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Aula -08-Bibliotecas

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que exigem para
sua leitura a intermediação de algum equipamento. Por exemplo, a Médiathèque de
Rézé, na periferia de Nantes, França, inaugurada em 1990: uma biblioteca moderna,
onde os livros convivem com outros suportes da informação.
A propósito da onda de construção de novos e grandiosos museus que
atingiu a Europa e também os Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990 alguém
disse que, enquanto as grandes catedrais do passado foram poderosos símbolos
da riqueza ou importância das cidades européias, a cultura teria agora substituí-
do a religião como o sinal mais óbvio de sucesso. Exemplos disso estariam na nova
Bibliothèque Nationale, em Paris, com suas quatro enormes torres em forma de
livro aberto, a nova sede da British Library, em Londres, a citada Biblioteca de
Alexandria, ou as novas bibliotecas públicas de San Francisco e Phoenix, nos
Estados Unidos.
As bibliotecas na era da informática
Desde a década de 1950 que o uso de processos de mecanização/automação
começou a ser experimentado em serviços de bibliotecas e informação. Inicialmen-
te, máquinas de processamento de informações que usavam cartões perfurados
(conhecidas como máquinas Hollerith) serviram para a produção de listas de refe-
rências bibliográficas, empréstimos de materiais e outras atividades de natureza
gerencial. Com a aceleração do desenvolvimento científico e tecnológico, particu-
larmente a partir de meados dessa década, e o conseqüente aumento da produção
bibliográfica, foram feitas várias experiências de utilização de computadores no
processamento da informação bibliográfica.
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BIBLIOTECAS – ANTÔNIO AGENOR BRIQUET DE LEMOS
Em meados da década seguinte, havia em alguns países vários serviços biblio-
gráficos totalmente informatizados, que ofereciam a possibilidade de buscas à
distância por meio de terminais de telex, e, mais tarde, por terminais de computador.
Assim é que, no início da década de 1970, por exemplo, no Brasil, vários usuários
institucionais, em diferentes cidades, podiam ter acesso a bases de dados com
informações legislativas e bibliográficas organizadas e mantidas pelo Senado Fe-
deral, em Brasília. Posteriormente, com o surgimento de redes dedicadas à trans-
missão de dados, ampliou-se a possibilidade de acesso a bases de dados sediadas
em computadores remotos, inclusive em outros países.
A grande mudança nesse setor se deu a partir do início da década de 1990,
com a implementação da Internet, que possibilitou a interconexão de computa-
dores de diferentes marcas e com diferentes sistemas operacionais, utilizando
linhas telefônicas comuns combinadas com linhas de transmissão de dados de
alta velocidade. Antes da universalização da Internet, a França, com seu serviço
Minitel, já antecipava o conceito de colocar ao alcance imediato das pessoas, em
seu trabalho ou em sua residência, o maior volume possível de informações de
qualquer tipo.
No campo das bibliotecas, a Internet ensejou uma ampla difusão dos OPACS
(online public access catalogs), que são exatamente isso: catálogos de bibliotecas
disponíveis em linha e abertos à consulta remota por parte de qualquer interessa-
do. Muitas bibliotecas que haviam informatizado seus catálogos para acesso em
redes locais tornaram-nos assim imediatamente disponíveis em escala mundial.
Citem-se os catálogos da Library of Congress, da Universidade de São Paulo, da
Universidade Estadual de Campinas, da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, da Universidade Federal de Minas Gerais, de várias bibliotecas nacionais,
todos facilmente acessíveis na internet.
De grande utilidade são os catálogos coletivos em linha. Eles proporcionam
acesso num único local e de forma integrada ao acervo de várias bibliotecas. Podem
ser catálogos coletivos de periódicos, como o mantido pelo Instituto Brasileiro de
Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT, ou de livros, como o da França,
Itália, Reino Unido, Portugal e outros países. No Brasil, existe o Catálogo Coletivo
Bibliodata, de livros, acessível na Internet, que informa sobre os acervos de biblio-
tecas participantes da rede Bibliodata de catalogação cooperativa.
No campo da informação especializada, um número cada vez maior de bases
de dados de artigos de periódicos acopla-se a serviços que tornam disponíveis os
textos integrais dos artigos referenciados ou resumidos nessas bases, fornecidos
por editoras, cujas revistas já se encontram de forma integral na Internet ou por
bibliotecas que fornecem fotocópias, como as que no Brasil participam do progra-
ma Comut, ou o Document Supply Centre da British Library, no Reino Unido. No
Brasil, encontram-se mais de uma centena de revistas científicas nacionais, com
texto completo, de acesso gratuito, no Scielo. Este é um repositório mantido pelo
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INTRODUÇÃO ÀS FONTES DE INFORMAÇÃO
Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde – BIREME.
Embora sejam, na maioria, da área biomédica, ali se encontram revistas das ciências
exatas, sociais, humanas e humanidades.
Nesse contexto, tem-se falado muito de bibliotecas virtuais, bibliotecas digitais
e bibliotecas eletrônicas. Estas novas construções da era da informática teriam che-
gado para acabar com as bibliotecas tradicionais e, por extensão, com o próprio livro.
Na realidade, ainda existe muita confusão a respeito do que se poderia chamar gene-
ricamente de bibliotecas eletrônicas. Em primeiro lugar, nenhuma das bibliotecas que
se intitulam virtuais ou digitais correspondem, no mesmo plano ou em plano superi-
or, às bibliotecas tradicionais. Estas continuam sem ter substituto.
Uma biblioteca virtual seria aquela que, proporcionando todos ou a maior parte
dos serviços de uma biblioteca tradicional, inclusive o acesso aos textos dos docu-
mentos, somente existiria de forma latente (como a imagem fotográfica, registrada no
negativo, mas ainda não revelada), revelando-se na medida em que, lançando mão
dos recursos disponíveis na Internet, com o emprego dos vínculos de hipertexto, se
fosse colhendo, aqui e ali, as informações de interesse. Ao final de uma sessão de
consulta o usuário teria construído, pelas passagens por diferentes sítios (sites),
uma biblioteca única, que dificilmente se repetiria para outro consulente. Um sítio na
Internet, que se autodenomine biblioteca virtual e apresente, basicamente, uma série
de vínculos (links) com outros sítios é, no máximo, um cadastro eletrônico de unida-
des de informação. A rapidez do salto que o usuário dá, de onde está para onde quer
ir, não altera a natureza cadastral do sítio. Às vezes, um vínculo leva o usuário de um
sítio, que já é uma série de vínculos, para outros que também são conjuntos de
vínculos, sem que nenhum possua verdadeiramente informação substantiva. Como
uróboros, engolindo a própria cauda, o usuário sente-se tonto, como quando nos
perdemos naqueles dicionários que apresentam definições circulares em que a defi-
nição do vocábulo alfa é a definição do vocábulo beta que tem como definição o
vocábulo alfa; e se volta ao início do círculo.
A biblioteca digital seria aquela que teria, além de seu catálogo, também os
textos dos documentos de seu acervo, armazenados de forma digital, permitindo
sua leitura na tela do monitor ou sua importação (download) para o disco rígido do
computador que funcionasse como porta de acesso à Internet. Sem desprezar toda
a gama de opções que o sistema de hipertexto poderá oferecer em termos de inter-
ligação de sítios no universo da Internet. No momento, o projeto mais importante
de biblioteca digital é o National Digital Library, nos Estados Unidos.
Nessa questão da biblioteca digital, podem, ainda, ser citados vários proje-
tos de digitalização de textos integrais e sua oferta na Internet. Alguns podem estar
vinculados a bibliotecas tradicionais enquanto outros podem até mesmo ser inici-
ativas isoladas de pessoas físicas ou o resultado do trabalho voluntário de inúme-

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