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[LIVRO] Embriologia e Histologia Alves

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fase, os folhetos embrionários diferenciam-se originando tecidos especializados
adultos. A ectoderme diferencia-se o tubo neural, a mesoderme dá origem aos somitos e à
notocorda. Os somitos são blocos celulares dispostos lateralmente ao embrião e a notocorda
é uma estrutura maciça localizada logo abaixo do tubo neural. A mesoderme, que forma os
somitos, delimita uma cavidade chamada celoma.
Em síntese, os folhetos embrionários...
• • • • • Ectoderme: epiderme e tubo neural.
• • • • • Mesoderme: somitos e revestimento do celoma.
• • • • • Endoderme: tubo digestório.
Após ter lido as informações acerca do anfioxo, faça um ESQUEMA ILUS-
TRATIVO da neurulação, identificando: tubo neural, canal neural, celoma, ecto-
derme, mesoderme, notocorda, endoderme e intestino
Vamos pensar...
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Embriologia em Outros Grupos Animais
Os mecanismos que operam os diversos sistemas de órgãos dos animais refletem
uma eficaz adaptação ao meio, bem como uma progressiva complexificação estrutural e
funcional. Deste modo, o estudo dos diversos sistemas de órgãos contribui para um correto
conhecimento dos diversos filos de animais.
Tudo se inicia com o ovo, ou zigoto, célula que contém toda a informação genética
do novo ser. Desde a primeira divisão do ovo, ocorre um conjunto de processos que
culminam com a maturidade do organismo – ontogênese – cujos sistemas estão totalmente
formados e funcionais.
A parte do desenvolvimento que decorre desde a fecundação e formação do zigoto
até ao nascimento designa-se embriogênese, e é por aí que se iniciará este estudo da
estrutura do organismo animal. Após a embriogênese ocorre o nascimento, o período juvenil
e, por último, a fase adulta, quando o animal tem capacidade de se reproduzir.
Observe parte de uma embriogênese na figura abaixo:
Embriogênese em alguns animais vertebrados
O desenvolvimento animal é um processo contínuo, iniciando-se no zigoto e tendo no
nascimento um ponto marcante.
Quando os animais, ao nascer, diferem significativamente dos adultos considera-se
que estes apresentam um desenvolvimento indireto, passando por metamorfoses. Se, pelo
contrário, o animal ao nascer, apresenta mais ou menos a forma definitiva considera-se
este um desenvolvimento direto.
A embriogênese dos vertebrados revela uma progressiva adaptação ao meio terrestre:
anfíbios estabelecem a transição do meio aquático para o terrestre, com desenvolvimento
aquático, rápido e com metamorfoses.
Nas aves os ovos são extremamente ricos em vitelo e protegidos por uma casca,
enquanto nos mamíferos as reservas são reduzidas, pois o desenvolvimento ocorre quase
sempre no interior da fêmea, que fornece todas as necessidades da nova vida em
desenvolvimento.
Durante o desenvolvimento animal, em geral, ocorrem três fenômenos principais,
não em seqüência, mas inter-relacionados de tal modo que cada um deles pode dominar
uma parte do desenvolvimento:
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Embriologia
e Histologia
Comparada
• • • • • Divisões celulares – embora existam durante todo o desenvol-
vimento, ocorrem em muito maior número no desenvolvimento embrionário.
Este processo, realizado por mitoses sucessivas, permite obter um elevado
número de células com o mesmo patrimônio genético original do zigoto;
• • • • • Morfogênese – movimentos celulares em grande escala, originando
os principais folhetos germinativos (ectoderme, mesoderme e endoderme);
• • • • • Organogênese – a partir de células indiferenciadas dos folhetos
germinativos vai ocorrer a diferenciação, formando-se tecidos. Estes vão se
inter-relacionar e formar órgãos e sistemas de órgãos.
Fases da embriogênese em outros vertebrados
Toda a embriogênese é um processo contínuo, resultando as diversas etapas de um
esforço de compreensão e de estudo dos complexos fenômenos que aí ocorrem.
As suas principais etapas ocorridas nos animais vertebrados são as mesmas da
espécie humana:
• • • • • Segmentação – o fenômeno predominante são as divisões celulares, que origina células
progressivamente menores – blastômeros -, de modo que o tamanho total do embrião no
final desta fase é quase igual ao tamanho do ovo.
Este fato resulta de não existir síntese de citoplasma durante estas mitoses, apenas a
distribuição do citoplasma do ovo.
Assim, os blastômeros podem apresentar conteúdos citoplasmáticos diferenciados,
um primeiro sinal da diferenciação celular. As mitoses sucessivas originam uma bola
maciça de células – mórula -, com aspecto de uma pequena amora.
No fim da etapa, essa bola de células tornou-se oca, com uma única camada de células
– blastoderme – a rodear a cavidade interna – blastocélio – e designa-se blástula.
A quantidade e distribuição do vitelo têm grande importância do desenrolar desta
etapa, pois este é composto por substâncias densas, que dificultam a divisão celular.
Assim, a segmentação pode ser classificada como na espécie humana de acordo
com a quantidade e distribuição do vitelo.
Recapitulando...
Como podemos classificar o ovo de acordo com a distribuição do vitelo?
Retorne ao bloco temático 1 que ficará fácil, fácil.
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• • • • • Gastrulação – simultaneamente com a divisão celular, ocorrem movimentos celulares,
uns em relação aos outros, pelo que a morfogênese é o fenômeno dominante nesta fase.
Nesta etapa formam-se os dois ou três folhetos germinativos, conforme se trate de um
animal diplo ou triploblástico.
No fim desta fase, o embrião designa-se gástrula e terá duas ou três camadas de
células a envolver o arquêntero, que abre para o exterior pelo blastóporo.
Este processo é bastante diferente de espécie para espécie:
• • • • • Invaginação – também designada embolia, é o processo mais simples, em que a zona
da blastoderme correspondente ao pólo vegetativo, ou dos macrômeros, se invagina,
afundando-se ativamente até chegar ao contato com a zona oposta. A parte invaginada
forma a endoderme e a externa a ectoderme. Esta situação, considerada primitiva, ocorre
nos cordados inferiores e nos equinodermes;
• • • • • Epibolia – neste caso, os macrômeros vão ser rodeados pelos micrômeros, devidos ás
mitoses aceleradas destes. Assim, passivamente, os macrômeros ficam internamente,
formando a endoderme e os micrômeros a ectoderme. Esta situação é típica dos ovos
de anfíbio;
• • • • • Migração – alguns blastômeros isolam-se e migram para o blastocélio, vindo a unir-se e
a originar a endoderme, que ficará rodeada pela ectoderme. Este fenômeno é
característico dos vertebrados superiores;
• • • • • Delaminação – células do blastoderme dividem-se,
segundo um plano paralelo á superfície, formando a
endoderme;
• • • • • Organogênese – por diferenciação celular dos dife-
rentes folhetos formam-se os tecidos e órgãos do
embrião.
O primeiro sistema a formar-se é o nervoso, sendo
essa etapa da organogênese designada neurulação e
o embrião dela resultante neurula.
Nesta etapa o embrião alonga-se, surgindo o plano
básico do vertebrado. O eixo do corpo fica definido pelo
surgimento de duas estruturas cilíndricas: tubo neural e
a notocorda.
Embriologia em anfíbios
Nos anfíbios, as fêmeas produzem grande número de ovos, cobertos por uma
substância gelatinosa. Já antes da fecundação, o ovo apresenta polaridade externa, pois o
pólo animal é mais pigmentado que o vegetativo.
Com a fecundação, essa pigmentação desloca-se para a zona intermédia entre os
dois pólos, indicando o que será a parte dorsal do animal – crescente cinzento – localizado
exatamente no lado oposto ao ponto de entrada do espermatozóide.
Ao eixo pólo animal-pólo vegetativo irá corresponder o eixo antero-posterior do
animal, sendo o pólo animal a cabeça.
Dado o ovo anfíbio ser heterolecítico e mesolecítico, a segmentação atinge todo o
ovo, mas forma blastômeros de diferente tamanho – segmentação holoblástica desigual.
A blástula resultante apresenta mais de uma camada de células, rodeando