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INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE PRIVADA

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gasto exorbitante pode ser que o estado tenha que pagar os prejuízos de maneira antecipada porque o hospital pode não suportar tanto gasto. 
OBS: uma vez que o particular achar que não é uma situação de emergência pública, poderia se insurgir contra ela e impetrar um mandado de segurança.
· MOTIVO: Iminente perigo público 
· AUTOEXECUTORIEDADE E AUSÊNCIA DE MAIORES FORMALIDADES:
· FUNDAMENTAÇÃO LEGAL GENÉRICA: Art, 5º XXV dá CF 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
· OUTRAS LEIS: 
· Decreto lei 4.812/1942 que disciplina a requisição, tanto civil como militar;
· Decreto-Lei 2/1966, que autoriza a requisição de bens ou serviços essenciais ao abastecimento da população.
TOMBAMENTO 
Instituto que têm como objetivo a proteção do patrimônio cultural brasileiro. A CF obriga o poder público a adotar medidas para garantir a proteção deste patrimônio, inclusive isso está disposto no seu art 216 (FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL): 
§ 1º O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
Mas perceba que ele não é a única maneira de garantir essa preservação, é tanto que o §1º poderá até desapropriar, o estado deve  avaliar o que é mais adequado para o caso concreto, inclusive o bem pode ficar nas mãos do particular e ser tombado, o tombamento é menos gravoso que a desapropriação na medida que com o tombamento é imposto ao particular que ele conserva coisa sem que necessariamente o particular perca o domínio/propriedade do objeto tombado mas reduz uso, gozo e usufruto do proprietário. Um bem integrante do patrimônio cultural potencializa demais a função social dá propriedade.   
MARCO INFRACONSTITUCIONAL SOBRE O TOMBAMENTO: - 
O QUE PODE SER TOMBADO? 
O tombamento é uma RJ de DIREITO REAL, isso significa que o tombamento incide sobre o bem IMÓVEL (e o móvel também mas ele não têm matrícula) diretamente, ele persiste sobre a coisa ainda que o bem seja alienada por um terceiro, ela atinge A COISA e não o administrado/proprietário. Inclusive o tombamento pode ser averbado na matrícula do imóvel, para potencializar a publicidade e oponibilidade a terceiros do tombamento. 
Por ser de direito real essa modalidade só pode incidir sobre bens materiais, sejam eles móveis ou imóveis. Um RJ de tombamento não pode incidir sobre bens imateriais, mesmo que eles integrem o patrimônio cultural brasileiro. Exemplo: PODE SE TOMBAR O ACARAJÉ? O acarajé integra o patrimônio cultural brasileiro, mas ele não pode ser tombado já que o acarajé é imaterial, não é tombado o acarajé em si porque o acarajé é uma receita, não é tombado um acarajé pronto de uma baiana, mas isso não quer dizer que ele não seja passível de proteção por ser patrimônio cultural. 
O TOMBAMENTO É UM ATO DISCRICIONÁRIO OU VINCULADO? 
Essa discussão se origina de uma má compreensão do que seria objeto de discricionariedade e o que seria vinculado. O tombamento é vinculado no sentido de que verificada a relevância de um determinado bem para o patrimônio cultural os órgãos culturais deverão tombar, não há discricionariedade aqui, sempre que se identifica que p bem é relevante não existe a discricionariedade para não tombar. Há discricionariedade somente na análise se o bem é relevante ou não, apenas isso, essa avaliação é livre para o órgão cultural mas uma vez identificado que é relevante não há a opção de não tombar.  
A CF já traz no caput o que seria patrimônio cultural brasileiro, só não pode os bens imateriais serem tombadas:
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artísticos culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
UM BAIRRO PODE SER TOMBADO? OU UMA REGIÃO? NÃO, ele não existe juridicamente, mas há vários tombamentos individuais, não dá para tomar tudo de vez, têm que tombar um por um. Exemplo: um órgão cultural poderia tombar todos os imóveis do pelourinho, mas cada um é um processo individual. 
TODOS OS ENTES FEDERADOS SÃO CAPAZES DE PROMOVER O TOMBAMENTO, inclusive, há o patrimônio cultural de cada estado e é possível de ter o município também. Inclusive, algumas cidades vem implantando medidas para restringir modificações nos imóveis por parte dos proprietários, principalmente lugares como o marco de fundação da cidade e isso é feito por meio de uma lei que cria uma espécie de área de proteção cultural (semelhante a área de proteção ambiental). Muitas pessoas entendem que essa proteção coletiva às características arquitetônicas daquela região dá cidade, que isso seria um tombamento coletivo, mas Marcus Seixas entende que não há tombamento coletivo, e na verdade o que essas leis fazem sobre esses imóveis é mais uma LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA DE NATUREZA ARQUITETÔNICA E CULTURAL, até porque o tombamento teriam maiores efeitos do que essas leis que na verdade só são limitações, e perceba que isso não está contrário a CF já que o §1º traz uma cláusula geral permitindo outras medidas que não estão previstas ali no parágrafo primeiro.  
PROCESSO ADMINISTRATIVO DO TOMBAMENTO: Decreto lei nº 25/1937
Esse decreto-lei regulamentada a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional a partir do art 4º e ss. O processo vai variar de acordo com QUEM tá tombando, se for a União vai ser por esse decreto, mas se forem estados/municípios podem existir leis desses entes que podem modificar isso. Mas de qualquer jeito, em todos os entes o processo de tombamento obedece a mesma lógica e segue às mesmas etapas essenciais:
1. SEMPRE CONDUZIDO POR UM ÓRGÃO CULTURAL. No caso específico da União o órgão responsável é o IPHAN, que é uma autarquia federal que têm representação em vários estados. Aqui na Bahia há o IPAC (instituto do patrimônio artístico e cultural dá Bahia). Todo órgão cultural precisa de um CONSELHO CONSULTIVO, que é um conselho de notáveis, pessoas que reconhecidamente têm uma percepção/compreensão sobre o patrimônio cultural e que portanto são indicadas para esse conselho para opinar nos processos de tombamento. Diante dá manifestação do conselho, que entende que determinado bem devem ser objeto de tombamento, é expedido uma NOTIFICAÇÃO DIRIGIDA AO PROPRIETÁRIO DO BEM A SER TOMBADO. QUEM PEDE É O DEPARTAMENTO TÉCNICO DO ÓRGÃO e o conselho vai julgar se deve ser tombado caso o proprietário resista.
2. NOTIFICAÇÃO DO PROPRIETÁRIO DO BEM A SER TOMBADO: Art 7º do decreto 25. O proprietário pode concordar com o tombamento e ai ocorrerá um TOMBAMENTO VOLUNTARIO. Ele pode até mesmo ele perceber que seu bem deveria ser tombado e pedir ao conselho.
Art. 7º Proceder-se à ao tombamento voluntário sempre que o proprietário o pedir e a coisa se revestir dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional, a juízo do Conselho Consultivo do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou sempre que o mesmo proprietário anuir, por escrito, à notificação, que se lhe fizer, para a inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo.
SE O PROPRIETÁRIO RESISTE AO TOMBAMENTO ele vai apresentar argumentos que vão defender

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