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Educação Inclusiva - Temas 1 a 8 (num só arquivo pesquisável)

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Anhanguera Licenciatura Pedagogia – 7º Semestre 
Matéria: Educação Inclusiva 
Resumo dos Temas 1 ao 8 (dicas de estudo para prova) 
 
 
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Tema 1 
Educação inclusiva: um Desafio para a Efetivação da Igualdade 
O atual contexto sócio-histórico e cultural do Brasil e do mundo está focado na 
garantia dos direitos das pessoas, seja qual for o espaço em que elas estejam inseridas 
e seu saber correspondente. Destacando a educação para esta discussão, é fato 
reconhecido por pesquisadores e estudiosos que esta área é um espaço 
multidisciplinar, em que diversos saberes (como a psicologia, ciências sociais, 
história, entre outros) se relacionam e se entrecruzam. 
Essa característica multidisciplinar da educação transforma seus temas polêmicos 
(como são chamados no senso comum) em complexos do ponto de vista acadêmico, 
pois é impossível estabelecer uma única visão como verdadeira e completa. O diálogo 
é fundamental, pois ele é uma alternativa e uma proposta adequada quando você 
estiver diante de situações desafiadoras no transcorrer da vida acadêmica e 
profissional na educação, como aquelas relacionadas à inclusão escolar. 
A inclusão escolar é um dos maiores desafios que os profissionais se deparam pelo 
fato de não haver soluções prontas para reconhecer e valorizar diferenças sem 
discriminar e segregar alunos, especialmente aqueles com deficiência. 
A relação entre inclusão e escolaridade é permeada de pontos polêmicos, fontes de 
muitas controvérsias que incentivaram inovações nas políticas educacionais. Estes 
pontos polêmicos se referem especialmente a duas questões: às discussões sobre 
igualdade e diferença e às discussões sobre o direito à educação das pessoas com 
deficiência. 
Nas discussões acadêmicas sobre igualdade e diferença, é possível compreender que, 
para conceituar igualdade, é preciso identificar entre quem e entre quê ela deve ser 
analisada, pois é impossível as pessoas serem iguais entre si e em todos os sentidos. 
Elas são desiguais. Porém, há desigualdades que são produzidas pela natureza 
(desigualdades naturais) e aquelas produzidas pelas relações de dominação política, 
econômica ou espiritual (desigualdades sociais). 
A percepção das desigualdades naturais e sociais, por parte de grupos historicamente 
excluídos e sem cidadania plena, deu origem a movimentos sociais. Tais 
movimentos reivindicavam igualdade no acesso das pessoas a bens e serviços da 
sociedade, especialmente, à educação, que passou assim a se articular politicamente 
e a trazer suas propostas, entre as quais as de inclusão. 
 
 
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2 Anhanguera - Pedagogia – Educação Inclusiva 
A luta pela inclusão no ensino regular passou a explicitar os processos 
discriminatórios e segregadores presentes na escola, demonstrando que, apesar de o 
direito à educação ser uma Lei, ela não era de fato cumprida, pois era preciso ir além, 
ou seja, oferecer um tratamento educacional diferenciado a alunos com necessidades 
diferenciadas do padrão dominante. 
É importante lembrar ainda que, nas discussões sobre igualdade e diferença, é preciso 
conhecer os parâmetros nos quais as pessoas são definidas socialmente. As 
características culturais, ideológicas, de orientação sexual, de gênero e etnicorraciais 
são elementos que constituem suas peculiaridades. É através do (re)conhecimento 
destas peculiaridades que se torna viável estabelecer critérios justos de definição de 
pessoas, e não a Universalização, ou seja, uma tentativa de estabelecer um sujeito 
universal em que suas diferenças não são (re)conhecidas, e sim abstraídas. 
Quando o (re)conhecimento das peculiaridades das pessoas é negligenciado na 
escola, a exclusão se concretiza, dominando um espaço social que deveria ser de 
inclusão. As consequências disto vão desde a homogeneização de alunos, que consiste 
em tratá-los igualitariamente, negando suas diferenças, até o uso dos elementos da 
desigualdade social, como justificativas para a exclusão. 
Apesar da complexidade das noções de igualdade, diferença e da existência de 
políticas educacionais, atualmente ainda há uma crença de que todos são iguais e 
livres. No entanto, muitas vezes não se percebe que estes “todos” são padronizados de 
acordo com um discurso que busca evitar contradições e impor uma ordem racional 
à vida, às pessoas e ao mundo, de modo a domesticá-los. Isto se chama discurso da 
Modernidade. 
No contexto escolar, o discurso da Modernidade não considera as diferenças; ele se 
torna ao mesmo tempo uma defesa e um complicador da organização pedagógica 
escolar. A presença de um aluno diferente expõe conflitos e imprevisibilidades, mas 
principalmente a existência de desigualdades naturais e sociais. 
Através da exposição destas desigualdades, percebe-se que os envolvidos na situação 
passam também a questionar a justiça, numa tentativa de estabelecer a igualdade e 
de avaliar se ela está presente ou não nas relações escolares. Há dois autores que são 
referência para discutir tecnicamente a noção de igualdade: J. Rawls e J. Jacotot. 
Rawls afirma que as desigualdades sociais e as desigualdades naturais são arbitrárias 
moralmente, ou seja, seria simplificar demais a discussão utilizando argumentos do 
tipo “isto é justo ou isto é injusto” referente às peculiaridades e status social de uma 
pessoa. 
O que se deve prestar atenção é sobre o que se faz (os usos e desusos) a respeito disto, 
principalmente se há algum ganho ou prejuízo quando alguém é avaliado 
socialmente. 
 
 
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3 Anhanguera - Pedagogia – Educação Inclusiva 
Outro fator fundamental nas afirmações de Rawls está relacionado à noção de 
mérito, ou seja, a um merecimento/recompensa aos esforços puramente individuais 
das pessoas rumo à ascensão e ao acesso a bens e serviços sociais. Nesta perspectiva, 
o mérito é ilusório, pois há pessoas que naturalmente portam e socialmente gozam 
de privilégios desde o nascimento, independentemente de seus esforços pessoais. 
É por esta razão que, na perspectiva da educação inclusiva, é imprescindível 
(re)conhecer as desigualdades sociais e naturais, pois o “ponto de partida” descrito é 
variável, devendo ser reparado e compensado para que haja maior igualdade no 
processo educacional, do ensino fundamental até o ensino superior. 
Complementando a visão de Rawls sobre o mérito, você perceberá o quanto é 
importante, na relação com alunos, tomar como ponto de partida sua igualdade na 
capacidade de aprender e, como ponto de chegada, as diferenças que eles apresentam 
nesse processo. 
Você também perceberá o quanto o modelo educacional é elitista e precisa ser 
reconstruído. 
É nesse sentido que Jacotot formula parte de seus estudos na área educacional. Ele 
afirma que os seres humanos são seres inteligentes, com ampla capacidade de 
aprender e de conhecer, ou seja, são seres “cognoscentes”, e isto deve ser considerado 
como ponto de partida para a aprendizagem. 
Em outras palavras, Jacotot afirma que a igualdade não é um ponto de chegada, e sim 
de partida, ela é um pressuposto que não pode ser ignorado, especialmente na relação 
professor–aluno. Faz parte do processo de aprendizagem diversas manifestações de 
inteligência por parte dos alunos, e estas muitas vezes são desconsideradas, pois eles 
são categorizados conforme suas diferenças, além da capacidade intelectual ser 
hierarquizada, ou seja, algumas capacidades intelectuais são mais valorizadas que 
outras. 
Assim, alguns alunos são considerados equivocadamente mais ou menos inteligentes 
que outros. E estas diferenças se transformam em desigualdades, tendo muitas vezes 
a figura do professor como agente discriminador, quando, ao ocupar um “lugar do 
saber”, nega ou desqualifica as peculiaridades

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