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Bases Legais e Constitucionais dos Negócios

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de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial (art. 8º). Quanto ao modelo de utilidade, considera-se “o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação”.
Qual a relevância da concessão de patente? 
Muitas vezes o direito sobre o bem intangível é o que uma empresa tem de maior valor. Logo, o pedido como pressuposto da patente se torna importante. No mais, a patente “confere ao seu titular o direito de impedir terceiro, sem o seu consentimento, de produzir, usar, colocar à venda, vender ou importar com estes propósitos: I - produto objeto de patente; II - processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado.
Essa regra de imposição a terceiros pode ser afastada, caso se demonstre que o produto foi obtido por processo de fabrico diverso do protegido por patente (art. 42, § 2º), a pessoa, de boa fé, demonstre que antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente, explorava seu objeto no País, caso em que será assegurado o direito de continuar a exploração (art. 45).
No art. 10º da Lei são elencados itens que não se consideram invenções ou modelos de utilidade e, portanto, não são patenteáveis, é o caso de métodos operatórios, partes de seres vivos, programas de computador em si etc.
Para que se preencha o requisito da novidade (art. 11), é necessário que a invenção ou o modelo de utilidade não estejam compreendidos no estado da técnica, compreendido esse como “tudo aquilo tornado acessível ao público antes da data de depósito do pedido de patente, por descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou no exterior” (art. 11, § 1º).
Para que haja atividade inventiva, é necessário que a invenção “para um técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica” (art. 13). No caso do modelo de utilidade, não decorra de maneira vulgar (art. 14). 
O requisito da aplicação industrial se dá na possível utilização ou produção em qualquer indústria (art. 15). Destaca-se que o “conceito de aplicação industrial deve ser analisado com a devida flexibilidade quanto a seu significado, sendo aplicável também às indústrias agrícolas e extrativas e a todos os produtos manufaturados ou naturais. O termo indústria deve ser compreendido, assim, como incluindo qualquer atividade física de caráter técnico, isto é, uma atividade que pertença ao campo prático e útil, distinto do campo artístico.”
A lei ainda elenca uma lista de elementos que não são patenteáveis, são os chamados pela doutrina de Impedimentos, como a contrariedade à moral e aos bons costumes (art. 18).
O depósito de pedido de patente está vinculado a regras de prioridade vinculadas a outros países, como se elenca no art. 16 da Lei, com regramento ainda na Matéria de Patentes (Decreto nº 81.742/78).
O procedimento para obter a patente é descrito na lei (art. 19 a 37), mas para o administrador o mais importante é lembrar que deferido o pedido, concede-se uma carta patente (art. 38) que apontará as principais características da patente concedida (art. 39). Uma patente não dura para sempre, ela serve para que se garanta ao inventor o gozo dos benefícios econômicos advindos de sua atividade, mas, após dado período, ela deixa de vigorar nos termos do art. 40, como mecanismo de sociabilização dos benefícios.
É possível que o titular de um pedido de patente ou de patente opte por cedê-lo a terceiros (art. 58), por meio de operação onerosa   gratuita, o que certamente terá impactos tributários. Nesse caso, o titular original deixa de ter quaisquer direitos sobre a patente. Da mesma maneira, o titular original pode optar por licenciar, ou seja, deixar que terceiro explorem a patente sem, no entanto, deixar de preencher a condição de titular. Nesse caso, esses rendimentos se sujeitarão a royalties tributados de forma específica. 
A lei permite que o titular oferte a exploração da patente via INPI (art. 64) ou que ocorra o licenciamento compulsório (art. 68).
Desenhos Industriais - o desenho industrial ou design a “forma plástica ornamental de um objeto ou um conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto.” A lei trata da respectiva conceituação no art. 95. A proteção jurídica do desenho industrial nasce do registro. Para que seja concedido o registro, é necessário que o desenho industrial cumule os requisitos:
· Da novidade: não estar compreendido no estado da técnica, de modo similar à proteção das patentes, conforme descrito no artigo 96
· Da originalidade: “a configuração visual distintiva, em relação a outros objetos anteriores” (art. 97);
· A possibilidade de industrialização: no que se distingue de obra de caráter puramente artístico, devendo poder servir de tipo de fabricação industrial (art. 95, 98);
· Não sujeita a impedimentos legais, conforme descritos no art. 100 da Lei.
Das Marcas - sinais distintivos visualmente perceptíveis. Corresponde assim a “sinais gráficos que se agregam a determinado produto ou serviço, especificando-os, a consolidar determinada clientela, a registrar determinado padrão de qualidade (marca de certificação) ou, ainda, a distinguir determinado empresário ou sociedade empresária (marca coletiva) (...).”
O conjunto da tutela do direito de marca se sujeita, em regra, a exigências de aquisição, vigência, levando a uma proteção delimitada pelo princípio da territorialidade, princípio da especialidade. Desse modo, com exceção apenas da Marca notoriamente conhecida infra descrita, a proteção é adquirida por meio do registro do INPI (art. 130). Em regra, esse direito decorre da prioridade do registro, mas o usuário de boa fé da marca encontra dose de proteção no art. 129 da Lei 9.279/96 que lhe garante direito de precedência ao registro assim como garante-se procedência, por seis meses, aquele que requerer o registro em outro país signatário (Convenção de Paris).
A concessão inicial da proteção da marca terá a duração de 10 anos, prorrogáveis sem limite máximo por igual prazo, com direito de uso exclusivo sobre a marca em todo o território nacional – princípio da territorialidade (art. 133, Lei nº 9.279/96).
Com o registro, passa seu titular a ter o direito de:
· Uso exclusivo em todo o território nacional diante do risco de confusão entre marcas ou proveniência de serviço ou produto, sendo vedado “a reprodução do verdadeiro elemento identificador do produto ou serviço, daquele elemento que é essencial para distinguir o produto ou serviço;
· Cessão do registro ou do pedido de registro;
· Licença de Uso;
A proteção concedida observa o princípio da especialidade, de forma que o direito de impedir o uso de marca se refere apenas aos ramos de atuação com conexão com o ramo em que a marca foi registrada, o segmento mercadológico. A intenção é evitar abusos concorrenciais, da exploração da identidade similar. Para que seja possível o registro como marca, que em regra garante proteção dentro do território nacional (art. 129), é necessário:
 	- Capacidade distintiva do sinal;
	- Novidade Relativa;
	-Não confunda com marca notória;
	- Desimpedimento.
Quanto à capacidade distintiva do sinal, “é essencial que ela seja capaz de diferenciar o produto ou serviço de outro. A marca serve para identificar produtos ou serviços, diferenciando-os dos seus concorrentes. Não podem ser marcas uma linha isolada, um número, uma cor ou uma expressão que não tenha caráter distintivo (café, vinho...)." No entanto, se a maneira como esse número, cor etc é exposta for possível de se tornar um caráter distintivo, está-se diante de possível registro de marca. Todos nós conhecemos uma marca que é uma mera maça mordida.
No campo da novidade relativa, entende-se que não é necessário que quem requer o registro tenha criado o sinal, mas que oferte uma nova utilização em certo campo de atuação. A novidade tem que estar vinculada a uma determinada classe de produtos, sendo possível que, em classes distintas de produtos,