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ARTIGO - PRIMEIRA E SEGUNDA GERAÇÃO DOS ANNALES

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do geografo chamado Vidal de La Blache, onde ele faz um estudo da geografia humana, a geografia vidalina tratava sobre grupos sociais em uma ampla duração, que incluía o presente ligado aos fatos estabelecidos a uma estrutura e os comparando. Dessa maneira, Lucien Febvre a partir das influências de Vidal de La Blache desenvolve os estudos da Geo-história, pegando as estruturas da geografia e trazendo para a historiografia.
Marc Bloch e Lucien Febvre foram os criadores da revista e os principais teóricos da primeira geração dos Annales, um dos principais livros de Bloch onde está centrado a sua teoria é o livro chamado Les Rois Thaumaturges. Em seu texto Bloch traz as concepções da historia das mentalidades, onde ele vai fazer o estudo da França e da Inglaterra no século XII ao XVIII partindo da análise do toque real, para entender a crença dos indivíduos daquele período, onde ele faz uma análise comparativa das duas nações nesse dado período, utilizando de seu método regressivo (este método busca fazer uma análise sobre a linha temporal dos fatos e pensamentos, regressando para estuda-los) para fazer este estudo.
Marc Bloch também desenvolve outro livro intitulado Apologia da História ou O Ofício do Historiador, onde o livro busca desconstruir a escola historiográfica anterior, que chamam de história tradicional e positivista, criando um novo método para os historiadores. Buscando a interdisciplinaridade e com um diálogo com as ciências sociais, buscando a problematização a dita história problema, onde o livro torna-se um manual do historiador e de suma importância para a nova historiografia.
Lucien Febvre também desenvolveu livros importantes na primeira geração, um deles intitulado O Problema da Incredulidade no Século XVI: A Religião de Rabelais, onde ele utiliza da teoria do anacronismo para falar sobre a ideia de ateísmo dada a Rabelais, assim sendo, ele quebra essa ideia pela ausência de tal termo na época abordada no texto, sendo mais correto o uso do termo cristão desiludido. 
A historiografia dos Annales seria “a ciência dos homens no tempo”, o conhecimento de uma humanidade plural, marcada de suas durações. Bloch já compreendia a história como “dialética da duração”: para ele, o tempo dos homens é feito de continuidade, a mudança e, na mudança, a continuidade. A influência das ciências sociais sobre Bloch e os Annales aparecerá na consideração na consideração da não mudança, o que a história tradicional sempre se recusou a analisar. (PARADA, Maurício. 2013, p.268.).
O fim da primeira geração é iniciado com a morte de Marc Bloch nos campos de concentração nazista, ele fazia parte da resistência francesa na segunda guerra mundial, em 1944 acabou sendo capturado e fuzilado, com a sua morte a história perdeu um dos maiores pensadores do mundo historiográfico. Após a morte de Bloch, Febvre ficou responsável pela revista dos Annales até o ano de 1946, assim passando a direção da revista para Fernand Braudel que era seu discípulo, Febvre morre em 1956 em Saint-Amour na França, após esse acontecimento Braudel se torna seu herdeiro e principal teórico da segunda geração.
SEGUNDA GERAÇÃO DOS ANNALES
	
	A segunda geração da escola dos Annales teve como principal teórico Fernand Braudel, ele ficou conhecido principalmente pela sua principal obra O Mediterrâneo, e pelas suas inovações na historiografia, como a história de longa duração, história serial e quantitativa. Braudel[footnoteRef:4] nasceu em 24 de Agosto de 1902 em Luméville-em-Ornois na França, estudou Grego e Latim, se tornou professor de história aos 20 anos quando recebe o cargo de agrégé, com a criação da Universidade de São Paulo (USP), ele junto com Lévi-Strauss teve como destino o Brasil, pois foram chamados para serem professores de tal Universidade. [4: BRAUDEL, Fernand. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernand_Braudel] 
	Em 1923 Braudel cruza o mediterrâneo pela primeira vez, aonde chega à Argélia, o contato com essa região encantou Braudel, no qual o faz refletir: “é o mesmo mediterrâneo dos fenícios, dos gregos, das galeras de D. João de Áustria”. (PARADA, Maurício. 2013, p.280). A partir disso, Braudel vai desenvolver o seu livro na ideia da longa duração e de uma história total para falar sobre a importância do mediterrâneo na conquista das sociedades, ao concluir a sua obra, os grandes ensinamentos do medievalista Braudel, que colocou no centro da discussão, uma grande mutação, na passagem de um mediterrâneo unificado por Roma e compartilhada por três civilizações: Bizâncio, Islã e o Ocidente. 
	As principais ideias do seu livro o mediterrâneo estavam centradas na questão das mudanças econômicas, que para ele estavam ligadas ao espaço geográfico, nesse sentido podemos afirmar que Braudel estava amplamente relacionado com a geo-história, em sua obra ele faz uma divisão em três partes, cada um com uma abordagem e exemplos divergentes relacionados ao passado. Primeiramente a ideia de “quase sem tempo”, representando uma situação “imóvel”, é abordada diante a relação do homem com o ambiente, surge então ao longo do texto a historia mutante sobre estruturas tais como social, politica e econômica, a partir desse momento o texto foca na historia dos acontecimentos, correlacionando todos estes aspectos para o melhor entendimento do seu estudo.
A ideia de tempo para Braudel, diz respeito à longa, média e curta duração. A longa duração refere-se às mudanças quase imperceptíveis e prolongadas que são tratadas desde o começo de dado fato histórico até o seu fim, já a média duração está inclusa no tempo da longa duração, e trata-se de mudanças de um período menor em relação a longa duração e são perceptíveis pelos contemporâneos, por fim a curta trata as mudanças momentâneas que são perceptíveis diante de um curto intervalo de tempo (anos e meses), no entanto, para Braudel a curta duração é enganosa pois são apenas recortes de um determinado tempo tornando algo muito especifico e superficial, por isso ele utilizava as ideias de longa, média e curta duração relacionando-as para poder ter um melhor entendimento da história, de forma ele aponta que o estudo da longa duração com é uma complexa interação entre a politica, economia, sociedade e a cultura.
Outro conceito importante de Braudel foi a historia quantitativa, sua teoria tinha em vista a questão econômica, inicialmente tratava da historia dos preços, mais a diante passou a abordar também as questões da historia social, um fator importante para o nascimento desse tipo de pensamento foram às crises econômicas da Europa e a quebra da bolsa de Wall Street em 1929. Ainda nas teorias de Braudel, existe o conceito de macro história, essa teoria é um método de analise histórica que tem como objetivo a identificação das tendências gerais ou de longo prazo, esse tipo de método está normalmente associado a tradição científica estruturalista, sendo assim utilizando essas teorias como a história quantitativa e a macro história para fazer o estudo do “todo”.
Após a morte de Lucien Febvre, Braudel se torna o historiador mais influente da sua geração, ele foi responsável por dirigir a revista dos Annales durante toda a sua segunda geração, até que em 1962 ele decide convidar outros historiadores para participar da revista agregando seus pontos de vista nas questões historiográficas, com o intuito de renovar a historiografia.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com esse ensaio, podemos analisar e entender a estrutura da escola dos Annales e suas influências para o sistema de estudo historiográfico, a síntese de matérias para se complementarem e dessa forma expandirem as visões sobre a sociedade e os próprios fatos históricos demonstrou um avanço no modo de análise acadêmica, teorias e visões que se entrelaçavam que criariam as raízes de nossa base histórica hoje em dia. O movimento foi de suma importância, renovou o modo de estudo retirando influências antigas e limitadas a uma sacralização dos documentos e organizou de melhor forma o meio com qual poderíamos estudar, Marc Bloch e Lucien Febvre renovaram

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