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GESTÃO DE CONFLITOS ESTÁCIO

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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ 
POLO: Prado-BH
CURSO: Segurança Pública
DISCIPLINA: Gestão de Conflitos 
PROFESSOR (A) TUTOR (A): Roberto Calvacante 
TÍTULO DA ATIVIDADE ESTRUTURADA: A aplicação prática das normas procedimentais envolvidas na gestão de conflitos
ALUNO (A): clelia
Desenvolvimento
A gestão de conflitos nada mais é do que adotar práticas e estratégias que buscam prevenir e resolver conflitos. Em um contexto organizacional, esses problemas podem ser definidos como divergências entre duas partes, discussões, atritos, tumultos e outras atitudes que possam prejudicar o clima e afetar a satisfação de ambos. 
Segundo Morais; Spengler, (2008, p. 135), 
[...] a conciliação se apresenta como uma tentativa de se chegar voluntariamente a um acordo neutro, na qual pode atuar um terceiro que intervém entre as partes de forma oficiosa e desestruturada, para dirigir a discussão sem ter um papel ativo. Já a mediação se apresenta como um procedimento em que não há adversários, onde um terceiro neutro ajuda as partes a se encontrarem para chegar a um resultado mutuamente aceitável. 
A segurança pública é um conjunto de ações destinados a garantir o respeito às leis e a manutenção da ordem pública, incluindo ações de prevenção e controle de manifestações de criminalidade e violência, visando à garantia do exercício de direitos fundamentais, sendo caracterizada constitucionalmente como dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. No entanto, nem sempre o conceito de segurança foi associado ao conceito de segurança humana, ou seja, com enfoque nas pessoas e voltado para o desenvolvimento humano sustentável. Por muito tempo entendeu-se segurança pública como segurança nacional. Ao retomar a história constitucional brasileira verifica-se que em meio às crises vivenciadas, nunca houve um período de tantas incertezas e angústias quanto o atual, apesar da promulgação de uma constituição cidadã. 
Vários problemas sociais dificultam a segurança pública do País. Em meio a este panorama, a violência e a criminalidade desafiam o Estado e a sociedade brasileira sendo uma preocupação constante dos cidadãos. Para tanto, um sistema de segurança voltado para a repressão, somente, não basta para assolar o recrudescimento destes problemas, se faz necessária a cooperação entre polícia e sociedade. Esta mudança de paradigma requer uma nova formação policial para a realização de um polícia preventiva, formação esta baseada no respeito aos direitos humanos e na prática de mecanismos alternativos de solução de conflitos, como a mediação. Segundo Sales, (2004, p.21):
A solução de conflitos é o objetivo mais claro da mediação. A solução se dá por meio do diálogo, no qual as partes interagem em busca de um acordo satisfatório para ambas, possibilitando uma boa administração da situação vivida. A comunicação e a conseqüente participação dos indivíduos na resolução das controvérsias são imprescindíveis para o alcance do acordo adequado. 
Exemplo deste modelo é a polícia comunitária, que por estar próxima da comunidade, consegue identificar as pessoas e os conflitos ajudando na administração adequada dos mesmos. A mediação é um método alternativo, consensual e não-adversarial de resolução de conflitos, objetivando solucionar e prevenir conflitos, incluir e pacificar pessoas, por meio da prática do diálogo, da participação ativa e cooperação das partes, desenvolvendo o sentimento de responsabilidade dos envolvidos para consigo, para com o próximo e para com a sociedade. 
A abrangência variada, o crescente número e a diversidade dos tipos de conflitos individuais e coletivos que as pessoas (físicas ou jurídicas) vivenciam, requerem mecanismos de resoluções diversas que satisfaçam os interesses dos indivíduos envolvidos, que visualizem a sociedade como um sistema, sem segmentações estanques, baseadas nos ditames sociais de dignidade e da fraternidade. O Poder Judiciário, espaço tradicional de solução de conflitos, apresenta-se na sociedade atual ainda como caminho quase exclusivo para aqueles que necessitam resolver querelas de todas as naturezas. A complexidade dos conflitos, no entanto, passa a exigir mecanismos variados e adequados às especificidades dos problemas e o Judiciário passa a dividir a função de solução de conflitos com outros mecanismos como a negociação, a conciliação, a mediação e a arbitragem. Alia-se a esse fato o descontentamento da população com o formalismo judicial, morosidade, e o descompasso entre decisões judiciais e anseios sociais. A fim de que se efetivem os ditames constitucionais e seja assegurada a paz social, no tocante a solução de conflitos (já que esses refletem vários tipos de problemas individuais e sociais), necessária se faz a implementação desses vários mecanismos de solução de controvérsias, especialmente para lidar com situações que pela falta do diálogo, podem resultar em crimes.
Para que a segurança pública seja preventiva ela precisa, solucionar os problemas existentes para que deles não decorram novos conflitos e, ao mesmo tempo, incluir. O modelo do policial mediador de conflitos aponta para um policiamento de maior proximidade, uma forma dialogada e consensual de se fazer segurança, portanto, inclusiva. A responsabilidade funcional de manter a ordem pública faz com que ser policial não seja apenas um ofício, e sim uma causa. Percebe-se que para a maioria das pessoas a distância dos riscos e dos perigos é uma necessidade. Já para os policiais isso é uma profissão. Com foco no que se entende por segurança pública, por polícia e por atuação policial, busca-se demonstrar que a eficiência dos agentes de segurança deve estar associada ao conhecimento da realidade dos conflitos, qualificação profissional e ao respeito aos direitos humanos. A manutenção de um Estado Democrático de Direito está fundamentada pelo desenvolvimento da sociedade por meio da educação, do acesso irrestrito à justiça e da proteção aos direitos individuais e sociais. A integração entre polícia e comunidade, expressa um caminho por meio do qual a segurança pública passa a ser compreendida e vivida como responsabilidade de todos, facilitando a resolução dos conflitos por gerar reciprocidade de confiança entre policial e comunidade. Definir o perfil do policial, nesse novo contexto da segurança, estimula a necessidade de uma formação fundada nos direitos humanos. Essa formação permitirá a sua compreensão como detentor de dignidade humana, ao passo que, outrossim, conseguirá perceber o cidadão da mesma forma.
Resultados e conclusão
 
O diálogo, tão importante para a construção do conhecimento, deve ser valorizado e estimulado na sociedade, possibilitando a construção de vínculos mais sólidos entre as pessoas. O incentivo ao diálogo franco e aberto na comunidade, que abrange os atos de falar e escutar, possibilita que diferentes idéias e pontos de vista sejam conhecidos, discutidos e, espera-se, respeitado. Quando alguém encontra no ambiente em que convive diariamente com outras pessoas um espaço no qual sabe que poderá falar, ser escutado e ouvir, sente-se incluído. Assim, resolver conflitos por meio do estímulo ao diálogo é desenvolver a mediação de conflitos como prática inclusiva e de não-violência, é contribuir para a efetivação dos direitos de forma ampla e pacífica, é incluir socialmente, é construir e solidificar a paz, por em prática o conceito de segurança cidadã, onde há a valorização do indivíduo por este ser ator da sua vida, da sua realidade, responsável por seus atos. Isto é o desenvolvimento da cidadania e do ser humano sustentável.
Referências 
SALES, Lília Maia de Morais Sales. Justiça e mediação de conflitos. Belo Horizonte: Del Rey, 2004.
SPENGLER, Fabiana Marion. O conflito, o monopólio estatal de seu tratamento e as novas possibilidades: a importância dos remédios ou remédios sem importância? In: SPENGLER, Fabiana Marion; LUCAS, Doglas Cesar. (Orgs.). Conflito, jurisdição e direitos humanos: (des)apontamentos sobre um novo cenário social.

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