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Introdução ao Direito Penal

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do contrato, a aplicação da sanção penal era justificada pelo contrato 
social. 
Se aceitarmos os termos do contrato, ao rompê-los, tornamo-nos inimigos da 
sociedade. Beccaria menciona, nos dois capítulos iniciais, a existência do contrato 
social. Um direito penal construído por meio do contrato social legitima formas 
modernas de tirania. 
Beccaria não concebia o direito penal como instrumento de vingança, sua 
concepção era utilitarista: o direito penal deveria ser útil, com objetivos preventivos. 
Prevenção geral: a intimidação da sociedade consiste na certeza da punição, 
capacidade de dissuasão. 
Prevenção especial: a busca pela recuperação do infrator pela sociedade. 
 
Ius puniendi estatal e os princípios penais constitucionais 
Ius puniendi é o poder de punir do Estado. Esse poder deve ser controlado, para que 
não haja arbítrio. Quem faz esse controle são os princípios, que trazem carga 
valorativa, apresentados a seguir. 
 
Princípio da legalidade 
Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. 
Nullum crimen, nulla poena sine previa lege. 
➔ Princípio da legalidade: toda e qualquer proibição precisa estar prevista em 
lei. 
Está explicitamente descrito. Encontra-se no artigo 1º do CP e artigo 5º inciso XXXIX 
da Constituição Federal. 
A legalidade representa a expressão da democracia, o Estado democrático de 
direito. A lei não pode ser meramente formal, deve carregar a descrição clara da 
proibição. 
O princípio da legalidade protege a todos os indivíduos. A lei penal deve valer para 
todos. tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida das suas 
desigualdades. 
FERNANDA CAUS PRADO DIREITO PENAL I 
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“O estado democrático de direito jamais poderia consolidar-se em matéria penal sem 
a expressa previsão e aplicação do princípio da legalidade.” NUCCI, Guilherme de 
Souza. Princípios Constitucionais Penais e Processuais Penais . São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2011. 
Em seu aspecto político , o princípio de legalidade confere segurança jurídica para 
que cidadãos só sejam punidos com base em lei escrita, lei de conteúdo 
determinado e lei anterior ao fato. 
Alguns são os princípios que decorrem da legalidade, sendo eles: 
Princípio de taxatividade : o fato deve ter seu conteúdo determinado, claro, 
com descrição completa. 
Princípio da anterioridade penal : a lei deve ser anterior ao fato, não se pode 
aplicar uma lei a um fato que ocorreu antes de sua criação, a lei é feita para 
atos futuros. 
Princípio da irretroatividade da lei penal mais severa : as leis penais não 
podem retroagir; as leis caminham para frente, não podem voltar ao passado. 
A exceção se encontra no princípio da retroatividade da lei mais benéfica. 
Princípio da retroatividade da lei mais benéfica : a lei pode retroagir em caso 
de ser mais benéfica para o réu. Encontra-se no artigo 5º, XI da CF. 
As leis penais não retroagirão, salvo para beneficiar o réu. 
 
No aspecto jurídico , a conduta que não estiver prevista na lei penal ficará livre de 
sanção penal. Chamamos de subsunção a exigência de que a conduta concreta 
realizada pelo sujeito ativo tenha correspondência na conduta abstrata contida na lei 
penal. 
★ Exemplificando: jurisprudência penal do STF 
Interceptação não autorizada de sinal de TV a cabo não caracteriza furto, portanto, 
inexiste subsunção ao parágrafo 3º do artigo 155 do CP, porque o sinal de tv não é 
energia. 
(HC 97.261, Relator Min. Joaquim Barbosa, 2ª turma, julgado em 12.04.2011). 
Artigo 155 do CP: subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: 
§ 3º - equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor 
econômico. 
 
O Código Penal 
➔ Código Penal: conjunto de normas, condensadas num único diploma legal, 
que visam tanto a definir os crimes, proibindo ou impondo condutas, sob a 
ameaça de sanção para os imputáveis e medida de segurança para os 
inimputáveis, como também a criar normas de aplicação geral, dirigidas não 
só aos tipos incriminadores nele previstos, como a toda a legislação penal 
FERNANDA CAUS PRADO DIREITO PENAL I 
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extravagante, desde que esta não disponha expressamente de modo 
contrário. 
O código penal é dividido em duas partes, sendo elas a geral e a especial. 
Parte geral : estão princípios gerais indispensáveis para a interpretação e 
aplicação das normas incriminadoras (proibitivas). 
Parte especial : estão as normas incriminadoras que definem crimes e 
cominam penas e, os bens jurídicos protegidos. 
 
A norma penal 
A função da norma é delimitar o âmbito do proibido - separando o que é lícito e o 
que é ilícito. Do mesmo modo, as normas delimitam o âmbito do punível . Elas 
demarcam o âmbito da nossa liberdade. 
A norma se dirige a todas as pessoas. Ela não nos concede certas liberdades, pois 
há conteúdos descritivos proibitivos que delimitam nossa ação. A norma penal é 
uma construção política, bem como o crime é uma construção política. 
É necessária responsabilidade na formação de normas penais, pois trata-se de uma 
decisão de política penal: o que é proibido e de que modo punir. É pelo conteúdo da 
norma que se torna possível identificar o bem jurídico. Se não há um bem jurídico 
previsto, que justifique a punição, a norma se torna inconstitucional. Toda norma 
deve proteger um bem jurídico . 
Toda norma penal tem um conteúdo descritivo e também uma consequência jurídica . 
A descrição da conduta proibida e uma consequência jurídica por trás da conduta. 
★ Exemplificando: homicídio 
Conteúdo: matar alguém; consequência: a própria sanção penal prevista (pena 
cominada). 
 
Direito Penal e Constituição 
O direito penal obrigatoriamente deve ser fundamentado pela Constituição, visto que 
sua função é defender valores. Estamos construindo um conceito de direito penal de 
cunho Constitucional, pois estamos partindo do pressuposto que a norma penal tem 
a finalidade de proteger bens jurídicos e valores. Esta é a conexão entre o direito 
penal e a Constituição. 
★ Exemplificando: não matar. 
Justifica sua existência na proteção da vida humana,

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