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[LIVRO] Embriologia e Histologia Alves

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aprendemos, a
ovogênese, corresponde ao proces-
so de formação do óvulo e estes são
as células animais mais extraor-
dinárias que existem: uma vez ati-
vados, podem originar um novo
indivíduo completo dentro de dias ou
semanas, a depender da espécie.
A ativação é geralmente
conseqüência da fertilização, fusão
do espermatozóide com o óvulo. O
próprio espermatozóide, entretanto,
não é estritamente necessário.
Um óvulo pode ser artificial-
mente ativado por vários tratamentos
químicos e físicos; um óvulo de sapo,
por exemplo, pode ser ativado pela
sua perfuração com uma agulha.
Certos organismos, incluindo
até vertebrados, como algumas
espécies de lagartos, normalmente
reproduzem-se através de óvulos
ativados na ausência de esperma-
tozóide, fenômeno conhecido por
partenogênese.
Apesar do óvulo ser capaz de
originar cada tipo celular do orga-
nismo adulto, ou seja, ser totipotente,
ele próprio é uma célula altamente
especializada, equipada unicamente
para a função de gerar um novo
indivíduo.
Provavelmente você já
ouviu o termo TOTIPOTENTE ao
estudar Biologia Celular e Mole-
cular. Assim, o que você entende
quando afirmamos que O ÓVULO
É UMA CÉLULA TOTIPOTENTE?
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Os óvulos da maioria dos animais são células gigantes, contendo estoques de todos
os componentes necessários para o desenvolvimento inicial do embrião, até o estágio onde
o novo indivíduo possa ser alimentado.
Em geral, os óvulos são esféricos ou ovóides, com um diâmetro de cerca de 100
milímetros em seres humanos e em ouriços-do-mar; de 1 a 2 mm em sapos e peixes, e
muitos centímetros em pássaros e répteis. Uma célula somática típica, em comparação,
tem diâmetro de apenas 10 a 20 mm.
O citoplasma do óvulo contém reservas nutritivas na forma de gema, que é rica em
lipídios, proteínas e polissacarídeos, e é geralmente, contida dentro de estruturas finas,
denominadas grânulos da gema.
Em algumas espécies, cada grânulo da gema está ligado à membrana, enquanto
em outras espécies não. Em óvulos que irão se desenvolver em grandes animais fora do
corpo da mãe, a gema pode ocupar mais de 95% do volume da célula, enquanto em
mamíferos, cujos embriões são plenamente nutridos pelas mães, há nenhuma ou pouca
reserva.
O invólucro do óvulo, outra peculiaridade destas células, é uma forma especializada
de matriz extracelular composta em grande parte por glicoproteínas, algumas secretadas
pelo óvulo, e outras pelas células que o cercam. Em muitas espécies, esse invólucro é uma
camada que cerca a membrana plasmática do óvulo; em óvulos de animais não-mamíferos,
como ouriços-do-mar e galinhas, ela é chamada de camada vitelina, e em mamíferos, é
chamada de zona pelúcida.
Essa camada protege o óvulo de danos mecânicos e, em muitos casos, também
atua como uma barreira, permitindo apenas a entrada de espermatozóide da mesma espécie
ou espécies intimamente relacionadas.
Óvulos de animais não-mamíferos normalmente contêm camadas adicionais
recobrindo a camada vitelina que são secretadas por células adjacentes. Os óvulos de
sapo, por exemplo, à medida que saem do ovário e passam através do oviduto (o tubo que
os conduz para o exterior), são cobertos por várias camadas gelatinosas secretadas pelas
células epiteliais que revestem o oviduto. Do mesmo modo, a parte branca (albumina) e a
casca dos ovos de galinha são adicionadas (após a fertilização) durante a passagem ao
longo do oviduto. A camada vitelina de óvulos de insetos, por exemplo, é coberta por uma
camada espessa e rígida, chamada córion, a qual é secretada pelas células foliculares que
cercam cada óvulo no ovário.
Muitos óvulos (incluindo os de mamíferos) contêm vesículas secretoras, os grânulos
corticais, situadas logo abaixo da membrana plasmática, na região externa, ou córtex, do
citoplasma do óvulo. Quando o óvulo é ativado pelo espermatozóide, esses grânulos corticais
liberam seu conteúdo por exocitose, este conteúdo altera a cobertura do óvulo para evitar
que mais de um espermatozóide seja fusionado ao óvulo.
Os óvulos são gametas femininos que serão classificados em função das
diferentes quantidades de vitelo (reservas nutritivas) e das suas variadas formas de
distribuição no interior do citoplasma. Essas duas características determinam aspectos
diferentes no desenvolvimento embrionário.
Durante o desenvolvimento embrionário há necessidade de fornecimento contínuo
de nutrientes, permitindo não só a elaboração de biomoléculas constituintes das células,
mas também de energia. Pelo menos durante as primeiras etapas do desenvolvimento,
esses nutrientes devem ser fornecidos pelo ovo ou zigoto.
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Embriologia
e Histologia
Comparada
O ovo é uma célula que contém todas as estruturas necessárias á
formação de uma nova vida:
• Núcleo – diplóide, resulta da reunião dos núcleos do óvulo e do
espermatozóide;
• Protolécito – também designado por vitelo germinativo, é composto
pelo citoplasma ativo da célula (hialoplasma e organelas);
• Deutolécito – também designado por vitelo de nutrição, é composto
por nutrientes, nomeadamente proteínas, lipídeos e glicogênio.
Estes componentes do ovo raramente estão homogeneamente distribuídos, sendo
mais comum o ovo apresentar polaridade. Esta se reflete no fato de existir um pólo animal
(zona do protolécito) e um pólo vegetativo (zona do deutolécito).
Assim, os ovos podem ser classificados segundo a quantidade e distribuição do
vitelo que contêm:
Tipos de ovos:
• • • • • Oligolécitos ou isolécitos (oligo = pouco, lecito = vitelo, iso = igual).
Possui pouco vitelo, homogênea ou quase homogeneamente distribuída pelo
citoplasma.
Ocorrência: equinodermos e cefalocordados (anfioxo)
• • • • • Telolécitos incompletos ou heterolécitos (telo = fim, hetero = diferente)
Muito vitelo. Distinção entre pólo animal, que contém o núcleo, e pólo vegetativo,
que contém o vitelo.
Ocorrência: alguns peixes e anfíbios.
• • • • • Telolécitos completos ou megalécitos (mega = grande)
Óvulos grandes, com muito vitelo no pólo vegetativo. Nítida separação entre o
citoplasma sem vitelo (pólo animal) e o citoplasma rico em vitelo (pólo vegetativo).
Ocorrência: alguns peixes, répteis, aves.
• • • • • Centrolécitos: (centro = meio)
O vitelo ocupa praticamente toda a célula, ficando a porção do citoplasma sem
vitelo reduzido a uma pequena região na periferia da célula e junto ao núcleo.
Ocorrência: artrópodes.
• • • • • Alécito (a = sem)
Na maioria dos mamíferos, o óvulo é praticamente desprovido de vitelo,
podendo ser considerado como um óvulo alécito, embora também possa ser
chamado de oligo ou isolécitos.
Ocorrência: maioria dos mamíferos.
Tipos de clivagem:
• • • • • Holoblástica (total) – Ocorre no ovo todo. Exemplo: Ocorre nos ovos isolécitos,
alécitos e heterolécitos.
• • • • • Meroblástica (Parcial) – Ocorre só em parte do ovo. Exemplo: Ocorre nos ovos
telolécitos.
Determine quais os critérios empregados para classificar os ovos animais.
Vamos pensar...
13
Espermatogênese
Nos mamíferos, encontram-se as maiores diferenças entre a produção dos óvulos
(ovogênese) e a de espermatozóides (espermatogênese).
Em mulheres, por exemplo, a ovogônia prolifera-se apenas no feto, entra em meiose
antes do nascimento e permanece como ovócito na prófase I por vários anos. Os ovócitos
individuais maturam deste estoque limitado e são ovulados em períodos, geralmente um de
cada vez, a partir da puberdade. Nas mulheres, a quantidade total de ovócitos é produzida
anterior ao nascimento.
Nos homens, por outro lado,
a meiose e a espermatogênese só
são iniciadas nos testículos a partir
da puberdade e daí continuam no
revestimento epitelial dos túbulos
seminíferos. As células germi-
nativas imaturas, chamadas esper-
matogônias, estão localiza-das ao
redor da extremidade mais externa
desses túbulos, onde proliferam
continuamente por divisão mitótica
comum. Algumas destas células-
filha