorreia, dispareunia.
Diagnóstico clínico. PCR de secreção cervical melhor.
Tratamento doxiciclina 100mg 12/12h 14 dias. Azitromicina 2a opção.
Pela similaridade entre clamídia e gonorreia, pela constatação de cervicite pelo espéculo, trata-se com ambos, ceftriaxone e doxiciclina. Tratar parceiros.
Sequelas: infertilidade por obstrução tubária, aderências pélvicas que causam dor crônica, síndrome de fitz-hugh-curtis (perihepatite-gonocócica), hidrossalpinge, gestação ectópica.
Síndrome uretral: uretrite por Chlamydia, sintomas urinários, urocultura negativo (clamídia é parasita intracelular), leucocitúria = piúria estéril.
Vulvovaginites
Normal: ph < 4,5, principalmente lactobacilos (bacilos de doderlein) produzem o ácido lático e peróxido de hidrogênio a partir do glicogênio do epitélio escamoso vaginal. 30% das mulheres têm candida na flora normal. 
esq. candidíase, dir cima vaginose bacteriana, dir embaixo tricomoníase.
Vaginose bacteriana 
50% assintomáticas. Aumento de pH (atividades que aumentam pH: contato frequente com sêmen, saliva e “duchas”) causa diminuição dos lactobacilos e aumento dos anaeróbios, principalmente mais comum Gardnerella vaginalis (o normal seria 1% da microbiota, chegam a 10% na vaginose ). Produzem aminas voláteis que aumentam o ph e causam o cheiro ruim. Também Mobiluncus e Prevotella são da microbiota e podem provocar vaginose. Pouca ou nenhuma inflamação e ausência de leucócitos em exame a fresco. Clue cells células ao microscópio com membrana indistinguível e aparente conteúdo granulado.
Queixas: leucorreia, corrimento branco acinzentado fluido e cheiro ruim.
Laboratório: Teste das aminas ou Teste de Whiff positivo, ph >4,5, clue cells. Hidróxido de potássio na secreção vaginal volatiza as aminas potencializando o cheiro.
TTO: antibiótico de escolha metronidazol (atenção efeito dissulfiram-like). 2a opção clindamicina (1o trimestre gestantes) ou secnidazol ou tinidazol. Parceiros não precisam de tratamento, não é IST. Sempre tratar gestantes mesmo assintomáticas. Aumenta risco de corioamnionite, ruptura prematura das membranas ovulares e parto pré-termo.
Candidíase
Mais comum Candida albicans (microbiota). Não é IST. Ocorre por estados de diminuição da imunidade celular. Diabetes, AIDS, gestação, uso de atb. 
Queixas: irritação, hiperemia, PRURIDO, queimação, leucorreia corrimento branco com grumos, leite coalhado. Pela inflamação, dispareunia e disúria externa.
Exame físico: hiperemia vulvar, escoriação, secreção pastosa branca, queijo cottage.
Laboratório: teste de aminas negativo, ph <4,5. Microscopia exame a fresco pseudohifas.
TTO: primeira opção miconazol (recomendação padrão) ou nistatina (50% de resistência). Segunda opção fluconazol oral, cetoconazol, clotrimazol, anfotericina e isoconazol. Corticóide tópico não trata mas alivia sintomas. Gestante (candidíase mais comum nelas) somente cremes.
Candidíase de repetição após tratamento: as espécies não albicans respondem mal aos antifúngicos comuns (5%). Candida glabrata e C. tropicalis tratar com ácido bórico 600mg óvulos vaginais.
Tricomoníase
IST não viral mais prevalente. Trichomonas protozoário flagelado anaeróbio. Sintomas podem ser bem variados. 50% assintomáticos.
Queixas: queimação, queixas urinárias, dispareunia e sinusorragia.
Exame físico: leucorreia amarelo esverdeado geralmente bolhoso com odor, colo em morango – colpite tigróide.
Laboratório: ph >4,5, teste das aminas positivo, microscopia fecha diagnóstico com visualização do protozoário (se mexem! caso não, aquece-se a lâmina para acordar os bicho).
TTO: metronidazol (dose única mais efetiva que a fracionada). Parceiros devem ser tratados e avaliados. Sempre tratar gestantes, mesmo no 1o trimestre, risco de teratogenicidade menor que o de complicações pela infecção.
Outras
Vaginite inflamatória - causa desconhecida, substituição dos lactobacilos (doderlein) por estreptococos do tipo B. Leucorreia purulenta, irritação. Clindamicina creme.
Vaginite por corpo estranho - principalmente em crianças. Leucorreia amarelada com odor fétido. Descartada possibilidade de abuso, corpo estranho possivelmente ainda na cavidade.
Vaginose citolítica - pH muito baixo. Período menstrual comum de abaixar, mas caso caia demais aumenta população de lactobacilos. Citólise por acidez. Recorrência dos sintomas apenas no período pré-menstrual! Núcleos nus ao microscópio. Bicarbonato de sódio.