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Bases Legais e Constitucionais dos Negócios

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Bases Legais e Constitucionais dos Negócios
Unidade 1 – Tema 1: Empresa: da constituição a extinção
· Conceito de empresário e a diferença entre empresário regular e irregular
Um conceito muito relevante: a diferença entre as pessoas físicas e as pessoas jurídicas. Essa diferença pressuposta é importante para evitar uma série de confusões conceituais que não só assustam o empresário e o administrador, como também os permitem cometer erros.
Pessoa natural ou pessoa física – é aquela que nasceu, aquela passível de ser “pega”.  Essa pessoa passa a ter personalidade civil, ou seja, ser genericamente capaz de adquirir direitos e deveres a partir do momento em que nasce com vida. Essa personalidade pode, ou não, vir acompanhada da capacidade de exercer pessoalmente os atos da vida civil (art. 3º e 4º do Código Civil).Uma criança de 12 anos pode ser titular de ações em uma empresa (personalidade jurídica), mas não pode vender no mercado essas ações sem que seja acompanhado por seus pais (ou outros responsáveis), por não ter ainda capacidade civil.
Pessoa Jurídica - “nasce” de um ato constitutivo (contrato), devidamente registrado (art. 45, Código Civil) e não existe concretamente. Isso não impede a sua imensa relevância, a ponto de Yuval Harari citá-las como fundamentais em sua obra “Uma breve História da Humanidade” para o que chamamos de desenvolvimento da humanidade.
Essa diferença de nascimentos é muito importante para a forma de extinção da personalidade jurídica das pessoas jurídicas e das pessoas físicas. Para as pessoas físicas, basta a morte, ainda que seguida do processo de Inventário e Partilha. Para a pessoa jurídica, o procedimento é mais complexo.
Por que as pessoas constituem pessoas jurídicas se poderiam empreender como pessoas físicas? O motivo principal é que na medida em que uma sociedade é constituída, sua personalidade jurídica passa a se distinguir da personalidade jurídica dos seus sócios (que podem ser pessoas físicas ou jurídicas). 
Separação patrimonial - foi incluída no próprio Código Civil em 2019, ao se reconhecer que a autonomia patrimonial da pessoa jurídica é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos (art. 49-A, p.ú, Código Civil).
Entretanto, todo e qualquer empresário deve estar atento: essa separação não é absoluta.
Um conjunto legislativo reconhece hipóteses em que se afasta a autonomia patrimonial, dado a causas como o abuso da personalidade jurídica, com o desvio de finalidade, a confusão patrimonial (art. 50, CC/2002), abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social (art. 28, Código de Defesa do Consumidor. Na esfera tributária, esses impactos são especialmente significativos dado aos valores envolvidos e à previsão clara de hipóteses em que a responsabilidade tributária é direta do sócio e/ou do administrador (art. 134, inc. VII, 135, CTN). para alguns tipos societários, embora a separação patrimonial exista, o patrimônio dos sócios responde também pelas dívidas adquiridas em nome da sociedade. É quando há responsabilidade ilimitada dos sócios.
Desconsideração da personalidade jurídica - possibilidade de se atingir o patrimônio dos sócios. Possibilidade de se ignorar a pessoa jurídica em que há limitação da responsabilidade dos sócios e se atingir o patrimônio dos sócios.
 A atividade empresária poderá ser realizada pela pessoa física (através do MEI ou do empresário individual) ou pela pessoa jurídica (realizada pela sociedade empresária). 
CPF é a sigla para Cadastro das Pessoas Físicas, enquanto CNPJ é o Cadastro Nacional da Pessoas Jurídicas. Entidades que não possuem personalidade jurídica, como as sociedades em conta de participação, ou que não se constituem enquanto PJ, como o empresário individual (IN RFB n.o 1863/2018, Manual de Registro do Empresário Individual), devem obter CNPJ.
O enquadramento pela Receita, ocorre porque o empresário individual é equiparado à pessoa jurídica para fins fiscais, recolhendo tributos como se fosse pessoa jurídica, conforme art. 162, § 1º, I, do Decreto nº 9.580/18.
Atividade Empresária - quando enquadramos uma atividade empresária, trazemos a aplicação de um conjunto de normas. Por exemplo, a Lei de Falência só se aplica ao empresário e à sociedade empresária (Lei nº 11.101/2005). 
Empresário - quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, não se confundindo com “profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.” (art. 966, CC/2002). Aquele que exerce atividade empreendedora assumindo o risco do seu insucesso.
· Exercício de uma atividade: À atividade exercida pelo empresário dá-se o nome de empresa, que constitui o objeto do direito empresarial. Essa atividade deve ser exercida de maneira reiterada, constante, marcada pela realização ao longo do empo de uma série de atos concatenados e voltados para uma finalidade empresarial. Pois, caso se trate da realização de negócio eventual, como uma compra e venda ocasional, tal ato isolado não caracterizará o exercício da atividade empresarial.”
· Finalidade Econômica: o objetivo dessa atividade é gerar lucro, mesmo quando gera prejuízo.
· Organização da atividade: A organização pode ser, em conjunto, de trabalho alheio, de bens e de recursos materiais e humanos. Normalmente, a organização não significa a presença de habilidades técnicas ligadas à atividade-fim, mas sim uma qualidade de iniciativa, de decisão, capacidade de escolha de homens e bens, de intuição, entre outros”. 
· Caráter profissional do exercício: “de forma habitual e com intento lucrativo, de molde que o empresário assuma em nome próprio os riscos de sua empresa, organizando-a, técnica e economicamente.”
· Finalidade de produção ou troca de bens ou serviços destinados ao mercado.
Além da inscrição no CNPJ, tanto o empresário e a sociedade empresária, devem proceder a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, tradicionalmente conhecidas como Juntas Comerciais (art. 967, CC/2002).
A regularidade da atividade é fundamental para que o empresário individual consiga obter um CNPJ e, portanto, arcar com todos os benefícios decorrentes da conformidade com a legislação, como a abertura de contas como pessoa jurídica, obtenção de financiamentos específicos, participação de procedimentos licitatórios e afins. Essa regra só se excepciona no caso do exercício rural, que só se qualifica como empresária, com a facultativa inscrição (art. 971, Código Civil, Enunciado 202 da III Jornada de Direito Civil do Conselho de Justiça Federal).
Para ser empresário é necessário ter a capacidade civil + não se sujeitar a impedimentos para o exercício da atividade empresária. Assim, os detentores de diversas profissões/atividades são impedidos de realizar atividade empresária, como os servidores públicos federais, militares na ativa (art. 117, Lei nº 8112/90, art. 204, Código Penal Militar). Mas, no geral, não há impedimento de que sejam sócios, não administradores, de sociedade empresária. 
Outra situação que pode impedir o exercício da atividade empresária é a condição de falido (art. 102 da Lei 11.101/05 - Lei de Falência), assim como a condenação em crimes falimentares (art. 181, II, da mesma Lei).
O enquadramento tributário e previdenciário dessas duas categorias (MEI e empresário individual) é muito diferente, é possível defender que são duas categorias distintas dentro do gênero empresário.
Empresário Regular - empresário devidamente registrado
Empresário Irregular - aquele que ou não se registrou ou não preenche os requisitos para se registrar/exercer a atividade.
O registro é feito na Junta Comercial e deve observar o disposto nos artigos 967, 968, 1.150 do Código Civil, além da Lei nº 8.934/1994. A regularidade do exercício da atividade empresária é genericamente relevante, mas no caso do empresário individual, destacamos os seguintes