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PEEP - PRESSÃO POSITIVA EXPIRATORIA FINAL

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MACHADO, M. G. R. Bases da fisioterapia respiratória: terapia intensiva e reabilitação. 2 ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 
PRESSÃO POSITIVA 
EXPIRATORIA FINAL - PEEP 
 
 A pressão positiva expiratória 
final (PEEP, positive end-expiratory 
pressure) pode ser utilizada em pacientes 
em respiração espontânea e em ventilação 
mecânica. Entretanto, seus benefícios e 
efeitos colaterais conhecidos são 
basicamente relacionados aos pacientes 
ventilados mecanicamente. 
O objetivo principal dessa terapia 
está relacionado à melhora da 
oxigenação arterial em situações clínicas 
que cursam com distúrbios nas trocas 
gasosas. A PEEP recruta e estabiliza 
alvéolos e pequenas vias aéreas, 
aumentando a capacidade residual 
funcional (CRF) e reduzindo o shunt 
intrapulmonar. O recrutamento alveolar é 
influenciado pela complacência pulmonar 
e da parede torácica e a gravidade da 
lesão pulmonar. 
A aplicação da PEEP pode ser 
também de fundamental importância para 
a redistribuição do líquido extravascular 
em doenças que cursam com lesão 
pulmonar, como, por exemplo, na 
síndrome do desconforto respiratório 
agudo (SDRA). A PEEP redistribui o 
líquido do espaço intersticial, 
consequentemente, melhora a oxigenação 
através da otimização dos gradientes 
perfusionais. Pacientes com limitação 
crônica ao fluxo aéreo geralmente 
evoluem com aprisionamento de ar e, 
consequentemente, aumento da CRF, 
definido como hiper insuflação dinâmica 
pulmonar (HDP). 
As principais causas da HDP são: 
(1) aumento da resistência ao fluxo 
aéreo; 
(2) tempo expiratório curto; 
(3) atividade aumentada dos músculos 
inspiratórios durante a expiração. 
O recolhimento elástico positivo 
devido à expiração incompleta é 
denominado auto-PEEP ou PEEP 
intrínseca (PEEPi). A aplicação da PEEP, 
nesses pacientes, pode contrabalançar a 
PEEPi e reduzir a sobrecarga sobre os 
músculos inspiratórios. Por outro lado, 
altos níveis de PEEP diminuem o retorno 
venoso, aumentam a resistência vascular 
pulmonar e o volume diastólico final do 
ventrículo direito (VDFVD). O aumento do 
VDFVD pode desviar o septo 
interventricular para a esquerda e 
diminuir a complacência do ventrículo 
esquerdo, o débito cardíaco e a oferta de 
oxigênio aos tecidos. 
MACHADO, M. G. R. Bases da fisioterapia respiratória: terapia intensiva e reabilitação. 2 ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. 
Os efeitos hemodinâmicos são 
determinados pela complacência do 
sistema respiratório, volemia e função 
cardiovascular. A aplicação de PEEP em 
pacientes com complacência pulmonar 
baixa, como ocorre na SDRA, diminui a 
transmissão da pressão positiva para o 
espaço pleural, minimizando as 
repercussões dessa pressão sobre o 
retorno venoso. Efeitos opostos podem ser 
observados em pacientes que apresentam 
alta complacência pulmonar e redução da 
complacência da parede torácica, como 
ocorre no enfisema pulmonar. 
Além dessas alterações, a PEEP 
elevada pode causar hiper distensão 
alveolar, redução da complacência do 
sistema respiratório, aumento da 
ventilação do espaço morto e ruptura 
alveolar. Os efeitos hemodinâmicos 
desencadeados pela PEEP não são 
facilmente previsíveis na prática clínica. 
Portanto, é de fundamental importância 
que o fisioterapeuta tenha conhecimento 
da doença de base do paciente, para a 
aplicação de níveis adequados da PEEP. 
Portanto, a terapia com a PEEP é baseada 
nos efeitos terapêuticos sobre o sistema 
respiratório, que resumidamente são: 
 
 
• Recrutamento alveolar. 
• Aumento da CRF. 
• Melhora da complacência pulmonar. 
•Melhora da relação ventilação/ 
perfusão. 
• Diminuição do shunt intrapulmonar. 
• Melhora da Pa02 
•Redistribuição do líquido extravascular. 
• Remoção de secreções pulmonares.