A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
Pulso Venoso

Pré-visualização | Página 2 de 3

Se tudo estiver bem, a pulsatividade é baixa. Se o 
paciente tiver algum problema de coração direito, o 
represamento e a pulsatividade vai estar muito alta, 
pode enxergar isso e pode chegar próximo ao 
lóbulo da orelha e as vezes até passar. 
Quando pede o paciente para inspirar, a 
pulsatividade vai cair, você vê menos, ela fica mais 
embaixo. Isso é um comportamento fisiológico. A 
altura da coluna (do batimento) vai diminuir e vai 
ficar menos intenso. 
Quando você pede para o paciente inspirar, 
teoricamente você cria uma pressão negativa no 
tórax, essa pressão negativa intratorácica durante a 
inspiração, ela é exercida em cima do átrio direito 
nas câmaras que estão dentro do tórax. A jugular 
não está no tórax mas se nela tem uma pressão 
positiva e no tórax tem uma pressão negativa, o 
sangue vai ser sugado em direção ao átrio direito, 
então a coluna vai cair. 
Quando eu analiso o pulso venoso, ele serve para 
entender a fisiologia ou patologia do coração 
direito. 
Agora uma vez definido o que é pulso venoso e 
pulso arterial, a gente vai tomar algumas 
informações novas a respeito do pulso venoso. 
O primeiro passo quando examino o pescoço do 
paciente é saber se o que eu estou vendo é um pulso 
nervoso ou arterial. 
Uma vez definido que é pulso jugular (venoso), o 
próximo passo é avaliar se esse pulso de jugular 
que está vendo é fisiológico ou patológico. 
Um paciente com embolia pulmonar, tem um 
coagulo impactado na artéria pulmonar que não 
permite um bom esvaziamento do sangue do 
ventrículo direito para a artéria pulmonar, 
consequentemente aumenta pressão e volume 
dentro ventrículo direito, começa a represar o 
volume dentro do VD e aumenta a pressão. O átrio 
direito vai querer desaguar dentro do VD, mas ele 
não consegue porque o espaço já está preenchido 
parcialmente, então o átrio direito não consegue 
desaguar sobrando volume dentro do átrio direito, 
então aumenta o volume do átrio direito, aumenta a 
pressão. 
O átrio direito se comunica com a veia cava 
superior sem válvula, é um tubo único, todo e 
qualquer aumento de pressão e volume no átrio 
direito, repercute com o aumento de pressão na 
veia cava e consequentemente se comunica 
diretamente com a jugular interna. Então todo e 
qualquer aumento de volume e pressão na veia 
cava superior repercute diretamente com aumento 
de volume e pressão na veia jugular interna. 
O pulso venoso é uma informação crucial para o 
diagnóstico de Insuficiência Cardíaca. 
A dispneia é uma sinal de insuficiência cardíaca 
esquerda. 
O edema é um sinal importante de insuficiência 
cardíaca direita. 
Para se fazer diagnóstico de Insuficiência Cardíaca, 
usa critérios, sendo dois maiores ou um maior e 
dois menores. 
 
Dos critérios maiores, dois estão relacionados com 
a análise do pulso venoso, um é a própria avaliação 
do pulso venoso e o outro é o refluxo hepatojugular. 
Analisei o pescoço do paciente e descobri que estou 
diante de um pulso venoso. Sendo pulso venoso, a 
pergunta que fica é se é fisiológico ou patológico? 
→ Como está a altura da coluna venosa? 
Pega o ponto máximo até onde eu enxergo aquele 
batimento ocorrendo, onde ele bate mais alto. Onde 
eu enxergo bem é no ponto mais baixo da coluna 
venosa, quando vai subindo o batimento vai ficando 
mais fraco, menos intenso. 
Carolina Mendes – MED102 
 
Fisiológico – até 4,5cm 
Patológico – maior ou igual a 5 cm 
→ Como medir a altura do pulso venoso? 
Cruza uma régua, normalmente são duas, mas pode 
ser um lápis e uma régua. Tem que ser uma régua 
milimetrada. Pega o ponto mais alto da 
pulsatividade que eu estou vendo, pega uma régua 
para unir com outra. Onde a altura da régua (que 
está no ponto mais alto da pulsatividade) cruzar em 
angula reto com a outra régua, que está na vertical, 
vai ser a altura da coluna venosa. A régua 
milimetrada (que vai estar na vertical) tem que 
estar no ângulo de Loui. 
 
Tem duas informações para dizer se o pulso é 
fisiológico ou patológico, a primeira é a medida da 
altura da coluna venosa e a segunda é a queda da 
coluna venosa inspiratória. 
Coluna venosa caiu durante a inspiração: é normal 
Coluna venosa subiu durante a inspiração é 
patológico. 
Paciente com DPOC, tem um volume pulmonar 
muito aumentado, a pressão pulmonar aumentada 
e consequentemente a compressão no átrio direito 
aumentada, tendo um aumento de pressão 
retrógrada. 
É muito difícil fazer diagnóstico de doença cardíaca 
direita em paciente com ventilação mecânica com 
PIB. Pois não sabe se o que está acontecendo na 
jugular é fruto da PIB ou se é disfunção cardíaca 
direita. 
O pulso venoso patológico, vamos imaginar que 
estou diante de um coração doente, que enfartou o 
ventrículo direito e tem uma sobra de volume que 
vai repercutir retrogradamente. Na hora que for 
medir a pressão na jugular, na altura da coluna, vai 
estar aumentado, por exemplo 7 cm. 
Então partindo do princípio que esse paciente é 
patológico. O que vai acontecer na hora que eu peço 
para o paciente inspirar? 
Dentro do tórax a pressão vai ficar negativa, a 
pressão vai cair dentro das câmaras. A tendência 
natural é que quando eu crio uma pressão negativa 
no átrio direito, todo o sistema de jugular que drena 
o sangue da cabeça, puxe o sangue da cabeça para 
dentro do átrio direito. 
Na hora que o sangue tenta entrar, o espaço físico já 
está preenchido por um volume patológico, vai 
começar a represar para trás. A cava e a jugular vão 
ficar repletas de sangue que deveriam entrar vindo 
da cabeça e não entrou no átrio direito. Ao invés de 
cair a coluna, ela vai aumentar mais ainda. Esse 
comportamento do pulso venoso de aumentar 
durante a inspiração é chamado de Sinal de 
Kussmaul. É o aumento da coluna venosa durante a 
inspiração = patologia. 
As vezes o paciente não tem uma coluna muito 
grande, mas na hora que faz o comportamento 
respiratório e a coluna sobe, já sabe que é 
patológico. 
Das duas informações que temos, a medida da 
coluna que é patológico e o comportamento 
respiratório que pode ser patológico, a mais 
importante é o comportamento respiratório, é mais 
fidedigno. 
O refluxo hepatojugular é uma manobra que não faz 
com frequência, porque é dolorosa. O paciente que 
tem insuficiência cardíaca, tem o fígado aumentado 
e eu vou fazer uma compressão no abdome do 
paciente, envolta do umbigo, espalma a mão e 
aperta jogando o peso do corpo em cima da mão. 
Isso vai gerar uma diminuição da amplitude 
respiratória. Quando não consegue concluir o que é 
fisiológico ou patológico do pulso venoso com a 
análise da coluna, faz a manobra de refluxo 
hepatojugular. 
Tem três momentos: 
- Pré-manobra 
- Manobra (30s de compressão) 
- Pós-manobra 
A hora que eu aperto o abdome, eu trago mais 
volume do fígado em direção ao átrio direito, se eu 
trago mais volume, o átrio direito agora tem uma 
pressão aumentada, se a pressão dentro do átrio 
Carolina Mendes – MED102 
 
aumentou, a coluna venosa que estava analisando, 
aumenta durante os 30 segundos de manobra. Esse 
coração é bom. Pela lei de Frank-Starling, esse 
coração direito consegue dentro dos 30 segundos 
se esvaziar, o que vai acontecer é que a coluna vai 
descer a vai voltar para altura normal dela. 
A manobra de refluxo hepatojugular fisiológica, a 
coluna sobre durante os 30 segundos da manobra e 
volta ao normal. 
No patológico, já tem um coração doente, que tem 
sobra de volume que represa na jugular, ou seja a 
coluna já está alta, na hora que eu aperto o abdome, 
trago mais volume para dentro do átrio direito, que 
aumenta a pressão e o volume dentro do átrio 
direito. Mas na hora que entra nos 30 segundos de 
manobra, a coluna que já estava alta, aumenta ainda 
mais, porque trouxe mais volume e a jugular não 
consegue descer seu volume para dentro do átrio 
direito. 
Esse coração, é doente. Não