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Independência Espanhola e Primavera dos Povos

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Independência Espanhola e Primavera dos Povos.

Nesse artigo contém: Independência na América Espanhola e Primavera dos Povos.

Independência na América Espanhola

População na América Espanhola

No topo da pirâmide social, havia os Chapetones e o Clero, que eram espanhóis, ocupavam altos cargos e tinham privilégios.

Logo seguia os Criollos, que eram descendentes de espanhóis nascidos na América. Faziam parte da elite colonial, eram proprietários e comerciantes. 

Embaixo vinha os Mestiços, que serviam os Criollos como artesãos ou capatazes.

E 58% da população era composta por índios e negros, ambos explorados. 

Os Chapetones e os Criollos entravam em conflito constantemente, por causa dos privilégios recebidos pelos Chapetones, e a pouca participação política dos Criollos. Além dessas diferenças, os Criollos tinham grande influência iluminista, logo eles lutariam por mais igualdade, principalmente política. As outras camadas também tiveram participação.

Independência da América Espanhola

Teve influência da Independência das Treze Colônias (EUA), pois foi o primeiro país a se tornar independente e provar que é possível quebrar o pacto colonial. Influência iluminista, carregada de ideias liberais e contrárias ao Antigo Regime, como também contou com a influência da Revolução Francesa, provando ser possível romper com o absolutismo, lutando a favor da igualdade, da liberdade de expressão e da fraternidade entre os povos. Também teve como antecedente a Revolução Industrial, por causa do apoio dos ingleses na independência por causa do interesse em explorar a mão de obra barata, e conquistar outros mercados consumidores e extrair matéria-prima.

No período Napoleônico, Napoleão retira o rei espanhol (Fernando VII) do trono e coroa seu irmão, José Bonaparte. Logo a legitimidade do rei começa a ser questionada, tanto pelos espanhóis, quanto nas colônias. Começa a se instalar nas colônias os auto-governos, os chamados Cabildos, que tinha como integrantes os Criollos. Com isso, eles vão ganhando força nas colônias. 

Em 1814, foi enviado um exército militar liderado por Pablo Morillo com o objetivo de restaurar o pacto colonial.

Em 1815, ocorre o Congresso de Viena, tornando Fernando VII rei novamente. Logo ele retira a autonomia dos Criollos, reprimindo as colônias. Esse ato vai gerar as lutas para a independência. Essa luta faz surgir os Libertadores da América: Simon Bolivar e San Martín. Ambos tinham o objetivo de fazer a América do Sul uma nação livre. Expulsaram os espanhóis em alguns territórios, e também incentivaram a eclosão de vários movimentos.

Entre 1816-1825 está ocorrendo as guerras de independência, e a Santa Aliança se envolve nas guerras dando apoio a Espanha. Porém, do lado dos colonos, havia o apoio da Inglaterra, por causa dos seus interesses econômicos, já que se encontrava em plena Revolução Industrial, por isso decide auxiliar nos processos de independência.

Libertadores da América 

Foram figuras importantes na luta de independência da América Espanhola. Libertando vários países dos espanhóis. Ambos tinham o objetivo de unificar a América do Sul.

SIMÓN BOLÍVAR: Ajudou na independência da Venezuela (1813), Colômbia (1814), Equador (1815) e Bolívia (1825). 

 Divisão Colonial (antes da independência)

Os vice-reinos (função administrativa): Vice-reino da Nova Espanha (México); Nova Granada (Colômbia e Equador); Peru (Peru); Prata (Argentina, Uruguai e Paraguai).

Capitanias (função defensiva): Capitania de Cuba, Guatemala, Venezuela e Chile.

As revoltas separatistas

REVOLTA DE TUPAC AMARU (PERU): José Gabriel, ou como se chamava, Tupac Amaru, foi um cacique peruano. Foi o líder da revolta de Tupac Amaru dos índios incas contra os espanhóis, teve como um dos motivos a mita, uma condição de trabalho indígena semi-escravidão. Aconteceu entre 1780-1781, e teve a participação dos índios, mestiços e escravos. Com a colonização da América Espanhola, muitos povos indígenas foram eliminados e escravizados, e muitos colonizadores formavam acordos com o líderes indígenas para ampliar sua mão-de-obra. No entanto, em 1780, o cacique José Gabriel recusa os interesses da elite e resiste à dominação espanhola. Inspirado pelas ideias iluministas e pela história de Tupac Amaru, muda seu nome para Tupac Amaru II e liderou a rebelião armada contra os colonizadores espanhóis. Porém, só durou apenas um ano, em 1781, Tupac Amaru II foi preso, torturado e morto para servir de exemplo. 

INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO: Os líderes da primeira parte (1810-1813) da independência foram Miguel Hidalgo e José Morelos. Por serem explorados e dominados pelos espanhóis, em 1810, o povo foi atrás da emancipação política declarando a independência, mas não foi aceita, começando a guerra. Miguel foi fuzilado e a liderança foi para José. Em 1821, Augustín de Iturbide passa a defender a causa da independência. O exército emancipalista entraria na Cidade do México e forçaria o vice-rei espanhol a se renunciar, e assim o general se auto proclama imperador. Mas em 1823, os criollos cansados do autoritarismo de Iturbide, o depuseram e proclamaram a República Mexicana.

INDEPENDÊNCIA DA ARGENTINA, CHILE E PERU: San Martín liderou a independência da Argentina em 1816, organizando os exércitos para lutar contra as tropas espanholas. Os soldados de San Martín auxiliaram na independência do Chile e Peru. No Peru, San Martín virou o primeiro presidente.

INDEPENDÊNCIA DA VENEZUELA (1813), COLÔMBIA (1814) E EQUADOR (1815): O venezuelano, Simón Bolívar, o Libertador, formou um exército de criollos, mestiços, negros libertos e voluntários estrangeiros, e conquistou a independência desses três países + Bolívia. 

Carta da Jamaica: Simon Bolívar, derrotado pelos realistas no ano 1814, refugiou-se na Jamaica (colônia inglesa), onde escreveu a Carta da Jamaica no 1815. É uma carta dirigida a um importante comerciante que residia também na Jamaica, principal objetivo da carta era fazer com que os britânicos apoiassem a independência da Venezuela. Apresentando os argumentos: o sistema de impostos injustos; o afastamento do poder político e econômico dos criollos; A Espanha, a pátria mãe dos venezuelanos, era na verdade uma madrasta que fazia de submisso o povo espanhol; os laços entre a Espanha e a América Latina tinham que ser quebrados; a independência americana se inspirava no iluminismo francês.

IMPORTANTE: fala-se sobre questões intemporais: a dignidade do povo, a necessidade de um governo justo e a luta contra a opressão. E contém reflexões sobre o futuro da América Latina.

CONGRESSO DO PANAMÁ: Alguns pensadores e participantes da independência da América Espanhola enxergavam a necessidade de criar uma nação com todas as antigas colônias a fim de assegurar as suas liberdades e prosperar. Essa ideia ficou conhecida como Pan-americanismo. Na reunião (Congresso do Panamá), pretendia concretizar a ideia da união política, um exército comum e o fim da escravidão em toda área. A proposta foi encabeçada por Simon Bolívar, um dos mais atuantes líderes da independência da América Espanhola. 

A Inglaterra nem os Estados Unidos apoiaram a causa, pois com a unificação dos países, eles ficariam mais fortes por número e economicamente, então parariam de depender economicamente da Inglaterra. Os EUA estavam não queria outra potência na América e pretendiam expandir seu território. Além do governo centralista se opor aos interesses dos criollos, eles também não queriam perder o controle de seu local. 

PÓS-INDEPENDÊNCIA: O Caudilhismo assume o poder. É um sistema de poder ligado à propriedade de terra, carisma e autoritarismo. Exercem seu poder de forma carismática e populista por vias autoritárias. Foi um período de instabilidade política (lutas internas pelo poder) e grande dependência econômica. Continua exportando matéria-prima e importando manufaturados. 


Primavera dos Povos

CONGRESSO DE VIENA: Foi a reunião das potências europeias para restaurar a ordem política após a derrota de Napoleão. Baseada em três princípios: 

LEGITIMIDADE: As famílias reais e fronteiras estabelecidas antes de Napoleão retornarão ao poder.

RESTAURAÇÃO: A intervenção em caso de novas revoltas liberais com a criação da Santa Aliança.

EQUILÍBRIO: Evitar novos conflitos entre as potências europeias, e a divisão do território europeu equilibrando os poderes políticos e econômicos.

No ano 1821, ocorreu a guerra de independência da Grécia. A região era ocupada pela Turquia, causando uma grande discórdia entre os dois povos por serem extremamente diferentes. Os gregos queriam poder escolher sua forma de governo (autodeterminação). Então Grécia decide lutar pela sua independência contra a Santa Aliança, e são vencedores.

Na França, depois do Congresso de Viena, Luís XVIII (1814-1824) assumiu o poder. A monarquia era constitucional, ou seja, o rei obedecia a assembleia. Luis XVIII morre, e Carlos X assume o poder, porém não apreciou ser limitado pela assembleia. A assembleia era dividida por Defensores do Carlox X (nobreza) VS. Restante da População (constitucionalistas), o lado que sempre ganhava. Com a França em crise econômica e fome, Carlos achava que a única solução era o absolutismo. Ocorre uma eleição, e o rei tinha esperança que os nobres iam ganhar e lhe oferecer mais poder, porém os constitucionalistas ganham de novo. Carlos X ignora o resultado e cria as Ordenações de Julho: Dissolve o Parlamento, fim da liberdade de imprensa e aumenta o critério de riqueza para votar (voto censitário), essa medida dificulta a disponibilidade para a população votar, aumentando os votos da nobreza. A população se revoltou com essa autoridade e aconteceu os “Os três dias gloriosos”, quando a população tomam as ruas francesas para protestar, e lutam contra o exército francês. Depõe o Carlos X, e assim é a queda da dinastia Bourbon.

↪ A pintura “A Liberdade guiando o povo” é sobre a revolução francesa de 1830, quando o Carlos X cria as Ordenações de Julho e o povo vai para as ruas, sendo guiados, no sentido de motivação, pela liberdade.

Os burguesas (liberais) e os nobres (absolutistas) entram em conciliação e Luís Filipe de Orleans assume o poder. O rei era um burguês, e prometia industrializar a França, alegrando assim ambos os lados. O mesmo acaba com as ordenações de julho.

Como a França se encontrava numa situação de crise,  com a liberdade de imprensa começam a fazer charges com críticas morais ao rei, desmoralizando o monarca. O Partido de Ordem (liberais) começam a fazer protestos contra a situação da fome, realizando os banquetes nas ruas (forma de protesto). A crítica moral agrava a crise política pois acaba com a imagem pública do monarca. Luís Filipe abdica o trono e é declarada a Segunda República Francesa.

No começo da Segunda República Francesa, teve como governo provisório o Louis Blanchi, que tinha como ideal o Socialismo Utópico. Ele agradava classes trabalhadoras, criou fábricas oficiais do governo e criou a comissão de Luxemburgo (que regulava a relação entre patrões e trabalhadores). Os burgueses não gostaram das fábricas públicas, pois além de significar mais competição (menor preço), também atrapalhava o governo de pagar estímulos para suas próprias empresas. Com a insatisfação dos burgueses, acontece um golpe, e tira Blanchi do poder. 

Cavaignac é posto no poder. Logo, prende Blanchi, pois o mesmo tenta dar um golpe. Com esse acontecimento, os trabalhadores começam a protestar, e Cavaignac os reprime, o fazendo perder o apoio popular. 

Luís Bonaparte é eleito a ser presidente (sobrinho do Napoleão). Durante sua presidência os trabalhadores ganham direitos e ascendem socialmente, prometeu para burguesia a industrialização do país. Além de conciliar os trabalhadores e os burgueses. Quando seu tempo no poder estava acabando, ele faz um plebiscito sugerindo torná-lo imperador, pois acreditava que só assim tornaria a França grande de novo. Ele ganha, aplica o Golpe de Estado, e em 1852 inicia o Segundo Império Francês (Napoleão III). 

Karl Marx escreve em seu livro a fala de Hegel que na história todos os fatos importantes ocorrem, de uma maneira, duas vezes. A primeira como uma tragédia (original, única e épica) e a segunda como uma farsa (falso, atuação e proposital). 

Segundo Império Francês (1852-1870)

Luís industrializa a França e moderniza Paris, com o tempo seu autoritarismo vai crescendo. Ele buscava a hegemonia/poder da Europa, então seu objetivo era acabar com a Santa Aliança. Então na guerra da Crimeia, de um lado estava Turquia, França e Prússia, e do outro, Rússia e Áustria, o último lado perde, e em 1856 acaba a Santa Aliança. Sem a mesma, o caminho estava aberto para a formação de novas nações. 

Em 1870, Napoleão III lutava contra a Prússia pelo controle de Alsácia e Lorena, que eram ambos lugares ricos em carvão e ferro, mas a França acaba perdendo e Luís Bonaparte é deposto. Logo começa a Terceira República Francesa, que tinha caráter bastante liberal, e também surge a Comuna de Paris, caráter socialista. Essa comunidade queria separar Paris e virar um governo socialista, mas são massacrados pela Alemanha e França.

NACIONALISMO: Priorização dos valores e objetivos nacionais, sendo esses valores: língua, etnia e cultura. E por causa dessa priorização é que surge estados-nações independentes.

AUTODETERMINAÇÃO: O sentimento dos povo de afirmarem seu direito e determinarem o rumo político do seu país.

REVOLUÇÃO GLOBAL: Conjunto de revoluções que desafiaram o regime absolutista, expandindo os ideais da Revolução Francesa.