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INTRODUÇÃO No ano de 1700, um homem chamado George Whitefield estava conduzindo campanhas evangelísticas ao ar livre nos Estados Unidos. Milhares de pessoas responderam à sua mensagem do Evangelho, então alguém lhe perguntou quantas pessoas haviam se convertido durante os seus sermões. Ele respondeu: Nós só saberemos depois de 5 anos.” Ele quis mostrar que há uma grande diferença entre uma decisão momentânea (que pode ser superficial), e um verdadeiro compromisso com Cristo. Uma coisa é conhecermos a Jesus e seus ensinamentos, mas outra coisa é segui-lo. No Novo Testamento, os seguidores de Jesus são identificados como discípulos em mais de 269 vezes, mas o termo cristão é mencionado apenas 3 vezes. Jesus ordenou “Ide e fazei discípulos de todas as nações. (Mt 28:19). A palavra discípulo é traduzida do termo grego mathetes. A ideia teve origem na Grécia quando um aluno se unia a um professor a fim de adquir conhecimento teórico e prático. O termo discípulo vem do latim DISCIPULUS (aluno, seguidor, estudante) de DISCERE, aprender. A palavra discípulo ilustra alunos sentados ao redor de um professor, mais do que penitentes ajoelhados num altar – um processo educacional, mais do que um evento evangelístico; uma escola, mais do que um reavivamento. A palavra discípulo se refere a um estudante ou aprendiz ou seguidor Assim, o discipulado envolve principalmente comprometimento de alguém com certa pessoa, e submissão à sua autoridade, a fim de ser ensinado. I - DISCÍPULOS NO NOVO TESTAMENTO No Novo Testamento é usada para indicar ligação total a alguém em discipulado. Ser discípulo, segundo o Novo Testamento, é viver em relacionamento com Aquele que está discipulando. Nesse relacionamento, o discípulo deve aprender continuamente sobre a outra pessoa, enquanto ao mesmo tempo vive em sujeição a ela. A palavra não sugere um conversão rápida ao mestre, mas um lento processo pelo qual se é feito discípulo. Nos dias do NT, os discípulos seguiam seu rabi (mestre) para onde ele fosse, apresentando som seu ensino e sendo instruído a fazer o que ele fizesse, Ser discípulo é ser seguidor, literalmente. Com isto, ser discipulo de Jesus consiste em obedecer ao seu chamado para segui-lo. Quando Jesus chamou seus primeiros discípulos, eles talvez não compreendessem para onde Cristo os levaria, nem o impacto que isso teria em sua vida, mas sabiam o que significava seguir. Eles entenderam o chamado de forma literal e começaram a ir para todo lugar onde Jesus ia e a fazer tudo o que ele fazia. É impossível ser discípulo ou seguidor de alguém e não acabar ficando parecido com aquela pessoa. Jesus disse: O discípulo não está acima do seu mestre, mas todo aquele que for bem preparado será como o seu mestre” Lc 6:40. Este é o ponto central quando o assunto é ser discípulo de Jesus: nós o imitamos, damos continuidade ao seu ministério e, nesse processo, nos tornamos iguais ao mestre. Com isto, ser discipulo é aceitar o senorio de Cristo sobre sua vida, servindo-o, amando-o e louvando-o. II – REQUISITOS DOS DISCÍPULOS III - MARCAS DOS DISCÍPULOS Segundo Atos 4:13, os discípulos de Cristo são pessoas que se identificam com Ele e pode-se notar três características dos discípulos segundo o Evangelho de João a) Permanecer na Palavra: “Se permanecerem firmes na minha Palavra, verdadeiramente serão meus discípulos” Jo 8:31. Ninguém pode ser disscípulo de alguém sem ao menos saber o que o Mestre lhe exige e sem obedecer às condições impostas por este. Permanecer é crer e obedecer, e não apenas crer b) Ama o próximo “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês amarem uns aos outros” Jo 13:34-35 Estas foram algumas palavras de Jesus na noite em que foi preso. Ele instruiu os seus primeiros discípulos a amarem uns aos outros com o mesmo amor que Ele estava a demonstrar por eles c) Produz Frutos Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. João 15:8 A partir das palavras de Jesus mencionadas no texto acima, pode-se notar que o fato de dar frutos é uma prova de que o indivíduo é discípulo de Jesus. Caso contrário, ele mostra que não é um discípulo, ou seja, é uma contradição. O fruto que o texto indica são resultados na mudança de caráter, na atuação do Espírito na vida do crente, no serviço no ministério, fazendo outros discípulos. Todo discípulo tem o chamado para se reproduzir, ou seja, gerar frutos. CONCLUSÃO O apóstolo Paulo apontou em 2 Timóteo 2.2 que o discipulado é repassar a outros aquilo que já foi aprendido da Palavra e da sua prática. E estes que receberem o ensino, devem repassar ainda à outros que passem à outros. Isso é multiplicar discípulos de forma saudável! O discipulado é o método traçado por Cristo, em que, por intermédio de um relacionamento, um discípulo de Cristo leva outro a um comprometimento com o Senhor, incentivando-o à ser imitador do Mestre, crescendo em maturidade e gerando novos discípulos deste. Discipulado não é apenas transmitir informações da Palavra, mas um processo onde o discipulador ensina com a sua vida e suas experiências como ser um discípulo genuíno do Senhor Jesus. O verdadeiro discípulo de Cristo é aquele que dá evidências de Sua presença nele, por meio da permanência na Palavra (conhecer e praticar), amor ao próximo e do gerar frutos para a Glória do Pai. A maturidade é alcançada por meio do conhecimento da Palavra, do impacto desta na vida do indivíduo, movendo-o a ser um praticante do que aprende e da transmissão de experiências vividas com Cristo. A comunhão entre os discípulos é simplesmente o resultado de um relacionamento entre os destes como Mestre. Esta comunhão gera encorajamento e cuidado entre o Corpo de Cristo. No decorrer da pesquisa, nota-se que o discipulado foi praticado por Jesus e ensinado aos seus primeiros discípulos, os apóstolos. Estes receberam a ordem de dar continuidade ao trabalho iniciado por Cristo, porquanto deveriam ensinar a outros tudo o que Jesus os tinha ensinado. Isso inclui a ordem de fazer outros discípulos apresentada logo antes. Esta forma de expansão do Evangelho foi levada a sério pelos primeiros discípulos de Jesus. Assim como foi eficiente para os primeiros discípulos e para a Igreja Primitiva, o discipulado é útil para a Igreja contemporânea. Pois visao crescimento do indivíduo em Cristo de forma saudável, para que este venha frutificar e gerar novos discípulos do Senhor. Com isso todo o Corpo é beneficiado. O processo do discipulado conduz naturalmente o novo discípulo de Cristo à proclamar o Evangelho que o alcançou. Não é um processo forçado, mas um resultado natural do relacionamento com Cristo. O discipulado é um excelente instrumento para a expansão do Evangelho na terra. Boa parte dos problemas encontrados na Igreja contemporânea poderiam ser solucionados por meio deste. Pois o discipulado não traz nenhum malefício, mas tão somente benefícios ao Corpo de Cristo e aos seus membros.