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Acidentes com animais peçonhentos

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Brasil, os soros antiofídicos são obtidos a partir 
da imunização de cavalos, utilizando-se como antígenos os venenos das 
principais serpentes peçonhentas encontradas em nosso meio. 
- Para acidentes causados por cobras jararacas, é utilizado o soro 
antibotrópico (SAB), pela cascavel o anticrotálico (SAC), pela coral o 
antielapídico (SAE), pela surucucu o antilaquético (SAL), e existe também 
disponível o bivalente antibotrópico/antilaquético, sendo os dois últimos 
destinados à Região Amazônica. 
- Para que se tenha êxito com a aplicação do soro, é necessário que sejam 
seguidos alguns princípios: 
1. A dose do soro deve ser suficiente para neutralizar a quantidade de 
veneno inoculada. Portanto, a mesma dose administrada no adulto deve ser 
ministrada na criança, pois a quantidade de peçonha inoculada é a mesma. 
2. O soro administrado deve ser específico. Por esse motivo, faz-se mister o 
diagnóstico correto do envenenamento. Como apenas 20% dos pacientes 
capturam a serpente, possibilitando a sua identificação, o diagnóstico do 
tipo de acidente deve ser feito com base nos sinais e sintomas clínicos e nas 
alterações dos exames laboratoriais. Em nosso meio, os métodos 
imunoenzimáticos (ELISA) são disponíveis apenas para investigação 
científica e ainda não estão na rotina dos laboratórios de análise. 
3. O soro deve ser aplicado o mais rapidamente possível. Portanto, deve ser 
administrado por via venosa, diluído ou não, em solução salina a 0,9% ou de 
glicose a 5%. O tempo de infusão deve ser de 20 a 30 min. 
4. O Ministério da Saúde não recomenda a realização de teste de 
sensibilidade, já que os valores preditivos positivo e negativo do teste são 
baixos, além de sua realização retardar o início do tratamento. Caso 
ocorram reações, estas devem ser tratadas apropriadamente. 
- As doses dependem da gravidade do acidente. 
 
 
 
 
 
 
Reações ao soro 
- Como os soros antiofídicos são obtidos de cavalos, eles podem produzir 
reações de hipersensibilidade e atrasar o tratamento ou comprometer sua 
realização. Se ocorrer reação imediata após a administração venosa do soro, 
a infusão é suspensa e faz-se adrenalina subcutânea (0,5 mL de solução 
aquosa 1:1.000 a cada 15 a 30 min) + anti-histamínicos + corticoides por via 
endovenosa, dependendo da gravidade da reação. 
- Além dessa reação precoce ao soro, pode ocorrer a reação tardia, 4 a 10 
dias após. Essa reação, conhecida como “doença do soro”, caracteriza-se 
por febre, urticária e dores articulares. Deve ser tratada com 
corticosteroides e anti--histamínicos sistêmicos. 
Terapêutica complementar 
• Anti-histamínicos (prometazina 0,5 mg/kg de peso, até 35 mg IM) e 
hidrocortisona 10 mg/kg de peso IV até o máximo de 1.000 mg são 
recomendados por alguns serviços para serem utilizados 10 a 15 min antes 
da administração da soroterapia específica, objetivando a prevenção de 
reações de hipersensibilidade ao soro. 
• Antibióticos: indicados nos casos de acidentes botrópicos complicados por 
infecções. 
• Profilaxia do tétano: recomendada em todos os acidentes ofídicos. 
- Outras medidas, como respiração artificial, correção dos distúrbios 
hidreletrolíticos e acidobásicos, diálise e punção venosa central, deverão ser 
tomadas com o paciente internado, se necessário. 
Complicações 
- As complicações mais graves relacionadas com os acidentes ofídicos são: 
 
7 SANNDY EMANNUELLY – 6º PERÍODO 2021.1 
• Acidentes botrópico e laquético: síndrome compartimental, necrose, 
sangramento maçico, choque e insuficiência renal aguda. 
• Acidente crotálico: insuficiência renal aguda e insuficiência respiratória. 
• Acidente elapídico: insuficiência respiratória aguda 
- A síndrome compartimental é complicação rara, porém, quando ocorre, é 
precoce (nas primeiras 24 h). É definida como o aumento da pressão dentro 
de um compartimento fechado, por onde transcorrem músculos, nervos e 
vasos, comprometendo a circulação sanguínea e a função neuromuscular. 
- O veneno botrópico propicia o desenvolvimento da síndrome por causar 
processo inflamatório e hemorragia no local da picada. Tem como fator 
agravante o uso de torniquete. Quando diagnosticada a síndrome, há 
necessidade de rápida intervenção. O objetivo do tratamento consiste em 
minimizar os déficits de função do membro pela imediata restauração do 
fluxo sanguíneo. A descompressão cirúrgica (fasciotomia) deve ser realizada 
em todas as fáscias limitantes da expansão do compartimento. 
- A necrose deve ser desbridada quando a área estiver delimitada. 
- O prognóstico dos acidentes ofídicos varia de acordo com a espécie de 
serpente responsável pela picada, quantidade de peçonha inoculada, idade 
do paciente (quanto mais jovem, mais grave), estado de nutrição e tipo de 
atendimento recebido. Em regra, os acidentes por serpentes do gênero 
Bothrops apresentam pequena porcentagem de mortalidade. Por outro 
lado, os acidentes produzidos por cascavel apresentam, quando não 
tratados, taxa de mortalidade de cerca de 1,8%. O atendimento 
ambulatorial bem-conduzido, associado à sua precocidade, constitui o 
tópico mais importante na avaliação do prognóstico. 
- Após o atendimento ambulatorial correto, todos os pacientes que 
sofreram picadas de serpentes peçonhentas devem ser encaminhados a um 
hospital para internação. Devido às graves complicações possíveis em 
acidentes ofídicos, todos os pacientes vítimas de acidentes ofídicos devem 
permanecer internados pelo período mínimo de 3 dias. 
ESCORPIÕES 
- Zoologicamente, os escorpiões pertencem à classe Arachnida, ordem 
Escorpiones. Há mais de 500 espécies. Devido ao fato de os escorpiões da 
família Buthidae produzirem peçonha tóxica para o homem, eles foram 
bioquímica e farmacologicamente mais bem caracterizados dos que os das 
outras cinco famílias do subgrupo Chaetoides, Chaetidae, Scorpionidae, 
Diplocentridae, Dothrimidae e Vejovidae. 
- Todos os venenos, independentemente da espécie, têm seu componente 
tóxico, denominado toxina, constituído de polipeptídicos de baixo peso 
molecular. Na família Buthidae, duas toxinas, uma contendo 61 a 70 
aminoácidos e outra 36 a 38 aminoácidos, têm sido descritas por vários 
pesquisadores. 
- No Brasil, apresentam interesse clínico os escorpiões do gênero Tityus, 
principalmente o T. serrulatus, o T. bahiensis e o T. stigmurus. 
- O acidente escorpiônico é o de maior número de notificações no país. A 
maior incidência ocorre nos Estados do Nordeste com incidência de 32 
acidentes por 100.000 habitantes. A faixa etária com mais registros (47,6% 
dos casos) foi entre 20 e 49 anos. Crianças entre 1 e 9 anos estão na faixa 
etária com maior quantidade de óbitos (39/88), principalmente aqueles 
que, na vigência do quadro sistêmico, recebem atendimento 6 h ou mais 
após a picada. 
 
- Embora a urbanização tenha diminuído o hábitat natural dos escorpiões, 
estes se adaptaram ao ambiente doméstico, tornando-se domiciliares. Nas 
residências, eles podem ser encontrados em fendas de muros, em porões, 
garagens, cantos de jardins, lavanderias, sobre os telhados e em lenha 
empilhada. Apresentam hábitos noturnos, mantendo-se escondidos 
durante o dia e saindo à noite para procurar alimento. 
- Só picam o homem se tocados acidentalmente. As picadas são mais 
frequentes nas mãos. Os sintomas de envenenamento são decorrentes de 
neurotoxicidade, e as reações à picada são semelhantes em praticamente 
todas as espécies. 
 
Mecanismo de ação do veneno escorpiônico 
- O mecanismo de ação da toxina escorpiônica ainda não está 
completamente conhecido. O veneno bruto de quase todas as espécies 
contém uma ou mais neurotoxinas capazes de estimular as terminações 
nervosas periféricas, seja do sistema nervoso autônomo, seja do somático. 
- A maior parte dos defeitos parece ser devida à ação das toxinas nos canais 
de sódio das terminações nervosas pós-ganglionares do simpático e do 
parassimpático.

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