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CADERNO DE MEDICINA LEGAL - 3ª EDIÇÃO - 2021

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ausência de transformação hemoglobínica 
ausência de meta-hemoglobina 
presença de metahemoglobina neutra e 
sulfídrica vista através da espectroscopia 
 
É importante também sua diferença com as equimoses não traumáticas, como as que ocorrem 
em certas doenças, a exemplo da púrpura, do eritema nodoso, do escorbuto e das doenças de 
Werlhof e de Barlow. 
 
As equimoses profundas mais habituais são as petéquias pequeninas e arredondadas, vistas 
por transparência através das serosas das vísceras ou de certas regiões, como as equimoses 
subpleurais e subpericárdicas (Sinal de Tardieu), ou no tecido subpalpebral, quando das asfixias 
mecânicas. 
 
 
 
Por fim, devemos considerar que para a formação de uma equimose é necessário que o indivíduo 
esteja vivo, permitindo assim que o fenômeno se processe e se organize por meio da 
homodinâmica. São necessários traumatismo, ruptura capilar, extravasamento sanguíneo, 
circulação ativa e sua infiltração progressiva através da pulsação continuada dos pequenos vasos 
 
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nas malhas dos tecidos atingidos. Logo, a equimose só pode ser verificada em vida (uma lesão 
em vida por excelência). 
 
No morto, por não haver circulação sanguínea ativa, o máximo que se pode ter é a tonalidade 
mantida da equimose do vivo até surgirem os fenômenos putrefativos que lhe modificam suas 
peculiaridades. Mas nunca a produção de uma equimose post mortem. Por essas e outras razões 
que, por menor que seja uma equimose, ela sempre empresta um grande subsídio ao perito 
médico-legal. Sua tonalidade permite esclarecer a idade e sua presença uma reação vital. 
 
#ATENÇÃO 
COMO ESSE ASSUNTO FOI COBRADO EM CONCURSO DE DELTA? 
(PC-MG – 2008 – PC/MG – DELEGADO DE POLÍCIA) Uma lesão caracterizada por infiltração 
hemorrágica nas tramas dos tecidos é denominada 
a) entorse. 
b) equimose. 
c) escoriação. 
d) rubefação. 
Gabarito: B 
 
4 – Edema 
 
É o acúmulo de líquido no espaço intersticial e é constituído por uma solução aquosa de sais e 
proteínas do plasma, variando de acordo com sua etiologia. 
 
Edema localizado – quando aparece em determinado local e circunscrito a pequenos volumes. 
 
No estudo das lesões decorrentes da ação contundente interessa mais o chamado “edema por 
ação mecânica direta”, que tem como causas principais a torção, a percussão ou a pressão. 
 
5 – Hematoma 
 
É o maior extravasamento de sangue de um vaso bastante calibroso e a sua não difusão nas 
malhas dos tecidos moles. Formam-se, no interior dos tecidos, verdadeiras cavidades, onde surge 
uma coleção sanguínea. Pela palpação da região afetada, percebe-se a sensação de flutuação. 
 
O hematoma, em geral: 
- faz relevo na pele; 
- tem delimitação mais ou menos nítida; e 
- é de absorção mais demorada que a equimose. 
 
Pode também ser profundo e encontrado nas cavidades ou dentro dos órgãos (hematoma 
intraparenquimatoso – intra-hepático, intrarrenal ou intracerebral). 
 
 
 
 
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6 – Bossa Sanguínea 
 
A bossa sanguínea diferencia-se do hematoma por apresentar-se sempre sobre um plano ósseo 
e pela sua saliência bem pronunciada na superfície cutânea. É muito comum nos traumatismos 
do couro cabeludo e é vulgarmente conhecida por “galo”. 
 
 
 
#ATENÇÃO 
COMO ESSE ASSUNTO FOI COBRADO EM CONCURSO DE DELTA? 
(UEG – 2013 – DPC-GO – DELEGADO DE POLÍCIA) Os agentes mecânicos são responsáveis 
pela maioria das lesões provocadas no corpo humano. São exemplos de lesões contusas: 
a) bossa, empalamento 
b) equimose, esgorjamento 
c) esquartejamento, entorse 
d) luxação, degolamento 
Gabarito: A 
 
7 – Fratura Contusa 
 
São lesões abertas cuja ação contundente foi capaz de vencer a resistência e elasticidade dos 
planos moles. São produzidas por compressão, pressão, percussão, arrastamento, explosão e 
tração. 
 
Características 
- forma estrelada, sinuosa (quase sempre) ou retilínea (mais 
raramente); 
- bordas irregulares, escoriadas e equimosadas; 
- fundo irregular; 
- vertentes irregulares; 
- pontes de tecido íntegro ligando as vertentes; 
- retração das bordas da ferida; 
- pouco sangrantes; 
- integridade de vasos, nervos e tendões no fundo da lesão; 
- ângulo tendendo à obtusidade. 
 
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a) Forma da ferida – é quase sempre sinuosa ou estrelada, e mais raramente retilínea, variando 
de acordo com a forma do instrumento, a região atingida e a violência da contusão; 
 
b) Irregularidade das bordas – é justificada pela ação brusca da superfície do meio ou 
instrumento causador da agressão. A ferida da pele é irregular, desigual, anfratuosa, serrilhada ou 
franjada. As escoriações em torno do ferimento ou nas bordas da própria ferida são justificadas 
pelo mecanismo de contusão por ação oblíqua ou perpendicular ao plano cutâneo. E as 
equimoses das bordas da lesão são de pouca monta em virtude do extravasamento do sangue, 
que sai para o exterior pelo próprio ferimento. 
 
c) Fundo da ferida é sempre irregular – por conta da ação mais evidente dos planos superficiais 
e seu irregular mecanismo de agressão; 
 
d) Vertentes irregulares – pois o meio traumático, atingindo de maneira disforme e não 
alcançando ele próprio a profundidade, torna essas margens irregulares; 
 
e) Pontes de tecido íntegro – não é muito raro existirem, entre uma borda e outra da ferida, 
constituídas principalmente de fibras elásticas da derme que distenderam durante a contusão, 
mas não chegaram a se romper; 
 
f) Retração das bordas da ferida – deve-se à reação vital e é maior na pele e menor nos planos 
mais profundos; 
 
g) Pouco sangramento – as feridas contusas são menos sangrantes que as cortantes, pois a 
compressão exercida pelo meio ou instrumento esmaga a luz dos vasos lesados, levando, por 
assim dizer, a uma hemostasia traumática. 
 
h) Integridade de vasos, nervos e tendões no fundo da lesão – não se rompem devido à maior 
elasticidade e maior resistência desses elementos; 
 
i) Ângulo tendendo à obtusidade – em número de dois ou mais, de acordo com a forma da 
lesão apresentam tendências à obtusidade. 
 
Causalidade jurídica  acidental ou homicida (sempre) e suicida (mais esporadicamente). 
 
As feridas contusas no couro cabeludo, além das características anteriores, apresentam o que 
Simonin chamou de erosão epidérmica marginal apergaminhada, em derredor da lesão. 
 
8 – Fraturas 
 
Decorrem dos mecanismos de compressão, flexão ou torção e caracterizam-se pela solução de 
continuidade dos ossos. 
 
 
 
 
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Espécies: 
 
Diretas Quando se verificam no próprio local fraturado. 
Indiretas 
Quando se verificam em uma região mais ou menos distante do local fraturado. 
Ex.: indivíduo que cai de uma certa altura em pé e fratura a base do crânio por 
contragolpe. 
 
A fratura pode estar reduzida a um simples traço, a vários traços, ou a vários fragmentos (fratura 
cominutiva). 
 
Pode ser: 
- fratura fechada (subcutânea); e 
- fratura aberta (exposta). 
 
Quanto à extensão, classificam-se em: 
- fraturas completas; e 
- fraturas incompletas. 
 
Nas crianças, pelo fato de terem o esqueleto mais cartilaginoso, pode haver apenas a deformação 
do osso sem fratura ou esta apresentar-se de forma incompleta (fratura em galho verde). 
 
Quanto à orientação, classificam-se em: 
- transversais; 
- longitudinais; 
- oblíquas; 
- espiraladas; 
- em hélice; 
- em passo de parafuso; 
- em galho verde; 
- em T; e 
- em Y. 
 
Na produção das fraturas, incidem os seguintes elementos: 
- violência da ação do agente traumático; 
- local onde se exerce a ação; e 
- causas predisponentes. 
 
O diagnóstico da fratura deve ser orientado pela dor local espontânea e aumentada com os 
movimentos e pela palpação, redução dos movimentos, deformidades, execução de movimentos 
anormais, sensação pela palpação de ossos crepitando e, principalmente, pelos raios X. 
 
Pode ocorrer a desarticulação dos ossos da cabeça, na maioria das vezes
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