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Jornalismo Literário

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Texto: Jornalismo Literário
Tema: Trabalhador morre com queda de cobertura do muro 
Para sempre, amor!
Em 2011, o sudoeste baiano estava sendo afetado pela maior seca da sua história. Ela prejudicou as produções de frutas da região, o que causou a demissão de milhares de homens e mulheres que trabalhavam no cultivo.
Livramento de Nossa Senhora foi um dos municípios mais afetados pela falta de água. A fazenda Vitória é a maior da região, o proprietário se chamava Fausto Marques, casado com Eva com quem tinha uma filha, Estela de 22 anos. 
Na fazenda, centenas de pessoas garantiam seu sustendo no cultivo de manga, um desses trabalhadores era João Francisco da Silva, de 23 anos, único filho de José e Ana que trabalhavam na fazenda há anos.
João sonhava em ser professor de música, ele aprendeu a tocar gaita com o avô, José na infância. Todas as noites o jovem tocava o instrumento para os pais, e era uma forma de fazer presente a memória de uma das pessoas que ele mais amou na vida. 
Eles moravam próximo ao local do trabalho, em uma casa simples, com um jardim na frente, os pais do rapaz não conseguiram manter o emprego, eles já estavam na facha dos 50 anos e a idade foi um dos fatores determinantes para saber quem seriam as poucas pessoas a restarem no trabalho de cultivo. João conseguiu manter o emprego, mas por pouco tempo. 
Ele e Estela Marques se conheceram quando criança, na Escola Estadual do Livramento, a melhor da região. Os dois sempre foram amigos, aliás, melhores amigos, Estela esteve ao lado de João no pior momento da vida dele, quando o jovem perdeu o avô. Ele a ensinou a tocar gaita, instrumento que passou a ser o preferido dela também. Ela também queria se tornar professora e estudava arduamente para o vestibular do final do ano, mesmo com a reprovação do pai, que sonha em ver a filha médica. 
Em uma bela tarde de domingo, João estava de folga e levou sua amiga para passear, no meio do caminho os dois se beijaram pela primeira vez, a partir daquele momento nasceu um novo sentimento no coração dos dois. O rapaz pediu aos pais da garota que a deixassem namorar, mas escutou um não como resposta e ainda perdeu o emprego.
Desesperado, pois não tinha mais como sustentar a família e também porque perdeu o contato com Estela, pois a jovem não podia mais sair de casa, ele e os pais se mudaram para Brumado, o único lugar em que conseguiu um emprego para sustentar a família e juntar um dinheiro.
Ao receber a noticia por seus informantes na cidade do Livramento, o senhor Marques comemorou a mudança da família, e liberou a jovem do castigo. Porém a filha do fazendeiro conseguiu descobrir para onde o seu amor tinha ido e foi atrás. 
Ela chegou à casa dos Silva na hora da missa, juntamente com a mãe do rapaz ela rezou para nossa Senhora do Livramento trazer ele e seu sogro em paz para casa, nesse momento a jovem sentiu um aperto no coração e muita vontade de chorar e não conseguiu controlar as lagrimas que começaram a escorrer no rosto. 
Pouco tempo depois, o pai de João chegou muito abatido e com a gaita na mão. O filho estava sentado no muro da casa em que eles foram contratados para ajudar na construção, ele tocava, asa branca, música preferida do avô, enquanto o pai se arrumava para irem embora, foi quando o muro desabou. O impacto da queda foi muito forte e João deixou o seu grande amor.
Ao termino do enterro, os pais do garoto chamou Estela para ir embora com eles, mas ela recusou, queria se despedir a sós dele. Ao ficar sozinha, ela pegou a gaita e começou a tocar a primeira música que aprendeu asa branca, e começou a relembrar dos momentos em que passaram juntos. Seu coração não aguentou a perda e ali ao lado do tumulo de José, Estela morreu de amor.