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Aula -08-Bibliotecas

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SERVIÇOS DE REFERÊNCIA E 
FONTES DE INFORMAÇÃO 
AULA 8
Bibliotecas 
Abertura 
Olá,
Na concepção técnico-científica da biblioteconomia, por sua vez, a biblioteca é reconhecidamente 
concebida na sua matriz curricular como uma “unidade de informação” ou, a nosso ver, de 
maneira mais didática: “ambiente de informação”.
Acompanhe esta aula e entenda mais sobre as bibliotecas enquanto fontes de informação.
BONS ESTUDOS!
Referencial Teórico 
A concepção de que a biblioteca é, por si só, “uma coleção de acervos/documentos” reduz os 
múltiplos significados da biblioteca, visto que não reconhece o caráter geral da intencionalidade 
político-social da biblioteca (os sentidos pelos quais uma biblioteca deve existir e atuar).
Acompanhe o trecho selecionado para leitura desta aula e, ao final, você será capaz de:
• Conhecer a origem das bibliotecas.
• Entender o conceito de bibliotecas.
• Refletir sobre a importância das bibliotecas como fontes de informação.
BOA LEITURA!
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Uma das principais conseqüências sociais da invenção da escrita e de
suportes de baixo custo, duráveis e portáteis, para os registros escritos, foi a
formação de coleções desses registros. Coleções que viriam a ser conhecidas pelo
nome de bibliotecas. Assim, as bibliotecas têm uma origem muito antiga. Sua so-
brevivência como instituição, adaptando-se às mudanças políticas, sociais e tec-
nológicas, por si só, seria suficiente para deixar evidente que lhe cabe desempe-
nhar uma importante função, embora essa função nem sempre alcance pleno
reconhecimento em todas as sociedades, por razões de ordem histórica e cultural.
Basicamente, tidas como repositórios de materiais impressos, tem-se uma visão
mais adequada de sua função quando se encara a biblioteca sob a perspectiva cultural,
como memória coletiva do grupo social e, por extensão, da própria humanidade, e da
perspectiva de serviço público voltado para o fornecimento de informações/conheci-
mentos necessários ao exercício de atividades profissionais, e de meios que ensejem a
fruição do saber e o prazer da leitura. Mais recentemente incorporou-se à biblioteca,
particularmente, à biblioteca pública, a preocupação em propiciar o acesso a informa-
ções que contribuam para o pleno usufruto da cidadania.
Conceito
Nem toda coleção de livros é uma biblioteca, do mesmo modo que nem toda
biblioteca é apenas uma coleção de livros. Para haver uma biblioteca, no sentido
de instituição social, é preciso que haja três pré-requisitos: a intencionalidade
política e social, o acervo e os meios para sua permanente renovação, o imperati-
vo de organização e sistematização; uma comunidade de usuários, efetivos ou
potenciais, com necessidades de informação conhecidas ou pressupostas, e, por
último, mas não menos importante, o local, o espaço físico onde se dará o encon-
tro entre os usuários e os serviços da biblioteca.
A palavra biblioteca, que tem origem na forma latinizada do vocábulo grego
bibliotheca (de biblion, livro, e theke, o estojo, compartimento, escaninho onde se
Bibliotecas
Antônio Agenor Briquet de Lemos
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INTRODUÇÃO ÀS FONTES DE INFORMAÇÃO
guardavam os rolos de papiro ou pergaminho, por extensão a estante e, finalmente,
o lugar das estantes com livros) passou a ser a forma dominante na língua portu-
guesa apenas no começo do séc. XIX. Antes, a palavra preferida era livraria, assim
como, em inglês, library é biblioteca e não livraria.
Em geral, define-se hoje a biblioteca como um acervo de materiais impressos
(livros, periódicos, cartazes, mapas etc.), ou não-impressos, como filmes cinemato-
gráficos, fotografias, fitas sonoras, discos, microformas, cederrons, devedês, pro-
gramas de computador etc.), organizados e mantidos para leitura, visualização,
estudo e consulta.
Quanto aos materiais que reúne, há situações em que a biblioteca parece
duplicar as atividades dos museus, quando, por exemplo, reúne e conserva artefa-
tos e objetos diversos. A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, durante alguns
anos, abrigou uma rica coleção de moedas e medalhas, posteriormente transferidas
para o Museu Histórico Nacional, na mesma cidade. De seu acervo atual, como em
outras bibliotecas, consta uma excelente coleção de manuscritos importantes para
a história do Brasil e a história da literatura brasileira.
Para fins práticos, e da perspectiva de sua função, considera-se os centros
de documentação como uma forma de biblioteca especializada, sendo que, muitas
vezes, não se consegue vislumbrar a diferença existente entre um centro de docu-
mentação que assim se denomine e uma biblioteca especializada que assim se
denomine.
Além dos pré-requisitos citados, o conceito de biblioteca baseia-se em cinco
postulados que foram até mesmo erigidos em leis da biblioteconomia pelo bibliote-
cário indiano S. R. Ranganathan: a) os livros são para usar; b) a cada leitor seu
livro; c) a cada livro seu leitor; d) poupe o tempo do leitor; e) a biblioteca é um
organismo em crescimento. Desses postulados resulta a idéia de que a finalidade
da biblioteca é promover a efetiva utilização de seus materiais e não ser um mero
local de custódia; de que os acervos devem ser formados segundo as necessida-
des efetivas dos usuários; de que estes devem ter ao seu dispor serviços organiza-
dos e eficientes; e que, pelo fato de tender ao crescimento incessante, é preciso
que haja mecanismos de seleção e descarte adequados.
Para tornar mais clara a compreensão do papel da biblioteca, talvez valha
a pena apelar, como já fizeram inúmeros outros autores, para uma analogia com
o ser humano. Este, em sua memória, é capaz de armazenar conhecimentos,
informações, experiências de sua vida pessoal, enfim, o arquivo de sua existên-
cia. Ao morrer, porém, por mais rica e avantajada que seja sua memória, tudo
isso, todas essas informações desaparecem, apagam-se, sem chance de recu-
peração. Nas últimas palavras do andróide de Blade runner, tudo que foi visto
e experimentado acaba por se perder como lágrimas na chuva. Por exemplo, em
sociedades ágrafas, cada indivíduo, por meio da transmissão oral da cultura,
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BIBLIOTECAS – ANTÔNIO AGENOR BRIQUET DE LEMOS
torna-se depositário da história do grupo. A morte do último indivíduo leva
consigo toda a memória do grupo.
Foi a escrita que permitiu a fixação, de forma mais ou menos perene, a depen-
der de seu suporte, de tudo aquilo que antes se confiava à memória individual,
endossomática. E, dos diferentes suportes que se utilizaram e se utilizam para a
escrita, foi o papel, principalmente quando empregado na forma de códice ou livro,
que permitiu que se criasse uma memória social duradoura – uma memória dita
exossomática, isto é, externa ao corpo do indivíduo.
Da mais antiga coleção de tábulas de argila dos assírios e babilônios até as
mais avançadas concepções de bibliotecas virtuais, eletrônicas ou digitais, todas
giram em torno da mesma idéia de memória exossomática: o local onde se reúnem
dados, informações, conhecimentos, em síntese, mentefactos (obras que são pro-
duto da criação intelectual), de modo organizado e dinâmico, tendo em vista sua
eventual recuperação e utilização.
Histórico
A existência de coleções de documentos é comprovada já na primeira metade
do terceiro milênio a. C. Na cidade babilônica de Nipur havia um templo com salas
onde foram encontradas, como se ali houvessem sido propositalmente colocadas
tábulas de argila com escrita cuneiforme. Assim, essa primeira biblioteca primitiva
teria surgido há cerca de 5 mil anos.
Menciona-se a famosa biblioteca de Assurbanipal, rei da Assíria, que viveu
de 668 a 627 a.C. Situada em seu palácio de Nínive, contava com cerca de 25 mil
tábulas, que continham transcrições e textos que Assurbanipal mandara coletar
sistematicamente em templos de seu reino, antecipando uma prática que seria co-
mum entre monarcas europeus, do Renascimento até praticamente o séc. XIX, para
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