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Aula -08-Bibliotecas

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de apoio à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico. Pode-se conside-
rar a década de 1950 como o momento em que se deu a grande virada no processo de
desenvolvimento científico e tecnológico, processo que passou a ser, nas socieda-
des industrializadas, o principal motor de seu desenvolvimento econômico e social.
Tornava-se evidente, não apenas para uma elite reduzida mas também para setores
mais amplos da vida política e social, que se estava lidando com um novo fator de
produção, que era o conhecimento novo, ou, como se passou a dizer, a informação.
Passa-se a falar da sociedade da informação, como antes se falara da sociedade da
máquina a vapor, da sociedade do carvão ou da sociedade do aço.
A partir do fim da Segunda Guerra Mundial, começa a ocorrer um aumento verti-
ginoso da produção científica expressa na forma de artigos e livros científicos. Fala-se
da explosão da informação. E pouco tempo depois, começam a ser feitas as primeiras
experiências de aplicação do computador, a mais importante invenção do século e cuja
matéria-prima que irá processar será exatamente a informação, visando a permitir a
organização adequada do volume crescente de publicações científicas e técnicas.
Ao mesmo tempo, as bibliotecas públicas beneficiaram, a partir de meados da
década de 1960, com o revivalismo das idéias de democratização da cultura. Na
esteira dos anos de euforia econômica que assinalaram o advento do chamado
Estado do bem-estar social (welfare state), a biblioteca pública adquiriu novo
vigor que se traduziu em empreendimentos que associavam numa única instituição
um conjunto de atividades culturais antes dispersas. Os centros culturais come-
çam a se multiplicar e, como símbolo ainda insuperado desse momento, ergue-se
em Paris o Centre National d’Art et de Culture Georges Pompidou, também conhe-
cido simplesmente como Beaubourg ou Pompidou. Lá, a biblioteca não será sim-
plesmente biblioteca pública mas biblioteca pública de informação, como a assina-
lar que se estava agora distante do ideal de biblioteca pública, como mero local de
espairecimento e lazer, e mais perto de uma instituição voltada para objetivos prá-
ticos e mundanos. Transformado, desde sua inauguração, em 1977, numa das gran-
des atrações de Paris, a afluência de visitantes que fora prevista, na fase de proje-
to, para ser de 5 mil pessoas por dia havia alcançado, 20 anos depois, a média de 25
mil visitantes diários, e só a biblioteca respondia por 14 mil dessas pessoas. Essa
máquina cultural recebeu, nos 20 anos seguintes à sua fundação, 150 milhões de
visitantes.
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BIBLIOTECAS – ANTÔNIO AGENOR BRIQUET DE LEMOS
É ainda com o surplus econômico dos anos de vacas gordas que Grã-Breta-
nha e França construirão os novos prédios de suas bibliotecas nacionais, talvez as
últimas expressões monumentais da arquitetura de grandes bibliotecas típicas da
época da hegemonia do livro como principal meio de comunicação.
Até mesmo um país emergente, como o México, além do já mencionado Egito,
resolveu, no final de 2002, dar início ao processo de construção do prédio de sua
nova biblioteca nacional: a Nueva Biblioteca de México “José Vasconcelos”, des-
de logo apelidada a megabiblioteca, principalmente por seus críticos que a vêem
como uma obra de perfil faraônico. O custo estimado da obra é de 80 milhões de
dólares.
Nesse processo evolutivo, as bibliotecas foram se diversificando, seja por causa
do tipo de material que reúnem, seja por causa do tipo de usuário a que atendem
prioritariamente. Quanto ao tipo de material, existem bibliotecas apenas de periódi-
cos (hemerotecas), de filmes (filmotecas ou cinematecas), de partituras musicais, de
textos em braile, de discos (discotecas), de vídeos (videotecas), de materiais didáti-
cos, de gibis (gibitecas) etc. A idéia do acervo de coisas úteis e educativas amplia-se
aos brinquedos e jogos dando origem às brinquedotecas ou ludotecas. Quanto aos
usuários, há bibliotecas públicas (abertas aos membros da comunidade em geral),
bibliotecas escolares e universitárias (para estudantes e professores), bibliotecas espe-
cializadas (para estudiosos e pesquisadores) e bibliotecas especiais (para grupos es-
peciais de usuários). Em geral, porém, a tipologia da biblioteca refere-se a bibliotecas
nacionais, públicas, escolares, universitárias, especializadas e especiais.
As bibliotecas públicas, que são, por definição, abertas a toda a comunida-
de, possuem em geral um acervo que abrange todas as áreas do conhecimento,
mas sem incluir materiais muito especializados ou de natureza estritamente téc-
nica ou científica, a não ser em caráter esporádico e quando o desenvolvimento
de suas coleções está mais sujeito ao acaso de doações aceitas sem critério e da
ausência de uma política de seleção realista. São, em geral, bem supridas de livros
didáticos e de obras de ficção. Algumas bibliotecas estaduais e municipais procu-
ram ser depositárias da produção bibliográfica do estado ou do município. Outras
formam ainda uma coleção especial, onde ficam reunidos os materiais relativos ao
município ou estado, o que facilita o estudo pelos pesquisadores locais.
Todas as capitais contam com bibliotecas públicas, mas sua qualidade é
variada e a maioria padece de inúmeros problemas, que se traduzem em atendi-
mento insatisfatório. Merecem destaque a Biblioteca Mário de Andrade, em São
Paulo, a Biblioteca Pública Estadual, no Rio de Janeiro, a Biblioteca Pública
Estadual Luís de Bessa, em Belo Horizonte, a Biblioteca Pública Estadual, em
Salvador, a Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, a Biblioteca Pública Esta-
dual, em Porto Alegre. Outros municípios que não são capitais possuem bibliote-
cas de algum interesse e serventia, como é o caso das bibliotecas municipais de
Pelotas, Campos, Campinas, Santos, Niterói e outras poucas.
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INTRODUÇÃO ÀS FONTES DE INFORMAÇÃO
Brasília possui uma pequena biblioteca pública, dita demonstrativa, subordi-
nada à Biblioteca Nacional, além de outras, modestas e de precário funcionamento,
subordinadas ao governo local. No final do primeiro semestre de 2003, decorridos
43 anos de fundação da capital, teve início o trabalho de construção do edifício
projetado por Oscar Niemeyer para abrigar a biblioteca do Setor Cultural de Brasí-
lia, a um custo estimado de 70 milhões de reais, cerca de 24 milhões de dólares. Não
se conhecia, até o primeiro semestre de 2004, qualquer projeto operacional para
essa biblioteca. Será a biblioteca nacional? Será uma biblioteca pública? Será uma
biblioteca de referência? Nem mesmo se sabe a qual órgão estará subordinada.
As listas de bibliotecas públicas existentes no país podem chegar a arrolar
entre 2.000 e 4.000 dessas instituições. Segundo levantamento feito em 1999,
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, quatro de cada cinco
municípios possuem bibliotecas públicas. No entanto, em 68,6% dos municípios
que possuem bibliotecas públicas existe somente uma. E um percentual ínfimo de
0,8% corresponde aos municípios, onde se encontram mais de seis bibliotecas.
Estima-se que haja mais de 1.200 municípios sem biblioteca pública.
São pouquíssimas de fato as bibliotecas que possuem acervos dinâmicos e
prestam serviços compatíveis com o grau de desenvolvimento de seus respectivos
municípios e com as necessidades das populações locais. Isso não quer dizer que,
na busca de informações, o usuário as despreze de imediato. Às vezes, podem ser
encontradas agradáveis surpresas.
Existe uma espécie de perfil-padrão na maioria das bibliotecas públicas
brasileiras, cujos acervos caracterizam-se por possuir os seguintes tipos de mate-
riais: publicações feitas por órgãos de governo, municipais, estaduais ou fede-
rais, principalmente os livros que eram editados ou co-editados pelo antigo Insti-
tuto Nacional do Livro; livros didáticos, quase sempre imprestáveis; romances
que foram best-sellers

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