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Endocardite bacteriana

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1. INTRODUÇÃO 
1.1. APRESENTAÇÃO GERAL 
A endocardite bacteriana, trata-se uma doença adquirida e rara, que acomete 
cerca de 10 pessoas a cada 100.000 pessoas por ano e que causa infecção no 
revestimento interno do coração (endocárdio) que geralmente também afeta as 
válvulas cardíacas. E essa doença ocorre quando uma bactéria entra na corrente 
sanguínea e se locomover em direção as válvulas previamente lesionadas, ou seja, 
as válvulas que foram acometidas pela lesão endotelial, lesão essa que é causada 
por turbulência do fluxo sanguíneo, seja o gerado por meio de uma válvula 
defeituosa (reumática, valva aórtica, bicúspide, prótese valvar disfuncionante), seja 
por alguma anomalia congênita que causa turbulência do fluxo (comunicação 
interventricular, cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, coarctação aórtica). E com 
essa lesão endotelial ocorre a formação de um trombo estéril, o qual é colonizado 
por bactérias que aí se multiplicam, transformando o trombo em vegetação (um 
coágulo de plaquetas e fibrina infectado, contendo ainda leucócitos e hemácias). E 
essa vegetação, além de ser vascularizada, o que torna o tratamento da endocardite 
difícil, pelo baixo acesso dos antibióticos aos micro-organismos, ela ainda pode estar 
localizada em qualquer sítio do endotélio, mas freqüentemente ocorre na linha de 
fechamento de uma valva, geralmente na superfície atrial das valvas 
atrioventriculares ou na superfície ventricular das valvas semilunares. É um fator 
favorável a isso é a presença de dispositivos intracardíacos, como cabos de 
marcapasso e de desfibriladores implantáveis, pois podem servir como suporte para 
fixação desses trombos e vegetações. (TEIXEIRA, 2007). 
É importante saber que a endocardite bacteriana acomete mais comumente a 
valva mitral (40%) ou aórtica (34%), seguida pelo acometimento de ambas as valvas. 
O acometimento das valvas tricúspide e/ou pulmonar ocorre mais comumente em 
usuário de drogas endovenosas e em persistência de cateter de demora em veia 
profunda, ou seja, a valva mais acometida é a mitral e a menos acometida é a 
pulmonar. (ALBUQUERQUE, 2013). 
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Fonte: ​https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/139 
1.2. FATORES DE RISCO 
O perfil da endocardite bacteriana tem se modificado, sendo hoje mais grave 
do que quando descrita por William Osler, em 1885. Atualmente, é possível observar 
que a idade dos acometidos aumentou de 30 a 40 anos na era pré-antibiótica para 
47 a 69 anos nos últimos anos, e que os homens são mais afetados do que as 
mulheres (a cada 2 homens afetados, uma mulher é afetada). Ademais, é evidente 
que alterações valvares e próteses, e não mais as doenças reumáticas, representam 
as causas mais comuns de endocardite em países desenvolvidos. Portanto, o 
conceito antigo de que a endocardite ocorria quase exclusivamente em portadores 
de valvopatias já não se aplica e cada vez mais a endocardite é diagnosticada em 
pacientes com alterações degenerativas das valvas cardíacas, pacientes em 
hemodiálise a longo prazo, diabéticos, usuários de drogas, pessoas com má higiene 
dentária e portadores de HIV, com os ​Staphylococcus aureus ​(bactéria que está 
envolvida em aproximadamente 70% dos casos) ​despontando como causa 
crescente de endocardite. Além disso, a endocardite bacteriana também pode ser 
causada pelo uso de cateteres ou agulhas durante intervenções médicas, realização 
de tatuagens ou “piercings”, pois esses procedimentos criam uma oportunidade para 
a entrada em circulação destas bactérias, bem como a partilha de seringas e 
agulhas. (SALGADO, 2013). 
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E a endocardite bacteriana pode se apresentar de duas formas, na forma 
aguda, a qual ocorre em pessoas com coração sadio, originando-se pela entrada 
direta de microrganismos na corrente sanguínea, ou na forma subaguda, a qual 
origina-se pela introdução de microrganismos na corrente sanguínea durante a 
realização de procedimentos (por exemplo, os procedimentos odontológicos) em 
pacientes de risco. (GRINBERG, 2011). 
1.3. ASPECTO GENÉTICO 
Trabalhos mostram uma predisposição genética em portadores de 
endocardite infecciosa, sendo o haplótipo mais freqüente HLA-B35 32, sugerindo 
maior suscetibilidade da doença em determinados indivíduos. (FORTE, 2001). 
1.4. FISIOPATOLOGIA 
Na maioria das vezes, a endocardite bacteriana ocorre em pacientes que 
possuem lesão endotelial no endocárdio, lesão essa que, geralmente é 
caracterizada como local de impacto de sangue em alta velocidade e de baixa 
pressão, e essas lesões endoteliais permitem a infecção direta do endocárdio, 
através da formação de trombos, os quais servem de local de aderência bacteriana, 
durante a bacteremia transitória. Como dito anteriormente, as bactérias para causar 
endocardite necessitam de um endotélio lesado, informação essa que possui uma 
exceção, pois em bactérias mais virulentas, como os ​Staphylococcus aureus​, há 
aderência diretamente ao endotélio intacto. E vale ressaltar que os microrganismos 
que costumam causar endocardite expressam adesinas superficiais, as quais 
reconhecem moléculas de aderência da matriz que medeiam à aderência do 
endotélio lesado. (TEIXEIRA, 2007). 
 
 
 
 
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E na ausência de defesa do hospedeiro, os microrganismos entremeados na 
crescente vegetação de fibrina e plaquetas proliferam, formando densas 
micro-colônias. Esses microrganismos da vegetação proliferam somente quando 
estão na superfície, pois quando eles estão no interior da vegetação, eles são 
inativos do ponto de vista metabólico, ou seja, não proliferam. E quando esses 
microrganismos proliferam, eles são liberados continuamente na corrente sanguínea. 
(TEIXEIRA, 2007). 
1.5. SINAIS E SINTOMAS 
Ao realizar a anamnese e o exame físico nos pacientes, é possível observar 
os seguintes sinais e sintomas: 
COMUNS INCOMUNS 
Febre/ calafrios Sopro cardíaco 
Sudorese noturna Nódulos de Osler 
Anorexia Lesões de Janeway 
Mal - estar Manchas de Roth 
Dispnéia Hemorragias em estilhas 
Mialgia/ artralgia Petéquias palatais 
Cefaléia 
Segue abaixo algumas fotos ilustrativas: 
 
Fonte: 
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doenças-cardiovasculares/endocardite/endo
cardite-infecciosa 
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Na imagem anterior, à esquerda mostra um nódulo de Osler (nódulo 
eritematoso sensível) no polegar. E a imagem à direita mostra lesões de Janeway 
(máculas eritematosas insensíveis na palma da mão). 
 
Fonte: 
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doenças-cardiovasculares/endocardite/endo
cardite-infecciosa 
Essas imagens mostram várias manchas de Roth ou hemorragias retinianas. 
1.6. DIAGNÓSTICO 
Deve-se suspeitar que todos os pacientes com bacteremia potencialmente 
apresentem endocardite bacteriana, particularmente aqueles com sopro audível, ou 
com a presença de outros sinais e sintomas, como foi exposto acima. Ademais, é 
necessária a realização dos seguintes exames: 
● Hemograma completo 
● Hemoculturas 
● Eletrocardiograma (ECG) 
● Ecocardiograma 
● Tomografia computadorizada (TC) 
● Ressonância nuclear magnética (RNM) 
O diagnóstico também pode ser realizado com base nos critérios maiores e 
menores de DUKE.