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Resenha A HERMENÊUTICA JURÍDICA ENTRE O POSITIVISMO E O PÓS

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS 
 
 
 
 
 
David Rego Barnabé 
 
 
 
 
 
RESENHA CRÍTICA 
A hermenêutica jurídica entre o positivismo e o pós-positivismo 
Trabalho apresentado ao curso de Direito na 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO 
TOCANTINS como pré-requisito para a 
obtenção de nota da disciplina de Introdução 
ao Estudo do Direito. 
 
Professor Doutor: Aloísio Bolwerk. 
 
 
 
 
 
 
PALMAS – TO 
2021 
1. REFERÊNCIA 
 
BOLWERK, Aloísio. cap. II: A hermenêutica jurídica entre o positivismo e o pós-
positivismo, inc: BOLWERK, Aloísio. Hermenêutica e interpretação do Direito 
Civil. Belo Horizonte: Editora D’Plácido, 2018. p. 19-37. 
 
2. CREDENCIAIS DO AUTOR 
 
Aloísio Bolwerk possui graduação em Direito e estudos pós-graduados 
em Direito Público. Mestre em Direitos Difusos e Coletivos pela Universidade 
Metropolitana de Santos e Doutorado em Direito Privado (com distinção magna 
cum laude) pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Professor 
Adjunto da Fundação Universidade Federal do Tocantins. Professor Permanente 
do Programa de Mestrado Profissional em Prestação Jurisdicional e Direitos 
Humanos da UFT/ESMAT. Possui experiência na área de Direito, com ênfase 
em Hermenêutica Jurídica, Direito Civil, Direito Constitucional e Direitos 
Humanos, atuando principalmente nos seguintes temas: métodos hermenêuticos 
de interpretação do Direito, Hermenêutica e princípios constitucionais, Direitos 
Humanos e Direitos Fundamentais. É líder do Grupo de Pesquisa Hermenêutica 
Jurídica registrado no CNPQ, além de atuar como Advogado. 
 
3. RESUMO DA OBRA 
 
A princípio, o positivismo emerge na França no século XIX, onde uma 
teoria só poderia ser considerada válida se fosse passível de comprovação de 
métodos científicos. Contudo, para se chegar a verdade do conhecimento era 
necessárias análises empíricas, que buscava descobrir as leis gerais e reger os 
fenômenos observáveis, através da metodologia dedutiva. Acreditando na 
possibilidade de interpretar os processos sociais que pelo pressuposto 
reducionista é pertencente ao mundo físico e ao alcance da experiência. 
Neste sentido, acredita-se que através das observações o fenômeno 
social passível de observações somente seria aquele pertencente ao mundo 
físico, isto é, que estivesse ao alcance da experiência. Todavia, o positivismo 
filosófico não se confunde com a corrente que defende a ideia de um positivismo 
jurídico. Por fim, o positivismo jurídico foi sua herança metodológica. 
Nesta perspectiva, é importante ressaltar os aspectos jurídico-político 
que antecedem o positivismo jurídico e com os quais ele veio a se relacionar, 
uma vez que para sua sedimentação, rompeu com uma série de concepções 
então tradicionais ao Direito, que passou a ser visto como um direito positivo, ou 
direito posto por uma autoridade, a partir da construção humana que se 
materializava por meio da edição de textos e que alçava o status de legalidade 
preestabelecida. 
No entanto, cumpre mencionar o pensamento jus racionalista da Época 
Moderna. Este rompeu com o raciocínio prudencial, porquanto já via o Direito 
como uma construção dedutiva estruturada por uma racionalidade que era capaz 
de firmar imperativos. A perspectiva jus racionalista impôs o raciocínio 
antropocêntrico, fazendo com que o homem fosse desvinculado de sua antiga 
posição na ordem das coisas ao torná-lo referência desta mesma ordem. 
Também estabeleceu que a racionalidade a ser instituída deveria ser constituída 
pelo homem, posto que a verdade se constituía no seio do próprio sujeito 
pensante. 
Neste contexto, a gênese do positivismo encontrou no homem vigente do 
Iluminismo um ser autocentrado, livre e racional, que construía uma nova ordem 
a partir de si, e, portanto, era a última instância em que se podia radicar a 
formação do Direito. A corrente positivista enalteceu o homem individualista e 
que criava a partir de si sua ordem, como próprio do período moderno e das 
novas coordenadas que sua racionalidade poderia alcançar, tendo que encontrar 
uma justificativa para a convivência que o impunha à limitação de seus direitos 
e de seus juízos. Esta justificativa, que lhe permitia partir de uma ilimitada autora 
regulação para um nível mais substancial de liberdade, em que toda liberdade 
poderia coordenar-se com as demais, surge sob a forma do contratualíssimo. 
De fato, o positivismo jurídico cresceu assentado neste novo horizonte, 
embalado pelas modernas concepções de sociedades capitalistas o da 
consolidação das perspectivas racionalistas de justificação do Direito. A 
culminância deste processo de absorção do jurídico pelo Estado se deu num 
movimento de gradual codificação, inspirado na sistematicidade científica, que 
desabrochou na Europa desde meados do século XVIII, e se consolidou na 
França do século XIX. 
Então, neste contexto social e político favorecia um culto à legislação, cuja 
hermenêutica se desenvolvia seguindo os ditames e dogmas das ciências 
exatas, lastreadas pela neutralidade e previsibilidade. Enquanto o positivismo 
legalista sustentava-se na ideia de que todo o Direito advinha da legislação 
estatal, consistindo nos comandos de uma autoridade competente, mas que 
tinha como suporte axiológico para sua construção determinadas fontes, como 
a vinculação do Direito com a Ética, Moral, Religião e a natureza, o jus 
positivismo (positivismo científico) refreava tal comunicação axiológica e 
construtora da lei sob o argumento de que tal liame poderia gerar insegurança, 
de casuísmo e imprevisibilidade. 
Assim, o jus positivismo buscava no contexto do direito uma neutralidade 
axiológica que era própria de uma sociedade liberal que preferia ponderar em 
seu próprio tecido a construção de um universo jurídico a cargo do protagonismo 
legislativo, então vigente e ascendente à época. A consideração do Direito como 
algo positivado por uma autoridade é identificada como uma conquista do Estado 
Moderno. Resultado de um processo de racionalização que começara já no 
pensamento moderno-iluminista. 
Entretanto, Para a teoria pós-positivista, ao contrário do que se pode 
pensar, esta não se estrutura numa revisão dos elementos constantes da noção 
de positivismo. Em verdade, o pós-positivismo jurídico está alicerçado em 
estudos diversos da corrente anterior e que visam interpretações e diálogos entre 
valores, princípios e regras. Além disso, refina sua hermenêutica na medida em 
que inclui reflexões sobre ideais e parâmetros de justiça. Trata-se, assim, de 
uma tentativa de superação do estrito legalismo, sem a intenção de desprezar o 
texto legal no que tange sua existência, validade e legitimidade. 
Com isso, há de se notar que a presença do pós-positivismo se afigura 
inserta no Estado Democrático de Direito e a leitura do Direito neste Estado 
requer ambiente de participação e comunicação, sob pena de se recair em certo 
autoritarismo. Em outros termos, o que se quer dizer é que ao pós-positivismo 
se atribui a função democrática de construção do Direito e da norma jurídica, 
função esta que deve necessariamente se consubstanciar com os pilares do 
Estado de Direito. O contrário disso resulta em violência provocada pelo Estado, 
presente, principalmente, através da construção de textos normativos de 
ideologia unilateral. 
Destaca-se que o autor acredita que é errado enquadrar o pós-positivismo 
enquanto corrente interpretativa que peca pela abstração e recai muitas vezes 
no campo metafísico, não sendo uma tentativa de superação do positivismo 
jurídico, dedicando-se apenas a mera crítica da insuficiência do mesmo na 
aceitabilidade de outras fontes como as morais e políticas. 
Percebe-se, que para a consecução objetiva deste liame, faz-se 
necessário que a formação do pensamento jurídico se oriente pelos dados reais 
de incidência social e que a normatividade não se afaste de tais dados para 
compor seu arcabouço jurídico.