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Constituição Tributária dos Negócios

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Constituição Tributária dos Negócios
(Unidade 1) – Tema 1: Tipologias de Tributos
· O que são tributos?
Nos sistemas Capitalistas, onde há separação patrimonial entre Estado e particulares, o Estado precisa obter receitas para financiar suas próprias atividades, o que faz por meio de tributos. Quem estabelece essas atividades, é a própria sociedade por meio da Constituição.
Obs:. Nem tudo que o Estado exige de forma obrigatória, compulsória, dentro do conceito de receitas públicas derivadas se constitui tributo.
Princípio da Legalidade
Lei ou MP
Art. 3º do CTN: “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”Criar/extinguir tributo
Regra absoluta
prestação pecuniária compulsória em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir – coibir o pagamento por meio de outras coisas com valor equivalente, como bens (in natura) ou em trabalho (in labore). O próprio CTN autoriza o pagamento por meio de dação de bens imóveis.
prestação compulsória – tributos são cobrados por meio do poder de império do Estado. Não é uma faculdade do contribuinte. Para que o Estado exerça esse poder, é necessário que haja lei prevendo a possibilidade de cobrança daquele tributo.
não constitua sanção de ato ilícito – não é cobrado como forma de punição do contribuinte (como multas), mas como hipótese de sustento do Estado.
Obs:. Nem toda multa é tributária.
O produto de atos ilícitos pode ser tributado, com base em um princípio chamado “pecúnia non olet”.
instituída em lei – essa regra não comporta exceções. Todo tributo deve ser instituído por lei (complementar ou ordinária) ou algum ato normativo com a mesma força (medida provisória).
No sentido jurídico, a lei, tem definição própria que abrange um sentido material e formal, é o que chamamos de Lei em Sentido Estrito.
As leis não são os últimos atos normativos existentes no ornamento jurídico. Temos atos infralegais como: decretos, regulamentos, portarias.
Importante ter em mente que apesar de o princípio da legalidade tributária ser absoluto para instituição de tributos, não significa que não haja exceções quando a alteração de alíquotas. Reduzir ou majorar alíquotas
Possui exceções
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada – decorre de duas características vistas anteriormente – instituição por lei e prestação compulsória. A Administração Pública não pode usar da discricionariedade para optar ou não pela cobrança daquela legislação. Se ocorreu o fato gerador, o fisco deve cobrar os valores devidos.
Cinco características que definem tributo:
· Prestação pecuniária
· Compulsória
· Não é sanção
· Instituído por lei ou equivalente (MP)
· Atividade administrativa plenamente vinculada
· Conhecendo as espécies tributárias
Existem cinco espécies tributárias, cada uma tem regras específicas, cujo descumprimento abre espaço para questionamento da respectiva constitucionalidade.
A Constituição Federal não cria qualquer uma das espécies, mas autoriza sua criação, quem pode criar e como pode. Em alguns casos (Impostos), ela entra em mais detalhes, noutros (taxas), é mais genérica. Porém, em qualquer caso, estabelece critérios gerais sobre a efetiva criação de tributo, delimitando a cada um dos entes federados o que chamamos de competência. Os cinco tributos aos quais a CF atribui competência são:
Impostos: tributo cujo fato gerador não depende de uma atividade estatal específica e sim de uma manifestação de riqueza do contribuinte. Por não depender de uma atividade estatal específica, são chamados de não vinculados, justamente por não se vincularem a uma contraprestação por parte do Estado para legitimar a sua cobrança.
Impostos incidem assim sobre demonstrações de riqueza. (ex:. renda, propriedade, consumo)
A arrecadação dos impostos não se vincula ao fato gerador, ou seja, o valor arrecadado não se destina diretamente ao que lhe deu causa. (ao pagar IPVA, o valor arrecadado não vai imediatamente para a melhoria de rodovias ou manutenção do carro). Os recursos arrecadados dos diversos impostos de um ente federado vão para os cofres públicos, misturam-se com outras receitas e, ao final, esse conjunto de receitas é retido por meio do orçamento público.
Diz-se que os impostos são tributos baseados também na ideia de solidariedade social, porque se baseia em elementos que fazem presumir a capacidade contributiva do contribuinte e arcam com custos gerais da sociedade, sem que se saiba, previamente, o destinatário específico. A Constituição indica uma lista vasta de riquezas que podem ser objeto da incidência de Impostos. Aponta que o Município pode exigir o ISSQN, o Estado o ICMS e a União o IPI, por exemplo. Ao delimitar a competência, ao mesmo tempo ela nega competência a outros entes federados. Ou seja, a União não pode criar um ISSQN, mas, mais do que isso, ela não pode ter qualquer um dos seus impostos incidindo sobre a prestação de serviços (mesmo que com outro nome).
Taxas: possuem caráter retributivo/contraprestacional. É uma espécie de reembolso de determinada atividade estatal (ex:. alguém que pretende um alvará de funcionamento, paga uma taxa para sua emissão). São espécies de tributos vinculados, por exigirem do Estado uma contraprestação específica, vinculando sua receita aquilo que lhe deu causa. Essa atividade estatal nem sempre é benéfica ao contribuinte, embora exija-se que seja direcionada a ele.
Taxas de fiscalização: necessária ao bem estar da coletividade e decorre do poder de polícia da Administração Pública, deve ser financiada pelo contribuinte que queira exercê-la.
As taxas podem ser cobradas por qualquer ente federado que tenha a competência administrativa para aquela atividade e tem como fato gerador uma atividade estatal (apenas a União pode exigir taxa por emissão de passaporte, pois apenas este ente pode emitir passaporte). Porém, se uma atividade estatal pode ser realizada por mais de um ente, pode-se ter mais de uma taxa pertinente a este fato.
Podem ser cobradas em duas situações:
- Serviço Público: deve ser específico e divisível para que o contribuinte saiba que está pagando por este serviço / podem ser efetivamente utilizados ou simplesmente postos à disposição.
- Exercício do Poder de Polícia: é entendida como atividade administrativa que regula a prática de ato ou abstenção de fato em razão de interesse público / em outras palavras, restrição à liberdade ou propriedade com base em interesse público.
Como as taxas estão necessariamente vinculadas à prestação de serviço, seja no fato gerador ou no destino dessa arrecadação, dizemos que são tributos circulares. O resultado é que o valor que é utilizado para a sua apuração, tem que estar relacionado com o custo daquela atividade estatal.
Observações sobre as taxas:
· Não podem ter base de cálculo própria dos impostos, pois não incidem sobre demonstrações de riqueza, mas podem ter elementos em comum, se este for relevante para a apuração do custo da atividade estatal direcionada ao contribuinte (taxa de esgoto não pode ter como base de calculo o valor venal do imóvel).
· Não existe “taxa de iluminação pública”, pois a iluminação pública não é um serviço específico e divisível, sendo aproveitada por toda a coletividade. É entendido como contribuição.
· O Poder Judiciário entende que basta a existência de órgão fiscalizador para assegurar a cobrança de taxas, pois este está á disposição do contribuinte e seu custo de financiamento deve ser considerado.
 Contribuições Especiais: são de competência exclusiva da União. Destina-se ao financiamento de gastos específicos, além de ser utilizado como forma de o Estado intervir no campo social e econômico para efetivar alguma política governamental. A sua arrecadação tem uma finalidade específica, mas seu fato gerador aponta um índice de riqueza, de forma similar a um imposto. Tem a arrecadação vinculada ao beneficiamento/impacto de certo grupo, direta ou indiretamente.