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Acidentes com animais peçonhentos

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dos pacientes não tratados pode chegar a 30%. 
- Nos acidentes pelas formas adultas de mariposas Hylesia ocorre, poucos 
minutos após o contato com a pele, reação tipo eritema, com prurido e 
micropápulas róseas e disseminadas, vesículas e exulcerações. A substância 
tóxica presente nas setas é solúvel em água e no suor, o que explica a 
disseminação das lesões após simples contato. 
Exames complementares 
- Os pacientes acidentados por Lonomia apresentam distúrbio na 
coagulação sanguínea, com ou sem sangramentos, na metade dos casos. 
Podem ser observados alteração no tempo de coagulação, prolongamento 
do tempo de protrombina (TP), prolongamento do tempo de 
tromboplastina parcial ativado (TTPA), diminuição acentuada do 
fibrinogênio plasmático e elevação de produtos de degradação do 
fibrinogênio (PDF) e dos produtos da degradação de fibrina (PDFib). 
- A reversão da incoagulabilidade sanguínea costuma ocorrer 24 h após a 
administração do antiveneno específico, podendo o controle ser realizado 
pelas provas de coagulação, atividade de protrombina e tempo de 
tromboplastina parcial ativado. 
- Não há alteração na contagem de plaquetas, a não ser nos casos graves. 
Hemólise subclínica pode ser detectada. Elevação dos níveis de ureia e 
creatinina sugere insuficiência renal aguda. 
Tratamento 
- A dor é tratada com bloqueio local ou regional utilizando-se lidocaína a 1% 
ou 2% sem vasoconstritor. Corticoides tópicos e anti-histamínicos, por via 
oral, podem ser úteis para alívio dos sintomas e tratamento das lesões 
dermatológicas. 
- O tratamento em acidentes por Lonomia é orientado por exames 
hematológicos, que caracterizam a intensidade e natureza do distúrbio de 
coagulação. Podem ser necessárias transfusão de sangue, reposição de 
fatores de coagulação, diálise para tratamento da insuficiência renal aguda 
e soroterapia. 
- O prurido originado dos acidentes pelas formas adultas de mariposas 
Hylesia pode ser aliviado pelo uso de anti-histamínicos por via oral e 
emprego tópico de compressas frias, banho de amido ou creme de 
corticosteroide. 
ABELHAS, MARIMBONDOS E FORMIGAS 
- Esses insetos são himenópteros que apresentam venenos, os quais contêm 
substâncias hidrossolúveis concentradas e compostos nitrogenados. 
ABELHAS 
- Os acidentes causados por múltiplas picadas de abelhas passaram a ser 
relatados com mais frequência após a introdução da abelha africana (Apis 
mellifera adamsoni) no Brasil, em 1957. Do cruzamento com espécies 
europeias (Apis mellifera e Apis mellifera ligusta), resultaram híbridos que 
conservaram a agressividade das abelhas africanas, responsáveis por 
acidentes graves e, muitas vezes, fatais. 
- O veneno da Apis mellifera contém, pelo menos, oito frações tóxicas, 
sendo as mais importantes a melitina, a fosfolipase A e a apamina. A 
fosfolipase A e a melitina provocam bloqueio neuromuscular e hemólise. A 
apa-mina apresenta efeito beta-adrenérgico e propriedades antiarrítmicas. 
- O veneno também contém um fator degranulador de mastócitos 
denominado peptídio MCD, um dos responsáveis pela liberação de 
histamina no organismo dos animais picados. 
 
- As manifestações clínicas podem decorrer do efeito do veneno no local da 
ferroada, de reações de hipersensibilidade ou das ações tóxicas 
desencadeadas pela inoculação de grandes quantidades de veneno 
secundária a picadas múltiplas. 
- As manifestações locais são caracterizadas por edema, eritema, prurido de 
intensidade variável e pela presença do aparelho inoculador do veneno. As 
reações de hipersensibilidade podem ser desencadeadas por apenas uma 
picada, e a prevalência dessas reações na população estudada varia de 0,4% 
a 10%. 
- Podem ser localizadas ou sistêmicas. As primeiras limitam-se ao local da(s) 
ferroadas(s) ou segmentos próximos e caracterizam-se por dor, eritema, 
prurido e edema, que pode ser muito intenso. 
- As sistêmicas podem instalar-se em 2 a 3 min e manifestam-se por reações 
clássicas de anafilaxia com prurido generalizado, eritema, urticária, 
angioedema, prurido no palato ou na faringe, náuseas, vômitos, cólicas 
abdominais, obstrução nasal, rouquidão, edema de glote, broncospasmo, 
arritmias cardíacas, hipertensão abdominal e choque. 
- Choque, edema de glote e broncospasmo são as manifestações mais 
temidas e podem determinar o óbito em poucos minutos, se não forem 
tratados agressivamente. O envenenamento sistêmico pode ser decorrente 
de múltiplas picadas, estimando-se que sejam necessárias pelo menos 400 
ferroadas para ocasionar a morte de um adulto. Manifesta-se por alterações 
neurológicas (torpor e coma), hipotensão arterial, choque, insuficiência 
renal aguda, decorrente de hemólise e de rabdomiólise sistêmica. 
Tratamento 
- A remoção dos ferrões deve ser feita por raspagem com lâmina, evitando-
se retirá-los através de pinçamento, que pode produzir compressão da 
glândula ligada ao ferrão e inocular no acidentado uma quantidade 
 
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adicional de veneno. A dor pode ser tratada com dipirona, e o prurido com 
anti-histamínicos por via oral. 
- O choque anafilático e o edema de glote devem ser prontamente tratados 
com adrenalina endovenosa (adultos: 0,5 mL de solução aquosa a 1:1.000 a 
cada 15 a 30 min; crianças: 0,01 mL/kg de peso da referida solução a cada 
15 a 30 min). Pode ser necessária a admissão em CTI para suporte das 
funções circulatória (tratamento do estado de choque) e respiratória 
(ventilação artificial). 
- Devem ser administrados rotineiramente corticoides (hidrocortisona, 
adultos: 500 mg IV de 6/6 h, por 24 h; crianças: 4 mg/kg de peso IV de 6/6 
h por 24 h) e anti-histamínicos. 
- Pacientes com envenenamento decorrente de múltiplas picadas devem 
ser admitidos em CTI pela presença de complicações graves, como 
depressão respiratória, coma, estado de choque, distúrbios hidreletrolíticos 
e acidobásicos graves, insuficiência renal aguda e parada cardíaca, ou alto 
risco de desenvolvê-los. 
- Apesar do tratamento intensivo, a mortalidade continua sendo alta. Por 
esse motivo, está em curso a produção de um soro específico para uso nos 
casos de envenenamento por pecadas de abelhas. 
VESPAS 
- As vespas, também conhecidas por marimbondos ou cabas, são ao 
contrário das abelhas, capazes de inocular veneno sem perda do aparelho 
inoculador. Podem produzir reações locais e de hipersensibilidade 
semelhante às observadas nos acidentes por abelhas. O tratamento é 
semelhante ao descrito para picadas de abelhas 
 
FORMIGAS 
- As picadas de formigas produzem principalmente dor local. Nas ferroadas 
ocasionadas por formigas-fogo (gênero Solenopsis), além de dor intensa, 
descrita como queimação, surgem, no local das ferroadas, vermelhidão e 
edema, seguidos do aparecimento de pústula nas primeiras 24 h. A 
cicatrização ocorre em 1 semana, com formação de pequenas cicatrizes 
acastanhadas que desaparecem após alguns meses. O tratamento é 
sintomático. 
LACRAIAS (SCOLOPENDDRA) 
- As lacraias (escolopendras) são quilópodes noturnos dotados de veneno 
capaz de matar alguns animais, como pequenas aves e camundongos. 
- Entretanto, há pouca literatura sobre o efeito do veneno no homem, pois 
os acidentes são raros e parecem não trazer consequências maiores. Não 
existe soro específico nem se conhece a composição química do veneno. De 
maneira geral, os sintomas são locais e consistem em dor, edema e necrose 
superficial no local da picada, cefaleia e, às vezes, vômitos. 
- Os sintomas desaparecem em poucos dias. O tratamento é sintomático, e 
o prognóstico é bom. 
 
CELENTERADOS (CNIDÁRIOS) 
- As reações após contato em celenterados, particularmente com “água-
viva” ou caravela (Physalia sp.), ocorrem com frequência entre as pessoas 
que tomam banho de mar. A incidência de picada por esses animais não é 
bem conhecida, pois, na maioria das vezes, as reações são discretas e a 
vítima não

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