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Bases Legais e Constitucionais dos Negócios

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pontos, entre outros:
· Cadastro no CPNJ, o que sem dúvidas importa em maiores possibilidades de obtenção de crédito, contratação (inclusive com a administração pública) e também impacta seu tratamento tributário.
· Impossibilidade de cadastro no INSS 49, Lei nº 8.212/92.
· Possibilidade de pedir a própria falência e a respectiva recuperação judicial (arts. 48, 97, § 1º, Lei nº 11.101/2005).
· Legitimidade para pedido de falência de outro comerciante (art. 97, § 1º, Lei nº 11.101/2005).
· Tipos de empresa individual e coletivas (sociedades) previstas na legislação
A atividade empresária pode ser realizada individualmente, ou coletivamente. O exercício individual da atividade empresária pode ser feito pelo MEI, pelo empresário individual e pela Empresa Individual de Responsabilidade Limitada.
Empresário Individual - “pessoa física que exerce a empresa em seu próprio nome, assumindo todo o risco da atividade. É a própria física que será titular da atividade.” (TOMAZETTE, 2014) Seu registro deve ser feito no Registro Público das Empresas Mercantis (art. 967, 968, CC/2002). Embora tenha um CNPJ, ele não deixa a categoria de pessoa física. O que significa que não há limitação dos riscos da atividade empresária perante o patrimônio do empreendedor, pois os bens da pessoa física e jurídica se comunicam.
Para ser empresário é necessário deter capacidade jurídica plena, ser capaz por si mesmo de assumir direitos e obrigações no ordenamento jurídico, sem intervenção de terceiros. Os empresários também não podem ser legalmente impedidos.
Em regra, só se alcance capacidade jurídica plena aos 18 anos, aquele com 16 ou 17 anos que exercer atividade empresária, gerando economia própria, passa a deter capacidade jurídica plena (art. 5º, p.ú, inc. I). A atividade que já exercia antes de se tornar incapaz, ou por seus pais, ou pelo autor da herança (art. 974/977 CC/2002).
Quanto aos legalmente impedidos, uma série de leis veda a cumulação da atividade empresarial com outras funções, especialmente públicas. A maioria das restrições referidas não impede que o indivíduo seja sócio ou acionista, mas podem afetar a possibilidade de ser administrador ou compor órgãos administrativos. 
O Empresário Individual, embora pessoa física, deve se registrar no CNPJ e, ainda, é equiparado para fins tributários, salvo no caso da contribuição previdenciária (com exceções).
MEI – uma subcategoria do MEI é o Microempreendedor Individual, com disciplina especial pelo CGSIM. É preciso lembrar que nem todo empresário individual pode se enquadrar como MEI, para tal: 
· Necessário ser optante pelo Simples Nacional;
· Ter auferido receita bruta nos anos-calendário anteriores e em curso de até R$81.000,00;
· Exercer, de forma independente, apenas as ocupações constantes do Anexo XI da Resolução CGSN nº 140 de 2018;
· Não participar de outra empresa como titular, sócio ou administrador;
· Não contratar mais de um empregado;
· O empregado pode receber um salário-mínimo, o piso salarial da categoria profissional, definido em lei federal ou por convenção coletiva da categoria.
O MEI gera carga tributária fixa ao redor de R$ 60,00, sendo essa uma das suas maiores vantagens.
EIRELI - Surgiu como uma solução para o problema da existência de sociedades com sócios de fachada. A pessoa natural que a constituísse só poderia figurar em uma empresa dessa modalidade. A necessidade de um aporte de capital tão alto não tornou o instituto popular. De modo que sua relevância diminuiu drasticamente com a criação de uma figura logicamente incoerente, mas legalmente evidente: a sociedade limitada unipessoal. 
Sociedades - são pessoas jurídicas de direito privado (sujeitas ao direito privado e não ao direito público). As pessoas jurídicas são um gênero mais amplo, abrangendo inclusive entidades sem fins lucrativos (art. 44, CC/2002). Ao dizer que a sociedade é uma pessoa jurídica, indica-se que elas podem ser, independente dos sócios, sujeitas de direitos e obrigações no ordenamento jurídico. Podem assinar contratos, constituir dívidas, contratar empregados, ter sócios, serem executadas etc. Ao dizer que se sujeita ao direito privado e não ao direito público, significa que elas se sujeitam a normas distintas. A sociedade é marcada pelas seguintes características:
- existência de duas ou mais pessoas;
- reunião de capital e trabalho (fatores da produção);
- atividade econômica (em oposição a atividade de mero gozo, ou filantrópicos);
- fins comuns (inerentes ao exercício da atividade por várias pessoas em conjunta;
- partilha dos resultados (decorrência do exercício comum)
As sociedades são, em regra, pessoas jurídicas, mas o Código traz duas exceções: as sociedades comuns e as sociedades em conta de participação (sociedades não personificadas). É importante ficar atento a essa diferença porque as regras de responsabilidade do patrimônio dos sócios pelas dívidas da sociedade são diferentes caso se esteja diante de entidade personificada ou não. Com a personificação da sociedade, por meio registro de ato constitutivo escrito, surge um “sujeito de direitos autônomo com aptidão genérica para contrair direitos e obrigações”.
No mundo real, praticamente só existem: sociedades comuns, sociedades em conta de participação, limitadas, cooperativas, simples e anônimas.
· Responsabilidade e terminologia
A existência de uma pessoa jurídica indica que há separação entre o patrimônio da sociedade e dos sócios. Mas não implica em ausência de possibilidade de afetação do patrimônio pessoal destes.  Em certa medida, há sempre risco de afetação do patrimônio do sócio. Esse grau pode ser muito baixo, caso das sociedades com responsabilidade limitada (hipóteses excepcionais previstas em lei), ou muito alta, quando há responsabilidade ilimitada.  Quando dizemos que a responsabilidade do sócio é limitada, dizemos que apenas pontualmente seu patrimônio responde por dívidas societárias. Quando há responsabilidade ilimitada dos sócios, estes respondem subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade, caso o patrimônio desta não seja suficiente (sociedade em nome coletivo, sociedade em comum, sociedade simples pura). 
O subsidiário indica a necessidade de se buscar o patrimônio da sociedade e apenas se frustrada essa busca, direcionar os esforços para o patrimônio pessoal. Como a subsidiariedade importa em ordem na sujeição do patrimônio, é chamada de benefício de ordem. Por fim, existem sociedades mistas em que parte dos sócios tem responsabilidade limitada e outra parte, ilimitada. É o caso da sociedade em comandita simples, em comandita por ações e da sociedade em conta de participação.
· Sociedade Despersonificada 
As sociedades também se classificam entre personificadas x despersonificadas. As últimas são aquelas que não preencheram o requisito para se tornarem pessoa jurídica. Nessa categoria, se encaixam:
As sociedades comuns - chamadas de sociedades de fato ou irregulares, sendo o nome alterado pelo CC/2002. São entidades que, embora preencham os requisitos para se enquadrar como sociedade, não preenchem os procedimentos legais para tal ou estão no procedimento (salvo no caso de sociedade por ações anônima, com regramento próprio). O CC/2002 trouxe regramento específico sobre a existência da sociedade. Os sócios só provam sua existência por meio escrito. Enquanto terceiros podem provar a existência por qualquer meio.
Como não há a constituição de sociedade apta a ser titular de direitos e obrigações, entende-se que os bens e dívidas contraídas em nome da sociedade comum constituem um patrimônio especial, do qual todos os sócios são titulares em comum. Ou seja, estabelece-se um condomínio.  Esses bens respondem pelos atos de quaisquer dos sócios, exceto se houver pacto expresso limitativo de poderes conhecido ou que deveria o ser por terceiro. Indica-se a necessidade de que o pacto seja conhecido ou que deveria sê-lo, restringindo-se a presunção. No caso de dívida societária, de um lado, temos responsabilidade solidária e ilimitada, mas, primeiro, deve ser atingido esse