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VULVOVAGINITE

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♘RESUMOS – YVS♞ 
E-mail: yorkvalentinodossantos@onedrive5tb.com 
Vulvovaginites e vaginoses 
 
Introdução 
 
Microbiota vaginal fisiológica → formada principalmente 
bacilos de Döderlein (lactobacilos acidófilos ou, 
simplesmente Lactobacillus spp), responsáveis pela 
produção de ácido lático, deixando o pH da vagina bastante 
ácido (pH<4,5). 
Vulvovaginite é quando há inflamação (sufixo: 
“ite” significa inflamação). Diferente da vaginite, a vaginose 
(sufixo: “ose” significa excesso) não inclui processo 
inflamatório na região íntima. Ela é provocada pelo 
desequilíbrio da microbiota vaginal (ambiente que contém 
bactérias de defesa, os chamados lactobacilos). 
 
Vaginose bacteriana 
 
Constitui a causa mais comum de corrimento vaginal, 
afetando cerca de 10% a 30% das gestantes e 10% das 
mulheres consultadas na APS. Pode haver pacientes 
assintomáticas. 
 
Etiologia 
 
É ocasionada principalmente pela bactéria Gardnerella 
Vaginalis. É uma bactéria anaeróbia. Outros agentes, como 
o Mobiluncus spp, Prevotella spp, Bacteroides spp, 
Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealyticum e 
Streptococcus agalactie (grupo B) também podem causar 
vaginose, porém, é pouco frequente. 
 
Fisiopatologia 
 
A vaginose bacteriana ocorre devido a alcalinização do pH 
vaginal (pH >4,5), o que diminui a microbiota normal e 
predispõe ao crescimento de bactérias anaeróbios, 
principalmente a Gardnerella Vaginalis. 
 
Fatores que acarretam alcalinização da vagina → duchas 
vaginais, sexo oral e ejaculação intravaginal frequente (o 
esperma possui pH alto). 
 
Manifestações clínicas e diagnóstico 
 
Leucorreia fluída, branca-acinzentada e fétida (tipo “peixe 
podre”). O odor fétido é pior após a relação sexual sem 
preservativo e na menstruação. Dispareunia é pouco 
frequente. 
 
 
Figura 1 - Corrimento da vaginose bacteriana. 
 
Pode ser feito o teste de Whiff, também chamado 
de teste das aminas e o exame a fresco da secreção (avaliar 
presença de clue-cell), para confirmar o diagnóstico. 
 
Teste de Whiff e as clue-cell 
 
Colhe-se o material de secreção do fundo de saco vaginal 
com a extremidade arredondada da espátula de Ayre para 
o teste das aminas e para exame a fresco. Espalha-se o 
material obtido em uma lâmina e aplica-se uma gota de 
hidróxido de potássio (KOH) a 10% sobre a secreção 
colhida. Se despertar um odor fétido (tipo peixe podre), 
indica a presença de vaginose bacteriana. 
Em outra lâmina, aplica-se o material obtido e se 
faz o exame a fresco para identificação das clue-cell 
(células-chave). Além disso, no exame a fresco não há 
leucócitos e as clue-cell apresentam com perda da nitidez 
do contorno da membrana plasmática e percebe-se um 
tipo de “granulado” no citoplasma. 
 
 
Figura 2 - Clue-cell. Nota-se a perda do contorno citoplasmático 
e presença de grumos em seu interior. 
 
 
 
 
 
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♘RESUMOS – YVS♞ 
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Diagnóstico – critérios de Amsel 
 
Presença de pelo menos 03, destas 04 características: 
1. Corrimento vaginal fluido e homogêneo; 
2. pH vaginal >4,5; 
3. Teste das aminas positivo; 
4. Presença de clue-cells (células-chave) na avaliação 
microscópica de secreção vaginal a fresco. 
 
Diagnóstico – coloração de Gram de secreção vaginal 
 
É o padrão-ouro. Aplica-se a coloração de Gram no fluido 
corporal. Utiliza o sistema de Nugent para quantificar o 
número de bactérias e lactobacilos patogênicos. Um 
escore ≥7 firma o diagnóstico de vaginose bacteriana. Um 
escore de 4 a 6 é intermediário e de 0 a 3 é normal. 
 
Tratamento 
 
O tratamento precisa ter espectro para anaeróbio, por 
isso, a primeira opção é o metronidazol (oral ou tópico 
intravaginal). A segunda opção é a clindamicina (oral). 
Outras opções: secnidazol e tinidazol. 
 
Modelo de prescrição do metronizadol para vaginose 
bacteriana: 
 
Metronidazol - 250mg (Flagyl®): Tomar 02 comprimidos de 
12/12h por 7 dias. (Categoria B em gestante) 
OU 
Metronidazol gel vaginal a 10% – 100mg/g (Flagyl® 
ginecológico): Realizar 01 aplicação intravaginal profunda 
de preferência à noite, ao deitar-se, durante 05 dias. 
(Categoria B em gestante). 
 
Efeito antabuse: quando se administra o metronidazol via 
oral, pode ocorrer, caso o paciente ingira bebida alcóolica, 
acúmulo de acetaldeído no organismo, provocando 
reações desagradáveis como palpitação, sudorese, 
cefaleia, náusea e vômitos. Por isso, o paciente que ingere 
metronidazol deve evitar bebidas alcóolicas 48h antes e 
após o tratamento. 
 
Modelo de prescrição da clindamicina para vaginose 
bacteriana: 
 
Cloridrato de clindamicina – 300mg (Dalacin® C): Tomar 01 
cápsula de 12/12 h por 7 dias. (Categoria B em gestante) 
 
 
Assintomáticos 
 
Pacientes assintomáticas, não devem ser tratadas, exceto 
em gestantes e procedimentos ginecológicos (ex.: 
introdução de DIU, biópsia, conização, curetagem, etc, 
devido ao risco de desenvolver DIP). É comum vir em 
exame de Papanicolau o resultado com Gardnerella, 
nesses casos, somente se trata quando houver sintomas, 
pois a Gardnerella é patógeno que pode fazer parte da 
microbiota normal de algumas pacientes, sem causar 
doença. 
 
Tratamento do parceiro 
 
Não há necessidade de tratamento do parceiro sexual, pois 
não é considerada uma IST. 
 
Tratamento de gestantes e puérperas 
 
É o mesmo da mulher não gestante. O risco de manter uma 
vaginose é maior do que o não tratamento com 
metronidazol. Antigamente se usava a clindamicina, mas 
hoje em dia o ministério da saúde reforça que pode usado 
o metronidazol como primeira opção, tanto comprimido 
oral quanto formulação tópica em gel. 
Mesmo assintomáticas, as gestantes devem ser tratadas, 
devido ao risco de complicações. 
Complicações da vaginose relacionada à gravidez: ruptura 
prematura de membranas, corioamnionite, 
prematuridade e endometrite pós-cesárea. 
 
Candidíase vulvovaginal 
 
Etiologia 
 
A etiologia é a Cândida Albicans em 80 a 92% dos casos. 
Outros germes causadores de candidíase: Cândida 
glabrata, tropicalis, krusei, parapsilosis e Saccharomyces 
cerevisae. É um fungo presente na microbiota normal que 
aproveita uma queda na barreira imune para causar 
infecção, portanto, é um fungo oportunista. 
 
Fatores de risco 
 
Fatores de risco que aumentam a chance de candidíase 
vulvovaginal: 
» Diabetes 
» HIV+ e AIDS 
» Estresse 
» Exposição a umidade e calor em genitália (ex.: muito 
tempo com calcinha molhada) 
» Gestação 
» Obesidade 
» Medicamentos → Quimioterápicos (e radioterapia); 
Antibióticos; Imunossupressores; Corticoides 
 
Candidíase vulvovaginal recorrente (de repetição) 
 
A candidíase vulvovaginal recorrente é quando há ≥04 
episódios sintomáticos em um ano. (Ver tratamento 
específico) 
 
Manifestações clínicas e diagnóstico 
 
Manifestações clássicas → prurido vaginal, ardência local, 
corrimento geralmente grumoso, sem odor, dispareunia e 
disúria externa. 
 
 
 
 
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Figura 3 - Corrimento por candidíase. 
 
Ao exame especular → eritema e fissuras vulvares, 
corrimento grumoso, com placas aderidas à parede vaginal, 
de cor branca, edema vulvar e escoriações. 
 
Não há alteração do acidez vaginal e o pH segue <4,5. 
 
O diagnóstico é feito com a clínica + exame de secreção 
vaginal a fresco. 
 
Para a citologia a fresco, utiliza-se soro fisiológico e 
hidróxido de potássio a 10% (KOH) a fim de visibilizar a 
presença de hifas e /ou esporos dos fungos. O KOH a 10% 
destrói as células epiteliais, melhorando a identificação de 
leveduras e hifas na vulvovaginite por Candida. O uso de 
KOH aumenta a sensibilidade do exame em lâmina a fresco 
para 60% a 80%. 
 
 
Figura 4 - Cândida Albicans. 
 
Se citologia a fresco negativa, porém forte suspeita clínica, 
deve-se realizar cultura vaginal específica em meios de 
Sabouraud, Nickerson ou Microstixcandida. 
 
Diagnóstico diferencial 
 
Líquen escleroso,