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Período Helenístico

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Período Helenístico

Este artigo tem como objetivo explicar o Período Helenístico através da análise e interpretação da obra de diversos autores, produzindo um texto sintetizado, porém com as informações e marcos de maior relevância para uma compreensão objetiva e clara. Produzi este material durante minha pesquisa sobre formação de identidade da arquitetura romana e revisei durante meu curso de restauração e conservação de bens culturais, com enfoque em iconografia.

1.Conceito - Diferenciando Helenismo e Helenístico

O Helenismo determina a arte e cultura gregas provenientes dos povos que a formaram até seu auge durante o Período Clássico (500 a 323 a.C.). A partir daí tem lugar o Período Helenístico, onde o vasto Império de Alexandre Magno é determinante para englobar novos povos e suas respectivas expressões artísticas e culturais, influenciados pelo helenismo. A produção artística proveniente deste período passa por uma transformação significativa, um distanciamento do modelo original heleno, assumindo nova estética, e não se enquadrando mais dentro dos conceitos que determinam a arte grega do Período Clássico.

Esta transformação tem como principais fatores questões geográficas, bagagem artística e maior liberdade expressiva (consequência de um momento de crise). A arte se desprende da expressão idealizada para uma expressão mais realista e humana. Este período que exprime um emaranhado cultural, fruto das conquistas de Alexandre, fragmentação de seu Império, influência dos povos conquistados e do crescente poderio romano não é mais heleno, mas sim helenístico.

2.Panorama Histórico

O Período Helenístico está compreendido (de forma academicamente aceita) entre 323 a.C. data da morte de Alexandre Magno e 146 a.C. data em que os Romanos tomam Corinto. Porém, em termos artísticos, podemos ser mais elásticos e estendê-lo até o início do Império Romano em 27 a.C. Este período da "Grécia Romana" continua exibindo e enriquecendo as bases desta nova expressão artística.


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A virada do século IV para o III a.C. é extremamente turbulenta. Com a morte de Alexandre (323a.C), seus generais, chamados de "diádocos", travam uma luta intensa para concentrar o máximo de poder em suas mãos, o que é conhecido como "Guerras dos Diádocos". Em 270 a.C. finalmente se estabelece a divisão que vingou: Ptolomeu fica com o Egito fundando a Dinastia Lágida ou Ptolomaica; Antíoco com a Síria e Pérsia, Dinastia dos Seleucidas e Antígono Gónatas com as regiões europeias, Dinastia Antigônida. Este primeiro momento reflete a conexão que se formou entre tantas culturas e a arte helena.

A partir da conquista de Corinto, em 146 a.C., temos um segundo momento, onde as gradativas conquistas romanas até a queda do Egito em 31 a.C., trazem maiores pressões e incertezas também refletidas nas artes.

Com o início do Período Imperial Romano, (ascensão de Augustus Gaius Lulius Caesar Octavianus Augustus, em 27 a.C.), ainda desenrola-se a formação do que seria a arte romana plenamente desenvolvida, sobretudo na arquitetura, mas o fato é que as influências helenas mergulhadas no caldeirão de outras culturas atraem a atenção dos romanos desde o início, que as absorvem com grande avidez, e são um fator de grande relevância.

3.Identificando a Arte Helenística

Dramaticidade: este é um momento de crise, de dúvidas e incertezas, o modo de vida heleno sofreu profundas transformações. Algo que se evidencia claramente na escultura, através das curvas, sinuosidades, dos centros de gravidade deslocados, feições emocionadas, da intensidade dos sentimentos humanos (dor, fúria, medo) expressos sem qualquer contensão. Muitos autores comparam o Período Helenístico com o Período Barroco, mas por que se estão separados por contextos tão diversos? Porque ambos são períodos de crise, de grandes mudanças, de dúvida nas instituições.

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Laocoonte e Seus Filhos, 140a.C. - 37d.C. Museus Vaticanos, Roma.

Projetos de grandes dimensões: a vastidão territorial demanda projetos de maior porte e mais impressionantes. O templo ganha consideravelmente em medidas. Os projetos ficam maiores e mais altos. E é aí que o modelo de templo díptico, começa a aparecer com frequência.

Preferência de determinadas ordens clássicas, as quais, de certa forma, embalam este momento de maior dramaticidade. Abandono da ordem dórica e maior utilização da ordem jônica e coríntia. As colunas coríntias emprestam o entablamento jônico e passam a aparecer cada vez. A ordem jônica assume o protagonismo em projetos de grande porte.

Maior liberdade artística. Não somente na escultura, como também na arquitetura. É neste momento que encontramos diferentes interpretações nas Ordens Clássicas, sobretudo em elementos como frisos, relevos, capiteis, e outros ornamentos. Mas aqui cabe uma ressalva, devemos tomar cuidado para não confundir as diferentes interpretações das ordens clássicas que sugerem seu desenvolvimento estético com criatividade artística. Neste momento, tem vez a criatividade para uma expressão artística fora do comum pela liberdade do momento, não por limitações técnicas ou regionalismos específicos.

Como exemplo selecionei o templo de Zeus Olímpico, em Atenas, que é extremamente significativo, evidenciando com clareza todos os aspectos citados acima. Iniciado em 174 a.C. pelos gregos (mais precisamente por Selêucidas), com projeto original atribuído a Cossútio, atravessou séculos em construção e passou pelas mãos dos imperadores romanos Augusto (27 a.C. A 14 d.C.) e Adriano (117 a 138 d.C.) que deixaram suas marcas, porém mantendo grande integridade ao projeto de Cossútio. De maneira que este Templo traduz tanto a essência do termo "Período Helenístico", como do termo "greco-romano".

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Templo de Zeus Olímpico, em Atenas.

Através desta restauração parcial podemos ter uma ideia de suas dimensões. As colunas têm aproximadamente 17m de altura e seu estilóbato¹ possui aproximadamente 41 x 107m. Em uma comparação com o Partenon, por exemplo, este possui apenas 31 x 70m de estilóbato e colunas dóricas externas com 10,4m de altura.

Uma composição que ganha força justamente por ser apropriada para templos de grandes dimensões é o díptero, ou seja, templo com fileira dupla de colunas em seu entorno. Para você compreender melhor a tipologia dos templos gregos acesse meu artigo "Classificação do Templo Grego".

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Planta do templo de Zeus Olímpico.

Por último também destaco os túmulos de grande porte, que ficaram conhecidos como "mausoleus" (proveniente de Mausolo, para quem o túmulo de Halicarnasso foi construído), tornaram-se mais usuais neste período. Projetos imponentes feitos por arquitetos gregos muitas vezes para governantes estrangeiros. O Mausoléu de Halicarnasso 321 a.C, hoje território Turco, é um dos melhores exemplos.

***

¹Estilóbato: Piso sobre o qual se apoiam as colunas. Degrau superior do estereóbato.

Bibliografia

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