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História e Cultura Brasileira

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A missão empreendida 
pelos lusitanos transcendeu, naquele contexto, 
o que havia de mais sensato à mente dos mais 
prudentes. 
Conforme nos foi ensinado no ensino 
Fundamental e Médio, o Brasil foi coloniza-
do por Portugal e este organizou a produção 
por aqui, visando fortalecer o Estado Nacional 
Português. Na verdade, a virada do século XV 
para o XVI foi um momento em que as nações 
europeias estavam se consolidando política e 
economicamente. Para tanto, encontrar uma 
região que fosse economicamente viável e que 
pudesse ser utilizada para exploração tornaria 
esse país muito forte.
De acordo com o documento mais antigo 
que se tem sobre a descoberta do Brasil, a Carta 
de Pero Vaz de Caminha, quando os portugueses 
chegaram aqui tiveram contato com os nativos 
que habitavam essas terras. Esse fato, como 
vamos perceber em algumas breves passagens 
deste livro, não foi apenas homens vestidos em 
contato com homens nus, mas sim o contato 
de homens que professavam uma cultura, com 
outros de uma cultura totalmente diferente. 
Haja vista o tom de surpresa em que são nar-
rados muitas das cenas entre nativos e portu-
gueses nessa carta.
Assim como temos o indígena como um 
componente extraordinário de nossa civilização, 
não podemos deixar de dar destaque a outro 
elemento de crucial importância, que foram os 
negros africanos, trazidos para cá para serem 
utilizados como escravos. Dentro desse contex-
to, tendo em vista o propósito dessa disciplina, 
destacamos que o fator central será o de com-
preender que índios e portugueses, juntamente 
com os escravos africanos, formaram a base 
principal de nossa civilização nos primeiros três 
séculos da história brasileira, além de toda in-
fluência exercida até os dias de hoje.
O africano foi introduzido no Brasil em de-
corrência do modelo de colonização aqui estabe-
lecido. Segundo a historiografia mais tradicional 
sobre a colonização do Brasil, da qual podemos 
destacar Caio Padro Júnior e Fernando Novaes, 
as bases da colonização da América Portuguesa 
se fundaram na escravidão, na monocultura e 
no latifúndio. Essa tríade compõe aquilo que 
ficou conhecido como Sistema Colonial. Dessa 
forma, o negro africano é aqui introduzido para 
se tornar a principal mão de obra da atividade 
canavieira. Junto deles, vieram também seus 
usos, costumes e práticas culturais.
15G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R
Na década de 1990, o Timor Leste, país situado no sudeste asiático, passou por uma crise política relativa à sua indepen-
dência. Para que o processo ocorresse sem maiores problemas, a ONU (Organização das Nações Unidas) enviou tropas 
ao	pequeno	país.	Dessa	forma,	solicitou	ajuda	ao	Brasil,	para	que	pudéssemos	enviar	soldados	do	exército	em	Missão	
de Paz ao local. Uma das razões pela qual a ONU solicitou a participação brasileira foi devido à semelhança desses dois 
países, já que ambos foram colonizados por portugueses e comungavam, em linhas gerais, dos mesmos usos e costumes.
Em	razão	das	dificuldades	econômicas	atravessadas	pelo	Brasil	naquele	contexto,	um	esforço	hercúleo	foi	feito	
por parte do Governo Federal, através do Ministério da Defesa, para que o Brasil mandasse um contingente militar. E o 
resultado	foi	uma	Missão	de	Paz	composta	por,	aproximadamente,	100	soldados	brasileiros.	Isso	mesmo!	Em	um	país	de	
dimensão	continental	como	é	o	Brasil	e	com	uma	população	de,	aproximadamente,	150	milhões	de	habitantes	na	época,	
foi possível o envio de apenas esse pequeno contingente.
Agora, gostaria de chamar a sua atenção à situação de Portugal na época em que estava se tornando uma potência 
marítima e colonial. Para início de conversa, comparar o tamanho do território de Portugal com o território do Brasil é 
desnecessário.	A	população	de	Portugal,	no	século	XVI,	era	de,	aproximadamente,	1	milhão	de	habitantes.	Ou	seja,	um	
país pequenino, com uma população pequena, foi capaz de colonizar um território que viria a se tornar um dos cinco 
maiores	países	em	território	do	mundo!	
Fonte: O autor
SISTEMA COLONIAL 
O	sistema	colonial	foi	o	conjunto	de	relações	entre	as	metrópoles	e	suas	respectivas	colônias,	em	que	essas	últimas	ser-
viam	como	alicerce	para	a	estruturação	do	capitalismo,	que,	naquele	contexto,	se	consolidava	como	Modo	de	Produção.	
É importante perceber a forma como as metrópoles viam essa relação, tendo em vista que o conceito de capital naquele 
contexto	era	bem	diferente	do	que	temos	hoje.	Dessa	forma,	é	importante	que	saibamos	observar	essas	características	
para uma melhor compreensão do que houve no Brasil. Saiba mais em: <http://lhs.unb.br/biblioatlas/Antigo_Sistema_
Colonial>. Acesso em: 24 nov. 2014.
H i s t ó r i a e C u l t u r a B r a s i l e i r a
O	poema	abaixo	foi	escrito	por	um	dos	
maiores pensadores português, Fernando 
Pessoa	(1888-1935),	que	retratou	com	
precisão e elegância todo o sofrimento 
que passaram os portugueses, para que o 
objetivo de descobrir uma nova rota para 
as Índias fosse descoberto.
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São	lágrimas	de	Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos	filhos	em	vão	rezaram!
Quantas	noivas	ficaram	por	casar
Para	que	fosses	nosso,	ó	mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
A tríade sobre a qual foi organizada a co-
lonização do Brasil, segundo a historiogra-
fia	tradicional,	assenta-se	na	escravidão,	
monocultura e no latifúndio. Esse grupo 
que caracterizou a colonização brasi-
leira também pode ser denominado de 
plantation.
A escravidão, em linhas gerais, pode 
ser	definida	como	a	mão	de	obra	“barata”	
que	consistia	na	exploração	do	negro	tra-
zido da África Subsaariana para o trabalho 
pesado. Um dos fatores para os portugue-
ses terem optado por essa mão de obra 
foi o fato de que o comércio de escravos 
era uma grande fonte de renda, além de 
haver uma certa resistência a escravizar 
os indígenas do Brasil.
A monocultura era a prática de culti-
var apenas um produto, que possibilitava 
a especialização, além de haver menos 
gastos com investimentos em outros se-
tores produtivos.
O latifúndio é uma caraterística 
que está no cerne de nossa colonização, 
tendo em vista que desde a distribuição 
das Capitanias Hereditárias, uma enorme 
porção de terras era doada a apenas uma 
pessoa. Sendo assim, o latifúndio pode ser 
caracterizado como uma enorme proprie-
dade agrícola.
Saiba mais em: <http://lhs.unb.br/
biblioatlas/Antigo_Sistema_Colonial>. 
Acesso em: 08 dez. 2014 
17G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R
Quando vamos falar em colonização e de todas 
as consequências decorrentes da miscigenação 
racial, analisar a obra de Gilberto Freyre (2006), 
Casa-Grande & Senzala, torna-se indispensável. 
Foi esse sociólogo pernambucano o primeiro a 
abordar a importância que a miscigenação teve 
na colonização do Brasil. Ao contrário do que 
pensavam outros estudiosos contemporâneos, 
na publicação da obra pela primeira vez, em 1933, 
Freyre atribuiu à miscigenação uma importân-
cia primordial. Inúmeros eram os pensadores 
que, buscando “decifrar” os problemas histó-
ricos do Brasil, creditavam um valor negativo 
à miscigenação. Debates historiográficos à parte, 
fato é que, para conhecermos melhor esse país 
continental que é o nosso, em sua diversidade 
plena, conhecer cada ponto da influência de 
todas as culturas é uma obrigação histórica.
Conforme veremos nesta disciplina, a 
miscigenação	cultural	influenciou	dire-
tamente em nossa cultura alimentar. Em 
nossas aulas práticas, no decorrer do curso, 
falaremos mais sobre o assunto e prepara-
remos pratos da cozinha brasileira de raiz, 
em que, além da prática culinária em si, 
não	deixaremos	de	abordar	a	importância	
histórica dessas preparações.
H i s t

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