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Processo Civil - Resumo sobre Pressupostos Processuais

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS 
O processo pode ser definido como o instrumento utilizado pela jurisdição para a resolução dos conflitos de interesses que lhes são levados à apreciação. 
Pois bem, a validade do processo está condicionada a premissas concretas, denominadas de “pressupostos processuais”. 
Pressupostos processuais são “supostos prévios”, “condições prévias”, a serem observadas, sob pena de comprometer a existência e validade do processo. 
Assim, por exemplo, seria inadmissível a instauração da relação processual sem a peça responsável pelo seu desencadeamento (petição inicial); ou o desenvolvimento do processo sem o ato de convite ao réu para que se defenda (citação); também não poderíamos imaginar um processo válido sem que houvesse um juízo competente, a presença de advogado, etc. 
Em todos os exemplos acima, verifica-se que a constituição e desenvolvimento da relação processual estão condicionados à existência de formalidades (pressupostos processuais), as quais possibilitarão, ao final do processo, um verdadeiro revestimento de imutabilidade à questão trazida à apreciação do judiciário. 
Aqui vamos nos ater aos pressupostos subjetivos, que são formalidades traçadas pelo sistema jurídico, relativamente aos protagonistas da relação processual: juiz e partes. Assim: 
a) quanto ao juiz: este deverá estar dotado de jurisdição, competência e imparcialidade. 
 jurisdição: o feito deverá ser conduzido por um juiz. Perceba que, de acordo com o artigo 16, CPC, “A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código.”. Assim, não podemos imaginar um processo sendo conduzido por quem não seja juiz ou por quem, embora fosse, já estivesse aposentado. Mas, há exceção? Existe a possibilidade de um conflito ser resolvido por quem não seja juiz? Existe sim. O legislador, por intermédio da Lei nº 9.307/96 e do artigo 42, CPC, facultou às partes, maiores e capazes, a instituição da arbitragem para a resolução de conflitos oriundos de um negócio jurídico que celebrarem. Mas, ressalte-se: a jurisdição é regra, da qual a arbitragem é a exceção! 
 competência: não basta ser juiz. É necessário, também, que o mesmo seja competente para conduzir e julgar o processo. Não pode, por exemplo, um juiz da vara cível julgar demanda de competência da trabalhista; ou um juiz de primeiro grau julgar uma ação civil de competência originária de tribunal. A respeito da competência, vide considerações feitas na Parte I, item 5, deste livro. 
 imparcialidade: além de competência, o juiz deverá ter imparcialidade, no sentido de não estar pré-disposto ou pré-intencionado na condução do feito. Ele deve tratar as partes com igualdade. O tratamento igualitário, inclusive, é o primeiro dever do juiz, elencado no artigo 139, I, CPC. Perceba (e aí vai uma “dica”!) que os três pressupostos processuais que dizem respeito ao juiz (jurisdição, competência e imparcialidade), correspondem, respectivamente, aos três princípios da jurisdição (investidura, improrrogabilidade e juiz natural), visto que o juiz é a própria “encarnação” da jurisdição. 
b) quanto às partes: estas deverão ter capacidade de ser parte, capacidade para estar em juízo e capacidade postulatória. 
 capacidade de ser parte: esta exigência diz respeito a quem pode ocupar um dos polos da relação processual. Em termos simples: quem pode ser autor ou réu em um processo? Terão a capacidade de ser parte: 1) pessoas naturais ou físicas: todo o ser humano pode ser autor ou réu de um processo, bastando o nascimento com vida. Esta capacidade se confunde com a personalidade, estudada no direito civil, como aptidão genérica de ser sujeito de direitos e obrigações. O raciocínio aqui é simples: nascendo, o ser humano adquire a personalidade (passa a ser sujeito de direitos e obrigações); logo, poderá ser autor de ação para receber o que lhe seja de direito e poderá ser réu para cumprir com as obrigações que a lei lhe confere. 
2) pessoas jurídicas: como sujeitos de direitos e obrigações, também poderão ser autores ou réus em processo judicial. As pessoas jurídicas são de direito público (União, estados, Distrito federal, territórios, municípios, autarquias e fundações públicas) ou de direito privado (associações, sociedades, fundações privadas, organizações religiosas e partidos políticos).
As pessoas jurídicas não podem ser confundidas com os órgãos que a integram. Por exemplo, se um cidadão deseja ingressar com ação de indenização em virtude dos danos materiais causados por uma bala “perdida”, disparada pelo revólver de policial militar de Pernambuco, não poderá o mesmo propor a demanda em face da polícia militar (que é mero órgão, sem personalidade jurídica), mas, sim, contra a pessoa jurídica a qual ela integra, a saber, Estado de Pernambuco. 
3) alguns entes despersonalizados: em regra, ente despersonalizado não pode ser parte, conforme afirmado no item anterior, haja vista que, não possuindo personalidade, não constitui-se em sujeito de direitos e obrigações. Ocorre que o legislador resolveu conferir capacidade de ser parte a certos entes, justamente como forma de protegêlos, pois, do contrário, não existiria outra forma de defender seus interesses senão estando na qualidade de parte. É o que ocorre, por exemplo, com a massa falida, espólio e condomínio. Neste caso diz-se que os mesmos, apesar de não possuírem “personalidade jurídica”, possuem “personalidade judiciária”.
O fenômeno em questão (personalidade judiciária) será aplicado, também, a alguns órgãos públicos (Ministério Público, Câmara de vereadores ou Assembleia Legislativa, por exemplo), apenas quando da defesa de suas prerrogativas institucionais. Por exemplo, pode o ministério público, para a defesa do interesse público (uma de suas prerrogativas), ser autor de uma ação civil pública contra uma fábrica que polui o meio ambiente; Pode também, uma assembleia legislativa manejar um mandado de segurança contra ato de governador que violou competência daquela casa. Nestes casos eles estarão defendendo as suas prerrogativas institucionais. 
Não estando, entretanto, o conflito de interesses ligado àquelas prerrogativas, a capacidade de ser parte será da pessoa jurídica de direito público a qual o órgão integra, e não do mencionado órgão (MP ou Assembleia Legislativa). Imagine, por exemplo, um atropelamento envolvendo um veículo oficial do ministério público do estado de Pernambuco. Neste caso, a ação não terá como parte o Ministério público (que é mero órgão, sem personalidade jurídica), mas, sim, a pessoa jurídica a qual ele integra (estado de Pernambuco).
 capacidade de estar em juízo: refere-se à possibilidade de praticar os atos jurídicos processuais (atos jurídicos dentro do processo). Terá a capacidade de estar em juízo toda pessoa que se ache no exercício dos seus direitos (artigo 70 do CPC). Perceba, por exemplo, que uma criança de 5 (cinco) anos de idade terá a capacidade de ser parte (pois tem personalidade), mas NÃO terá a capacidade de estar em juízo, pois não pode, por si só, praticar os atos da vida civil. 
Ressalte-se que as pessoas casadas também têm capacidade plena para estar em juízo, de modo que um cônjuge não necessita da companhia do outro, seja para figurar como autor, seja para colocar-se na qualidade de réu. A regra, no entanto, encontra exceções: 
Para propor demandas, um cônjuge somente necessitará do consentimento do outro quanto às ações que versem sobre direitos reais imobiliários. Isto quer dizer que a ação deverá ser intentada por ambos os cônjuges (ambos serão autores), sob pena de ser decretada a ausência da capacidade processual, com a consequente extinção do processo sem resolução de mérito. O motivo é simples: tudo que é adquirido após a constância do matrimônio passa a pertencer a ambos. Assim, qualquer ação que verse sobre direitos reais imobiliários poderá afetar a esfera de direitos do outro cônjuge sobre o bem disputado, motivo pelo qual haverá a necessidade de sua participação.