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Resenha: As ligações perigosas: mercado informal e ilegal, narcotráfico e violência no Rio Michel Misse

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Resenha: As ligações perigosas: mercado informal e ilegal, narcotráfico e violência no Rio – Michel Misse

O texto a ser apresentado com o título As ligações perigosas: mercado informal e ilegal, narcotráfico e violência no Rio foi escrito por Michel Misse, contém vinte e seis páginas e se divide entre seis subtítulos sendo o sexto um apêndice ao conceito de mercadorias políticas. O autor discute ao longo do texto a violência nas áreas pobres da cidade do Rio.

Michel Misse é professor de Sociologia do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. Graduado em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, Mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e Doutor em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – IUPERJ/SBI/UCAM. Integra o corpo docente do Programa de pós-graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ. Fundou e dirige o NECVU – Núcleo de Estudos em Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Teoria Sociológica e Sociologia Urbana.

Misse inicia seu texto explicando que desde o final dos anos 70 tem sido atribuído ao mercado informal de drogas a responsabilidade pelo aumento da violência nas cidades, especificamente no Rio de Janeiro. Dessa forma, a intenção de seu trabalho é mostrar como a violência no Rio não está atrelada somente a isso, mas vem de uma sequência histórica de ligações entre mercados informais ilegais como o jogo do bicho e depois o narcotráfico. Também apresenta em tópicos as características do mercado informal ilegal das drogas na cidade para enfim fazer uma reflexão sobre o que são as ligações perigosas.

O primeiro ponto abordado pelo autor é sobre como surgiu o medo da violência na classe médica carioca que desde o início dos anos 70 vem se cercando em prédios e condomínio. Misse aponta que apesar desse movimento da sociedade não ter sido provocado a princípio pelo crescimento do tráfico na cidade e sim por conta do aumento de assaltos, furtos e roubos antes mesmo do tráfico se implantar, a sensação de insegurança começou a partir do tráfico. Um dado que o autor traz é que nos anos 70 o mercado ilegal informal do Rio era dominado pelo jogo do bicho, tendo o tráfico sido detectado apenas na década de 80.

Seguindo essas informações, Michel Misse relata no segundo tópico do texto que tendo como principal mercadoria a cocaína, o tráfico de drogas no Rio de Janeiro é majoritariamente varejista, sendo a cocaína vendida em pequenos embrulhos de papel e se preço varia entre a qualidade e as condições de oferta. Segundo as informações do autor, no ano da pesquisa, calculavam-se 500 áreas de tráfico nas pequenas e grandes cidades do Rio.

Falando sobre a organização do tráfico, no terceiro subtítulo do texto, o autor aponta que o comércio de cocaína, a onda de assaltos e a organização dos presidiários da “Falange Vermelha” e da “Falange do Jacaré” marcaram a passagem da boca de fumo tradicional para o movimento baseado no comércio de cocaína. A primeira fase do tráfico para os moradores dessas áreas foi dominada por lideranças maduras e experientes enquanto a segunda fase foi dominada por garotos empolgados.

Entrando na questão das mercadorias políticas, como quarto ponto que aborda no texto, Misse fala que não dá para separar a expansão do mercado ilegal, o emprego da violência e expansão do mercado de mercadorias políticas, que pode ser imposta pelo Estado aos seus agentes através “economia da corrupção” que pode ter crescido a partir da criminalização do jogo do bicho e da prostituição.

Outro ponto está na transformação da proteção em mercadoria política, onde o medo e insegurança que cresciam na cidade foram usados para produzir empresas privadas de proteção e surgiram também os grupos de extermínio formados muitas vezes por policiais ou ex-policiais.

O autor expõe no último ponto de seu texto que chama de mercadorias políticas “toda mercadoria que combine custos e recursos políticos (expropriados ou não do Estado) para produzir um valor de troca político ou econômico.” (MISSE, 1997, p.23)

Referências

MISSE, Michel. As ligações perigosas: mercado informal ilegal, narcotráfico e violência no Rio. Contemporaneidade e Educação. Rio de Janeiro, v. 1, p. 93-116. 1997.

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