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09 - Prescrição, Decadência, Obrigações (1) doc

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do ofício a prescrição devendo dizer “está prescrita a
pretensão”, como fica o direito que o devedor tem de renunciar a essa defesa, dizendo que não
quer que o juiz reconheça de ofício. Como é que você resolve isso?
1. ALTERAÇÃO DE PRAZOS
“Os prazos decadenciais legais não podem ser alterados pela vontade das partes, os
convencionais podem. Já os prazos prescricionais, que sempre são legais, não admitem
alteração (art. 192).”
2. ALEGAÇÃO E RECONHECIMENTO DE OFÍCIO
“A decadência legal deve ser reconhecida de ofício pelo juiz; já a convencional, depende
de manifestação do interessado.”
O grande problema está na prescrição. se o prazo decadencial legal já se operou, o prazo
decadencial não existe mais. E como o prazo foi ditado por lei, o juiz tem que, de ofício,
reconhecer a decadência legal. Mas o prazo decadencial convencional, o juiz não pode
reconhecer de ofício. Depende da alegação do interessado. O grande problema, sem dúvida, está
no prazo prescricional. Por que?
“A prescrição, nos termos do art. 193, pode ser alegada pelo devedor a qualquer tempo
e em qualquer grau de jurisdição.”
O devedor pode alegara prescrição no STF e no STJ? Sim. Prescrição é uma matéria de
defesa ontologicamente do devedor que pode alegá-la a qualquer tempo. O grande problema é
que, tradicionalmente, no Brasil não se admitia que os juízes pudessem admitir de ofício à
prescrição. Era a regra clássica do direito brasileiro, a não ser que o direito versasse sobre
interesse indisponível. Na prática, isso nunca acontecia.
Hoje a matéria foi profundamente alterada.
“Com o advento da Lei 11.280/06, que alterou o § 5º, do art. 219, do CPC, tornou-se
regra: o juiz pronunciará de ofício a prescrição, quer se trate de direito disponível, quer se trate
de direito indisponível.”
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Hoje esta é a regra no direito brasileiro, não importando se o direito é disponível ou
indisponível. O interesse disso é desafogar o Judiciário. Segundo a regra atual do CPC, o juiz
pronunciará de ofício a prescrição (ver REsp 968365/SP).
Essa regra de que o juiz pode pronunciar de ofício a prescrição nos leva a uma
problemática extremamente complexa. Mesmo o juiz podendo fazer isso, a prescrição nunca
deixou e jamais deixará de ser matéria de defesa. O art. 191, do Código Civil estabelece que se o
devedor quiser, ele pode renunciar à prescrição. Se a prescrição é matéria de defesa, é de
interesse do devedor, eu pergunto: e se o devedor quiser que o juiz não pronuncie de ofício? E se
quiser renunciar a essa defesa e quiser pagar no curso do processo? Esse é um problema muito
sério no direito processual civil. Como fica então? Essa problemática foi enfrentada pelo
Enunciado 295, da IV Jornada de Direito Civil.
“O Enunciado 295, da IV Jornada de Direito Civil estabeleceu que a renúncia à
prescrição pelo devedor deverá continuar vigente.”
“Enunciado 295 – Art. 191. A revogação do art. 194 do
Código Civil pela Lei n. 11.280/2006, que determina ao juiz o
reconhecimento de ofício da prescrição, não retira do devedor a
possibilidade de renúncia admitida no art. 191 do texto
codificado.”
Só que a pergunta continua sem resposta. Como eu vou conciliar na prova de concurso?
Quando o processo está sendo iniciado é mais complicado, mas os processos em curso têm
solução simples. Você, magistrado, verificou que a contestação não alegou prescrição. Você pode
pronunciá-la de ofício. Antes de fazer isso, à luz do princípio da cooperatividade, abre prazo de 5
dias para que as partes se pronunciem sobre a prescrição. O juiz não é Deus, pode errar. O credor
tem que ter a oportunidade de mostrar para o juiz que a prescrição ainda não ocorreu, ainda não
se consumou. É simples.
“À luz do princípio da cooperatividade, é recomendável, estando em curso o processo,
que o juiz, antes de pronunciar de ofício a prescrição, abra prazo ao credor (para demonstrar
que prescrição não há) e ao devedor (para que, querendo, exerça faculdade de renúncia).”
3. O QUE É PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE?
Pouca gente escreve sobre isso no Brasil. Há muito no campo do direito do trabalho e no
tributário (por conta da LEF – o juiz pode reconhecer prescrição intercorrente no procedimento
fiscal).
“A prescrição intercorrente é aquela que se consumaria dentro do próprio processo.”
Para você entender a problemática da prescrição intercorrente, é preciso que você parta
de uma premissa. O prazo prescricional vem correndo contra o credor e em favor do devedor. Na
última semana do prazo, o credor ingressa com uma ação de cobrança, formulou a pretensão de
cobrança perante o Judiciário. No momento em que a ação é protocolizada, começa o processo
judicial de cobrança. No momento em que o credor formula a pretensão em juízo, a pretensão já
exauriu. Só que há quem sustente que se esse processo fica paralisado por tempo suficiente, a
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pretensão fica prescrita dentro do processo. Intercorrente que se operaria no mesmo prazo da
pretensão originária. A intercorrente é a prescrição que está dentro do processo. O juiz poderia
reconhecer prescrição intercorrente no seu processo civil? Ninguém enfrenta essa matéria. No
processo civil é matéria delicadíssima.
“Em geral, no processo civil, não se admite o reconhecimento da prescrição
intercorrente, especialmente quando decorre da mora do próprio Poder Judiciário (STJ: Agravo
Regimental no Agravo 618909/PE, REsp 827948/SP e também Súmula 106, do STJ)”.
“Agravo Regimental no Agravo 618909/PE: (...) 2. A demora na
prestação jurisdicional resultou exclusivamente do mecanismo
judiciário, pelo que não se opera a prescrição intercorrente.
Inteligência da Súmula 106/STJ”.
Às vezes acontece de a citação demorar. O protocolo da ação foi feita na última semana
do prazo e a citação só foi feita um ano depois.
Súmula 106, STJ: “Proposta a ação no prazo fixado para o
seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao
mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da argüição de
prescrição ou decadência.”
Ou seja, não justifica o acolhimento da prescrição intercorrente. Mas e se a demora
resultar da desídia da própria parte autora e não da desídia do Judiciário? Mesmo assim, não é
caso de aplicar a prescrição intercorrente porque se isso ocorrer, há mecanismos processuais
contra o autor, como a perempção, a preclusão, o abandono da causa. Mesmo quando a desídia é
atribuída ao autor, temos resistência a essa tese. Se a desídia é da parte, existem mecanismos
processuais duros contra ele, inclusive, levando à extinção do processo.
OBS.: “Nas aulas de direito processual civil, serão vistas situações especiais de
prescrição intercorrente no processo civil, a exemplo da Súmula 264, do STF e da prescrição
intercorrente da pretensão executiva de título judicial”.
São duas situações de prescrição intercorrente dentro do processo civil. A Súmula 264
admite dentro do processo da rescisória que se ela ficar parada por cinco anos, é possível
reconhecer a prescrição intercorrente. Quanto à pretensão da prescrição executiva, todo mundo
sabe que a execução de título judicial deixou de ser um processo autônomo, mas uma fase do
processo sincrético, mas pode haver a prescrição da pretensão executiva. Isso é um exemplo de
prescrição intercorrente que não me cabe explicar, porque é assunto de processo civil.
4. CONTAGEM DE PRAZO PRESCRICIONAL
A maioria dos prazos do Código Civil foi reduzida. Qual é o prazo prescricional da
pretensão de reparação civil? Para a famosa ação de perdas e danos era de 20 anos. Hoje é de 3
anos. O STJ tem reafirmado a seguinte tese: um determinado ato ilícito, acidente que derivou
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uma vítima, o credor, titular da pretensão que tinha prazo de 20 anos para formular a pretensão
em juízo. O credor não fez isso. Deixou o prazo correr. No 12º ano do prazo, entrou em vigor o
Código de 2002 que havia reduzido o prazo de 20 para

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