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INTRODUÇÃO , FUNÇÃO E ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA

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DIREITO ADMINISTRATIVO 
Conceito e fontes do Direito Administrativo 
Ramo do direito público que abrange as normas (regras e princípios) que regulam o 
exercício da função administrativa (seja típica ou atípica), abarcando as entidades, os 
órgãos, os agentes e as atividades desenvolvidas pela Administração Pública na busca 
do interesse público. 
Quando se buscam as fontes do direito administrativo, vê-se que, neste ramo do direito, 
há uma influência muito grande das fontes informais (aquelas produzidas fora do 
ambiente formal, oriunda da produção social e administrativa), não apenas restringindo-
se às formais (aquelas produzidas pelo Estado, por intermédio dos processos formais de 
produção do direito). Desse modo, é possível incluir dentre as fontes do direito 
administrativo, a norma, a jurisprudência, a doutrina, os costumes e a práxis 
administrativa. 
A norma, integrada por regras e princípios, no âmbito do direito administrativo, deve 
compreender o ordenamento jurídico em seu sentido mais amplo, incluindo-se não 
apenas as normas constitucionais, convencionais e legais, mas também a produção 
regulamentar administrativa, a exemplo dos decretos, portarias, instruções, etc. 
Com o fenômeno da “Constitucionalização do Direito Administrativo”, ocorrida 
principalmente a partir da segunda metade da década de 1990, passou-se a dar 
aplicabilidade aos princípios, sejam explícitos (codificados) sejam implícitos 
(decorrentes do regime adotado pela Constituição Cidadão de 1988). 
A lei, como fonte do Direito Administrativo, deve ser considerada em seu sentido amplo 
para abranger as normas constitucionais, a legislação infraconstitucional, os 
regulamentos administrativos e os tratados internacionais. Em razão disso, o princípio 
da legalidade passa a ser visto como sinônimo de “juridicidade”. 
A jurisprudência é formada pelas reiteradas dos tribunais acerca de determinada 
matéria e constitui importante fonte do Direito Administrativo. No sistema brasileiro, a 
jurisprudência é enaltecida principalmente pela força vinculante das decisões definitivas 
de mérito proferidas pelo STF, nas ADI e nas ADC, as quais produzirão eficácia contra 
todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à 
administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal (Art 
102, § 2º, da CF/88), e às decisões que reconheçam repercussão geral. 
A relevância do papel da jurisprudência é reforçada pelo fenômeno da judicialização do 
Direito e principalmente após a Emenda Constitucional nº 45/2004. Que trouxe a 
possibilidade da edição de súmula vinculante à Administração Pública direta e indireta 
de todos os entes da federação e aos órgãos do Poder Judiciário. 
A doutrina, compreendida pela produção advinda dos estudos acerca do direito 
administrativo é considerada como fonte material (não formal) do Direito 
Administrativo. Mesmo que a doutrina não vincule, possui o condão de influenciar o 
administrador, o juiz e o legislador. 
Os costumes representam o comportamento estável do povo, compatível com 
determinado espaço geográfico, cultural e temporal. É o que possui a menor vinculação 
no direito administrativo. Os costumes são constituídos por dois elementos: 1) Objetivo: 
condutas reiteradas; 2) Subjetivo: convicção da obrigatoriedade. A doutrina costuma 
classificar os costumes em 3 espécies: 1) secundum legem: aquele que se compatibiliza 
à lei; 2) praeter legem: aquele que preenche eventuais omissões normativas; e 3) contra 
legem: aquele que se opõe à lei. Não reconhecemos a aplicação da 3 espécie. As demais 
compatibilizam-se plenamente com o direito administrativo. 
A práxis administrativa pode ser vista como necessidade de manutenção de uma 
uniformidade na atuação administrativa, objetivando-se segurança jurídica e tratamento 
isonômico. Significa dizer que a decisão administrativa legítima deve ser observada em 
casos futuros e análogos. Veja-se que a práxis administrativa se forma dos precedentes, 
advindos da prática reiterada e uniforme em casos similares. 
Tamanha a importância da práxis administrativa que o Novo CPC, em seu Art 496, 
prevê que está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois 
de confirmada pelo tribunal, a sentença proferida contra a União, os Estados, o Distrito 
Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público e 
que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal, exceto 
quando a sentença estiver fundamentada em entendimento coincidente com orientação 
vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em 
manifestação, parecer ou súmula administrativa. 
FUNÇÕES DO ESTADO E ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Função 
É quando alguém exerce uma atividade representando interesses de terceiros. 
Obs: A divisão dos poderes não gera absoluta divisão das funções, mas sim, 
distribuição de três funções estatais precípuas. 
a) típica: função para o qual o poder foi criado; 
b) atípica: função estranha àquela para o qual o poder foi criado; 
• : elaboração das leis (função normativa). Função legislativa
– características: produz normas gerais, não concretas e produz inovações primárias no 
mundo jurídico. 
• : aplicação coativa da lei. Função judiciária
– características: estabelece regras concretas (julga em concreto, não produz inovações 
primárias, função indireta (deve ser provocado) e propicia situação de intangibilidade 
jurídica (coisa julgada). 
• : conversão da lei em ato individual e concreto. Função administrativa
– características: estabelece regras concretas, não produz inovações primárias, é direta 
(não precisa ser solicitada e é passível de revisão pelo Poder Judiciário). 
Função Administrativa é toda atividade desenvolvida pela Administração representando 
os interesses da coletividade. Esta função decorre do fato do Brasil ser uma república. 
República = coisa pública. Ou seja, toda atividade desenvolvida tem que privilegiar a 
coisa pública. 
Função administrativa consiste no dever de o Estado, ou quem aja em seu nome, dar 
cumprimento, no caso concreto, aos comandos normativos, de maneira geral ou 
individual, para a realização dos fins públicos, sob regime jurídico prevalente de direito 
público e mediante atos ou comportamentos passíveis de controle. 
Em razão deste interesse público a Administração terá posição privilegiada em face de 
terceiros que com ela se relacionam. Ela tem prerrogativas e obrigações que não são 
extensíveis aos particulares, está em posição de superioridade (ex.: atos da 
administração são dotados de presunção validade, de auto-executoriedade (não precisa 
recorrer ao Jud.), cláusulas exorbitantes, desapropriação etc). 
Administração Pública 
É a atividade desenvolvida pelo Estado ou seus delegados, sob o regime de Direito 
Público, destinada a atender de modo direto e imediato, necessidades concretas da 
coletividade. É todo o aparelhamento do Estado para a prestação dos serviços públicos, 
para a gestão dos bens públicos e dos interesses da comunidade. 
Desconcentração e Descentralização 
A função administrativa pode ser desenvolvida de duas formas: 
a) Centralizada: forma pela qual o serviço é prestado pela Administração Direta 
b) Descentralizada: forma em que a prestação é deslocada para outras Pessoas 
Jurídicas. 
Desse modo, a DESCONCENTRAÇÃO é a distribuição do serviço dentro da mesma 
Pessoa Jurídica, no mesmo núcleo, razão pela qual será uma transferência com 
hierarquia. 
Espécies de desconcentração: 
a) Desconcentração territorial ou geográfica 
→ As competências são divididas em razão da delimitação 
das regiões onde cada órgão poderá atuar. 
b) Desconcentração material ou temática 
→ As competências são divididas em razão da especialização de cada órgão em 
determinado assunto. 
c) Desconcentração hierárquica ou funcional 
→ As competências