A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
AIDS

Pré-visualização | Página 1 de 2

Medicina – Julyanna Neiva 
 
2021.1 
 
AIDS 
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida 
(AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, 
nos EUA, a partir da identificação de um 
número elevado de pacientes adultos do sexo 
masculino, homossexuais e moradores de São 
Francisco ou Nova York, que apresentavam 
sarcoma de Kaposi, pneumonia por 
Pneumocystis carinii e comprometimento do 
sistema imune. 
Em 1983 o agente etimológico foi identificado: 
tratava-se de um retrovírus humano, 
atualmente denominado vírus HTLC-III. 
Em 1986 foi identificado um segundo agente 
etimológico, também retrovírus, estreitamente 
relacionado ao HIV-1, denominado HIV-2. 
Embora não se saiba ao certo qual a origem 
dos HIV-1 e 2 sabe-se que uma grande família 
de retrovírus relacionados a eles está presente 
em primatas não-humanos na África sub-
Sahariana. 
HIV 1 → Pan troglodytes troglodytes 
• Brasil: B,C,D e F 
• Ceará: B e F1 
HIV 2 → Sooty mangabey 
 
Transmissão 
A transmissão do HIV está relacionada ao 
contato com secreções que apresentam vírus 
e ao sangue do paciente infectado. 
Não há risco de transmissão de contato com 
sangue infectado em pele íntegra, mas esse 
risco está presente em caso de laceração na 
pele ou contato com mucosas oculares, por 
exemplo. 
Na gestação, a transmissão do HIV ocorre 
principalmente no terceiro trimestre e no parto 
(momento com maior risco de contato do 
sangue da mãe com a criança). 
Principais mecanismos de transmissão 
Sem risco (desde que sem sangue): 
• Saliva 
• Urina 
• Fezes 
• Lágrimas 
• Suor 
Com risco: 
• Relação sexual: oral, anal ou vagina 
• Contato com sangue: usuários de 
drogas intravenosas, transfusões não 
realizadas por meio de banco de 
sangue, contato com materiais 
perfurocortantes (agulhas, bisturis, 
alicates de unha, etc) 
• Transmissão materno-infantil 
• Aleitamento materno 
Patogênese 
A infecção pelo HIV leva a quadros de 
infecção, principalmente em células que 
expressam o antígeno CD4, ao qual o vírus se 
une. 
 
Medicina – Julyanna Neiva 
 
2021.1 
 
Para que ele entre, é necessário haver 
receptores dele para promover essa entrada, 
que podem ser de 2 tipos: CXCR4 ou CCR5, este 
último o mais frequente. 
Pode acontecer de haver infecção ainda no 
epitélio, por meio das células de Langerhans, e 
o vírus já passar a barreira da pele em célula 
infectada. 
Uma vez dentro da célula, o vírus pode replicar-
se, levando-a à morte, ou integrar o seu 
genoma ao da célula hospedeira e 
permanecer latente por um período variável. 
Outras células infectadas pelo HIV são os 
linfócitos B, as células dendríticas e os 
macrófagos, quando pelos efeitos indiretos 
sobre a função dos linfócitos T CD4+, o que 
pode levar à hipergamaglobulinemia 
policlonal e à diminuição da resposta a novos 
antígenos. 
Os macrófagos atuam como reservatório para 
o HIV e servem para disseminá-lo para outros 
órgãos. 
 
 
O GALT é uns dos alvos preferenciais do HIV no 
início da infecção. Trata-se de um 
componente do sistema linfoide rico em 
células TCD4+ ativadas, já que ele é 
responsável pela defesa do tubo digestivo 
contra patógenos ingeridos (o que acontece 
diariamente). 
Devido à grande proporção de células ativas, 
o GALT tem seus linfócitos T CD4+ rapidamente 
infectados e destruídos, sendo que boa parte 
da amplificação inicial da viremia é 
proveniente desse tecido. 
Fases de entrada do HIV – ciclo viral 
O ciclo de entrada do HIV é dividido em fases, 
e é importante conhecer os pontos de ação 
viral, pois, ao falar de medicações que 
combatem o vírus, em vários desses pontos é 
que as medicações agem. 
 
Portanto, a partir do momento em que o vírus 
está dentro do corpo humano e encontra uma 
célula para parasitar, o ciclo pode ser dividido 
de forma que: 
 
Medicina – Julyanna Neiva 
 
2021.1 
 
 
Quadro clínico 
Infecção inicial 
• Sudorese noturna 
• Fadiga 
• Emagrecimento 
• Diarreia 
• Sinusopatias 
• Candidíase oral e vaginal 
• Leucoplasia pliosa oral 
• Gengivite 
• Úlceras aftosas 
• Herpes simples recorrente 
• Herpes zoster 
• Trombocitopenia (número de plaquetas 
< 100.00/mm³) 
A candidíase orofaríngea é um indicativo de 
que a AIDS se aproxima, assim como febre 
persistente, diarreia crônica e leucoplasia 
pilosa oral. 
Sarcoma de Kaposi 
➔ 2000x mais comuns em HIV+ 
➔ 1% hemofílicos 
➔ 21% homossexuais – HHV 8 
➔ ORF K2 do HH8 produz IL6 que estimula 
formação de lesões ganglionares ao 
redor dos vasos 
➔ 35% cavidade oral, com 15% sendo sítio 
inicial (palato, gengiva) 
➔ Dx: clínico, Bx 
➔ Tratamento: QT + ARVs 
 
Citomegalovirose 
➔ Homossexuais e drogaditos (70%) 
➔ Reativação por imunodepressão 
(CD4<100) 
Manifestações: rinite, esofagite, colite, 
encefalite, pneumonia, polirradiculopatia, 
pneumonia e colangite esclerosante. 
EDA e Bx com evidência de inclusões virais. 
TTO: Ganciclovir e Valganciclovir 
Lesões retinianas 
- Retinite por CMV 
• Sequelas importantes 
• Dx: clínico 
• Tratamento 
Toxoplasmose, TB e Sífilis 
 
 
Paciente com HIV de diagnóstico recente 
apresenta quadro pulmonar com infiltrado 
intersticial e LDH > 800. Penso em? 
➔ Pneumocistose 
Medicina – Julyanna Neiva 
 
2021.1 
 
Infecções respiratórias 
Lesões pulmonares: 
 Pneumocistose (Pneumocystis jirovencii): 
• Frequência 80% pré TARV 
• Início da epidemia 
• Profilaxia primária 
- Diagnóstico: 
• Evolução lenta 
• Febre, fadiga, tosse seca e dispneia 
• Sudorese noturna, perda de peso e 
calafrios 
• Risco de transmissão interpessoal 
Tto e profilaxia: SMZ/TMP 
 
 
Histoplasmose 
Rx normal ou geralmente com infiltrado 
intersticial ou reticulonodular, com ou sem 
adenomegalia mediastinal. 
• Pancitopenia e LDH muito elevado 
(>800) 
• Pesquisa de fungos em creme 
leucocitário e mielograma 
 
Tuberculose 
Doença que apresenta manifestações 
variadas: 
• Ganglionar 
• Pulmonar 
• Pleural 
• SNC 
• Disseminada 
O tratamento de tuberculose latente está 
indicado quando CD4 inicial do paciente está 
abaixo de 350cels/mm³ 
Não precisa profilaxia para Mac se início TARV 
com INSTI. 
Neurotoxoplasmose 
• Mais comum 
• Locais mais acometidos são os núcleos 
da base e a transição córtico-
subcortical dos hemisférios cerebrais 
• Crise convulsiva 
• Hemiplegia 
• Dx: TC x RNM 
• Tratamento: 
o Sulfa/Darapin 
o Macrolídeos 
 
Transcrição reversa = mutação 
➔ Vírus gerado por dia = 1010 a 1011 
➔ Taxa de mutação (tx. Erro da RT) = ~2,7 x 
105 mut./nt/ciclo replicativo) 
➔ RT não possui atividade de reparo de 
DNA 
➔ Genoma (DNA) de ~104 nucleotídeos 
Todas as possibilidades de mutações são 
geradas todos os dias. 
 
 
 
 
 
 
 
Medicina – Julyanna Neiva 
 
2021.1 
 
Tratamento 
 
Como montar o esquema de terapia 
antirretroviral 
 
 
 
Associar 3 medicações: 
• 2 ITRN 
• 1 ITRENN ou INI ou IP 
 
 
Pílula única: 
 
 
Efeitos colaterais → Toxicidade 
 
TDF/3TC/RAL: 
• TB grave 
• Idade fértil? 
• Gestante 
TDF/3TVF/ATVr: 
• Doença renal 
• Icterícia 
• Dislipidemia 
• Transtorno gastrointestinal 
 
Quando iniciar a terapia antirretroviral (TARV)? 
As indicações de TARV vinham se tornando 
cada vez mais precoces, isto é, o valor de 
CD4 que autorizada o início do tratamento 
em indivíduos assintomáticos estava cada vez 
mais alto. 
Nos pacientes com sinais e sintomas de franca 
imunossupressão, a TARV sempre foi 
inquestionavelmente benéfica – de maneira 
independente dos níveis de CD4 – melhorando 
a sobrevida e a qualidade de vida do 
paciente. 
Nos assintomáticos com CD4 < 350, as 
evidências positivas também se mostraram 
contundentes. 
 
Situações que indicam início de TARV com 
brevidade 
Algumas situações devem ter priorização de 
acesso ao atendimento pelos serviços da rede 
de assistência à PVHIV, pois o início da TARV 
precocemente tem impacto