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Constituição Tributária dos Negócios

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pode ser mais oneroso do que o Lucro Real ou mesmo o Presumido (mesmo incluindo os custos mais elevados com assessoria jurídica e contábil).
Tributação da relação dos sócios com a sociedade - existem três momentos básicos da sua relação com a empresa e, em cada caso, dinâmicas tributárias distintas.
Momento 1: Integralização do capital social (quando o sócio compõe o capital social por bens ou dinheiro). Não incide tributos na própria integralização, mas, caso o sócio venha a integralizar por meio de bens ou direitos, é possível que haja a incidência de Imposto de Renda sobre o ganho de capital já que este coincide com acréscimo patrimonial. Também poderá incidir a CSLL se estivermos diante de sócio pessoa jurídica.
Momento 2: Durante o seu período como sócio, a pessoa poderá receber distribuição de lucros ou, se administrador, também receberá o pró-labore, como visto acima. Sobre a distribuição de lucros não incide tributo nenhum, é isenta de Imposto de Renda e não é remuneração pelo trabalho, de modo que não se sujeita à Contribuição Previdenciária (seja a patronal, seja a do empregado). Sobre o pró-labore, como é remuneração pelo trabalho, temos a incidência da Contribuição Previdenciária Patronal, cujo fato gerador é o total das remunerações de todos os empregados/colaboradores, da Contribuição Previdenciária do Segurado, cujo fato gerador é a obtenção de remuneração, e do Imposto de Renda dado ao potencial acréscimo patrimonial. Nos últimos dois casos, quem deve ao Fisco é o sócio, mas é dever da sociedade reter na fonte.
Momento 3: a retirada da sociedade. Um sócio pode sair de uma sociedade de maneiras mais alegres ou mais trágicas. Mas pode sair com as ações valendo mais do que quando as adquiriu. E aí temos, novamente, hipótese de ganho de capital com a incidência de IR (seja pessoa física, seja jurídica) e também de CSLL (se pessoa jurídica). 
Tributação do patrimônio da sociedade - temos tributos que incidem de maneira estática, caso do IPVA, IPTU e do ITR, e de maneira dinâmica, a depender de transmissões que envolvam bem, caso do ITCD, do ITBI e do IR sobre ganho de capital. 
· Certidão Negativa de Débitos (CDNs) – seus efeitos na atividade empresarial
É o documento capaz de comprovar que não existe nenhum débito de determinado contribuinte já constituído e vencido, de determinado tributo ou em certo período. Sua previsão está no art. 205 do CTN. 
Art 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido.
Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição.
São fundamentais para comprovar que o contribuinte está regular com a Fazenda Pública e, por isso, possa participar de licitações, obter empréstimos, financiamentos e outras vantagens que só uma empresa com regularidade fiscal é capaz de conquistar.
É importante destacar que, como o Fisco tem 5 anos para constituir o crédito tributário, é possível que se esteja diante de falso negativo. Isso significa que no momento em que a certidão foi retirada não havia ainda tributo constituído e vencido. Nada impede que o Fisco posteriormente descubra débitos do contribuinte anteriores à própria emissão da CND.
Há uma discussão sobre as limitações empresariais que a ausência de uma Certidão Negativa pode implicar, porém o STF entende que é inconstitucional que a ausência de uma CND implique em impedimento absoluto ao exercício da atividade empresarial, mas que pode haver limitações. A ideia é que a CND seja importante para o empresário, contanto que a sua ausência não inviabilize o prosseguimento da atividade empresarial.
Existe a possibilidade de o contribuinte estar em dívida em aberto com a Fazenda, mas ainda assim estar em situação regular, pois essa situação está sendo resolvida, por exemplo. Nesse caso, é expedida a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (CPEN). A partir dela o que se extrai é que existem débitos, mas o requerente está em situação regular e, portanto, pode praticar todos os atos que dependem da CDN.
Essa regularidade e, por consequência, a expedição da CPEN, podem se dar nas seguintes situações:
Existe débito: não vencido; em curso de ação de cobrança executiva com efetiva penhora; cuja exigibilidade esteja suspensa (art 151, CTN).
As causas de suspensão da exigibilidade estão descritas no CTN de modo taxativo. São exemplos: o depósito do montante integral da dívida, a discussão administrativa do tributo a tempo e modo.
Caso haja débito vencido, e não se esteja diante das situações supra, o contribuinte se verá com Certidão Positiva. É a pior situação, causadora dos impactos descritos acima. 
· Garantias e privilégios do critério tributário
As garantias e privilégios do crédito tributário estão previstas nos art. 183 e seguintes do CTN. Se fundamentam no desequilíbrio existente entre o contribuinte e o Fisco, pois se aplicam somente ao Estado e decorrem do interesse público que permeia suas ações. Podem ser entendidas como “tutelas acauteladoras ou medidas assecuratórias de que dispõe o Poder Público para impelir o contribuinte à satisfação do pagamento do gravame tributário”. 
Tratando primeiramente das Garantias, estas podem ser entendidas como meios assecuratórios, formas de garantir o direito de o Estado receber o pagamento daquele tributo, porque facilitam a entrada da Fazenda no patrimônio do particular para receber aquela prestação.
Um exemplo de garantia é o trazido pelo art. 184 do CTN, que prevê que a totalidade dos bens e das rendas de qualquer origem respondem pelas obrigações tributárias contraídas pelo seu proprietário. Em termos práticos é muito importante que seja possível estabelecer novas Garantias, porque elas podem variar conforme características específicas daquele tributo que se pretende garantir.
Ricardo Alexandre (2019) dá dois exemplos que permitem compreender muito bem a necessidade dessa diferenciação: o ITR, como visto nas sessões anteriores, tem como fato gerador a propriedade territorial rural.
Agora no Imposto de Importação. A importação é algo muito instantâneo e depois que a mercadoria passa pela alfândega, muito dificilmente o Fisco tem controle sobre aquele fato gerador. Portanto, desde que previsto em lei, é possível que se pense em uma garantia específica, como depósito em dinheiro, para assegurar aquele pagamento.
A garantia atribuída a um crédito tributário não muda a natureza deste e nem da obrigação tributária correspondente, conforme previsão do parágrafo único do art. 183 do CTN. Em outras palavras, o crédito de garantia não vira o crédito tributário propriamente dito.
Os privilégios (art. 186, CTN) aparecem nas situações de cobrança coletiva de créditos, isto é, nas situações de falência e recuperação judicial, quando existem vários credores para receber seus montantes devidos e certa “concorrência” entre estes.
Quando uma empresa entra em processo de falência, todos os créditos terão seus vencimentos antecipados e serão ordenados em classes legais, de modo que só se passa para a fase posterior quando quitados os da fase presente: créditos trabalhistas; créditos tributários; demais créditos.
O privilégio do crédito tributário é a sua preferência entre todas as demais dívidas do contribuinte em caso de cobrança coletiva de créditos, salvo os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do acidente de trabalho.