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Carcinomas de bexiga

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CARCINOMAS DA BEXIGA 
 
Estimativa de novos casos: 10.640, sendo 7.590 em homens e 3.050 em mulheres (2020 - 
INCA). 
O câncer de bexiga é a neoplasia maligna mais comum envolvendo o trato urinário e 
representa uma das causas mais comuns de morte relacionada com o câncer em adultos do sexo 
masculino. A maioria dos casos é diagnosticada na população idosa. 
O tabagismo é a causa mais comum identificável no hemisfério ocidental. Outros importantes 
fatores causadores de contribuição incluem inflamação crônica de cateteres de demora, cálculos, 
corpos estranhos ou infecção recorrente. Existe uma associação bem conhecida entre o câncer de 
bexiga e esquistossomose, com infecção por Schistosoma hematobium sendo a mais 
frequentemente descrita. Alguns tipos de histórico de exposição industrial também são bem 
conhecidos por causar câncer na bexiga; corantes de anilina e vários compostos aromáticos de 
amina são responsáveis significativos, assim como outras exposições químicas comuns, tais como 
ocorre com os que trabalham com borracha, couro, corante e petróleo. A exposição à ciclofosfamida 
(Citoxan®) também é um fator de risco para o câncer vesical. 
 
Tipos 
A histologia mais comum para o câncer de bexiga é o carcinoma de células de transição 
(CCT), que compreende mais de 90% dos casos na maioria das populações. A maioria dos CCTs 
apresenta-se como sendo de baixo grau, não invasivo, com lesões papilares, que são passíveis de 
controle com a ressecção transuretral (RTU). Uma pequena percentagem dos pacientes com CCT 
papilar de baixo grau na bexiga pode desenvolver um tumor simultâneo ou metacrônico no trato 
superior; assim, deve ser considerado exame de imagem do trato superior no diagnóstico e 
acompanhamento. Além disso, após apresentar RTU definitiva, devem ser acompanhados 
periodicamente com cistoscopia e citologia em consultório, pois a taxa de recorrência de longo 
prazo é de aproximadamente 50%. 
Os papilomas representam 1% ou menos dos tumores vesicais e geralmente são observados 
em pacientes mais jovens. 
As neoplasias uroteliais papilares de baixo potencial maligno (PUNLMPs) compartilham 
muitos aspectos histológicos com o papiloma, sendo que as únicas diferenças consistem no urotélio 
mais espesso ou aumento nuclear difuso em PUNLMPs. Figuras mitóticas são raras. Na 
cistoscopia, PUNLMPs tendem a ser maiores que os papilomas e podem ser indistinguíveis dos 
cânceres papilares de baixo e alto grau. 
O carcinoma in situ na bexiga (Tis) é uma neoplasia plana, de alto grau, que envolve a 
mucosa. A citologia urinária é geralmente positiva e alguns pacientes podem descrever sintomas 
urinários irritativos. O carcinoma in situ (CIS) é reconhecível como um epitélio plano, anaplásico. 
As células contêm núcleos grandes, irregulares, hipercromáticos, com nucléolos proeminentes. 
De ponto de vista cistoscópico, os pacientes podem ser observados quanto a ter manchas 
avermelhadas ou irregularidade da mucosa; é difícil distinguir tais lesões visualmente dos 
processos inflamatórios; assim, quando houver suspeita, devem ser obtidas biópsias da bexiga 
para exame histopatológico, além de lavagens para citologia da bexiga. Além da fulguração para 
lesões focais, a terapia padrão para o carcinoma in situ da bexiga consiste em aplicações 
intravesicais em série do Bacilo de Calmette-Guérin (BCG). O BCG intravesical diminui 
significativamente a invasão e a taxa de evolução do carcinoma in situ da bexiga, em comparação 
com a fulguração transuretral sozinha. 
O carcinoma de células escamosas está relacionado com a infecção esquistossomótica, 
estados inflamatórios crônicos e tabagismo. Muitas vezes manifesta-se com um grau elevado e é 
geralmente invasivo da musculatura em sua apresentação. 
O adenocarcinoma pode ser de úraco (ligamento umbilical mediano) em sua origem, é 
geralmente visto na cúpula da bexiga e também está relacionado com um histórico de extrofia de 
bexiga (A anomalia ocorre devido ao fechamento incompleto da parte inferior da parede abdominal 
anterior. Fora do corpo, a parede anterior da bexiga se rompe, o que permite a comunicação entre 
o meio externo e a mucosa da bexiga.). Mas os adenocarcinomas primários frequentemente 
surgem ao longo do assoalho da bexiga e podem ser precedidos por cistite e metaplasia. 
Histologicamente, os adenocarcinomas secretam muco e podem ter padrões glandulares, coloides 
ou em anel de sinete. O adenocarcinoma da bexiga também geralmente se apresenta com um alto 
grau e é normalmente invasivo da musculatura em sua apresentação. 
Os carcinomas de células pequenas surgem na bexiga frequentemente associados ao 
carcinoma urotelial, escamoso ou adenocarcinoma. 
O sarcoma mais comum na bexiga em adultos é o leiomiossarcoma. O leiomiossarcoma de 
bexiga é um tumor mesenquimal maligno desenvolvido à custa do músculo liso da bexiga. O LMS 
na bexiga é raro. 
Os carcinomas mistos são compostos de uma combinação de padrões transicionais, 
glandulares, escamosos ou indiferenciados. O tipo mais comum contém elementos de células 
transicionais e escamosas, sendo, em sua maioria, grandes e infiltrativos. 
 
Estadiamento do Câncer de Bexiga 
Atualmente, o sistema de estadiamento mais comumente usado possibilita uma descrição 
precisa e simultânea do estágio do tumor primário (estágio T), do estado dos linfonodos (estágio 
N) e dos locais metastáticos (estágio M). 
Existem erros de estadiamento quando se 
compara o estágio clínico (que é baseado em exame 
físico e exames de imagem) com o estágio patológico 
(que se baseia na remoção da bexiga e dos gânglios 
linfáticos regionais). 
Embora a invasão para a lâmina própria agrave o 
prognóstico, a maior diminuição da sobrevida está 
associada à invasão da muscular própria (músculo 
detrusor). Quando ocorre invasão da muscular própria, 
existe uma taxa de mortalidade em 5 anos de 30%. 
 
Exames diagnósticos 
Hemograma, sumário de urina, ureia e creatinina - A anormalidade laboratorial mais comum é 
hematúria. Ela pode ser acompanhada por piúria, que ocasionalmente pode resultar de infecção 
concomitante do trato urinário. Pode ser notada azotemia (elevação de nitrogênio da ureia 
sanguínea e da creatinina) em pacientes com oclusão ureteral devido a tumor primário da bexiga 
ou linfadenopatia. Anemia pode ser um sintoma de apresentação devido à perda de sangue crônica 
ou substituição da medula óssea por doença metastática. 
Citologia urinária - Células esfoliadas, tanto do urotélio normal como neoplásico, podem ser 
identificadas prontamente na urina eliminada. O exame citológico de células esfoliadas pode ser 
especialmente útil na detecção de câncer em pacientes sintomáticos e na avaliação da resposta ao 
tratamento. As taxas de detecção são altas para tumores de grau e estágio altos. Quantidades 
maiores de células podem ser obtidas pela irrigação suave da bexiga com soro fisiológico isotônica 
por meio de uma sonda ou cistoscópio. 
 
Pacientes com tumores de grande volume ou invasivos podem ter espessamento da parede 
vesical ou uma massa palpável - achados que podem ser detectados com um exame bimanual sob 
anestesia. Se a bexiga não é móvel, isso sugere fixação do tumor a estruturas adjacentes por 
invasão direta. 
O exame de imagem é usado para avaliar a profundidade da infiltração da parede muscular 
e a presença de metástases regionais ou distantes. 
Os tumores da bexiga podem ser reconhecidos como defeitos de enchimento pedunculados, 
radiotransparentes, projetando-se para dentro do lúmen. 
A US é considerada a primeira escolha e a técnica segura para o câncer de bexiga, pois não 
é invasivo e fácil de realizar. Apresenta alta sensibilidade na detecção de tumores vesicais com 
mais de 0,5 cm. Muitas vezes, ele é utilizado para guiar precisamente o posicionamento de uma 
agulha de biópsia em uma área suspeita de câncer. 
 
A RM é utilizada principalmente para estadiamento de tumores vesicais.