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Acidentes com animais peçonhentos

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ou se sentem ameaçadas, podem 
ocasionar dermatite pruriginosa. 
- Os acidentes por aranhas do gênero Lycosa (aranhas de jardim) têm sido 
observados com mais frequência, e essas aranhas entram, também, no 
grupo de aranhas que tem interesse clínico. 
- o loxoscelismo foi responsável por 38% das notificações, enquanto o 
foneutrismo respondeu por 14,1% e o latrodectismo por 0,5%. 
 
Mecanismo de ação dos venenos das aranhas 
- Os venenos de Phoneutria sp. e de Latrodectus sp. apresentam atividade 
neurotóxica. O veneno fonêutrico atua sobre os canais de sódio, produzindo 
despolarização das terminações nervosas do SNA, ocasionando liberação de 
mediadores colinérgicos e adrenérgicos. 
- O veneno latrodético também é neurotóxico, e seu principal componente 
tóxico (a latrotoxina) liga-se a receptores específicos da membrana pré-
sináptica, causando a liberação de vários neurotransmissores. Por outro 
lado, o veneno loxoscélico pode causar lesão necrótico-isquêmica na região 
da picada e hemólise intravascular. A coagulação intravascular disseminada, 
que pode ocorrer na forma cutâneo-visceral, tem sido atribuída à lesão do 
endotélio vascular, à hemólise e à liberação de mediadores da inflamação. 
Quadro clínico 
- Os casos leves ou benignos que resultam da maioria dos acidentes 
evoluem apenas com manifestações locais. A dor na região da picada é de 
intensidade variada, podendo ser excruciante, com irradiação para a raiz do 
membro acometido nos acidentes por Phoneutria e Latrodectus. Nas 
picadas por Loxosceles, a dor é mais tardia e é descrita como sensação de 
queimação. 
- Nas formas cutâneas, além da dor, surgem, no local da picada, edema 
indurado e eritema. Após 48 h, aparecem áreas hemorrágicas mescladas 
com áreas esbranquiçadas de isquemia (placa marmórea), que podem 
evoluir para necrose e ulceração. Podem aparecer fenômenos gerais, como 
febre e exantema escarlatiniforme, que não guardam relação com a 
gravidade. 
- Na forma grave de loxoscelismo, denominada cutâneo-visceral, que ocorre 
em 3% a 20% dos acidentes, além do comprometimento cutâneo, o 
paciente apresenta alterações do estado mental, icterícia e hemoglobinúria, 
podendo sobrevir insuficiência renal aguda. 
- As formas graves de acidentes por Phoneutria (apro-ximadamente 1% dos 
casos) e por Latrodectus podem decorrer da liberação maciça de 
neurotransmissores pelo veneno. Além da dor, nos casos graves de 
foneutrismo estão presentes manifestações como vômitos, diarreia, 
priapismo, arritmias cardíacas, edema pulmonar agudo e choque. 
- Os acidentes graves por Latrodectus evoluem com dor insuportável, 
irradiando-se para a raiz do membro picado, fasciculações e contraturas de 
grupos musculares próximos ao local da picada e, posteriormente, das 
musculaturas paravertebral e abdominal, podendo ocorrer opistótono, 
rigidez abdominal (podendo trazer suspeita de abdome agudo) e 
insuficiência respiratória aguda. 
- O paciente pode apresentar priapismo, lacrimejamento, sialorreia, 
sudorese e secreção traqueobrônquica abundante. As manifestações 
cardíacas incluem taquicardia, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, 
isquemia miocárdica e choque. 
- As alterações neurológicas caracterizam-se por cefaleia, convulsão e coma. 
Em geral, o quadro regride após 48 h, mas as dores musculares podem 
persistir por vários dias. 
Exames complementares 
- Os pacientes com quadro de loxoscelismo cutâneo--visceral apresentam 
anemia hemolítica grave, com elevação dos níveis séricos de bilirrubina 
direta e indireta, explicada não só pela hemólise, mas também pela possível 
ação hepatotóxica do veneno. Podem ocorrer hipofibrinogenemia, 
plaquetopenia e elevação dos produtos de degradação da fibrina. 
- A ureia e a creatinina plasmáticas aumentadas denotam a presença de 
insuficiência renal aguda. O exame de rotina da urina revela 
hemoglobinúria. Nos casos graves de foneutrismo e latrodectismo, podem 
ocorrer leucocitose e hiperglicemia. 
Tratamento 
- A dor nos acidentes por Phoneutria e Latrodectus é tratada por infiltração 
local de lidocaína a 1% ou 2% sem vasoconstritor, e os vômitos, com 
procinético (bromoprida). Corticosteroides (metilprednisona 1 mg/kg/dia) 
estão indicados nos pacientes com loxoscelismo cutâneo-visceral, 
objetivando a redução da hemólise intravascular. 
- Os espasmos musculares e as convulsões decorrentes do envenenamento 
latrodéctico são tratados com benzodiazepínicos por via venosa (diazepam 
0,5 mg a 1 mg/kg de peso por dose nas crianças). 
- A soroterapia no araneísmo11 deve ser recomendada de acordo com o 
tipo de aranha e com as manifestações clínicas. Os casos graves de 
acidentes por Phoneutria e Latro-dectus e os pacientes picados por 
Loxoxceles que desenvolvem insuficiência renal aguda devem ser admitidos 
nos centros de tratamento intensivo, uma vez que podem vir a necessitar 
de suporte artificial das funções vitais. As lesões cutâneas do loxoscelismo 
podem ser extensas e necessitar de cirurgia plástica reparadora. 
LARVAS E FORMAS ADULTAS DE MARIPOSAS E BORBOLETAS 
 - O acidente causado pelo contato de lagartas com a pele, seguido da 
inoculação de toxinas presentes nos pelos das larvas, causa 
frequentemente alterações locais e pode determinar, em alguns casos, 
repercussões sistêmicas. São considerados de importância médica os 
acidentes causados por larvas de insetos pertencentes à ordem 
Lepidoptera. 
- As principais famílias de lepidópteros causadoras de acidentes são 
Megalopygidae e Saturnidae, nessa última família, incluindo-se o gênero 
Lonomia. São bastante conhecidas as queimaduras produzidas por larvas de 
lepidópteros. Os sintomas advêm de reação produzida pelo contato entre a 
pele e os pelos externos das larvas, vulgarmente conhecidas por lagartas-
de-fogo, taturanas ou lagartas-cabeludas. 
 
10 SANNDY EMANNUELLY – 6º PERÍODO 2021.1 
- Lagartas do gênero Lonomia, que se aglomeram em placas nos troncos das 
árvores (seringueiras, na Região Norte; pessegueiros, abacateiros, 
ameixeiras, ipê e araticum, na Região Sul), podem ocasionar acidentes com 
manifestações hemorrágicas sistêmicas intensas, graves e, às vezes, fatais. 
No Brasil, os acidentes foram primeiro descritos na Região Norte, causados 
pela Lonomia achelous, mas passaram também a ocorrer com frequência 
crescente na Região Sul (Lonomia obliqua) e também no Estado de São 
Paulo. 
- As formas adultas do gênero Hylesia apresentam a parte posterior coberta 
de pelos, que têm o formato de pequenas setas. Ao se chocarem contra as 
lâmpadas e janelas, essas setas desprendem-se e flutuam no ar como 
poeira, podendo cair sobre as pessoas naquele ambiente ou sobre as 
poltronas e camas. 
 
Quadro clínico 
- Os sinais e sintomas decorrem da penetração dos pelos ou cerdas das 
lagartas na pele, com ruptura e liberação de veneno. O acidentado queixa-
se de prurido e de dor intensa, tipo queimação, no local do contato, que 
pode irradiar-se pelo segmento acometido até a raiz do membro em 
decorrência de linfangite e infartamento linfonodal. 
- As lesões dermatológicas caracterizam-se por edema local, pápulas 
esbranquiçadas isoladas ou agrupadas, urticária, vesículas e bolhas, que se 
rompem produzindo crostas, descamação e pigmentação residual. O tempo 
médio de evolução até a descamação é de 8 dias. Nos casos mais graves, o 
paciente pode apresentar febre, artralgias, náuseas e vômitos. Os pelos 
podem, também, penetrar nos olhos, produzindo conjuntivite e queratite, 
acompanhadas de fotofobia, lacrimejamento, eritema e edema palpebrais. 
- O contato com lagartas do gênero Lonomia pode produzir uma diátese 
hemorrágica decorrente da inoculação de hemolinfa com propriedades 
fibrinolíticas. O paciente pode apresentar hematomas cutâneos, 
sangramento urinário e gastrintestinal e hemorragia intracraniana. Podem 
sobrevir hipotensão arterial, choque e insuficiência renal aguda. A 
mortalidade

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