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ATOS ADMINISTRATIVOS

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Auditoria Fiscal Isadora Dutra Rebelo
 Atos administrativos 
São todas as manifestações de vontade da Administração 
Pública, materializadas por meio de decretos, resoluções, 
portarias, instruções, ordens de serviço, circulares, etc. 
É uma declaração unilateral de vontade do Estado ou de 
quem o represente (concessionários e permissionários de 
serviço público), no exercício de função administrativa, de 
nível inferior à lei, com finalidade de atender ao interesse 
público, visando criar, restringir, declarar ou extinguir 
direitos. 
É uma declaração unilateral porque seu exercício 
independe da vontade do administrado, e está sujeito ao 
controle judicial pois, se for provocado o Poder Judiciário, 
este poderá realizar o controle dos atos administrativos 
tanto vinculados como discricionários. 
 Requisitos ou elementos de Validade dos atos 
De acordo com a Lei 4.717/65 - Lei de Ação Popular, os 
requisitos ou elementos de val idade dos atos 
administrativos são: competência, finalidade, forma, 
motivo e objeto 
> Mnemônico CO FI FO MO OB
COmpetência
FInalidade
FOrma
MOtivo
OBjeto 
> Competência ou Sujeito
É o poder atribuído ao agente público para a prática de 
seus atos administrativos. A competência resulta da lei, e 
por ela é delimitada, portanto são suas características: 
- Irrenunciável: o agente público não pode recusar a 
competência que a lei lhe conferiu, assim como a 
autoridade policial é obrigado a lavrar auto de infração 
a um condutor alcoolizado; 
- Improrrogável: um agente que praticou um ato que não 
era de sua atribuição não se torna competente pelo 
decurso do tempo; 
- Imprescritível: não se perde a competência pelo 
decurso do tempo. Só a lei dá a competência, e só a lei 
pode retirar; 
- Inderrogável: a competência não se transfere por 
acordo ou vontade das partes. Somente a lei pode 
estabelecer as situações em que os atos podem ser 
objetos de delegação. Para todo ato a ser delegado, 
deve existir lei autorizando a delegação. 
Vícios na Competência
Excesso de poder: ocorre quando o agende público, 
embora inicialmente competente para prática do ato, se 
excede e vai além no exercício de suas atribuições legais; 
Agentes putativos: ocorre quando uma pessoa é 
irregularmente investida em função pública. Uma vez 
investida na função, praticará atos administrativos com 
vício de competência que, em relação a terceiros de boa 
fé, não poderão ser prejudicados por um ato que teve 
participação da Administração, portanto o ato terá 
aparência de legalidade e passará de inválido para válido; 
Usurpação de função: ocorre quando uma pessoa se 
apropria da função para praticar atos que são próprios 
dessa função. Tais atos serão inexistentes, portanto não 
produzirão efeitos por se tratarem de conduta criminosa. 
> Finalidade
É o objetivo, fim maior de todo ato administrativo, de 
interesse público buscado com a prática do ato. 
Não cabe ao administrador escolher a finalidade pública 
que o ato deve alcançar, e sim o legislador. A finalidade, 
em regra, é vinculada, mas em se tratando em finalidade 
específica, a lei poderá estabelecer se a finalidade será X 
ou Y, sendo assim discricionária. 
Caso não seja respeitada a finalidade, ocorrerá desvio de 
finalidade, que é uma forma de abuso de poder e não 
admite convalidação. 
> Forma
É a manifestação da vontade sendo concretizada. Em 
regra será escrita, mas pode ser praticada de modo 
verbal, por gestos, sons, placas ou por meios mecânicos 
(como semáforos e placas de trânsito que também são 
atos administrativos). 
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Só é admitido o ato não escrito em situações excepcionais, 
quando a própria natureza do ato assim exigir. O não 
respeito à forma torna o ato vicioso, sendo passível de 
invalidação. 
Alguns atos têm formalidades especiais para a sua 
validade, como por exemplo a multa de trânsito, que não 
basta o auto de infração por escrito, é necessária a 
tipificação, o local, a data e a hora do acontecimento, 
entre outras. 
> Motivo
É a situação de direito ou de fato que autoriza a prática do 
ato administrativo, podendo ser uma situação fática ou 
prevista em lei. 
Situação de fato é o acontecimento que gera a expedição 
do ato administrativo, que leva a Administração a 
manifestar sua vontade. Motivo de direito é aquele que já 
está descrito na lei, e quando ocorre, o ato é praticado, 
como o exemplo da aposentadoria. 
Motivo é diferente de motivação. Motivação é a 
justificativa, a explicação das razões que levaram o agente 
público a praticar o ato administrativo. O móvel é a 
intenção que está na mente do agente público no 
momento da prática do ato. 
A teoria dos motivos determinantes diz que quando o ato 
for motivado, ele só será válido se os motivos 
apresentados forem verdadeiros, caso contrário, o ato 
será ilegal e passível de anulação. 
Existem atos administrativos que dispensam motivação, 
como é o caso de nomeação e exoneração de cargos em 
comissão, pois a CF não exige. 
> Objeto
São os efe i tos imediatos decorrentes do ato 
administrativo, é aquilo que o ato produz, o seu resultado 
imediato. Como o objeto de uma desapropriação tem por 
efeito extinguir o direito de propriedade e repassá-la ao 
Estado, ou o objeto de uma demissão é romper o vínculo 
do funcionário com a Administração Pública. 
 Discricionariedade e Vinculação 
Atos vinculados são aqueles em que todos os requisitos ou 
elementos são definidos pela lei, não havendo liberdade 
para o agente público, como a aposentadoria compulsória 
aos 75 anos. 
Atos discricionários são aqueles em que a lei permite ao 
agente público realizar um juízo de conveniência e 
oportunidade, decidindo o melhor ato a ser praticado com 
uma certa margem de liberdade, como a prorrogação ou 
não de concurso público. Nos atos discricionários existe o 
mérito administrativo, que é a valoração dos motivos e do 
objeto do ato (resultado final). O mérito é o exercício da 
discricionariedade. 
O ato discricionário é passível de controle pelo Poder 
Judiciário, porém, não cabe a ele substituir o mérito 
(decisão) do administrador, somente fazer a anulação de 
um ato ilegal sem indicar uma solução mais adequada. 
 Atributos ou Prerrogativas do Ato Administrativo 
Atributos dos atos administrativos: 
1. Presunção de legitimidade; 
2. Imperatividade; 
3. Autoexecutoriedade. 
Presunção de legitimidade: os atos nascem com a 
presunção de que são legítimos, de que estão de acordo 
com a lei, e que os fatos apresentados são verdadeiros. 
Dessa forma, mesmo um ato ilegal produz todos os seus 
efeitos até que seja declarada a sua nulidade. No entanto, 
a presunção de legitimidade é relativa, pois se admite 
prova em contrário, solicitando a sua anulação e 
aniquilando todos os efeitos produzidos; 
Imperatividade: é o poder da Administração de impor o 
ato ao administrado, independentemente de sua 
concordância. Nem todos os atos têm esse atributo, 
apenas aqueles que impõem sanção, obrigação ou 
restrição. Trata do poder extroverso do Estado, que é o 
poder de impor obrigações de modo unilateral na esfera 
do administrado; 
Autoexecutoriedade: é a execução direta do ato 
administrativo pela Administração, independentemente de 
ordem judicial. Nem todos os atos possuem esse atributo, 
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como na cobrança de multa, tributos, desapropriação, a 
Administração depende de decisão judicial. 
 Classificação dos Atos Administrativos 
> Quanto aos destinatários
Atos gerais: são aqueles que não possuem destinatário 
determinado, mas alcançam todos os que estão em 
idêntica situação. Prevalecem sobre os atos individuais 
anteriormente expedidos. 
Atos individuais/especiais: são aqueles que possuem 
destinatários certos, dirigem-se a destinatários específicos, 
criando-lhes situação jurídica particular. O mesmo ato 
pode abranger um ou vários sujeitos, desde