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Allysson Lucca - Sem Plano de Négocios

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Como um cão me inspirou
a planejar menos e a fazer mais.
ALLYSSON LUCCA
Como um cão me inspirou
a planejar menos e a fazer mais.
ALLYSSON LUCCA
Sem Plano de Negócios
por Allysson Lucca
www.lucca.co
Esse livro foi escrito durante minhas idas e vindas 
entre Manhattan e White Plains, em um MacBook Pro 
utilizando o aplicativo iA Writer e InDesign
Todos os direitos reservados 2013 por Allysson Lucca. 
Nomes e marcas mencionados nessa obra pertencem 
ao seus respectivos titulares.
Agradecimentos
A todos aqueles que fazem parte da minha vida, 
no bem e no mal, porque aprendemos com todas 
as situações. 
A minha esposa em especial, que sempre 
me acompanhou e compartilhou sucessos e 
frustrações, e a minha filha que mesmo sem 
entender adaptou-se as nossas ausências.
Às conversas com meu irmão sobre negócios e 
ideias que me fizeram perceber que a próxima 
oportunidade pode estar bem na sua frente e na 
maioria das vezes a gente simplesmente passa 
por ela despercebida.
ÍNDICE
Mais Instinto, Menos Planejamento 06
Empreender 09
Noção do Mundo 14
Uma bandana que mudaria tudo 19
Validar uma idéia 21
Portas abertas 24
Filhos peludos 26
Colaboradores 33
Passo de gigante 35
Mais novidades 41
Uma revista no meio disso tudo 43
Decisões difíceis 45
Hora de virar a página 48
Conclusão 49
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MAIS INSTINTO, MENOS PLANEJAMENTO
Um cão pode nos ensinar muitas coisas, compaixão, 
honestidade, sinceridade, fidelidade, amizade, gratidão, 
somente para listar algumas das suas qualidades, mas 
como poderiam esses seres magníficos nos ensinar algo 
sobre negócios? No meu caso aconteceu, e vou contar para 
vocês como um Jack Russell (a raça do cachorro do filme O 
Máscara) conseguiu botar para fora a vontade que eu tinha 
de empreender, que até então se manifestava somente por 
meio de experiências, como dizer… amadoras.
Você não vai encontrar aqui a fórmula mágica do 
sucesso, até porque o significado de sucesso pode ser visto 
de forma diferente entre as pessoas. Porém, alguns pontos 
devem sim fazer parte dessa matemática, por exemplo: 
fazer algo porque gosta, com pessoas que compartilham 
os mesmos objetivos e não focar somente no retorno 
financeiro de um projeto. Outro item que abordo nesse livro 
é a questão do planejamento. Perdi a conta das ideias que 
gostaria de tirar do papel e que por colocar tanto tempo em 
definições, pesquisa de mercado, investimento, retorno, 
ponto de equilíbrio, etc… simplesmente desisti. Não estou 
dizendo que planejar não serve a nada, mas cuidado para 
não limitar o seu impulso de fazer algo acontecer somente 
com base em dados e informações exatas.
Em um estudo de mais de 10 anos, o consultor de 
marcas e autor Martin Lindstrom publicou um livro 
intitulado BUYOLOGY, em que ele mostra a ciência por 
trás das decisões de compra. É incrível saber que, por 
exemplo, pesquisas de opinião simplesmente não dizem 
a verdade. Ficou comprovado por testes em laboratório 
que nós respondemos a algo e o nosso cérebro pensa 
em outro. Caímos na velha frase de Henry Ford “Se eu 
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perguntasse aos meus clientes o que eles gostariam de ter, 
responderiam um cavalo mais rápido”. Deixar de realizar 
um projeto porque o tal do manual do empreendedor diz 
para não fazer nada sem antes ter um plano de negócios é, 
usando um termo diferente, triste.
Empreender significa tomar riscos, todavia gostaria 
de ir além disso, significa também quebrar modelos de 
negócios, buscar alternativas, errar e consertar. 
A história que conto aqui só virou livro porque tive 
a oportunidade de parar um pouco e fazer uma espécie 
de inventário das coisas ao meu redor, das minhas 
experiências como empreendedor. Caí e levantei, tive 
extratos bancários gordos e momentos de desespero sem 
saber como pagar o próximo fornecedor, mas com a pessoa 
mais importante da minha vida ao meu lado, minha esposa, 
conseguimos passar por isso, juntos nós rimos e choramos, 
e hoje olhando para trás vejo que vale a pena compartilhar 
essa história.
Nossas vidas se dividem em duas etapas, que não é 
antes e depois do casamento, mas antes e depois do Jack, 
um cão de personalidade forte, pequeno, sem noção do 
seu tamanho; falam que faz parte do DNA terrier da raça, 
cães caçadores, desbravadores. Ele entrou para a família 5 
anos atrás e desde então tudo virou uma aventura, cheguei 
a me jogar em dois rios diferentes para salvá-lo de dois 
afogamentos. Os Jacks Russells têm as pernas curtas e 
nos dois casos ele acabou se enroscado em plantas e não 
conseguia manter a cabeça para fora da água; também já 
participou de ensaios de moda, mas a maior façanha foi 
fazer a Mariana largar seu emprego em uma multinacional 
alemã para montarmos uma loja como ninguém ainda 
nunca tinha visto aqui no Brasil. Foi essa experiência que 
nos mostrou o que realmente empreender significava, 
a qual fizemos seguindo nossos instintos, com menos 
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conversa e mais ação.
No final de cada capítulo, procurei elencar algumas 
dicas, espero sejam úteis para você colocar suas ideias em 
prática. A troca de ideias continua pelo meu blog www.
lucca.co e pelo meu twitter @all_lucca
Boa leitura!
Jack, o culpado :)
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EMPREENDER
Durante os meses de verão e férias escolares, 
geralmente no meu tempo de escola isso acontecia entre 
novembro e fevereiro, nós praticamente fazíamos uma 
mudança para a casa que meu pai tinha recém - comprado 
no litoral paranaense. Eles chegavam a alugar uma kombi 
para levar roupa, comida, pranchas, etc… e mesmo sendo 
uma viagem curta, 1h30min de Curitiba, eu, meu irmão, 
minha irmã e minha mãe ficávamos na praia por 3 meses 
sem voltar para Curitiba. Durante todo esse tempo, o único 
que voltava era meu pai por compromissos de trabalho.
Foi um período fantástico, cheio de amigos, aventuras, 
às vezes pirraças e encrencas; eram, com certeza, os 
melhores meses do ano.
Foi em um desses verões que tive minha primeira 
experiência com o empreendedorismo, éramos ainda 
dois “guris” como se diz aqui no sul, e nem sabíamos da 
existência desse termo, empreender. 
Nós ficávamos em um balneário, era um complexo 
de casas, todas parecidas, com muros baixos, hoje 
completamente mudado por causa da insegurança. O 
balneário era dividido em dois por uma rodovia estadual, 
não muito movimentada, era comum cruzar a estrada para 
ir à casa de amigos, para a praia, ou ao bar do Cecon, que 
ficava lá nos fundos de todas as casas. Não podia existir 
lugar pior para construir um bar, mas na época era o que 
tinha e por ser o único bar nas vizinhanças toda a molecada 
do balneário ia se encontrar lá depois do almoço. Ficávamos 
jogando sinuca, bola, tomando sorvete e refrigerante no 
grande terreno que circundava o local.
O sr. Cecon, dono do bar, era conhecido por todos, 
homem simples e honesto e no seu pequeno mundo 
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reparou que nós ficávamos ali matando tempo e que esse 
tempo poderia render algo se focado em outras tarefas. 
Um dia ele chegou para nós e perguntou: “Querem ir 
vender sorvete na praia? Para cada sorvete vendido vocês 
ganham uma comissão.” Praticamente ninguém ia até 
o bar, imagine se alguém na praia ia andar quase 1km, 
cruzar uma rodovia para comprar um sorvete.
Aceitamos a proposta, lá fomos nós armados de 
caixinhas de isopor, aquelas que parecem uma bolsa de 
carteiro, para as areias da praia vender sorvete. Depois de 
muito sol na cabeça e dor no ombro pelo peso do isopor 
conseguíamos vender alguns, mas nada que mudasse 
nossas vidas e muito menos a do Sr. Cecon, dono do bar. 
Na verdade, foi ele quem mais ganhou com toda essa 
história, simplesmente porque o dinheiro da comissão que 
eles nos dava era gasto ali mesmo, comprando adivinha o 
quê? Sorvetes.
Nos anos que seguiram tive outras experiências que 
também nunca renderam algo duradouro em