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Qualidade de Vida e Educacao Fisica - Unidade 4 - Promoção de Saúde - PDF pesquisável

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Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Unidade 4: Através da Promoção da Saúde 
 
Relações entre aptidão física, saúde e qualidade de vida 
 
A saúde é um dos fatores determinantes para a qualidade de vida, e a prática de 
exercícios é essencial para uma vida saudável, longeva e feliz. Assim, opções de 
práticas corporais deveriam estar incorporadas ao cotidiano das pessoas, à cultura 
popular, aos tratamentos médicos, ao planejamento familiar e à educação infantil 
(ARAÚJO; ARAÚJO, 2000). 
 
A prática regular de exercícios resulta na melhora da aptidão física, que contribui 
para a melhora da saúde e da qualidade de vida. A aptidão física refere-se à capacidade 
de realizar um esforço físico sem que haja fadiga em excesso, podendo ser dividida 
em duas categorias principais: a capacidade aeróbia, referente à capacidade de 
realizar tarefas contínuas que envolvam os grandes grupos musculares, como 
caminhar, correr, pedalar; e a capacidade muscular, que é a capacidade de deslocar 
uma carga ou vencer uma resistência por meio de contrações musculares, como 
força, resistência e potência (GUEDES, 1996 apud ARAÚJO; ARAÚJO, 2000; 
SHARKEY, 2012). 
 
A prática regular de exercícios sobrecarrega os sistemas cardiovascular e 
musculoesquelético, que têm de se adaptar a essa demanda, promovendo, assim, a 
aptidão física. Quando uma pessoa é regularmente ativa, seu corpo se adapta ao novo 
nível de atividade imposta, permitindo que ela seja capaz de fazer mais do que 
conseguia antes de começar a treinar (SHARKEY, 2012). 
 
A aptidão física melhora diferentes aspectos, como: potência aeróbica, força, 
flexibilidade, agilidade, equilíbrio, coordenação motora, velocidade e composição 
corporal (GAERTNER; FIROR; EDOUARD, 1991; GUEDES, 1996; SHEPHARD; BALADY, 
1999 apud ARAÚJO; ARAÚJO, 2000). Além disso, está associada a um menor índice 
de mortalidade e a uma maior qualidade de vida (ACSM, 1998; ACSM, 2000; BLAIR; 
KOHL; BARLOW, 1995; PAFFENBARGER, 1994 apud ARAÚJO; ARAÚJO, 2000). 
 
Há uma inter-relação entre atividade física, aptidão física, saúde e qualidade de vida, 
de modo que cada uma dessas variáveis interfere na outra, seja de forma positiva ou 
negativa, por exemplo: a prática de atividade física melhora a aptidão física e ambas 
promovem benefícios para a saúde e a qualidade de vida, já a inatividade física 
influencia negativamente esses aspectos. A boa saúde, por sua vez, influencia a 
prática de atividades, já o estado de doença pode atrapalhar essa prática ou impedi-
la, resultando, assim, na diminuição ou perda da aptidão física e na piora da 
qualidade de vida. Dessa maneira, podemos compreender a importância dessas 
variáveis umas para as outras. 
Qual intensidade ideal para melhorar a aptidão física sem causar riscos à saúde? 
 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
A capacidade aeróbia define a saúde e está relacionada ao funcionamento do sistema 
cardiorrespiratório e musculoesquelético. Ela é trabalhada quando o exercício é 
realizado regularmente e com intensidade maior do que a intensidade das atividades 
diárias (SHARKEY, 2012). Porém, para que o exercício proporcione os benefícios que 
realmente pode promover, devem ser consideradas certas variáveis, como 
intensidade, duração e frequência; por outro lado, a prática de exercícios também 
pode trazer riscos à saúde, pois exercícios extenuantes e de alta intensidade elevam o 
risco de problemas osteomusculares e cardíacos. Apesar dos riscos aumentados com 
o aumento da intensidade, o sedentarismo corresponde a um risco maior à saúde. 
 
Obviamente, a intensidade de um exercício depende de diferentes variáveis, como 
nível de condicionamento físico, individualidade biológica, limitações físicas e 
objetivos pessoais. Para atletas, a intensidade do exercício é maior, já em programas 
de exercícios para saúde, atividades moderadas podem ser a melhor escolha, uma vez 
que proporcionam bons resultados e menores riscos. 
 
Como já vimos anteriormente, as escolhas do indivíduo estão diretamente 
relacionadas à sua qualidade de vida. Manter uma alimentação saudável, não fumar, 
evitar o abuso de bebidas alcoólicas e praticar atividades físicas são bons hábitos que 
influenciarão positivamente a vida como um todo e proporcionarão bem-estar e 
saúde, promovendo um envelhecimento mais saudável, feliz e com maior 
longevidade. 
 
A prática regular de exercícios previne e melhora o prognóstico de diversas doenças, 
como diabetes, alguns tipos de câncer, doenças crônicas não transmissíveis e doenças 
cardíacas. O risco de mortalidade e de eventos cardiovasculares tendem a diminuir 
com o maior nível de atividade física, além de diminuir o risco de mortalidade em 
paciente infartados. 
 
(BIJNEN et al., 1994; PAFFENBARGER et al., 1994; SHEPHARD; BALADY, 1999 apud 
ARAÚJO; ARAÚJO, 2000). 
 
Princípios gerais e fatores intervenientes na promoção de estilos de 
vida ativos 
 
A redução ou o retardo de doenças crônicas durante o processo de envelhecimento 
aumenta a duração do vigor. Algumas pessoas conseguem manter o vigor físico, 
emocional e intelectual durante quase toda a vida, para isso, é necessário tomar 
decisões que afetarão diferentes aspectos da vida, os quais podem representar 
problemas durante o envelhecimento, como a função cardiorrespiratória, a 
densidade óssea, a pressão arterial e o colesterol; logo, todas as pessoas têm a chance 
de escolher as melhores opções de hábitos de vida para que envelheçam melhor 
(SHARKEY, 2012). 
 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Pessoas que levam uma vida ativa vivem mais e melhor, pois a prática de atividade 
física previne doenças, melhora a saúde e a qualidade de vida, promove o bem-estar e 
aumenta a longevidade. 
 
A saúde e a longevidade estão relacionadas aos seguintes hábitos (BRESLOW; 
ENSTROM, 1980 apud SHARKEY, 2012): 
 
• Sono adequado (em média entre 7 a 8 horas por noite); 
• Café da manhã adequado; 
• Refeições regulares (evitar lanches); 
• Controle do peso; 
• Não fumar; 
• Pouco ou nenhum consumo de álcool; 
• Prática regular de exercícios. 
 
Seguindo seis desses comportamentos apresentados, os homens podem ganhar onze 
anos de vida a mais, e as mulheres, sete (BRESLOW; ENSTROM, 1980 apud SHARKEY, 
2012). 
 
A saúde é influenciada por fatores genéticos, pela presença de doenças, por fatores 
ambientais e pelos hábitos de vida. A idade cronológica, referente aos anos vividos, 
pode não corresponder exatamente à idade fisiológica, assim, uma pessoa 
fisicamente ativa, com 55 anos, pode ter o mesmo desempenho e saúde de uma 
pessoa mais jovem, com 25 anos (SHARKEY, 2012). 
Barreiras e facilitadores para a prática de atividade física 
 
Apesar da conhecida importância a respeito da prática de atividade física, uma 
grande parte da população continua inativa, e essa inatividade pode ser influenciada 
por fatores como gênero, nível socioeconômico, estado civil, nível de escolaridade, 
obesidade, tabagismo, alcoolismo, condições ambientais, transporte, segurança, 
autoimagem negativa e autopercepção de saúde (CASSOU, 2011; HIRVENSALO; 
LINTUNEN, 2011 apud KRUG; LOPES; MAZO, 2015). 
 
Uma pesquisa conduzida com idosas longevas inativas fisicamente constatou as 
principais barreiras para a prática de atividade física: limitação física, falta de 
disposição, excesso de cuidado da família, exercícios físicos inadequados, doenças, 
falta de segurança, falta de experiência em atividades físicas para lazer, medo de 
quedas e aumento da idade. Por outro lado, os principais facilitadores foram: prazer 
pela prática de atividade física, socialização, benefícios da atividade física, exercícios 
físicos adequados e companhia para praticar (KRUG; LOPES; MAZO, 2015). 
 
Outra pesquisa analisou a prática de atividade física no lazer de adolescentes e 
observou que falta de companhia,preferência por outras atividades e preguiça foram 
as principais barreiras (DIAS et al., 2015). 
 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Em pesquisa referente aos frequentadores de parques públicos, observou-se que a 
incidência de chuvas e a poluição do ar no parque, seguidos pela baixa qualidade de 
serviços de emergência e segurança, foram barreiras para a prática de atividade 
física. Os principais facilitadores foram a beleza e a localização do parque, além da 
beleza arquitetônica, pista de caminhada e corrida e apoio e incentivo dos amigos; 
observa-se que, nesse caso, os fatores ambientais foram determinantes para a prática 
de atividade física (SILVA; PETROSKI; REIS, 2009). 
 
Observando as diferentes barreiras apresentadas, notamos que aspectos ambientais, 
físicos, sociais, mentais e socioeconômicos podem influenciar a adoção de hábitos 
saudáveis. Como manter e estimular hábitos saudáveis? 
 
O ideal seria que tivéssemos escolas fisicamente ativas, que houvesse a possibilidade 
de se promover espaços para a prática de atividade para toda a sociedade, e que 
pudéssemos contar com a oferta de programas públicos e com a ampla divulgação 
dos benefícios da prática regular de exercícios. Essas iniciativas dependem do 
planejamento público, do apoio do setor privado e da sociedade, no sentindo de 
proporcionar opções de prática de atividade física, como parques ou centros 
comunitários que ofereçam diferentes atividades físicas, além do incentivo de 
práticas nas escolas e da garantia de segurança pública. 
 
Para reduzir o sedentarismo, é fundamental que se pense em acessibilidade de 
alternativas para a prática e em campanhas de informação e de conscientização sobre 
a importância de uma vida ativa, alertando sobre os riscos do sedentarismo em 
escolas, empresas e unidades de saúde. O primeiro passo deve ocorrer nas escolas: 
proporcionar às crianças e aos jovens oportunidades de prática, despertar o prazer e 
fornecer o conhecimento de como realizar exercícios. A experiência vivenciada na 
escola é muito importante para a formação de um adulto ativo (DINUBILE, 1993; 
GUEDES, 1996; PATE et al., 1993 apud ARAÚJO; ARAÚJO, 2000). 
 
Segundo Powell e Dysinger (1987 apud ARAÚJO; ARAÚJO, 2000), a vivência do 
esporte nas escolas por crianças e adolescentes está relacionada à promoção de um 
estilo de vida ativo na fase adulta, portanto, políticas públicas têm como dever 
promover e estimular a Educação Física escolar. 
 
Assim como a aprendizagem de habilidades, a formação de comportamentos 
preventivos e o estímulo de hábitos alimentares saudáveis e de higiene, o estilo de 
vida ativo também deve ter início na infância, para que o desenvolvimento ocorra de 
forma mais saudável e para que esses comportamentos sejam consolidados. Contudo, 
vale destacar que nunca é tarde para mudar os hábitos e optar por escolhas mais 
salutares. 
 
Diminuição de dependências e vícios 
O uso de drogas lícitas ou ilícitas representa um sério problema de saúde pública e 
tem sido responsável por uma das maiores taxas de anos perdidos por incapacidade 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
no mundo. No ano de 2015, cerca de 5% (250 milhões) da população adulta mundial 
usou alguma droga ilícita e 29 milhões sofriam de transtornos relacionados ao uso de 
drogas e dependência (UNODC, 2017 apud SILVEIRA; SIU; ANDRADE, 2018). As 
principais causas de doenças não fatais, no ano de 2016, foram os transtornos 
mentais e os transtornos relacionados ao uso de substâncias; no Brasil, esses 
transtornos representaram 9,97% dos anos de vida saudáveis perdidos por morte ou 
incapacitação (GBD, 2016 apud SILVEIRA; SIU; ANDRADE, 2018). 
 
Drogas lícitas 
No mundo, mais de 10% da população tem problemas relacionados ao uso de álcool; 
no Brasil, aproximadamente 50% da população brasileira consome álcool em algum 
momento da vida. O seu uso está associado a fatores como infarto, sexo desprotegido, 
suicídio, acidente, violência, doenças crônico-degenerativas (cardiovascular, 
acidente vascular cerebral), alguns tipos de cânceres e doenças infecciosas 
(tuberculose e AIDS). Outras situações de risco estão relacionadas ao consumo 
precoce de álcool, como queda no desempenho escolar, violência, uso de drogas 
ilícitas, prejuízo no desenvolvimento do sistema nervoso central e transtornos 
relacionados ao álcool e a outras drogas na vida adulta (SILVEIRA; SIU; ANDRADE, 
2018). 
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estipulou uma meta para reduzir em 10% o 
consumo nocivo de álcool até 2025, por meio de medidas como tornar o acesso mais 
difícil, aumentar o preço, proibir propaganda, restringir horários e locais de venda, 
além de monitorar o uso e aumentar a capacidade do sistema de saúde para 
reconhecer e atender pessoas com dependência. Programas de saúde pública são 
indispensáveis para reduzir o abuso de álcool e as doenças crônicas associadas 
(SILVEIRA; SIU; ANDRADE, 2018). O tratamento farmacológico e o atendimento 
psicossocial apresentam melhores resultados quando realizados combinadamente 
(MALBERGIER, 2018a). 
 
O cigarro é uma das drogas que mais causam dependência, assim, cerca de dois terços 
das pessoas que o experimentam podem se tornar dependentes ao longo da vida. Ele 
está associado à mortalidade precoce, podendo reduzir de sete a treze anos a vida do 
fumante, representando um importante fator de risco para acidente vascular 
cerebral, infarto, enfisema, bronquite e câncer. Vale destacar que cerca de 30% de 
todos os casos de câncer são causados pelo tabaco (SILVEIRA; SIU; ANDRADE, 2018; 
MALBERGIER, 2018b). 
 
Mais de sete milhões de pessoas morrem no mundo por causas relacionadas ao fumo; 
no Brasil, ocorrem aproximadamente 135 mil óbitos causados pelo cigarro, mas a 
prevalência tem caído no país desde a década de 1980, o que indica que políticas de 
combate ao tabagismo têm funcionado (SILVEIRA; SIU; ANDRADE, 2018). 
 
Deixar o vício de fumar é uma tarefa difícil, apenas 25% das pessoas que se livram do 
vício conseguiram na primeira tentativa; duas, três ou mais tentativas são 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
necessárias para a maioria dos fumantes. O tabagismo está relacionado à 
dependência da nicotina, ao estado emocional, e a situações, comportamentos ou 
ambientes específicos, como tomar café ou estar ansioso (MALBERGIER, 2018b). 
 
Drogas ilícitas 
A maconha é uma droga ilícita; cerca de 183 milhões de pessoas no mundo (3,8%) são 
usuárias de maconha e 13,1 milhões são dependentes; observa-se que o consumo tem 
aumentado nos últimos anos na região das Américas. 
 
No Brasil, a prevalência do uso de maconha é de 2,5% em adultos e 3,5% em 
adolescentes. Em países desenvolvidos, o consumo começa, geralmente, do meio para 
o final da adolescência, e o uso mais intenso ocorre por volta dos 20 anos 
(MALBERGIER, 2018a). 
 
Já a cocaína, outra droga ilícita, tem uma incidência mundial de aproximadamente 
17,1 milhões de pessoas. No Brasil, um levantamento apontou que 2,2% da 
população consumiu crack ou cocaína nos últimos 12 meses, tendo como referência 
a data em que a pesquisa foi realizada (SILVEIRA; SIU; ANDRADE, 2018). 
 
Os efeitos nocivos do uso de cocaína incluem problemas cardiovasculares (arritmias 
e infarto) e neurológicos (cefaleia, convulsão, acidente vascular cerebral e coma). O 
uso do crack pode causar lesões pulmonares, como pneumonia intersticial, fibrose, 
hipertensão pulmonar, hemorragia alveolar, exacerbação de asma, barotrauma, 
linfadenopatia hilar e enfisema bolhoso (MALBERGIER, 2018a). 
 
Tratamento 
Os Transtornos por Uso de Substâncias (TUS) acometem o funcionamento do 
cérebro, pulmões, sistema cardiovascular e hepático, causando grande impacto na 
saúde pública, e afetando, também, o comportamento, as relações sociais e familiares 
(COPETTI, 2018). 
 
O tratamentode dependência química não é uma tarefa fácil; diferentes profissionais 
são necessários para cuidar dos dependentes e de seus familiares, dentre eles estão 
psiquiatras, médicos em geral, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, 
profissionais de educação física e terapeutas ocupacionais. É fundamental que todos 
esses profissionais sejam treinados e capacitados para cuidar dessas pessoas 
(SILVEIRA; SIU; ANDRADE, 2018). 
 
Diferentes abordagens são utilizadas no tratamento da dependência química 
(BRASILIANO, 2018; COPETTI, 2018; MALBERGIER, 2018b; SEREBRENIC, 2018): 
 
• Tratamento medicamentoso: utilizado no tratamento de diferentes drogas. 
No tabagismo, é a abordagem que surte o maior efeito, principalmente a 
reposição de nicotina (goma de mascar, adesivo e pastilhas de absorção oral), o 
uso de antidepressivo e de vareniclina (que inibe os receptores de nicotina); 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
• Tratamento psicoterápico: é fundamental para o tratamento da dependência 
em conjunto com o tratamento medicamentoso e o apoio familiar; 
• Internação: é necessária em alguns casos, para isso, uma avaliação inicial deve 
ser feita a fim de identificar a gravidade e o grau de urgência da intervenção; 
• Abordagem familiar: é fundamental nesse processo, e os fatores familiares 
que podem beneficiar o tratamento são as relações afetivas entre pais e filhos, 
a comunicação clara, além de limites objetivos e coerentes e do apoio na 
conquista de autonomia. 
 
O papel do profissional de educação física no combate ao uso de drogas 
Assim como a prática regular de exercício previne e trata diversas doenças crônicas, 
também é um importante aliado no tratamento da dependência química. 
 
O tratamento geralmente ocorre por meio de uma abordagem multiprofissional, 
nesse contexto, o profissional de educação física pode colaborar no desenvolvimento 
de práticas que possam modificar os efeitos nocivos das drogas no organismo 
(BARBANTI, 2012). Segundo Barbanti (2012), os efeitos benéficos da prática de 
exercícios no tratamento da dependência química são: 
• Combate ao estresse: alívio do estresse físico e psicológico; corridas, 
caminhadas, exercícios resistidos e de alongamentos com técnicas 
respiratórias são aliados nesse processo; 
• Liberação de endorfinas: liberação de endorfinas que ajudam a aliviar as dores 
corporais e a melhorar o humor; 
• Melhora do humor: aumento da autoconfiança e do otimismo e diminuição da 
depressão e da ansiedade. Esses resultados são causados tanto pelo efeito 
resposta do organismo durante o exercício quanto pelos sentimentos de 
realização e autoestima gerados, além de melhorar o sono, o vigor e o bem-
estar; 
• Melhora do aspecto social: proporciona interação com outras pessoas. 
Geralmente, as pessoas em recuperação têm dificuldade na socialização, pois 
suas experiências sociais anteriores eram sob o uso da substância química. 
Academias, clubes e ginásios são ótimos lugares para conhecer pessoas 
positivas, em busca de melhorar sua saúde. 
 
O profissional de educação física pode atuar como membro de equipes 
multiprofissionais no tratamento da dependência química. Suas ações podem ser 
realizadas em grupos de combate ao tabagismo, ao alcoolismo ou a outras drogas, seja 
dentro de escolas, de universidades, de empresas, ou em serviços de saúde e centros 
religiosos. O seu papel é prescrever exercícios físicos aeróbicos, resistidos, 
alongamentos e relaxamentos, visando a combater a ansiedade e o estresse, e 
melhorando o condicionamento físico, a socialização, o bem-estar e a qualidade de 
vida. 
 
Aspectos comportamentais: teoria dos estágios de mudança de 
comportamento 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Deixar de lado vícios e adotar hábitos mais saudáveis pode representar um grande 
desafio, e há alguns aspectos pessoais e do ambiente em que estamos inseridos que 
são fundamentais nesse processo. 
 
Diferentes fatores podem contribuir para a adoção de comportamentos mais ativos e 
saudáveis. O modelo dos estágios de mudança de comportamento, ou Modelo 
Transteórico, é uma abordagem desenvolvida inicialmente para investigar a 
mudança de comportamento relacionada ao tabagismo, mas, atualmente, pode ser 
utilizada para estudar os aspectos comportamentais relacionados à prática de 
atividades físicas (PROCHASKA; MARCOS, 1994 apud OLIVEIRA et al., 2012). 
 
O Modelo Transteórico traça o caminho percorrido por uma pessoa que esteja em um 
processo de mudança de comportamento; nesse processo, a vontade de mudar pode 
vir da própria pessoa ou de fatores externos (PROCHASKA et al., 1994 apud REIS; 
NAKATA, 2010). Esses estágios ocorrem de forma consecutiva, primeiro pelo 
reconhecimento do problema, depois, pela iniciativa e ações para gerar a mudança. 
Os estágios de mudança são (REIS; NAKATA, 2010): 
 
• Pré-contemplação: fase em que ainda não há intenção de mudar, a pessoa não 
percebe a importância da mudança de comportamento em sua vida; 
• Contemplação: a pessoa pensa na possibilidade de mudar, reconhece a 
importância da mudança, mas não tomou iniciativa para que isso ocorra; 
• Preparação: a pessoa tem vontade de mudar em breve ou já iniciou pequenas 
mudanças, mas que, geralmente, não são duradouras, é a fase que nos prepara 
para agir da forma correta; 
• Ação: a pessoa toma decisões e age para colocar em prática novos 
comportamentos e atitudes; 
• Manutenção: ocorre um esforço pessoal ao longo do tempo para estabelecer as 
mudanças realizadas e evitar o retorno aos comportamentos anteriores; 
• Término: o novo comportamento torna-se estável e frequente. 
 
O processo de mudança comportamental resulta da intenção, da vontade e da 
mobilização da própria pessoa, além do suporte ambiental, também muito 
importante em diversos casos (REIS; NAKATA, 2010). 
 
Alguns fatores podem facilitar ou dificultar a manutenção de hábitos saudáveis, 
como gênero, nível socioeconômico, estado civil, nível de escolaridade, dependência 
química, condições ambientais, autoimagem negativa e autopercepção de saúde. 
Conhecendo a importância de uma vida ativa e os riscos do sedentarismo, como 
contribuir para a mudança de comportamento utilizando o modelo transteórico? 
 
Nesta seção, estudamos a importância da manutenção de um estilo de vida saudável. 
Vimos, também, os benefícios de uma vida ativa para a qualidade de vida e a saúde, 
além dos malefícios causados por comportamentos nocivos, como o uso de 
substâncias tóxicas. Conhecemos a abordagem teórica dos estágios de mudança de 
comportamento e entendemos o papel do profissional de educação física no estímulo 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
às mudanças comportamentais e na promoção de intervenções práticas que visam à 
melhora da aptidão física, da saúde e da qualidade de vida. 
 
Promoção da atividade física: indivíduos, grupos e comunidades 
Devido à grande importância da atividade física para a qualidade de vida e para a 
manutenção da saúde, sua prática deve ser incentivada e promovida. A atividade 
física refere-se aos movimentos realizados em atividades esportivas, recreativas, 
jogos e exercícios físicos, além das atividades diárias, ou seja, é todo movimento 
corporal produzido pelos músculos que promove um gasto energético (BARBANTI, 
2011). 
 
Nesse contexto, podemos perceber quão ampla é a gama de possibilidades de práticas 
de atividades físicas, as quais podem contemplar diferentes públicos. Há opções de 
práticas coletivas ou individuais disponíveis em lugares particulares, como 
academias, clubes, quadras ou ginásios, ou em espaços públicos, como praças, 
parques e quadras. As práticas individuais, nesses espaços, variam desde aulas de 
musculação até aulas de corrida, caminhada, natação, etc. As modalidades coletivas 
são realizadas por duas ou mais pessoas, como aulas de ginástica,dança, lutas, jogos, 
grupos de corrida e caminhada, etc.; elas proporcionam benefícios físicos e trabalham 
a interação social. 
 
Outra possibilidade de promoção de atividade física que se tornou muito utilizada, 
devido à pandemia de Covid-19, foi a videoaula. Devido ao afastamento social, essa 
modalidade tornou-se a única opção para dar continuidade a programas de exercício, 
tendo a vantagem de ser realizada em qualquer lugar, de forma coletiva ou 
individual. 
 
A oportunidade de acesso a diferentes práticas deve ocorrer de forma democrática, 
por meio de políticas públicas, pois nem todas as pessoas têm recursos financeiros 
para frequentar espaços particulares. 
 
Algumas atividades são acessíveis a todos, como caminhar, mas, para que possa ser 
feita de forma segura, o espaço público deve ser estruturado, com calçamento 
adequado, iluminação e segurança pública. Em muitas realidades brasileiras, uma 
simples caminhada pode ser uma atividade restrita por falta de infraestrutura, assim, 
a ação do poder público deve ser a de garantir um espaço comunitário seguro e 
estruturado e oferecer outras possibilidades para a prática de atividades físicas, como 
academias públicas e quadras poliesportivas; esses espaços podem ser usados para a 
realização de aulas coletivas e práticas esportivas gratuitas, viabilizando o acesso de 
toda a comunidade e possibilitando a manutenção de um estilo de vida mais ativo, 
independentemente da classe social. O investimento nessas práticas, juntamente 
com projetos de promoção de saúde, pode reduzir os gastos com tratamentos de 
doenças crônicas relacionadas ao sedentarismo e aos maus hábitos. 
 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Promover atividades individuais ou em grupo para toda uma comunidade requer 
recursos públicos. Esses recursos são necessários para a disponibilidade do local, para 
a compra de materiais e equipamentos usados na prática e para a contratação de 
professores de educação física, responsáveis por conduzir as práticas de forma 
eficiente e segura. 
 
Infelizmente, na realidade do país, essa questão ainda é muito desigual, assim, 
pessoas com menores condições socioeconômicas têm menores possibilidades de 
prática. Nesse contexto, o papel do poder público é oferecer opções de práticas 
corporais e adequar os espaços públicos existentes. 
 
Pensando em um cenário não ideal, no qual determinado bairro ou cidade não 
disponha de ofertas públicas para a prática e conte apenas com os espaços públicos 
comuns, como praças, qual seria a sua recomendação de práticas de atividades físicas 
coletivas e individuais para pessoas com baixo recurso financeiro? 
 
Práticas esportivas de relaxamento 
Os atletas de esporte de rendimento sofrem constante pressão e estresse devido às 
cobranças e às responsabilidades perante a equipe e a torcida, além disso, há também 
a necessidade de sempre mostrar uma execução de excelência. Para controlar o 
estresse, algumas técnicas de relaxamento podem ser utilizadas. 
 
Segundo Barbanti (2011), o termo “relaxamento” apresenta diferentes definições: 
pode estar relacionado ao relaxamento muscular, quando o músculo retorna ao seu 
comprimento normal após uma contração, ou relaxamento de um músculo 
tensionado; pode, também, ter relação com o relaxamento mental, referente à 
redução da ansiedade, do medo, do estresse ou de outra reação emocional; ou pode ser 
o relaxamento no esporte, que visa à redução da tensão fisiológica e psíquica. O 
relaxamento tem como objetivo reduzir as tensões que são provocadas pelo estresse 
e que causam rigidez muscular, pressão alta, nervosismo, falta de concentração, 
insônia, entre outros efeitos (BARBANTI, 2011). 
 
As seguir, veremos algumas técnicas que podem ser utilizadas para o controle do 
estresse; o próprio atleta pode ser o responsável por executá-las, por meio do 
autocontrole e da autorregulação, ou o treinador pode aplicá-las, por meio da 
regulação externa (SAMULSKI; NOCE; CHAGAS, 2009): 
 
Técnica de respiração 
Técnica de relaxamento realizada por meio da respiração profunda, visando ao 
relaxamento e ao autocontrole sobre o corpo e a mente. Essa técnica trabalha o 
reforço de pensamentos positivos e melhora a capacidade mental de relaxamento, 
melhorando, consequentemente, a saúde mental e a qualidade de vida (SAMULSKI; 
NOCE; CHAGAS, 2009). 
 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Exercícios respiratórios são de fácil execução e trazem grandes benefícios à saúde, 
podendo melhorar a ansiedade, a qualidade do sono e o controle do estresse. 
 
Lindemann desenvolveu uma técnica de relaxamento aplicada dentro do programa 
psico-higiene em 1984. Essa técnica visa ao relaxamento de todo o organismo por 
meio de movimentos respiratórios. Sua grande vantagem é que pode ser realizada em 
qualquer lugar, por um período de dois a cinco minutos. Para realizar essa técnica, 
deve-se seguir os seguintes passos: 
 
• Manter a posição sentada, com a coluna ereta e a cabeça um pouco inclinada, 
as mãos acima das coxas e os pés no chão (dependendo do objetivo, pode ser 
realizada na posição deitada ou em pé); 
• Fechar os olhos; 
• Levantar e abaixar os ombros três vezes, para relaxar a musculatura; 
• Concentrar-se apenas no momento presente, sem se preocupar com 
acontecimentos passados e futuros; 
• Realizar ciclos respiratórios; primeiro, concentrar-se no ritmo da respiração, 
que deve ser abdominal, e inspirar naturalmente (contar até três), depois, 
começar imediatamente a fase de expiração, que deve ser levemente 
prolongada (contar até cinco), e continuar naturalmente; 
• Abrir os olhos e utilizar uma fórmula positiva de autoafirmação, por exemplo: 
“eu estou me sentindo tranquilo, concentrado, cheio de energia e pronto para 
a competição”. 
 
Treinamento autógeno 
O treinamento autógeno tem como objetivo alcançar um estado de relaxamento 
profundo e promover mudanças em todo o organismo. Sua aplicação pode ser 
utilizada para recuperação e descanso, autocontrole, autorregulação das funções 
corporais, aumento do rendimento, autodeterminação e autocrítica. Deve ser 
realizado sob a supervisão de um médico ou psicólogo (SCHULTZ, 1969 apud 
SAMULSKI; NOCE; CHAGAS, 2009). 
 
De acordo com Schultz (1969 apud SAMULSKI; NOCE; CHAGAS, 2009), esse 
treinamento é realizado em seis áreas do corpo: músculos (relaxamento muscular), 
vasos sanguíneos (relaxamento vascular), coração (regulação cardíaca), respiração 
(regulação respiratória), vísceras (regulação dos órgãos abdominais) e cabeça 
(regulação da região cefálica). 
 
Biofeedback 
É uma técnica de controle do estresse e relaxamento que visa ao regulamento do nível 
de ativação psicofisiológica por meio da utilização de aparelhos eletrônicos 
(eletromiografia, eletrocardiograma, eletroencefalograma, etc.), transformando os 
sinais fisiológicos em sinais acústicos e visuais para que o atleta possa perceber e 
regular (SAMULSKI; NOCE; CHAGAS, 2009; BARBANTI, 2011). 
 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Por meio desses sinais, o atleta recebe informações sobre seu estado psicofisiológico 
de ativação, o que o ajudará a encontrar e a manter um nível apropriado de ativação 
e motivação durante a competição, fazendo com que sua atenção esteja voltada às 
tarefas mais importantes. 
 
Para Christen (1985 apud SAMULSKI; NOCE; CHAGAS, 2009), esse método pode ser 
utilizado no esporte de rendimento para: 
 
• Melhorar a percepção e o regulamento dos processos psicofisiológicos básicos; 
• Alcançar um nível ótimo de ativação e motivação na fase pré-competitiva; 
• Recuperar a energia nos intervalos, durante a competição, de forma mais 
rápida; 
• Reduzir o nível de ativação, ansiedade e estresse após uma competição; 
• Acelerar o processo de recuperação e reabilitação de atletas lesionados. 
 
Além desses benefícios,a técnica melhora a dor de cabeça, a qualidade do sono e reduz 
a ansiedade e a dor na fase de recuperação (SAMULSKI; NOCE; CHAGAS, 2009). 
 
Imaginação guiada 
Imaginação guiada, ou mentalização, promove o relaxamento por meio da formação 
de imagens claras e positivas, além de simulações de situações para controlar a 
ansiedade, estabelecer metas, aumentar a autoconfiança e desenvolver a 
concentração (BARBANTI, 2011; WEINBERG & GOULD, 2003 apud TRICHÊS; 
TAKASE, 2010). Esta metodologia baseia-se nas ideias da Teoria Cognitiva, as quais 
consideram que a produção de estímulos positivos resultará em respostas positivas 
(STERNBERG, 2000 apud TRICHÊS; TAKASE, 2010). 
 
Na imaginação guiada, a pessoa imagina a situação antes que ela aconteça e 
desenvolve uma forma de controlar o comportamento que queira alterar, seguindo 
as instruções recebidas (TRICHÊS; TAKASE, 2010; WEINBERG & GOULD, 2003 apud 
TRICHÊS; TAKASE, 2010). 
 
Os benefícios da imaginação guiada são: melhora da concentração, desenvolvimento 
da autoconfiança, controle das respostas emocionais e aperfeiçoamento das 
estratégias para melhorar algum comportamento (TRICHÊS; TAKASE, 2010). 
 
Yoga 
O Yoga promove o bem-estar físico e mental por meio de práticas posturais, 
respiração, meditação e estilo de vida. Foi desenvolvido na Índia e é composto pelas 
seguintes partes: yamas (valores morais e proibitivos), nyamas (código de conduta 
ética destinado a eliminar perturbações mentais e emocionais), asana (postura física 
estável e confortável), pranayama (controle da respiração), pratyahara (emancipação 
da atividade sensorial), dharana (concentração), dhyana (meditação) e samadhi 
(integração, que representa uma imersão nas camadas mais profundas da 
consciência) (TAIMNI, 2006 apud BERNARDI et al., 2021). 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
 
A prática de yoga beneficia a saúde como um todo e, além de trabalhar o corpo de 
forma integral, pode ser uma ótima estratégia de relaxamento. 
 
Relaxamento muscular progressivo 
É uma técnica de relaxamento desenvolvida por Edmund Jacobson, em 1938, que tem 
como objetivo levar a pessoa a um estado profundo de relaxamento, reduzindo a 
tensão muscular por meio de exercícios de tensão e relaxamento dos grupos 
musculares, pois esse estado de relaxamento profundo pode reduzir a ativação do 
sistema nervoso, resultando em bem-estar psicológico e físico (RISSARDI; GODOY, 
2007). 
 
Essa técnica baseia-se no aprendizado do controle da tensão e relaxamento muscular, 
para saber diferenciar o comportamento do músculo quando está tenso e quando está 
relaxado; uma vez aprendido, esse comportamento torna-se recorrente e poderá ser 
identificado de forma rápida quando determinado grupo muscular tensionar além 
do necessário (RISSARDI; GODOY, 2007). 
 
Os exercícios de relaxamento não são só para atletas, mas para qualquer pessoa, pois 
eles promovem o bem-estar físico e mental. 
 
Ambientes de prática e desenvolvimento do lazer 
O lazer ocorre no momento de pausa, em que não se está trabalhando, estudando ou 
realizando obrigações do dia a dia. Trata-se de algo fundamental para a qualidade de 
vida, pois nesse momento ocorre a descompressão, o descanso e o relaxamento, 
fundamentais para repor as energias físicas e mentais dispendidas nas tarefas do 
cotidiano. 
 
O lazer deve ser estimulado, pois muitas pessoas não têm consciência de sua 
importância, e sua prática deve ser promovida por meio da oferta de espaços públicos 
de lazer e de opções disponíveis no ambiente escolar e laboral. 
 
É considerado lazer aquilo que proporciona prazer, divertimento e descanso, assim, 
opções de lazer dependem do gosto e das preferências pessoais, variando desde 
práticas de atividades físicas e culturais até o simples fato de não fazer nada, ou 
encontrar os amigos, sair para andar em um shopping, etc.; independentemente da 
escolha, a atividade deve proporcionar bem-estar e prazer. 
 
Dentre tantas opções, seguem algumas possibilidades e espaços para o 
desenvolvimento do lazer: 
 
• Alternativas gratuitas: alguns espaços públicos, como parques, parquinhos 
(para as crianças), praças, academias ao ar livre e quadras esportivas podem ser 
utilizados para o lazer, para caminhar, para sentar-se e descansar, para ler um 
livro, parra andar de bicicleta, de patins, de skate, para jogar futebol, etc. Há 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
também opções intelectuais e culturais ofertadas, em alguns casos, pelo 
governo local, como bibliotecas, museus, oficinas de música e cursos de 
formação ou de línguas; 
• Alternativas pagas: são mais abrangentes em possibilidades, mas pouco 
abrangentes em acessibilidade, pois estão restritas a quem tem recursos para 
pagar. Essas alternativas englobam todas as possibilidades de lazer, desde 
práticas corporais até práticas intelectuais e culturais, que, em sua maioria, 
correspondem às atividades mais caras, como cinema, teatro, shows, museus, 
atividades turísticas e viagens; 
• Lazer no ambiente escolar: a escola pode ser uma possibilidade de lazer para 
os alunos, para seus familiares e para a comunidade. Algumas instituições 
abrem seu espaço aos finais de semana para que pessoas de fora da escola 
possam utilizá-lo para praticar esportes. Outras atividades de lazer também 
podem ser organizadas na escola para serem realizadas no tempo livre dos 
alunos, como grupos de dança e teatro, oficinas musicais, cursos de interesse 
dos alunos (programação de games, maquiagem, ilustração, etc.), e aulas 
esportivas ou de luta. Lembrando que, para que isso ocorra, é fundamental a 
parceria entre escolas, poder público, iniciativas privadas e comunidade, para 
que esses projetos recebam apoio e financiamento; 
• Lazer no ambiente laboral: algumas empresas oferecem opções de lazer 
dentro do ambiente de trabalho, como salas de descanso com sofás e pufes, sala 
com jogos eletrônicos e acesso livre à internet, aulas de línguas, grupos de 
canto, ginástica, festas de confraternização, eventos comemorativos e 
bibliotecas. Além disso, há empresas que proporcionam e incentivam opções 
de lazer fora do ambiente laboral, como aluguel de quadras para os 
colaboradores jogarem futebol, convênios com academias e clubes para 
práticas corporais ou uso de piscinas, desconto para a realização de cursos, 
organização de grupos de corrida e caminhada. 
 
As opções de lazer gratuitas não estão acessíveis em todas as cidades ou bairros, além 
disso, os horários dessas opções podem ser mais restritos, ou as vagas podem ser 
concorridas e a localização também pode ser difícil; nesse contexto, o poder aquisitivo 
torna-se uma barreira importante para o lazer. Por outro lado, quem possui recursos 
pode escolher uma atividade de interesse para realizar rotineiramente e outras tantas 
para realizar esporadicamente. 
 
Vale ressaltar a importância do lazer para a manutenção da saúde física e mental, 
devendo, por isso, fazer parte da vida das pessoas diariamente. É importante 
pesquisar, na cidade ou bairro, opções de lazer gratuitas, muitas vezes oferecidas pelo 
poder público ou por iniciativas privadas. 
 
Possibilidades de práticas de atividades físicas no ambiente escolar e 
laboral 
 
Práticas dentro no ambiente escolar 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
A escola é o ambiente ideal para promover um estilo de vida saudável, pois as 
experiências motoras vivenciadas na infância influenciarão o estilo de vida adulto. 
Nesse contexto, a Educação Física tem um papel de protagonista por representar uma 
disciplina que torna essas vivências possíveis. Dentro das vivências motoras 
realizadas nas escolas, as mais comuns são as práticas recreativas e esportivas, 
porém, diferentes abordagens podem ser propostas, oferecendo opções que possam 
despertar o interesse dos alunos e aumentar a motivaçãopara a prática. 
 
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), o conteúdo das aulas de 
Educação Física na escola baseia-se em três blocos que se inter-relacionam e possuem 
conteúdos em comum, mas que mantêm, também, suas especificidades (BRASIL, 
1997): 
• Esportes, jogos, lutas e ginásticas: os esportes referem-se às práticas 
competitivas com regras, organizadas por federações regionais, nacionais e 
internacionais. Os jogos possuem caráter competitivo, cooperativo ou 
recreativo, e apresentam maior flexibilidade nas regras, que são adaptadas de 
acordo com o espaço físico, com os materiais disponíveis, com o número de 
participantes, etc. As lutas são disputas entre oponentes com regras específicas 
e com a utilização de técnicas de desequilíbrio, contusão, imobilização ou 
exclusão de um determinado espaço; alguns exemplos de atividades de luta 
são: cabo-de-guerra, queda-de-braço, capoeira, judô e caratê. As ginásticas 
referem-se ao trabalho corporal realizado para preparar o corpo para outras 
modalidades e para a manutenção da saúde, como forma recreativa, 
competitiva e de convívio social; 
• Atividades rítmicas e expressivas: manifestações culturais corporais, como 
danças e brincadeiras cantadas, expressadas por meio de gestos e do uso de 
estímulos sonoros que servem para guiar o movimento corporal; 
• Conhecimentos sobre o corpo: conhecimentos corporais que servirão de base 
para os outros dois blocos, pois dão subsídios para que os alunos possam 
controlar suas atividades. 
 
As atividades físicas de aventura na natureza (AFANs), também conhecidas como 
esportes radicais, podem ser classificadas de três formas: turístico-recreativa 
(práticas e aventura na natureza), rendimento-competição (práticas esportivas e 
competitivas em contato com a natureza) e educativo-pedagógica (prática dessas 
atividades no ambiente educacional). 
 
Trata-se de uma interessante possibilidade de prática dentro do contexto escolar. O 
contato com a natureza permite a ativação de novos padrões de movimento, 
favorecendo a vivência de diferentes situações emocionais relacionadas ao ambiente 
de incerteza motora, como estresse, fadiga, dificuldade e risco, além de trabalhar a 
conscientização do aluno em relação à natureza e aos problemas ambientais. As 
AFANs possibilitam vivenciar momentos e experiências e aproveitar as energias da 
natureza com riscos controlados e perigos imaginários, com a ajuda da tecnologia 
(BETRÁN, 2006). 
 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Práticas no ambiente laboral 
O ambiente de trabalho representa um meio no qual o homem passa grande parte de 
seu dia, realizando suas tarefas durante horas, assim, a qualidade de vida no trabalho 
deve ser adequada, e o ambiente deve ser ergonômico e agradável. A relação do 
trabalhador com o trabalho é, primeiramente, a busca de subsídios para custear suas 
necessidades básicas e vontades pessoais. O trabalho pode ser visto, também, como 
um recurso para alcançar objetivos maiores, mas o mais importante seria o 
sentimento de prazer em exercer tal função, o orgulho de trabalhar em determinada 
empresa e a boa relação com os colegas de trabalho. Infelizmente, nem sempre essa é 
a realidade e não cabe, necessariamente, ao trabalhador a culpa por isso, mas sim ao 
ambiente de trabalho, que, muitas vezes, não oferece boas condições para que isso 
ocorra. 
 
Em busca de melhor qualidade de vida do trabalhador, algumas ações podem ser 
realizadas dentro do ambiente de trabalho, a principal delas é a ginástica laboral. 
 
Diferentes atividades podem ser realizadas durante a ginástica laboral, como 
exercícios de alongamento, relaxamento e fortalecimento, com a utilização de 
materiais fáceis de carregar e de baixo custo (elásticos e bolinhas de borracha). Além 
dessas opções convencionais, outras abordagens podem ser propostas para oferecer 
maiores benefícios físicos e mentais aos trabalhadores e ampliar o leque de 
possibilidades, aumentando o interesse e a motivação para a prática, como exercícios 
de yoga, técnicas de respiração, meditação, atividades recreativas, aulas temáticas 
em datas comemorativas e automassagem. Outras abordagens fora do expediente de 
trabalho também são bem-vindas, como organizar grupos de caminhada e de corrida, 
além de jogos esportivos (futebol, vôlei, etc.). 
 
Ampliando as possibilidades de momentos de lazer 
 
Práticas de lazer na natureza 
As práticas de lazer na natureza ampliam as possibilidades de lazer e aproximam o 
homem do ambiente natural. Muitos buscam essa possibilidade com o intuito de 
passear, de conhecer um lugar diferente, de descansar ou de praticar alguma 
atividade física. 
 
São atividades que buscam a superação de limites, o controle das emoções e a 
liberação de adrenalina, representando um tipo de prática que tem crescido e que 
engloba diferentes faixas etárias, classes sociais e condições físicas (MARINHO, 
2006). 
 
O lazer na natureza vai desde práticas corporais, como caminhar, nadar, escalar e 
surfar, até aquelas relacionadas ao turismo, como conhecer outros lugares, ter novas 
experiências, descansar e repousar. 
 
Atividades de aventura 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
As práticas de aventura vêm crescendo a cada dia, prova disso é o aumento do 
número de praticantes e o surgimento de novas modalidades. Esse crescimento pode 
estar relacionado à vontade do ser humano de experimentar novas sensações e 
emoções (LISBOA, 2019). 
 
As atividades de aventura correspondem a práticas realizadas na natureza (terra, 
água ou ar) ou no meio urbano, e seus benefícios são: condicionamento físico, 
melhora da saúde psicológica, desenvolvimento das relações sociais, competição, 
recreação e lazer, além dos benefícios relacionados ao ambiente, como 
desenvolvimento local ambiental, econômico e sociocultural (LISBOA, 2019). 
 
Essas práticas proporcionam a aproximação do homem com a natureza, e são 
motivadas pela imprevisibilidade do meio, relacionada ao risco e à incerteza, o que 
resulta, para muitas pessoas, na sensação de prazer pela experiência vivida (LISBOA, 
2019). 
 
As modalidades de aventura praticadas na natureza ou em ambientes urbanos 
podem ser classificadas em três grandes meios: terra, água e ar (BETRÁN, 2003; 
FRANCO, 2008 apud LISBOA, 2019). 
 
• Modalidades terrestres: trekking, escalada, skate, esqui, trenó, mountain 
bike, caving ou espeleologia; 
• Modalidades aquáticas: canoagem, rafting, mergulho, cascading (descida de 
cachoeiras), surfe, windsurf, kitesurf; 
• Modalidades aéreas: paraquedismo, bungee jump, base jump, asa delta, 
balonismo, paraglider ou parapente. 
• Dentre as atividades que podem ser realizadas no meio urbano, estão o skate, 
o parkour, bungee jump, rapel urbano, escalada, base jump, ciclismo e 
slackline. 
 
Prática do lazer em casa 
O isolamento social, provocado pela pandemia de Covid-19, tornou necessária a 
adoção de um diferente modo de vida, modificando nossa forma de estudar, de 
trabalhar, de socializar com os amigos e com a família e também a nossa forma de 
buscar atividades de lazer. 
 
Por conta disso, outras possibilidades de lazer foram (re)criadas ou voltaram a fazer 
parte da nossa rotina. Foi observado, por exemplo, um aumento na busca por 
plataformas digitais que disponibilizam entretenimento. Tiveram aumento, 
também, atividades como acesso às redes sociais, acesso aos canais de notícias, 
televisão, uso de plataformas digitais para reuniões e encontros online (CLEMENTE; 
STOPPA, 2020). 
 
Houve, ainda, a realização de aulas de ginástica, dança, yoga, pilates, música, línguas, 
entre outras, no modo on-line. Porém, assim como em outras formas de lazer, os 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
fatores socioeconômicos aparecem como barreiras a essas novas práticas, devido à 
restrição de espaço,à falta de materiais ou instrumentos, à falta de acesso à internet, 
ou à falta de recursos financeiros para custear as plataformas de streaming e aulas 
on-line. 
 
Uma situação extrema fez com que o ser humano se readaptasse, criando novas 
possibilidades de lazer. É claro que a interação com o meio ambiente e com outras 
pessoas é fundamental ao ser humano, mas é muito importante conhecer novas 
possibilidades de lazer quando essas interações não são possíveis, como em casos de 
pessoas com limitações que as impedem de sair de casa, ou que vivem por um tempo 
prolongado em hospitais, ou ainda no caso da necessidade de isolamento social, 
provocada por uma pandemia, nesses casos, o entretenimento a partir de jogos de 
tabuleiro, jogos eletrônicos, encontros e bate-papos on-line, leitura, trabalhos 
manuais, tocar instrumentos, entre outros, são possibilidades de lazer. 
 
A promoção de atividades de aventura na educação física é uma proposta muito 
interessante, pois traz novas possibilidades de atuação, desperta a curiosidade e o 
interesse dos alunos, trabalha autoconfiança, autocuidado, habilidades motoras e 
condicionamento físico de uma maneira diferente. No entanto, a aplicação dessas 
atividades pode sofrer resistência por parte da escola ou dos pais por receio 
relacionado às questões de segurança. Qual sua opinião a respeito dessas atividades 
no ambiente escolar? Quais atividades de aventura poderiam ser exploradas nas 
aulas de Educação Física de forma segura? 
 
Atividades de lazer individuais e coletivas 
 
As atividades de lazer são aquelas que praticamos durante o ócio, de acordo com 
nossa vontade e gosto pessoal; elas podem ser classificadas em cinco tipos: 
 
• Atividades físico-esportivas: referentes ao movimento, como esportes, 
prática de exercícios, como yoga, pilates e ginástica, atividades de aventura, 
artes marciais e dança. Essas práticas podem ser realizadas em grupo ou 
individualmente, em ambientes fechados ou abertos, construídos ou 
naturais; 
• Atividades artísticas: referentes a manifestações artísticas, como cinema, 
teatro, espetáculos de dança, shows, literatura, pintura, circo, etc.; 
• Atividades manuais: realização de trabalhos manuais, como tricô, crochê, 
bordado, confecção de bijuterias, marcenaria, jardinagem, culinária, etc.; 
• Atividades intelectuais: relacionadas ao raciocínio, como jogos de dama, 
gamão, xadrez, leitura, colecionismo, participação em palestras e cursos; 
• Atividades sociais: relativas ao contato e encontro com outras pessoas, 
como festas, encontros, sair para dançar ou jantar com outras pessoas. 
 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
Além dessa classificação, há as atividades turísticas, motivadas pela mudança de 
rotina e pela vontade de conhecer outros lugares e vivenciar novas experiências, 
como passeios, viagens e excursões (CAMARGO, 2002 apud RIBEIRO, 2014). 
 
O ideal seria vivenciar os diferentes tipos de lazer, porém, algumas barreiras, como 
acesso, tempo livre, condições financeiras, habilidades e medos, limitam novas 
vivências de participação em atividades de lazer, além da supervalorização do 
trabalho pela sociedade, que pode fazer com que o lazer seja menosprezado (RIBEIRO, 
2014). 
 
Entre as diferentes possibilidades de lazer, há algumas que só são possíveis de se 
realizar em grupos, já outras podem ser realizadas individualmente. Grande parte das 
atividades físico-esportivas são coletivas (futebol, basquetebol e certas modalidades 
de ginástica) e algumas necessitam de, pelo menos, uma outra pessoa para praticá-
las (lutas, tênis e dança de salão), entretanto, há modalidades de lazer que podem ser 
realizadas individualmente, como natação, corrida, caminhada, surfe, skate, 
ciclismo, além das atividades manuais, artísticas e intelectuais. 
 
Nesse contexto, o profissional de educação física atua como professor, treinador ou 
instrutor das modalidades coletivas ou individuais, e treinador pessoal, ou personal 
trainer, somente para as modalidades individuais. 
 
Relação afetiva e de prazer com atividades físicas: identificação das 
barreiras e possibilidades 
 
As relações humanas são muito importantes para as pessoas e grande parte das 
atividades físicas de lazer proporcionam a interação social. As relações sociais 
durante a prática permitem a distração e o divertimento por meio do contato com 
outras pessoas, desse modo, além dos benefícios físicos, as atividades físicas de lazer 
também trazem benefícios sociais. 
 
A relação da atividade escolhida com a sensação de prazer é essencial, senão essa 
atividade não poderá ser identificada como lazer. As escolhas devem ser feitas por 
meio da vontade, do gosto e das preferências pessoais para que se estabeleça uma 
relação afetiva com a prática. Porém, vale ressaltar que novas experiências devem ser 
experimentadas, o que significa que não é indicado permanecermos em uma zona de 
conforto. Experimentar é importante para que novas possibilidades surjam e novas 
experiências sejam vividas, formando novos gostos pessoais. 
 
Em relação às atividades de lazer, há diferentes possibilidades, desde atividades mais 
elaboradas, ou que necessitam de maior recurso financeiro, até atividades mais 
simples ou gratuitas. Certas atividades, como corrida e caminhada, podem ser 
realizadas com a companhia de outras pessoas, ou ouvindo música, para que sejam 
mais motivadoras. Essas atividades não necessitam de recursos financeiros para sua 
prática. No entanto, há atividades que solicitam algum equipamento, como andar de 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
bicicleta, praticar atividades de aventura ou ginástica, por isso implicam na 
disponibilidade de certo recurso financeiro. Já atividades como jogar golfe, praticar 
pilates, yoga e ballet são ainda mais restritas, pois são mais caras e por isso requerem 
do praticante maior recurso financeiro. 
 
Barreiras para a prática de atividades físicas de lazer 
 
Há algumas barreiras que restringem a prática do lazer, e a maioria delas está 
relacionada às condições socioeconômicas, que reduzem o acesso a diversas 
possibilidades de lazer. 
 
Referente ao lazer em casa, as barreiras encontradas são: falta de espaço, de materiais, 
de equipamentos, de jogos, de livros e de acesso à internet e a plataformas de 
streaming. 
 
As barreiras para a prática da atividade física de lazer foram classificadas, por Vieira 
e Silva (2019), em diferentes aspectos: 
 
• Domínio ambiental: clima inadequado e ambiente insuficientemente seguro. 
O clima é a principal barreira entre adolescentes e adultos, pois grande parte 
das opções de lazer são ao ar livre. Já a população idosa considera a falta de 
segurança a principal barreira ambiental; 
• Domínio social: falta de companhia. Na adolescência, a companhia para 
praticar uma atividade física de lazer é um dos principais fatores 
motivacionais; 
• Domínio físico: limitações físicas e cansaço. As limitações físicas aparecem 
como principal barreira entre adolescentes e idosos, e, entre os adultos, o 
cansaço físico, devido à jornada de trabalho, o que faz com que muitos optem 
por descansar ao invés de praticar atividades físicas de lazer; 
• Domínio comportamental: falta de interesse pela prática e medo de se 
lesionar. A falta de interesse é a principal causa comportamental entre os 
adultos e adolescentes, e, para os idosos, é o medo de se lesionar, resultando em 
insegurança ao praticar uma atividade física de lazer. 
 
A falta de tempo corresponde a uma barreira importante; para os adolescentes, há 
uma grande preocupação com o vestibular e o ingresso na universidade. Para os 
adultos, a jornada de trabalho é uma das principais causas associadas à falta de tempo 
(ALMEIDA; CUNHA, 2003 apud VIEIRA; SILVA, 2019). 
 
Novos hábitos para a construção da melhora da qualidade de vida: o 
papel do profissionalde educação física na promoção da saúde 
 
As áreas de atuação do profissional de educação física são muito amplas, englobando 
diferentes modalidades e nichos. Para que essa atuação seja eficaz e responsável, o 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
profissional deve ser preparado para atuar em determinados setores da Educação 
Física. 
 
No lazer, ele pode atuar em diferentes áreas e prestar serviço para diferentes órgãos, 
conforme aponta Ribeiro (2014): 
 
• Organizações públicas: centros esportivos, parques, museus, secretarias de 
esporte, de cultura, de turismo, academias e centros de saúde; 
• Organizações privadas: hotéis, acampamentos, empresas, cruzeiros, 
condomínios, academias, parques temáticos e clubes; 
• Organizações do terceiro setor: clubes e academias de órgãos como SESC, SESI, 
ACM e Organizações não Governamentais (ONGs). 
 
A atuação desses profissionais, diferentemente da maioria dos outros, ocorre, 
principalmente, aos finais de semana, feriados e períodos de férias, ou seja, no 
momento de folga da maioria das outras pessoas. Dentre suas funções, estão: 
planejar, organizar e realizar atividades de lazer; coordenar equipes de recreadores; e 
supervisionar e avaliar projetos de lazer (RIBEIRO, 2014). 
 
Nas atividades físicas de lazer, o profissional de educação física tem o papel de tornar 
a atividade prazerosa, além de promover o movimento, demonstrando as diferentes 
facetas que a profissão tem de entreter, proporcionar o exercício e promover a saúde 
e a qualidade de vida. Trata-se de uma profissão admirável por proporcionar tantos 
benefícios, impactando os aspectos da qualidade de vida, incentivando a prática de 
exercícios físicos, promovendo a melhora da saúde física e mental, incentivando o 
bem-estar, o prazer e o divertimento, prevenindo doenças, promovendo bons hábitos 
de saúde e higiene e trabalhando os aspectos sociais. Nesse contexto, vemos que o 
profissional de educação física é polivalente, ocupando um lugar de grande 
importância na promoção da saúde. 
 
Como promotor de saúde, o profissional de educação física: propõe e realiza práticas 
corporais; avalia os resultados da prática; conscientiza sobre hábitos de higiene e 
saúde; e motiva a adoção e a manutenção de um estilo de vida ativo. 
 
O Código de Ética dos Profissionais de Educação Física, publicado em 2015, regula o 
exercício da profissão e considera a Educação Física como atividade imprescindível à 
promoção da saúde e da qualidade de vida. 
 
Destacamos, a seguir, alguns parágrafos pertinentes à temática da seção. 
 
Das responsabilidades e deveres: 
 
 promover a Educação Física no sentido de que se constitua em meio efetivo para 
a conquista de um estilo de vida ativo dos seus beneficiários, através de uma 
educação efetiva, para promoção da saúde e ocupação saudável do tempo de lazer. 
 (CONFEF, 2015, [s.p.]) 
Qualidade de vida e educação física – Educação Física – Pitágoras 
 
Dos princípios da profissão: 
 
 prestação, sempre, do melhor serviço a um número cada vez maior de pessoas, 
com competência, responsabilidade e honestidade e a atuação dentro das 
especificidades do seu campo e área do conhecimento, no sentido da educação e 
desenvolvimento das potencialidades humanas, daqueles aos quais presta 
serviços. 
 (CONFEF, 2015, [s.p.]) 
 
Das diretrizes: 
 
 comprometimento com a preservação da saúde do indivíduo e da coletividade, 
e com o desenvolvimento físico, intelectual, cultural e social do beneficiário de 
sua ação e aperfeiçoamento técnico, científico, ético e moral dos Profissionais 
registrados no Sistema CONFEF/CREF. 
 (CONFEF, 2015, [s.p.]) 
 
Nesta seção, pudemos ampliar nossos conhecimentos sobre novas possibilidades de 
lazer e diferentes modalidades de atividade física coletiva e individual. Conhecemos, 
ainda, diferentes possibilidades de atividades de aventura, e vimos as barreiras que 
dificultam a prática de atividades físicas e de lazer. Por último, reforçamos a 
importância do profissional de educação física na promoção da saúde e do lazer. 
 
 Referências: 
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