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PROCESSO PENAL

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PROCESSO PENAL – PRISÕES 
 PRISÃO PROCESSUAL 
Introdução 
A prisão processual, também chamada de prisão cautelar ou provisória, ocorre por 
força da necessidade de segregação cautelar do acusado da prática de um delito durante 
as investigações ou no curso da ação penal nas hipóteses previstas na legislação 
processual penal. 
É aquela que ocorre antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 
Não visa a punição do agente, mas de impedir que volte a praticar novos delitos ou 
que adote conduta voltada a influenciar na instrução criminal ou na aplicação da sanção 
decorrente da prática delituosa. 
Nos termos do artigo 283 do CPP, três são as espécies de prisão provisória: prisão em 
flagrante (art. 301 a 310 CPP), preventiva (art. 311 a 316 CPP) e temporária (Lei 
7.960/89). 
 Prisão em flagrante – artigo 301/310 do CPP 
 Prisão preventiva – artigo 311/316 do CPP 
 Prisão temporária – Lei 7.960/89 
ESPÉCIES DE PRISÃO PROVISÓRIA 
PRISÃO EM FLAGRANTE 
Conceito 
Trata-se de medida restritiva de liberdade, de natureza cautelar e processual, 
consistente na prisão, independente de ordem escrita do juiz competente, de quem é 
surpreendido cometendo uma infração penal ou quando acabou de cometê-la, ou quando 
perseguido, logo após, em situação que faça presumir ser autor da infração, ou, ainda, 
quando encontrado, logo depois à prática da infração, com instrumentos, armas, objetos 
ou papéis que façam presumir ser o autor da infração. 
Em síntese, a prisão em flagrante ocorre quando presente uma das hipóteses previstas no 
artigo 302 do Código de Processo Penal. 
A Lei nº 12.403/2011 introduziu o artigo 310, inciso II, do CPP, suprimindo a 
possibilidade de a prisão em flagrante prender por si só, na medida em que, se presentes 
os requisitos do artigo 312 do CPP e inadequada ou insuficiente a aplicação das 
medidas cautelares diversas da prisão, o juiz deverá converter a prisão em flagrante em 
prisão preventiva. 
Logo, a prisão em flagrante passou a assumir natureza precautelar, com duração 
limitada até a adoção pelo juiz de uma das providências do artigo 310 do CPP (relaxar a 
prisão em flagrante, convertê-la em prisão preventiva ou conceder a liberdade 
provisória). 
ESPÉCIES DE PRISÃO EM FLAGRANTE 
Flagrante próprio – Art. 302, I e II, CPP 
Trata-se de prisão efetivada no momento em que o sujeito está praticando uma 
infração penal, ou quando acabou de cometê-la. A prisão deve ocorrer de imediato, 
sem qualquer intervalo de tempo entre a prática da infração e a detenção. Ocorre, pois, 
quando o agente ainda está no local do crime. 
Ex: prisão em flagrante no exato instante em que o agente criminoso busca sair da 
agência bancária onde praticava o delito de roubo. 
Flagrante impróprio (QUASE-FLAGRANTE) – Art. 302, III, CPP 
Trata-se da hipótese em que o agente é perseguido, logo após a infração, no contexto 
que faça presumir ser o autor do fato. 
A definição da expressão “logo após” traduz uma relação de imediatidade, com 
perseguição iniciada em momento bem próximo da infração. Aqui o agente já deixou o 
local do crime. É o tempo que decorre entre a prática do delito e as primeiras coletas de 
informações a respeito da identificação do autor e a direção seguida na fuga, iniciando-
se, logo após, imediatamente a perseguição. Uma vez cessada a perseguição, cessa a 
situação de flagrância. Ou seja, a perseguição deve ser contínua, sem interrupções. 
A concepção de perseguição pode ser extraída do art. 290, § 1º, do CPP, notadamente 
das alíneas “a” e “b” do parágrafo primeiro. 
Não confundir início da perseguição com duração da perseguição. O início da 
perseguição deve ser logo após o fato; a perseguição, no entanto, pode perdurar por 
muitas horas e até dias, como, por exemplo, em crime de roubo a banco, em que a 
polícia chega imediatamente ao local, faz o primeiro levantamento e, de imediato, sai 
em perseguição dos suspeitos, que se embrenharam numa mata por mais de 30 horas. 
Nesse caso, considerando que a perseguição deflagrada logo após à prática da infração 
penal foi ininterrupta, eventual prisão em flagrante será legal. 
Se o agente for preso após cessada a perseguição, sem mandado judicial, a prisão será 
ilegal, devendo, pois, ser relaxada. 
Flagrante presumido – Art. 302, inciso IV, do CPP 
Aqui o agente não é “perseguido”, mas “encontrado”, logo depois da prática da 
infração penal, na posse de instrumentos, armas, objetos ou papéis em situação que 
permita presumir ser ele o autor da infração. 
Quanto ao alcance da expressão “logo depois”, a jurisprudência tem admitido prisões 
ocorridas várias horas depois do crime. Não aceita, no entanto, prisão muitos dias 
depois ao do crime. 
OUTRAS VARIAÇÕES DAS ESPÉCIES DE PRISÃO EM FLAGRANTE 
A) Flagrante Provocado ou Preparado 
O flagrante preparado ou provocado ocorre quando uma pessoa, policial ou particular, 
provoca, induz ou instiga alguém a praticar uma infração penal, somente para 
poder prendê-la. Nesse caso, não fosse a ação do agente provocador, o sujeito não teria 
dado início à prática do delito, pelo menos nas circunstâncias pelas quais foi preso. 
Trata-se, na verdade, de hipótese de crime impossível, já que, por força da preparação 
engendrada pelo policial ou terceiro para prendê-lo, seria impossível a consumação do 
crime. 
Em síntese, simultaneamente à indução à prática do crime, o agente provocador do 
flagrante age para evitar a consumação. 
É o que diz a Súmula 145 do STF: “Não há crime quando a preparação do flagrante 
pela polícia torna impossível a sua consumação”. Trata-se de hipótese de crime 
impossível, que não é punível nos termos do artigo 17 do Código Penal. 
Ex: Policial disfarçado encomenda de um suspeito de praticar crime de falsidade de 
documento uma carteira de identidade fictícia, e, no momento combinado para a entrega 
do dinheiro e o recebimento do documento falsificado, realiza a prisão em flagrante. 
CUIDADO: a perseguição deve ser ininterrupta. Uma vez cessada a perseguição, não 
há mais situação de flagrância, devendo-se, a partir de então, efetivar-se a prisão 
somente munido de mandado judicial (prisão preventiva ou temporária, conforme o 
caso). 
Em que pese a súmula mencionar somente o flagrante pela polícia, a ilegalidade 
também pode decorrer de flagrante preparado por particular. 
Ex: Suspeitando que a empregada doméstica esteja furtando objetos da residência, dona 
de casa deixa uma joia na mesa de centro da sala, ficando à espreita. No momento em 
que a empregada pega a joia, a dona de casa, auxiliada ou não por outras pessoas, a 
detém, prendendo-a em flagrante. Trata-se de prisão ilegal, já decorrente de flagrante 
preparado. 
Em suma, o flagrante provocado é ilegal, devendo, pois, a prisão ser relaxada. 
 Flagrante provocado x usuário de drogas 
No contexto de droga, deve-se verificar o caso concreto e as informações que constam 
no enunciado. Imaginemos a hipótese de um policial se disfarçar de usuário de drogas. 
Esse policial se aproxima do suspeito e solicita determinada quantia de drogas, que lhe é 
entregue pelo suspeito. Em relação ao verbo "vender" não há dúvidas de que se trata de 
flagrante provocado. Todavia, o artigo 33 da Lei de Drogas (Lei 11343/2006) prevê 18 
condutas. No caso, embora seja flagrante provocado em relação à conduta vender, a 
prisão será legal em relação às condutas, por exemplo, "trazer consigo", "guardar", "ter 
em depósito", uma vez que em relação às demais condutas (trazer consigo, guardar, 
etc..),o suspeito não foi provocado ou influenciado a praticar. Ou seja, quando o policial 
disfarçado se aproximou, o agente já trazia consigo a droga, sendo, em razão disso, 
possível sua prisão em relação a essa conduta de trazer consigo. 
Agora, se o policial induz o suspeito a fornecer-lhe a droga que, no momento, não a 
possuía, ou seja, que não trazia consigo, e por conta da insistência do policial empregou 
esforço