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 Epidemiologia das enfermidades infecciosas Letícia S. Goes (Ezalta) – Vet18 
 
 INTRODUÇÃO 
Doença infectocontagiosa causada por Morbilivirus que 
acomete os epitélios do sistema imune e sistema nervoso 
central apresentando alta mortalidade em canídeos 
domésticos. 
 
ETIOLOGIA 
Família: Paramyxoviridae. 
Gênero: Morbilivirus. 
Envelopado = desinfetantes comuns são capazes de elimina-
lo do ambiente. 
RNA fita simples, protegido por nucleocapsideo (NP). 
Proteínas estruturais = hemaglutininas (adesão do vírus na 
membrana celular do hospedeiro), proteína F (media a fusão 
do vírus com a célula alvo), proteína M. 
Grande sensibilidade por solventes lipídicos, pH < 4,5. 
Inativado por: formol (0,5%), fenol (0,75%), amônia 
quaternária (0,3%), hipoclorito de sódio (3%). 
Pouco resistente em climas quentes. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
Enfermidade de distribuição mundial. 
 
 Hospedeiros suscetíveis: 
Canídeos = cão doméstico, coiote, guaxinim, raposa e lobo. 
Mustelídeos = furão, marta, vison. 
Felídeos = cheeta, leão e onças. 
Ursos = panda gigante. 
Taiaçuídeos = queixada e porco do mato. 
Macacos = rhesus. 
Transmissão entre animais selvagens e domésticos facilita a 
dispersão da enfermidade mundialmente. Dificultando o 
controle da doença. 
Cão doméstico é o principal reservatório/fonte de infecção. 
 Cães jovens não vacinados. 
 50-75% dos animais infectados apresentam 
infecções subclínicas. 
 Risco para animais selvagens em cativeiro e no 
ambiente. 
 
 Fatores predisponentes: 
Temperatura = sensível a climas quentes. Sendo mais 
comum em épocas frias nos países temperados. 
Idade = pode ocorrer em todas as idades, mas é mais comum 
em animais jovens não vacinados, principalmente animais de 
3-6 meses de idade, pela queda da imunidade colostral. 
Fatores estressantes = que causam a queda da imunidade. 
Não há predisposição de sexo e raça. 
 
 Transmissão: 
Contato direto entre animais. 
Contato indireto = vasilhas, água e comida contaminados, 
aerossóis (secreções respiratórias). 
Transmissão em curta distância, pois é pouco resistente às 
condições ambientais. 
Transplacentária é raro. 
 
 Vias de eliminação: 
Secreções oculares. 
Aerossóis. 
Secreções nasais. 
Fezes. 
Urina. 
 
 
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 Epidemiologia das enfermidades infecciosas Letícia S. Goes (Ezalta) – Vet18 
 
 Porta de entrada: 
Epitélio do trato respiratório superior. 
 
PATOGENIA 
Fase inicial: vírus ataca células de defesa e órgãos linfoides 
→ imunossupressão. Leucopenia devido a replicação do 
vírus nesses órgãos (com consequente destruição dos 
leucócitos). 
 
A evolução da enfermidade depende da patogenicidade da 
amostra viral e do status imune do hospedeiro. 
Enfermidade grave: depleção sistêmica de linfócitos T e B. 
Vírus: tropismo por receptor SLAM da membrana 
de linfócitos, monócitos e células dendríticas → 
Indução de apoptose e Inibição da resposta a 
citocinas mitogênicas (consequentemente não 
ocorre a indução da mitose dessas células). 
Aumento da produção de PGE2 (imunossupressor). 
Infecta TCD4+ e Th1 – alterando a regulação da 
resposta imune. 
O animal pode ter cura clínica, porem o vírus permanece no 
organismo “escondido”, se replicando em baixas 
quantidades e quando o animal sofre uma imunossupressão 
ele apresenta a encefalite do cão velho. 
 
SINAIS CLÍNICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIAGNÓSTICO 
Sinais clínicos + histórico + exames confirmatórios. 
Histórico = animais não vacinados, vacinação incompleta, 
pouca ingestão de colostro, ambientes de aglomeração, livre 
acesso à rua. 
Achados hematológicos = leucopenia por linfopenia ou 
leucocitose (em fases mais avançadas, resultante de 
infecções secundárias), anemia, trombocitopenia, 
monocitose, presença de células com corpúsculo de inclusão 
(Corpúsculo de Lentz – animais recentemente vacinados 
podem apresentar esse corpúsculo). 
Diagnóstico direto = 
1. Isolamento viral: mais utilizado para pesquisa. 
2. RT-PCR: urina, sangue, LCR, tonsilas, baço, 
linfonodos mesentéricos, suabes de secreções 
nasais e oculares. 
3. Imunoensaio cromatográfico: detecção do Ag. 
Urina, soro, plasma e suabe de mucosa. 98,8% de 
sensibilidade. Pode dar falso negativo dependendo 
da fase inicial da enfermidade que o animal está 
(amostra não tem Ag suficiente). 
Diagnóstico indireto = 
1. ELISA: facilidade de realização, detecção de IgG e 
IgM. 
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 Epidemiologia das enfermidades infecciosas Letícia S. Goes (Ezalta) – Vet18 
 
2. Imunoensaio cromatográfico: sangue e soro, 
detecção de IgG. Reação inespecífica em animais 
vacinados ou imunossuprimidos. 
 
TRATAMENTO 
Não há tratamento específico, apenas tratamento de 
suporte. 
 Fluidoterapia = ringer lactato + glicose (2,5% a 5%). 
 Antieméticos parenterais = cloridrato de 
metoclopraida. 
 Corticoides = redução de edema cerebral e 
encefalite. 
 Antibióticoterapia = pois a imunossupressão 
predispõe o animal a infecções secundárias 
(pneumonia, entérica). 
 Anticonvulsivantes = crises convulsivas usa-se 
benzodiazepínicos e para convulsão focal usa-se 
carbamazepina. 
 Soro hiperimune = animais não vacinados. 
Aplicação subcutânea. 
 Antiviral = ribavirina. Uso controverso. 
 
Prognóstico: sem sinais neurológicos – reservado; com sinais 
neurológicos – reservado a desfavorável, alta mortalidade, 
sequelas irreversíveis. 
 
PREVENÇÃO E CONTROLE