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[resumo] A Educação da Vontade - Jules Payot

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A Educação da Vontade - Jules Payot
Tese geral: o trabalho intelectual é o pináculo da virtude humana e necessita de método. Constitui
problema para a sua consecução a fraqueza da vontade humana, bem marcada como preguiça.
Em seguida procede-se um estudo das limitações da vontade, seguido de um compêndio prático
destinado a fornecer meios de fortalecer a vontade. Estas são: ideia pura é fraca sobre a vontade,
por isso precisa unir-se a um sentimento; como minimizar as influências externas, como
direcioná-la, e trabalhos físicos (higiene, alimentação e exercícios)
INTRODUÇÃO
Antes a igreja formava o caráter das pessoas, mas hoje elas têm de fazer isso por si
mesmas. Para isso é necessário educar a vontade, e um erro que se comete a esse respeito é
supor que a inteligência determina a vontade. A ideia é fraca sobre o caráter pois a vontade é uma
potência sentimental. Logo para terem efeito as ideias devem colorir-se de paixão.
“Não há sentimento que, deliberadamente escolhido, não possa, pelo uso inteligente de
nossos recursos psicológicos, determinar a direção da vida inteira.”
Existem 2 teorias errôneas sobre o caráter: uma que diz ser ele imutável, e a do livre arbítrio, que
diz ser ele fácil de mudar. O caráter é mutável, mas é difícil. Mudar o caráter exige conhecer os
recursos psicológicos. É necessário aprender a cultivar os estados afetivos, criando, fortalecendo
os positivos, e aniquilando os negativos.
Diletantismo e enervação são enfermidades da vontade. As ideias exercem sobre a vontade um
papel menor que os impulsos e sentimentos.
“A vontade superior consiste em submeter nossas inclinações a ideias”
A ideia não tem diretamente nem imediatamente força contra as inclinações inferiores. Sua força é
indireta e se baseia na capacidade de influenciar estados afetivos.
“Somos livres somente se soubermos conquistar nossa liberdade com muita luta”
O caráter não é inato pois muda com a idade, com as influências externas e com a volatilidade
natural dos desejos. Busca-se um caráter com unidade, estabilidade, orientação para fins
superiores.
LIVRO I
Capítulo I
Quase todos os nossos fracassos vem da fraqueza da vontade, e esta se manifesta como horror
ao esforço prolongado, uma leviandade, como dissipação, enfim como preguiça. Para negar uma
vontade perseverante é necessária uma força contínua - preguiça, apatia, indolência e ociosidade.
As nossas paixões são transitórias: quanto mais violentas menos duram. O trabalho deve ser feito
no espaço entre as paixões. O trabalho excita o espírito no início, mas conforme se adquire a
experiência vai-se deixando de exercitar o raciocínio. Por isso é importante criar preocupações
intelectuais paralelas à carreira.
“O homem busca passar a vida despendendo o mínimo de pensamento possível”
O inimigo toma a forma de atonia que é um desânimo que perpassa todas as ações, nos leva a
perder tempo, sermos lentos, é uma moleza; não estarmos a fim das coisas. Essa atonia atinge o
prazer, pois não se alcança alegria sem dificuldades. Além disso, todo preguiçoso é invejoso e
gasta sua energia em maledicências. Daí ser necessário que nos engajemos em prazeres ativos
como passeios, leituras, composições, etc.
A preguiça não impede grandes esforços, impede esforços prolongados, ou seja, constância. Todo
esforço que não seja moderado e contínuo é trabalho preguiçoso. Trabalho contínuo implica na
continuidade da direção, ou seja, orientar todas as potências do espírito ao mesmo fim.
Ter uma variedade de interesses, saltar de coisa em coisa, é preguiça, pois estamos exercendo
apenas uma atenção espontânea e não a voluntária. O problema do preguiçoso disperso é que
mesmo trabalhando com múltiplas ideias, elas não têm tempo de se sedimentar no espírito.
A preguiça tem horror ao verdadeiro esforço, que consiste em coordenar esforços particulares para
um fim preciso. Também tem horror ao esforço pessoal, que consiste em armazenar na memória o
conhecimento necessário, e demanda coordenação. É preciso ser laborioso em investigar, não em
aprender.
Pensar em palavras é um erro. Refletir é necessário. O trabalho consiste em compor, eliminar
detalhes inúteis e concentrar-se. Em compensação a vida moderna é plena de múltiplos estímulos,
favorecendo a dispersão, o que leva à redução da nossa vida interior.
Capítulo II
Valemos pela energia que temos. Não se edifica sobre um homem fraco. Nosso trabalho dá a
medida aproximada do poder da nossa vontade. O trabalho intelectual é o estudo da natureza ou
das obras de alguém, ou produção pessoal A produção exige estudo. O instrumento de trabalho é
a atenção. Trabalhar é estar atento. A atenção não é fixa nem duradoura. A atenção é como um
arco tensionado, e a atenção perseverante é uma sequência de tensões e distensões que dão a
ideia de continuidade. A dificuldade dos jovens em repetir esforços de atenção se deve a eles
terem mais vida animal que vida intelectual. Os esforços intensos e perseverantes devem ser
orientados para um mesmo objetivo.
“Para que uma ideia, para que um sentimento se enraízem em nós e adquiram direito de
cidadania, há condições de habitação, de convívio, de intimidade.”
As grandes ideias devem ser repetidas, de maneira amorosa até se tornarem um centro de
organização da mente, a partir do que elas se alimentam sozinhas de nossas vivências, isso se
consegue através da meditação calma e paciente.
Toda descoberta é uma obra da vontade. Nosso objetivo então deve ser desenvolver a energia da
atenção voluntária, que se manifesta a partir do vigor, da frequência dos esforços, da orientação
clara de todos os pensamentos para um mesmo fim, e da subordinação dos sentimentos e ideias à
grande ideia.
Capítulo III
“A polêmica não deve passar de um trabalho preparatório, guardado para si (...) Para
convencer de nada serve criticar, é preciso construir.”
A preguiça espiritual vem de aceitar com passividade as sugestões da linguagem, e de pensar com
as palavras, o que oculta o que a palavra indica. O caráter é uma resultante de pensamentos,
paixões e sentimentos.
“Só comandamos a natureza humana se também lhe obedecermos.”
É necessário apenas o desejo de melhorar, não importa que ele seja fraco, pois existem meios de
fortificá-lo.
“A moral só tem necessidade de liberdade. E essa liberdade só é possível dentro e através
do determinismo. Para assegurar nossa liberdade, basta que nossa imaginação seja capaz
de conceber um plano de vida a realizar.”
LIVRO II
Capítulo I
A dificuldade reside na complexidade das relações entre os elementos da psique. Os elementos da
psique se reduzem a três: as ideias, os estados afetivos e as ações. Temos dois tipos de ideias: as
centrípetas, vindas de fora, da autoridade de alguém, e as centrífugas, gestadas por nós mesmos.
A preguiça e a sensualidade encontram suas justificativas nas ideias externas. Porém temos poder
sobre estas ideias: podemos ordená-las e desenvolvê-las . Essas ideias externas não tem poder
sobre nós, elas são palavras, falta-lhes sentimento.
“O que é a imprudência senão a visão de ameaças sem o sentimento dessas ameaças.”
Existem ideias sem penetração, mas que se beneficiam de sentimentos passageiros. Ideias
externas sem trabalho de assimilação, baseadas somente na memória são fracas (“O homem não
vive do que come, mas do que assimila”).
Abaixo destas, existem ideias externas em harmonia com nossos sentimentos fundamentais, e
confundem-se com as ideias proprias, e até mesmo com os nossos sentimentos. Os sentimentos
possuem muita força e são o sustentáculo de toda atividade prolongada. As ideias próprias vem
das profundezas do nosso ser e correspondem à tradução do nosso caráter.
Ideias profundas, que passaram pelo processo de assimilação, agem como substitutos manejáveis
dos sentimentos correspondentes a elas, contrariamente às ideias superficiais verbais. Essas
ideias fonte conseguem atrair os sentimentos apropriados a elas e se nutrir. Não apenas os
sentimentos inatos tem poder, os adquiridos também. Para contrapor a fraqueza da ideia vem a

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