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Aula -08-Bibliotecas

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em diferentes épocas; uma variedade desconexa e obsoleta
de textos de nível universitário, principalmente de ciências humanas e sociais,
muitas vezes doados, com pompa e cerimônia, por figuras gradas da sociedade
local. Além disso, pela pouca atenção dada à preservação, os acervos, formados
por brochuras rotas e cheias de orelhas (vão longe os dias em que havia dinheiro
para encadernar os livros), assemelham-se, às vezes, a lojas de livros de segunda
mão. Verdadeiros e literais sebos.
A lei nº 10.753, promulgada em 31 de outubro de 2003, conhecida como
Lei do Livro, é mais uma das tentativas de reverter esse quadro, na medida em
que torna obrigatória a alocação de recursos orçamentários, pela União, estados e
municípios, para a manutenção de bibliotecas e aquisição de livros.
Se as bibliotecas públicas são as instituições mais pobres do universo bibliote-
cário, as bibliotecas escolares são paupérrimas. Relegadas a um canto, sob a custódia
de um professor afastado da função docente (como se a função da biblioteca não fosse
por si só essencialmente educacional), sobrevivendo às custas de doações de livros
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BIBLIOTECAS – ANTÔNIO AGENOR BRIQUET DE LEMOS
muitas vezes inadequados, levam uma existência vegetativa. É claro que há exce-
ções, tanto no setor público quanto no privado, mas são tão poucas no quadro
geral do país, que se torna dispensável procurar mencioná-las.
As bibliotecas universitárias são, em geral, mais bem aquinhoadas do que as
públicas e escolares. Nelas se concentra a maioria esmagadora do acervo biblio-
gráfico de todo o país. Delas existe grande pluralidade e diversidade. Podem ser
únicas, como é o caso da Biblioteca Central da Universidade de Brasília, ou se
multiplicar em várias, às vezes dezenas, dentro da mesma universidade, como é
o caso da Universidade de São Paulo. Também é, dentre as que se acham abertas
à comunidade em geral, onde existe a possibilidade de se contar com serviços de
primeira categoria e atendimento profissional.
Por definição, os acervos das bibliotecas universitárias refletem grande-
mente as necessidades de informação dos pesquisadores e professores. Lá se en-
contram as maiores e melhores coleções de periódicos especializados e também
os melhores acervos de obras de referência. Em sua maioria dispõem de acesso a
bases de dados bibliográficos, em diversas áreas do conhecimento, seja em cole-
ções próprias de cederrons, seja nos serviços que se acham disponíveis para aces-
so pela Internet.
Têm longa experiência nas atividades de obtenção de cópias de artigos científi-
cos, em outras bibliotecas do país e do exterior, o que certamente as tornam um
recurso importantíssimo para qualquer estudioso. Uma das dificuldades que podem
apresentar em alguns casos é a existência de normas que restringem o uso a docentes
e estudantes da universidade a que se vinculam. Mas, pelo menos, permitem a con-
sulta de materiais no próprio recinto da biblioteca a qualquer interessado. Algumas
bibliotecas universitárias possuem seus catálogos disponíveis na Internet.
Também se encontram bons serviços de bibliotecas, centrais ou departa-
mentais, na Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal do Rio
de Janeiro, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Universidade de
São Paulo, Universidade Federal de São Paulo, Universidade Estadual de Campi-
nas, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Universidade Federal de Per-
nambuco, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal do Paraná e
Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Assumem importância cada vez maior as bibliotecas de faculdades, centros
universitários e universidades particulares. Em cidades do interior, principal-
mente, são muitas vezes as melhores (e talvez únicas) fontes de informação a que
a população pode recorrer.
As bibliotecas ditas especializadas são as que se acham vinculadas a insti-
tuições, públicas e privadas, que se destinam prioritariamente ao atendimento de
uma clientela formada por especialistas, dedicados integralmente à pesquisa ou à
prestação de serviços, embora possam também desenvolver atividades docentes.
Podem ser formadas de grandes acervos, como é o caso da Biblioteca Central do
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INTRODUÇÃO ÀS FONTES DE INFORMAÇÃO
Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, até coleções de pequeno porte e superespe-
cializadas, como é o caso da Biblioteca da Rede Sarah de Hospitais, em Brasília,
para não falar das bibliotecas e centros de documentação do Instituto de Pesqui-
sas Tecnológicas – IPT, de São Paulo.
Costumam ser de boa qualidade, com serviço eficiente e bom atendimento.
Podem estar abertas ao público externo, mas apenas para consulta no recinto. Cons-
tituem, quando abertas a usuários externos, uma excelente opção para realização de
pesquisas bibliográficas especializadas, em virtude de suas coleções de referência,
inclusive bases de dados. Ademais, seus bibliotecários são profissionais que detêm
bom conhecimento da terminologia e das questões da área de assuntos abrangida
pela biblioteca, o que assegura uma melhor qualidade de atendimento.
Por meio dos mecanismos de buscas (Altavista, Google, Yahoo etc.) e dos
vínculos encontrados em páginas pertinentes da Internet, é possível identificar um
grande número de bibliotecas e serviços que prestam.
Alguns desses exemplos, particularmente os de órgãos do Legislativo e do
Executivo, são excelentes fontes de documentos sobre os respectivos setores de
atuação, além de serem depositários das publicações e outros materiais produzidos
pelo órgão, sua chamada memória técnica. Seus acervos às vezes alcançam uma
ampla gama de interesses, como acontece com as bibliotecas do Senado Federal e da
Câmara dos Deputados, que, sendo muito fortes na área do direito, não descuidam
da cobertura de outras áreas, inclusive literatura, de forma seletiva.
As bibliotecas especiais são as que, devido a peculiaridades de sua clientela
ou dos materiais com que lidam, ocupam categoria que as diferencia das demais. Uma
biblioteca de estabelecimento carcerário é considerada especial por causa de sua
clientela e localização, embora seu acervo em nada a distinga de uma pequena bibliote-
ca pública. O mesmo se pode dizer de uma biblioteca de textos em braile, destinada
a deficientes visuais. Não é muito grande o número de bibliotecas especiais.
A Biblioteca Nacional é o órgão responsável, como biblioteca depositária da
produção bibliográfica brasileira, pela coleta, organização, preservação e difusão
de nossos bens culturais de natureza bibliográfica. É uma biblioteca de último
recurso, ou seja, em princípio, recorre-se a ela depois de esgotadas as possibilida-
des das outras bibliotecas.
A Biblioteca Nacional é a biblioteca do Novo Mundo que mais se aproxima
do modelo histórico de formação e desenvolvimento das antigas bibliotecas nacio-
nais européias. Como estas, sua origem está na livraria de um monarca, o rei de
Portugal. Seu acervo básico atual foi constituído com o mesmo objetivo que presi-
dia à formação das grandes coleções da nobreza e da aristocracia européia nos
séculos XVIII e XIX: reunir a melhor amostra possível do que se publicava nos
mais importantes centros editoriais de então.
Além de ali se encontrar a coleção mais representativa da produção editorial
brasileira desde a introdução da imprensa em 1808 até os dias atuais, a Biblioteca
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BIBLIOTECAS – ANTÔNIO AGENOR BRIQUET DE LEMOS
Nacional é fundamental para os pesquisadores de história do Brasil e de literatura
brasileira. O catálogo da Biblioteca Nacional acha-se disponível na internet, embo-
ra ainda apresente muitas deficiências, erros e omissões.
A utilização da Biblioteca Nacional exige que sejam obedecidas regras rígi-
das. É recomendável que a pessoa interessada procure conhecê-las antecipada-
mente, para não perder a viagem ou passar por

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