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Acidentes por Serpentes Peçonhentas

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PRÁTICAS INTEGRADORAS III 
AULA 2 
Acidentes por Serpentes Peçonhentas 
 DOENÇAS TROPICAIS NEGLIGENCIADAS 
As doenças tropicais negligenciadas (DTN) são as 
enfermidades que foram erradicadas ou praticamente 
erradicadas nos países desenvolvidos, mas que ainda 
persistem nos países em desenvolvimento. 
• Acidentes por animais peçonhentos (2009-2013 e 
2017-atualmente). 
 
Afetam as camadas mais pobres da população que 
residem em áreas rurais e com acesso limitado a 
educação e a serviços de saúde. Por esse motivo, esses 
acidentes podem vir a gerar consequências clínicas, 
tanto físicas, quanto psicológicas, e perdas 
socioeconômicos, seja pelo número de hospitalizações, 
mortes ou aposentadorias precoces devido à invalidez. 
• Ofidismo é a problemática dos acidentes com 
serpentes. Por ano temos cerca de 3 milhões por 
ano, 250 mil pessoas com sequelas e 125 mil óbitos 
por ano. 
 
No Brasil, a maioria dos acidentes ofídicos ocorrem 
nas regiões litorâneas, com maior densidade 
demográfica. 
 
 FATORES QUE AFETAM OS ACIDENTES 
• SERPENTES: Espécie, toxicidade do veneno, 
frequência ou número de picadas e volume de 
veneno injetado. 
• VÍTIMA: Idade, condições médicas pré-existentes, 
susceptibilidade alérgica e local do corpo onde 
ocorreu a picada. 
• AÇÕES: Velocidade e efetividade dos primeiros 
socorros, tempo entre a picada e o tratamento, ação 
hospitalar incluindo a correta administração do soro 
e aplicação errada de torniquete. 
 
 É VENENOSA? 
• Entre o olho e a narina tem um outro orifício 
chamado de foceta loreal, capta calor. No Brasil, as 
que apresentam essa foceta são venenosas, com 
exceção da cobra coral verdadeira que não 
apresenta. 
• Término da cauda específica para definir a espécie. 
 
 
 
 MICURUS (CORAIS) 
São cobras com anéis vermelhos, pretos e brancos 
e não dão bote porque abrem a boca muito pouco. 
Geralmente, se fingem de morta ou que a calda é 
cabeça. 
Possui uma presa pequena, portanto a injeção de 
veneno é superficial e ele é mais tóxico. No Brasil, 
acidentes com corais são raros e frequentes em 
crianças, pois devemos chegar próximo delas para 
sermos feridos. 
• Corais Verdadeiras: Olhos pequenos e anéis 
completos. 
• Corais Falsas: O anel é incompleto, mas pode ser 
completo, com olhos grandes. Uma exceção na 
região amazônica apresenta olho pequeno. 
 
SINTOMAS 
• Dor local branda; 
• Dores musculares generalizadas (fadiga); 
• Poptose palpebral (paralisia); 
• Dificuldade de deglutição (paralisia na faringe); 
• Paralisia das vias aéreas superiores (falta de ar); 
• Insuficiência respiratória aguda. 
• Óbito: Pode vir a ocorrer em poucos minutos, por 
isso, a ventilação imediata é mais importante que 
o soro no início do tratamento. 
• Sequelas: Perda de capacidade respiratória. 
 
 BOTHROPS (JARARACAS) 
Acidentes frequentes, pois, está adaptada a área 
urbana. Possuem veneno desde o primeiro dia de vida 
e ele muda de acordo com o que comem (anfíbios ou 
mamíferos). Sua presa tem 2 cm, logo o veneno cai 
direto na corrente sanguínea e linfática. 
• Jararacussu: Maior que a jararaca, vivendo em 
encostas, chegando a quase 2 metros. 
• Urutum cruzeiro. 
 
SINTOMAS 
• Dor local intensa; 
• Edema; 
• Ação hemorrágica no local ou distante dele (filhotes 
mais intesa), devido a alteração no tempo de 
coagulação sanguínea (9 min normal, 10 a 30 min 
leve, >30 min incoagulável); 
• Bolhas e necrose (adultos); insuficiência renal aguda. 
• Óbito: Não são comuns. 
BOTE SECO: Ocorre a mordida, mas não tem injeção 
de veneno. Não há aparição de sintomas. 
 
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• Sequelas: Perda de movimento, deformações, 
amputações e problemas psicológicos. 
 
 
 
 CROTALUS (CASCAVEL) 
Acidentes com cascavel são menos frequentes, 
pois vivem em área aberta, sendo mais fácil de serem 
vistas. Além disso, fazem barulho com o chocalho na 
ponta da calda. 
 
SINTOMAS 
• Dor muscular generalizada; 
• Paralisia facial e oftálmica (maior característica); 
• Visão turva e diploplia; 
• Presença de mioglobina na urina (proteína do 
músculo vai para urina), caracterizada pela cor 
escura; 
• Insuficiência renal aguda. 
 
 LACHESIS (SURUCUCU) 
Possuem quase 4 metros de comprimento, e são 
frequentemente encontradas na Amazônia. Possuem 
um espinho no final da cauda e provocam acidentes 
graves. 
 
SINTOMAS 
• Dor local; 
• Edema; 
• Hemorragia limitada ao local da picada; 
• Diarreia; 
• Hipotensão; 
• Bolhas e necrose; 
• Insuficiência renal aguda. 
 
 SOROS PARA ACIDENTES OFÍDICOS 
• Antibotrópico: Jararacas. 
• Anticrotálico: Cascavel. 
• Antielapídico: Coral verdadeira. 
• Também existem soros duplos para facilitar o 
tratamento! 
 
A taxa de letalidade aumenta depois de 3 a 6 horas 
da picada, por isso o atendimento deve ser o mais 
rápido possível. O soro funciona, mas a letalidade 
aumenta e a chance de ter sequelas também. 
 
 
 
 PROBLEMAS AINDA EXISTENTES 
• Subnotificação dos acidentes; 
• Falta de capacitação e atualização permanente dos 
profissionais de saúde; 
• Ausência de integração nas informações 
epidemiológicas; 
• Não disponibilização de todas as variáveis que 
importam aos estudos clínicos e epidemiológicos 
pelos bancos de dados; 
• Desconhecimento das espécies de animais 
peçonhentos que compõem os acervos das coleções 
científicas do país. 
Garrote não deve ser feito pois o veneno fica 
concentrado no local, prejudicando a evolução do 
caso. A conduta deve ser contrária, a deve-se ter o 
estímulo a circulação da área da picada. 
 
Não tem sintomas, não tem envenenamento!