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Acidentes com animais peçonhentos

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importante. Considera-se que 
a cadeia epidemiológica da raiva está dividida em quatro ciclos, sendo o ser 
humano o hospedeiro final em todos os ciclos, são: urbano, rural, silvestre 
e aéreo. 
- A transmissão ocorre quando o vírus contido na saliva e secreções do 
animal infectado penetra no tecido, principalmente por meio de mordedura 
e, mais raramente, pela arranhadura e lambedura de mucosas e/ou pele 
lesionada. Em seguida, multiplica-se no ponto de inoculação, atinge o 
sistema nervoso periférico e migra para o SNC. A partir do SNC, dissemina-
se para vários órgãos e glândulas salivares, onde também se replica e é 
eliminado na saliva das pessoas ou animais infectados. 
- Devido a vacinação dos animais domésticos o morcego passou a ser o 
principal transmissor. 
Tratamento geral das mordeduras animais 
- Limpeza: Recomenda-se a limpeza com água corrente abundante. Deve ser 
realizada de maneira cuidadosa, visando eliminar as sujidades, sem agravar 
o ferimento. Em seguida, é indicado o uso de antisséptico, como 
polivinilpirrolidona-iodo, digluconato de clorexidina ou álcool iodado. 
- Sutura: Deve ser evitada, já que pode aprofundar o vírus, mas, nos casos 
em que houver possibilidade de comprometimento funcional ou estético, 
infiltrar o soro antirrábico, quando indicado, 1 h antes de executar os pontos 
de aproximação. Nesses casos, recomenda-se a aproximação das bordas 
com pontos isolados. 
- Antibioticoterapia: Recomenda-se avaliar a extensão, localização da lesão 
e características do paciente para verificar a necessidade de 
antimicrobianos. 
- A mordida do cão pode contaminar a ferida e mesmo levar a sepse fatal, 
causada por bacilo gram-negativo denominado Capnocytophaga 
canimorsus, quando a vítima é portadora de imunodeficiência por doença 
crônica ou tenha sido esplenectomizada. Esse organismo é sensível à 
penicilina e à tetraciclina, mas resistente aos amino-glicosídeos. 
- Gatos, ao morderem, podem provocar contaminação semelhante àquela 
provocada pela mordedura de outros carnívoros. A lesão provocada pela 
unha, na “febre da arranhadura do gato”, ocasionalmente pode evoluir para 
abscesso e requerer drenagem cirúrgica. Atualmente, recomenda-se o uso 
de antibióticos mesmo para pacientes imunocompetentes. 
- O antibiótico de escolha é a azitromicina no curso de 5 dias (500 mg no 
primeiro dia, seguido por 250 mg por 4 dias em pacientes com peso acima 
de 45,5 kg; ou 10 mg/kg no primeiro dia, seguido por 5 mg/kg por quatro 
dias para pacientes com peso inferior a 45,5 kg). Em caso de intolerância à 
azitromicina, outros antibióticos podem ser usados: claritromicina, 
rifampicina, sulfametoxazol-trimetoprima e ciprofloxacino. 
- Em casos de mordedura do rato, o tratamento de escolha é feito com 
penicilina intravenosa. Em ferimentos causados por animais de grande 
porte, geralmente as lesões são extensas e fatais e requerem tratamento 
imediato e cirurgia reparadora. 
- Seguem-se, nas mordeduras de animais, os mesmos princípios observados 
para mordedura de humanos. Também em todos os casos, deve-se fazer 
profilaxia do tétano. Com relação à raiva, não há tratamento 
comprovadamente eficaz. Poucos pacientes sobrevivem à doença, a 
maioria com sequelas graves. 
- As exposições (mordeduras, arranhaduras, lambeduras e contatos 
indiretos) devem ser avaliadas de acordo com as características do 
ferimento e do animal envolvido para fins de conduta de esquema 
profilático. 
- Características do ferimento: Com relação à transmissão do vírus da raiva, 
os ferimentos causados por animais devem ser avaliados quanto ao: 
 Local: ferimentos que ocorrem em regiões próximas ao SNC (cabeça, 
face ou pescoço) ou em locais muito inervados (mãos, polpas digitais 
e região plantar) são considerados graves. A lambedura de mucosas 
também é considerada grave, por serem as mucosas permeáveis ao 
vírus e as lambeduras geralmente abrangerem áreas mais extensas. 
 Profundidade: os ferimentos devem ser classificados como 
superficiais (sem presença de sangramento) ou profundos 
(apresentam sangramento, ultrapassando a derme). Os ferimentos 
puntiformes são considerados como profundos, ainda que algumas 
vezes não apresentem sangramento. 
 Extensão e número de lesões: deve-se observar a extensão da lesão e 
se é única ou múltipla 
- Características do animal: Cão e gato. As características da doença, como 
período de incubação, transmissão e quadro clínico, são bem conhecidas e 
 
3 SANNDY EMANNUELLY – 6º PERÍODO 2021.1 
semelhantes. Por isso, esses animais são analisados em conjunto. Em caso 
de acidente com esses animais, é necessário avaliar: 
 Estado de saúde do animal no momento da agressão: avaliar se o 
animal estava sadio ou se apresentava sinais sugestivos de raiva. 
 Observação do animal: se o animal estiver sadio no momento do 
acidente, é importante que ele seja mantido em observação por 10 
dias. O período de incubação da doença em cães e gatos é, em geral, 
de 60 dias. No entanto, a excreção de vírus pela saliva, ou seja, o 
período em que o animal pode transmitir a doença, só ocorre a partir 
do final do período de incubação, variando entre 2 e 5 dias antes do 
aparecimento dos sinais clínicos, persistindo até sua morte, que 
ocorre em até 5 dias após o início dos sintomas. Por isso, o animal deve 
ser observado por 10 dias. 
 Procedência do animal: é necessário saber se o animal é proveniente 
de região onde a raiva é ou não controlada. 
 Hábitos de vida do animal: se domiciliado ou não domiciliado. 
- Animais silvestres: Animais silvestres como morcego, macacos e raposas, 
devem ser classificados como animais de risco, mesmo que domiciliados 
e/ou domesticados, haja vista que, nesses animais, a raiva não é bem 
conhecida. Muitos relatos na literatura médica demonstram que o risco de 
transmissão do vírus pelo morcego é elevado, independente do tipo do 
ferimento. 
- Animais domésticos de interesse econômico: Os animais domésticos de 
produção ou interesse econômico, como bovinos e equídeos, também são 
animais de risco. 
- É importante conhecer o tipo, a frequência e o grau de contato ou 
exposição. Todas as características supracitadas são fundamentais para 
determinar a indicação ou não da profilaxia de raiva. 
- O contato indireto, como a manipulação de utensílios potencialmente 
contaminados, a lambedura da pele íntegra e acidentes com agulhas 
durante aplicação, não é considerado acidente de risco e não exige 
esquema profilático. 
- Sem tratamento profilático, a raiva ocorre em 32% a 61% das pessoas 
expostas ao vírus e depende da espécie agressora, do local da lesão e da 
carga viral. Por isso, a profilaxia com vacina e/ou soro antirrábico deve ser 
sempre considerada, atuando-se de acordo com as recomendações do 
Ministério da Saúde. 
- Deve-se infiltrar nas lesões a maior quantidade possível de soro 
antirrábico. Nas lesões muito extensas ou múltiplas, a dose pode ser diluída 
em solução salina a 0,9%, para que todas as lesões sejam infiltradas. Caso a 
região anatômica não permita a infiltração de toda a dose, a quantidade 
restante, a menor possível, deve ser aplicada por via intramuscular, em local 
diferente da vacina. 
- Deve ser usado até o sétimo dia do início da profilaxia pós-exposição. Após 
esse tempo, o uso do soro é desnecessário, tendo em vista que o nível de 
anticorpos produzidos em resposta à vacinação está elevado. Apesar de os 
soros heterólogos produzidos atualmente serem considerados seguros, 
reações adversas podem ocorrer. A reação mais grave é o choque 
anafilático, que deve ser tratado de maneira clássica, conforme descrito 
posteriormente neste capítulo. Nos casos de reações, deve-se substituir o 
soro heterólogo por imunoglobulina humana antirrábica. 
 
 
 
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PICADAS E MORDEDURAS DE ANIMAIS PEÇONHENTOS 
- Os animais que podem inocular substâncias tóxicas

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